Arquivo do mês: outubro 2011

Gestação

Lá estava Juliana caminhando em direção à central para pegar o trem das 16:50h. Vinha sem pressa, sem ambição, sem desespero e também sem raiva embora, no fundo de seu coração Juliana carregasse, como todos, uma certa incompreensão sobre algumas coisas que acontecem no mundo e  sobre outras que não se realizaram. Principalmente com ela. Juliana.
Vinha a moça portando seu útero inútil e uma bolsa que dentre outras coisas trazia uma marmita vazia, um livro de Paulo Coelho e um batom que ela já não via mais necessidade de usar, mas  que carregava por precaução, pois a esperança é assim. Como uma maquiagem sem utilidade guardada na bolsa de Juliana que em nada contribui para a beleza desse mundo. Vinha com a humildade de uma a criança descalça que pede para a gente alguma moedinha. Ia como tantas mulheres que vem e vão por todas as calçadas, que já tiveram dias vividos com os nervos expostos e incontáveis noites sem sonhos e sem gozo.
Andava com seus passos sem importância e sem marcação. O tempo de viagem para casa não era contado regressivamente por ninguém. Seguia, portanto, com a força da conformação, semelhante aquela que nos empurra para o cinema e que nos permite o riso mesmo após termos lido uma notícia de um crime hediondo nos jornais.
Voltava para casa essa Juliana como voltam as Marias e as Lúcias da Igreja. Com a falsa leveza conquistada ao preço de alguma parca penitência. Seus cabelos estavam soltos como seus pensamentos. Preocupava-se com uma conta atrasada, comprou pipoca doce, olhava para algumas bijuterias expostas por um chileno e achou a blusa daquela senhora muito bonita.
Trazia consigo seus quarenta anos, a disposição para viver mais trinta e uma vontade muda de fazer alguma coisa bem excêntrica.
Foi então que aconteceu.
Esperando na calçada o sinal fechar para poder, enfim, após metros de insípidas divagações, atravessar a Presidente Vargas, Juliana viu dentro de um táxi que acabara de parar quase em cima da faixa de pedestres, um menino de aproximadamente cinco anos que a olhava. Juliana se assustou. O menino sorriu e mostrou-lhe a palma da mão dando-lhe um tchau como vinha fazendo para todos que o notavam desde que saiu de casa. Juliana, tão indiferente para o mundo e tão insuficiente para ela mesma, interpretou aquele gesto como um doce olá dado somente por aqueles que se conhecem e se reconhecem no meio de uma multidão.
Juliana sorriu e enquanto seus lábios ganhavam um novo formato, levou às mãos ao ventre e lembrou-se de Pedrinho, o nome dado ao fruto de uma gestação de três meses que não perseverou por problemas hormonais jamais solucionados. Retribui a moça aquele cumprimento – mal sabia ela – indiferente com a inércia de seu corpo ou – que diferença faz?,- com a sua própria alma.
        As pessoas a empurravam ou simplesmente se desviavam da Juliana do mesmo modo que se desviam de um poste para cruzar a avenida. Resistente a insensibilidade e a desatenção dos transeuntes, o olhar dessa Juliana mantinha-se fixo naquela mãozinha, o seu coração infértil disparava, suas pernas tremiam e as buzinas emudeceram.  Aqueles segundos de sinal fechado tiveram, para essa senhora, a densidade das horas.
Ao ver o automóvel partir, Juliana correu desesperada na tentativa de sei lá, meu deus. Nada mais incompreensível do que a dor de uma mulher vendo um álbum de belas imagens fotografadas de seus tantos devaneios ser levado por um táxi.
A impura poeira do asfalto tratou de enegrecer o corpo e os sonhos desta pobre moça. Coube ao ônibus 373, impetuoso e desatento, como todos aqueles que viram e veem tantas Julianas, dar fim a essa história.
 

 
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Parados na Estação

Sempre tive algumas divergências com o Nelson ao longo de uma convivência intensa de mais de duas décadas. Algumas são corriqueiras que em nada afetam nem o meu norte nem o zigue-zague cambaleante nas veredas que meu marido percorre. É o caso, por exemplo, da opinião de um filme ou de uma música. Marina, morena Marina você se pintou é horrível. Só de ouvir fico com vontade de esganar o aparelho de onde essa música esteja saindo – mesmo que este seja as cordas vocais de meu bem. Você tem que vir comigo em meu caminho e talvez o meu caminho seja triste pra você… comigo não, violão! A mulher que acha essa música linda e romântica não pode jamais reclamar de maus tratos! João Bosco é nojento! Compõe muito bem, mas vai cantar com aquelas caras e bocas longe de mim! Arghf. Enquanto a Bola não rola não rola! e Matrix foi um dos piores filmes que já vi nessa encarnação! Coisinhas assim que vivo dizendo com muitas exclamações que refletem toda a força de minha opinião e que ele nem discute, pois sabe que a porta está completamete fechada e que atrás dela jaz um coração peludo. Nada, absolutamente, nada demais. Porém, há outras que me fazem parar um pouco esse trem e descer com ele numa estação qualquer só para refletirmos sobre o rumo dessa viagem. E será sobre uma delas que divagarei.

Quando éramos muito mais jovens não somente os tempos eram outros, mas O Tempo corria muito mais lentamente (como ainda hoje ocorre com a juventude dos nossos filhos). Pensávamos que a vida oferecia uma perspectiva infinita e nos sentíamos sempre desassombrados em relação à solidão acreditando que estaríamos a todo e qualquer momento reunidos cantando, bebendo e jogando conversa pela janela com aquele mesmo grupo. De repente, porém, percebemos que não vemos um primo querido, um tio engraçado e alguns dos amigos (que quiçá até foram inimigos! (mas hoje o que importa?)) há dez, quinze, meodeos…vinte anos atrás! No momento dessa impressionante constatação e diante de uma possibilidade promovida pelo facebook de rever o grupo da escola e dançar com eles ao som das mesmas músicas que outrora movíamos nossos corpos de modo inovadoramente cadenciado para a época, soltei fogos e dei cambalhotas de tanta animação. Nelson sentiu algo completamente diferente do que fez meu coração acelerar por conta da endorfina liberada pelo convite. Achei isso muito estranho porque estudamos na mesma escola e nossos amigos sempre foram os mesmos com algumas poucas exceções.

 Pára, maquinista!

Nelson tem lá suas razões e as expôs do seu jeito paciente na esperança que eu aceitasse como natural algo que inicialmente para mim seria inconcebível: não querer rever velhos amigos. Ele entende que há algo que não se pode redimir nas separações. Para ele, jamais voltaremos a estar juntos, pois quando nos revermos, perceberemos que fomos separados por uma distância medida em anos. Transformamo-nos demais. Poderemos falar, dançar, brincar; mas não estaremos nos ‘reencontrando’, pois seremos outras pessoas. Estranhas umas para outras. O amigo, que eu me animo em encontrar, se perdeu com essas tantas rotações da Terra que fez o tempo ficar tonto e leviano. Por isso, Nelson prefere usar esses minutos, cada dia mais preciosos, com pessoas que ele ‘conheça’ de verdade.

Mas terá razão essa feroz lógica de meu amor? Sim, há razão. Não podemos negá-la. E eu, infelizmente, não tenho argumentos tão coerentes quantos os do meu marido para discutir e por isso silenciei-me. Sinto, porém, um ligeiro e pungente desconforto. Há razão. Mas… não há paixão. Ao ouvi-lo, senti que a vida vista assim parece absurdamente triste. É necessário levar todas as coisas para o campo-santo? Eu imaginei rever pessoas voltando de longas viagens, ricas de muitas histórias e com conversas portentosas de tanta novidade. Concordo que para sentir a mão do outro precisamos agarrar ambos a uma velha ninharia e o momento ‘se lembra quando…?’ será inevitável. Mas não percebo que estamos falando de pessoas já falecidas, de um passado enterrado … porque se assim for (ando ainda pensando) para que viver? Por que amamos tanto um dia e para onde vai a nossa afeição aos novos amigos? Não há sorrisos verdadeiros e muito menos gargalhadas destemidas num presente desvinculado do passado, meu bem. Precisamos todos reencontrar a liberdade sadia de outrora para percebermos que ela não se perdeu e não se perderá jamais.

A conversa não terminou com uma das partes mudando de opinião, como ocorreu em tantas outras paradas desse comboio. Nelson deve ainda estar pensando, mergulhado em tanta necrologia, que quando outros o virem, terão uma miragem de um náufrago fazendo um apelo. Quanto a mim, acho que não convém pensar muito mais no assunto, pois a vida é curta e, enquanto pensamos, ela se esgota. Por isso, dou agora um fim a essa amarga tolice sem nem ao menos um ponto final

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O Bem, O Mal e Eu com Tudo Isso.

Pensei muito se deveria compartilhar essa história. Afinal, muitos podem se afastar de mim depois de ouvi-la ou pior, por curiosidade e por preocupação se aproximar. Mas fato é que certos acontecimentos na vida são como um bolo de aniversário que só cumpre seu destino se for dividido entre amigos. Então, não vejo outra opção senão contar a vocês o que aconteceu comigo na semana passada, mesmo sabendo que as consequências dessa partilha podem ser desastrosas.

Era para ter sido uma segunda-feira como tantas outras. Marilene viria até aqui em casa fazer as minhas unhas no início da tarde e depois disso eu voltaria para meus livros para continuar minha pesquisa sobre o desenvolvimento da física no século XVIII. Como ocorre em todas às vezes que nos vemos, perguntei sobre como anda a vida e a sobrinha de minha manicure enquanto minhas cutículas eram subtraídas pelo ligeiro alicate.

– Como vai a vida, Marilene? Lorena vai bem?

– Lorena está cada dia mais abençoada. – Marilene, como ela mesma me explicou, é de Deus e quem é Dele responde assim quando a pessoa vai bem. No entanto, parece que a benção tinha sido mal dada por esses dias e Marilene continuou. – Mas, ela anda com diarréia e vomitando.

– Desde quando? – Perguntei preocupada lembrando do rotavírus que Yuki pegou esse ano e que quase o desidratou em um dia.

– Desde que apagou a vela da macumba semana passada. Eu e Janete tava conversando numa esquina e quando vimos ela já havia soprado a vela. Para você vê. Como criança é ingênua. Não percebe o mal que pode causar mexendo nessas coisa.

Eu cansei de ouvir bobagens desse tipo da Marilene e sempre dizia hum hummmm para não me estender no assunto. Nós, ateus, agimos estranhamente com as pessoas religiosas respeitando o que elas tem de sagrado. A nossa descrença por esse motivo é muitas vezes silenciosa. Evitamos um confronto de ideias para não machucar ou tirar o chão de quem vive em “solos firmes”.

O problema é que agora envolvia a Lorena e eu não me contive.

– Marilene, ingênua é você! Essa menina precisa ir ao médico! Já ouviu falar em dengue, vírus, rotavírus, hepatite, meningite e patati patatá? – Eu falei patati patatá porque eu não me lembrava mais nome de doença nenhuma.

– Você não acredita no Diabo não, Elika? – Marilene segurava o alicate em riste, mas eu só pensava na Lolô doente e não me intimidei.

– Marilene, eu não acredito em Deus vou acreditar no Diabo? Olha aqui, eu vou te dar um soro com sabor de tutti frutti para você dar para a Lolô e você vai fazer assim assim e assim! – Na verdade assim assim e assim pode ser substituído, na cabeça do leitor, por um discurso surreal sobre o que acontece com as crianças que não vão ao médico quando mexem com a macumba de terceiros.

A unha ficou com a graça de Deus muito boa e Marilene foi embora depois de ter me prometido que cuidaria da Lorena direitinho.

Voltei rapidamente ao trabalho no meu escritório, mas percebi que algo estranho acontecia. Eu tinha que fazer uma força descomunal para manter meu livro aberto. A mesma que fazemos quando passamos pelas portas que foram feitas para ficarem fechadas. Se perdermos o contato, elas se fecham sozinhas. Jamais uma obra impressa aqui em casa se comportou com tamanha antipatia. O que estava acontecendo com o Cassirer? Ao forçar a leitura novamente, o livro pulou da mesa e caiu todo aberto no chão. Abaixei-me rapidamente para apanhá-lo e na primeira tentativa ele escapou de minhas mãos parecendo um peixe ensaboado. Estranho… Tentei de novo. Foi, então, que vi algo parecido com as patas traseiras de um cavalo aparecerem de repente ao lado do livro estatelado no chão. O meu olhar foi subindo lentamente acompanhando aquelas pernas cobertas com pelos vermelhos donde já se via uma capa também rubra por trás delas que deveria estar amarrada no pescoço, ainda longe do meu campo visual. Continuei vagarosamente a aumentar a distância entre o meu queixo e meu colo. Passei pelos joelhos que eram meio de gente meio de bicho, pelo sexo coberto por uma sunga preta, depois pela barriga muito parecida com essas que vemos em modelos masculinos que fazem propaganda de cueca em outdoors e, finalmente, cheguei ao rosto que possuía dois chifres na testa.

Eu estava diante do Capeta.

– Vade retro, Satanás! – Gritei, por reflexo, essa frase católica medieval.

Confesso que me deu um certo medo ao olhar diretamente por aquelas íris felinas, mas também estava muito preocupada e irritada com o estado que o Diabo havia deixado meu livro que nem sequer ainda estava em minhas mãos.

– Que história é essa de você não acreditar em mim?- Perguntou-me o Belzebu com um bafo de onça.

– Ora. Deixe de conversa besta!- Falei após pegar rapidamente o livro no chão e começar a ajeitar as folhas amassadas pela falta de cuidado com que ele havia sido arrancado de mim e arrastado por todo o piso do escritório.

– Há o Bem e há o Mal. Isso é tão claro, Érika, que fico possesso quando vejo alguém que despreza essa diferença! Quem você pensa que é para ainda ficar falando pros outros que Eu não existo?

Dei as costas pro Diabo.

– Você é uma ignorante, menina! – Satã falava com ardor.- Você não sabe nada de mim e fica me desprezando! Pois eu vou te dizer, eu fiz uma revolução contra Deus, tá? Perdi? Perdi! Fui vencido? Fui! Mas NUNCA mais O afrontei de novo! Agora? Eu estou doido para derrotá-Lo! Você vai ver, Erika. Vou expulsá-Lo do paraíso. Ele e todos aqueles anjinhos sem-graça! E aquelas virgens infelizes! E daí, Erika, você vai ver que EU existo pra valer! Você vai ver as atrocidades que hei de cometer! – O Diabo estava cada vez mais irritado com meu desprezo e começou a falar mais alto. – Você é uma idiota, Erika! Você conhece por um acaso o meu passado? Eu era o mais inteligente da minha turma, o mais bonito, o mais amigo, o mais tudo, sabia disso? E Ele que me expulsou. Aí foi o Seu erro porque eu estudei mais ainda, corri por fora como vocês dizem e estou pronto de novo para uma nova guerra!

– Lucífer, deixe de ser chato e burro! Mas se quer fazer isso eu te pergunto: o que você acha que vai acontecer depois? O que você pensa em fazer com as pessoas que dedicaram a vida à Deus?

– Vão todos pro inferno para deixarem de ser imbecis! Tomarei conta do paraíso, substituirei os anjinhos pelos capetinhas e as santas pelas mais belas putas! Daí você verá a diferença. – Respondeu-me sem pestanejar.

– Reflita um pouco, seu Demônio. Olhe o mundo ao seu redor! Se existe o Bem e o Mal, como você afirma, e se houve briga no passado… o vencedor foi Ele? Se Esse Deus fosse bondoso e todo-poderoso por que não fez exclusivamente o bem? Como podemos justificar o câncer, os micróbios, a difteria e milhares de outras doenças que atacam as crianças? Já contou a quantidade de pedófilos nesse mundo? Quantos inocentes morrem por causa dos ciclones, dos terremotos, da pestilência e da fome? Jamais considerarei bondoso um ser que, tendo poder de criar um mundo sem dor, cria deliberadamente o contrário!

– É, pensando bem… – Refletiu Satanás – se ele deixou a Amy Winehouse que tinha uma voz divina chegar no estado que chegou… Imagina com o resto. – Delirou. – Mas eu vou assumir esse volante e vamos ver se você não acreditará no Meu potencial, sua incrédula ridídula!!!

– E você acha que tomando o poder vai fazer melhor do que isso ou vai conseguir piorar essa situação? Acha que vai mudar alguma coisa? Pois saiba, seu Satã, que nada vai mudar.

– Farei novas leis, sua idiota. Aliás, nem vou precisar. Só trocarei nas leis que estão em vigência, o sim pelo não e o não pelo pode.

– E a idiota sou eu? O povo continuará desobedecendo ou se confundindo mais ainda com essas regras, não percebe? Veja os Dez Mandamentos! Parece claro para você? Pois, então, me responda, Satã: eu deveria honrar a vontade de meus pais se eles me pedissem para quebrar algum dos outros mandamentos? Posso roubar para prevenir um assassinato? É certo quebrar o sábado santo ou mentir para salvar a vida de alguém? Se fizer novas regras ou modificar as que já existem tudo vai continuar na mesma. O bem e o mal serão sempre relativos!

O Demônio ficou olhando pro teto com a mão no queixo pontudo. Depois de uma longa reflexão, falou:

– Puxa, eu estava tão animado. Agora estou confuso…você acha mesmo que a minha luta será em vão? Acha mesmo que não devo tentar? O meu exército estava com uma animação do capeta! Pronto para a Guerra, Érika. Acha que devo dispensá-los depois desse trabalho infernal que tive? O que eu faço agora, Érika?

– Quer saber? Faça o que você quiser, faça o diabo a quatro, vá pro diabo que te carregue, mas me deixe estudar pelo amor de deus!

Belzebu percebeu que havia perdido seu tempo comigo. Bufou descontente. Foi para a janela do escritório, ajeitou a capa como se estivesse preparando para alçar vôo.

Percebi, então, que aquele pobre-diabo tinha mesmo esperança de modificar alguma coisa nesse mundo. Assim como os monges budistas. Quem sabe ele tem razão? Quem sabe há o Bem e há o Mal? Quem sabe o que realmente está acontecendo com o mundo? E ainda, como cansa de me lembrar o meu orientador: Quem sou eu para afirmar alguma coisa?

Antes que ele fosse embora precisava tirar isso tudo a limpo.

– Espere, Satã, por favor. Preciso saber de uma coisa.

– Fala, querida.- Disse ao virar somente a cabeça em minha direção.

– A vela que a Lorena apagou … tem alguma coisa a ver com tudo o que ela está passando?

– Vela? Que vela, Érika?

– Esquece. Pode ir.

Mesmo com a capa toda aberta não o vi voar. Pelo contrário. A gravidade atuou no coitado como atua numa pedra. Ouvi lá de cima um barulho de algo pesado se chocando com o chão. Coloquei imediatamente o pescoço para fora da janela e olhei para baixo. Vi somente meu cachorro olhando assustado para mim.

E foi exatamente isso que aconteceu.

Eis o pedaço do bolo de aniversário que te ofereço hoje. Perdoe-me se não coloquei a cereja.

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