Arquivo do mês: maio 2013

Treinando em plena Quinta

correr

Não sou muito dada a pensar em fazer alguma coisa. Querer, para mim, não é poder. Querer é fazer. Nada nunca foi planejado na minha vida, nem um dos meus três filhos, nem o casamento, nem a faculdade, nem a minha carreira acadêmica, nem morar ao lado dos meus pais até hoje, nem ser uma funcionária pública e, indo ao foco do que me trouxe hoje aqui, muito menos participar de alguma corrida.

Há mais ou menos um mês atrás resolvi sair do sedentarismo. Acordei numa quarta-feira e me dei conta que era uma total inativa. Aquilo repentinamente me incomodou e, então, me inscrevi no Circuito das Estações Adidas/2013, “o maior circuito de corridas de rua do Brasil que é inspirado nas 4 estações do ano”. Maneraço. Eu teria um mês para me preparar, ou seja, correr cinco quilômetros sendo que há uns dez anos que não andava nem meio. Era a motivação que precisava. O primeiro grande passo rumo à grande e minha triunfal saída da inércia havia sido dado.

Se ainda faltava mais algum incentivo, esse foi dado pelos meus amigos e claro, pelo meu paizão. Ao anunciar aos sete ventos que começaria o treinamento na segunda-feira via feicebuque, ésse-ême-ésse, uázapi, imeial, telefone…tive imediatamente o apoio para dar cabo ao desafio. Os que me conhecem muito bem duvidaram de que eu seria capaz e, preocupados d´eu ter um treco ou pagar um mico danado, questionaram a minha inscrição no circuito de corrida de ruas. Ao meu pai não foi sequer dado o benefício da dúvida. Ele foi publicamente taxativo em um comentário na minha postagem na rede: esquece isso porque você não vai conseguir. Mas, pai, a minha irmã consegue! Sua irmã consegue. Você não. Adorei. Meu pai sempre foi a pessoa que me deu a maior força para eu seguir não meus sonhos porque não os tenho, mas os meus impulsos. E dessa vez não foi diferente. Um dos maiores prazeres da vida consiste em fazer aquilo que os outros dizem que você não é capaz. Belezura.

Senti-me estranhamente bem ao vestir a roupa de corrida e calçar o tênis. Tudo comprado de primeiríssima qualidade com as notas devidamente coladas no espelho caso alguma indisposição para treinar pintasse no pedaço. E foi dado a largada!

Estou na minha terceira semana de treinamento e hoje resolvi fazê-lo na Quinta da Boa Vista. Saí do carro com postura de athlete: de boné, rabo de cavalo, meus óculos de sol mega esportivo Adidas A135 Evil Eye Explorer, short Oxer Split Hidrogen 008, camiseta Fila Soft Light, e meu super tênis Nike Air Zoom Marathoner. Peguei o celular, coloquei-o no Arm Band Bracelete e liguei o aplicativo que marca velocidade, tempo, distância, número de passadas por minuto, batimento cardíaco, respiração, enzimas pancreáticas, traça gráficos, faz pudim e ainda mostra toda a nossa façanha para os amigos conectados! Lembrei do preço de toda aquela marra que estava colocando e comecei a passos largos (exatamente, oito passos por minuto) distanciar-me da preguiça.

Mal começo e vejo uma senhora “correndo”. Vinha se arrastando a coitada. Com a boca aberta. Será que ela acha que está correndo daquele jeito? Senti pena. Eu não. Inspiro o ar pelo nariz e solto o ar pela boca fazendo barulhinho de atleta. Contraio o abdome e mando ver! Se vejo alguém correndo na minha frente dou um jeito de ultrapassar. Brinco mentalmente que estamos apostando corrida. Vejam que divertido: peguei-me sem querer correndo com os braços erguidos assim que ultrapassei um gordinho. Lá pelas tantas, depois de muuuuuito tempo correndo, tipo uns dez minutos (talvez menos), ouço uma criança conversando com o pai ao me ultrapassar naquelas bicicletas que parece o carro dos Flintstones. Pai, ela está andando ou correndo? Ah é? Ah é? Disparei na velocidade da luz e como é sabido que o som anda mais devagar, não consegui ouvir sequer a resposta do pai que, acho eu, foi até desnecessária depois da minha grande performance. Se eu não chegar naquele poste a minha mãe vai morrer. Se eu não passar por aquela ponte não vou conseguir terminar o doutorado. Se eu não ultrapassar aquele cachorro antes daquele banco o Yuki vai ficar doente. Pessoas maduras e experientes sabem vencer. E com pensamentos assim vou me auto-motivando ao longo do treino. Sempre funciona.

Depois, é claro, os alongamentos. Atleta que é atleta sabe a importância de um bom alongamento depois de uma corrida mega puxada de 2 km em 30 minutos. No portão da Quinta vários esportistas, como eu, se esticando. Alonguei bem os tríceps surais – cof cof para os leigos, as batatas da perna- , os tibiais anteriores – a parte da frente da canela, ok? -, os quadúpedes – para os metidos e inteligentes, os quadríceps – e resolvi também alongar a parte interna da coxa. Esse talvez tenha sido o grande erro do dia.

Com os pés em paralelo, fui lentamente afastando um do outro. Distanciei-os o máximo que consegui ficando completamente arreganhada com uns três palmos entre mim e o chão. Digo, três palmos de distância. Contei umas dez respirações olhando séria o horizonte. Hora de fechar as pernas. Quem disse que conseguia? Olhei para trás e o muro não estava ao meu alcance. As pernas simplesmente não tinham mais forças para obedecer qualquer comando. Pedir ajuda naquelas condições seria humilhante. Resolvi jogar o corpo para a frente contando com os braços para amortecer o impacto.

Tum! Os braços falharam e beijei o asfalto. Alguns atletas olharam. Sabiamente coloquei as mãos embaixo do queixo e permaneci olhando o horizonte séria, tal como o fazem os praticantes de sei lá, acho que Yoga. Lá no Japão a gente faz é yoga7assim depois de longas corridas, sabia não? Falei em pensamento para aqueles que continuaram me olhando como se não tivessem mais músculos para alongar. Um se aproximava para me ajudar. Não! Que vergonha! Não poderia deixar aquilo acontecer!  Daí, eu comecei a puxar os pés por detrás das costas e continuei praticando, com o corpo colado no asfalto, uma Yoga jamais praticada por qualquer ser nesse planeta.  Sempre séria para não dar bandeira. Funcionou. O homem sem noção da titica que ia fazer parou e continuou me olhando. Tentei lembrar do que havia lido há séculos atrás sobre os ensinamentos dos Sábios do Himalaia. Sei que essa ciência tem algo de adorar o Deus Sol e daí a sequência de flexões e extensões que o pessoal da Yoga faz. Com isso em mente ergui os braços pro céu pedindo a Deus que a minha camiseta lindéééésima Fila Soft Light rosa claro não ficasse preta. Fiquei umyoga2 tempo assim. Mantendo a cabeça voltada para as nuvens, olhei para baixo de rabo de olho disfarçadamente para ver se podia sair correndo pro carro. Qual o quê! Mais gente me olhava. Fala sério! Desci os braços fazendo um movimento bem suave e sem saber o que era chakra, pingala, nataraja, asana fiz a “postura da cobra” que consiste em ainda deitada ficar com as palmas da mão no chão, braços esticados fazendo a coluna manter uma curva hiper desconfortável e dolorida.

Com o foco aparentemente longe, perguntava-me se ninguém tinha mais nada o que fazer por ali do que ficar olhando uma louca ralando o barrigão no asfalto. Como me levantar dali mantendo a dignidade? Lembrei de Karatê Kid e sem saber direito o que fazer mas com movimentos bem suaves, que ainda de darem tempo para eu pensar em algo pareciam coisa de tai-chi-chuan, de repente me vi de joelhos. Agradeci à Meca colando a testa no chão. Repeti esse movimento lentamente três vezes tentando ver o estado da minha camiseta quando o corpo se curvava. Quando a coluna estava reta e o corpo ereto me dava conta que era cada vez mais observada. E agora? Fiz vagarosamente o unagui: um movimento com os dedos indicador e médio que qualquer fã do seriado Friends sabe ao qual me refiro. Levantei-me. Fiz quatro vezes o gingado de capoeira bem desapressadamente, essa não me pergunte o porquê, e sem olhar para trás me dirigi ao carro.

É isso. Apesar de todos esses gestos índio-baiano-orientais estou feliz e confiante que meu pai vai tirar uma foto minha cruzando a linha de chegada. O mais difícil é começar. E ainda que faça os cinco quilômetros em três horas quando for a vera, para mim, cada treino já é  uma grande vitória: venço a mim mesma. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade, sinceramente, eu não sei.

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A dona Elíka está?

telemarketing

Hoje peguei um engarrafamento danado para levar Yuki à escola. Cheguei atrasada no pilates e comecei a trabalhar na tese mais tarde do que havia planejado. A manhã que já seria curta estava ficando minúscula. Tenso. Mega tenso.

Com cinco livros abertos e o cursor do word piscando demorei um pouco para me lembrar onde havia parado, o que pretendia escrever, o que havia pensado, o que já havia escrito… Na hora que o pensamento engata, toca o telefone. Booooom diaaaa. Era telemarketing. Só elas para dar esse bom dia arrastado, resultado do saco cheio de tanto descaso e de tão pouca cumplicidade de quem lhes atende. Gostaria de falar com a dona Elíka.

Pior do que me chamar de Érica é chamar de Elíka. Fala sério…

– Ela não está.
– A senhora é responsável pela casa?
– O que é ser responsável?
– A senhora não sabe? Quem é a senhora?
– Nádia.
– Você mora na casa?
– Qual casa?
– A casa em que a senhora está.
– Onde eu estou?
– A senhora é a dona da casa?
– Não. Sou a faxineira.
– Cadê a responsável?
– O que é responsável?
– Quem manda na casa?
– A patroa. Manda na casa e em todo mundo. Manda no marido que só a senhora vendo. Manda bem. E se ela tivesse atendido mandaria a senhora praquele lu…
– Quando ela volta?
– Da onde?
– Da onde ela foi
– Onde ela foi?
– …

O problema delas é que elas tem o texto decorado e se você começa a sair do roteiro, das respostas programadas elas se perdem. Maneraço. Do lado de lá o silêncio.

– Posso continuar a estudar, senhora?
– Sim. Bom dia.
– Bom dia

Bom, não me senti muito mal porque acho que a tirei do tédio alucinante do minuto a minuto repetitivo. Ou não. Mas quero acreditar nisso. Quanto a mim… perdi-me na tese pra variar, mas escrevi uma croniqueta. =]

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Clic-Clichês

Fotos clichês são ridículas, mas mais ridículo é não tê-las. Os braços cruzados de forma desajeitada no casamento com o cálice na mão, o beijo clássico do pai na barriga da gestante, a foto do primeiro banho que tanto nos envergonham quando adolescentes, a presença do Papai Noel na noite de Natal, o bebê com a boca toda suja de chocolate, duas taças de vinho (meio cheia ou meio vazias?) em cima de uma mesa, o formando de beca, o grupo de amigos fantasiados numa festa à fantasia,.., tudo ridículo. Mas passar pela vida e não tê-las é como vir ao Rio e não ser fotografado perto do Cristo. Mais ridículo ainda. 
 
E ainda que você diga “dessa máquina não clicarei”, uma vez amado, meu amigo, você está condenado a ver o passarinho e, por tabela, ser lugar-comum no álbum da humanidade. Seus passos ridicularmente registrados sem a menor arte. Sem um toque qualquer de criatividade. E você ajudará a perpetuar o previsível porque este quando congelado através da captação de uma lente objetiva faz chacota com o subjetivo, mas dá sentido ao acaso. Ao caos da sua existência. Porque os retratos-chavões são os cartões-postais de uma vida bem vivida, a prova de que existimos e passamos bem por esse planeta tendo o mínimo que justifique tanto esforço do espermatozóide para fecundar o óvulo de nossa mãe. 
 
São essas ridículas imagens projetadas e que reproduziremos até o Juízo Final as que vamos sentir saudades. Com essas gravuras merecedoras de escárnio em mãos, vamos rir e chorar ao mostrar pros nossos filhos, sobrinhos e netos. 
 
Pobre daquele que não é ridículo e que não vive o clichê nosso de cada dia…
WP

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Caminho de Ogum e Iansã

Neste ano, Nara, minha filhinha de quinze anos passou a estudar em pleno bairro do Maracanã aqui no Rio. Moramos no subúrbio carioca, num bairro que é sorriso é paz e prazer, o seu nome é doce dizer: Madureeeeira, lá, laiá. ♪♫ Isso significa que Nara agora anda de trem e de ônibus todo santo dia (com exceção do dia de São Jorge que é feriado aqui no Rio) e recebe calor humano às seis da manhã de pessoas que nem conhece.

Nos primeiros dias, nós sempre a acompanhávamos orientando cada detalhe. Nossa bonequinha fofa nunca havia andado de ônibus sozinha e, de repente não mais que de repente, ela precisou fazer esse trajeto sem que ninguém tivesse ao seu lado para defendê-la de qualquer perigo iminente. Isso foi tenso para nós (digo, nós os pais). Mas antes mesmo do que a nossa vã filosofia pudesse imaginar, lá estava Nara completamente independente, livre e solta (ainda que muito apertada) indo e vindo do subúrbio ao centro da cidade, do centro da cidade ao subúrbio de transporte público. Narinha aprendeu novas palavras e agora fala treissincotrês, meioitocinco, treizoitotrês, ramal saracuruna, belforroxo e diodoro com uma desenvoltura de dar gosto. Ainda assim, é sempre um motivo de preocupação ter uma filha linda andando pelo mundo. Ainda mais de trem e ônibus. Fala sério…O que nos acalma é saber que ela segue tooooodas as nossas orientações direitinho.

Ontem, por exemplo, Nara dormiu na condução e quando acordou, percebeu que estava em um lugar “jamais visto antes”. Daí que os adolescentes de hoje são mega espertos e diante de qualquer problema (!!!) tem a solução sempre na palma da mão.

– Alô, mãe! Mãe! Tipo. Eu estou perdida! Nunca vi isso aqui antes na minha vida! Mãe?
– ONDE CÊ TÁ, NARA? NARA!!! Onde você está???? – Respondo perguntando com a tensão que meu posto de mãe me confere.
– No ônibus, mãe! – Nara responde como se eu estivesse feito uma pergunta idiota.
– ONDE CÊ TÁ, NARA? NARA!!!EM QUE LUGAR DO RIO? QUE BAIRRO?- Procuro assumir o controle da situação.
– Mãe? Mãe! Você não ouviu eu dizer que estou perdida? Eu não sei onde estou! Faço a menor ideia! – Responde rindo calmamente a minha filha e, pelo seu tom de voz em si menor, eu sabia que ela tinha certeza que eu conseguiria facilmente adivinhar.
– PERGUNTA PRO TROCADOR!!! – Oriento. Procuro lhe passar calma e segurança. Respira, Elika, respira!
– Mãe! – Nara ri. – Mãe! O meioitocinco não tem trocador! – Nara ri de novo.
– Nara!!!! Tem motorista? – Pergunto didaticamente após sentir que terei que ir com bastante calma.
– Tem! Tem sim! – Nara responde bem feliz.
– Legal. Pergunta pra ele onde você está – disse baixinho – sem que os outros percebam que você está…
– MOTORISTA! MOTORISTAAAAA! ONDE A GENTE TÁ? – Gritou Nara pelo visto para o motorista do outro ônibus.

– Momomumumumumdadadadidisifufot gugugutoitoibububu  irajá. – ouvi o motorista falando baixinho algo como se estivesse do outro lado da montanha.Estremeci quando entendi a última palavra. – Mãe! – Nara ri – A gente tá indo pra Irajá! Onde fica Irajá?

– Nara! – cacildis… eu não conheço nada de Irajá…- Nara!

Eu queria ligar pra minha mãe para pedir ajuda, mas estava com Nara ao telefone… Mega tenso.

– O que você está vendo na rua? Você já chegou em Irajá??? Me fala o que você está vendo!
– Mer-ca-dão-de-ma-du-re …
– DESCE AGORA!

Nara estava em frente ao Mercadão de Madureira, ponto turístico da nossa cidade, e a debilóide que mora ali pertinho há trocentos anos não fazia ideia de onde estava…aff… muito filhinha de mamãe a minha filhinha linda…

– MOTORISTA! EU VOU DESCER! Abre aqui por favor, motorista! Valeu, motorista!… Mãe! E agora?

A gente mora do lado de cá, ou seja, bastava ela subir e descer o viaduto que estabelece a ligação entre as duas vertentes e ela reconheceria a fauna e a flora do local.

– Está vendo um viaduto? – Falei enquanto abria o gúgol mépis.
– Não.
– Anda mais um pouco.
– Tô!
– Então, é só subir e descer. Vou desligar porque pode ser perigoso você andar e falar no celular, tá? Prestenção e é só subir e descer!

Ufa.

Desligamos o telefone.

Cinco minutos e Nara liga de novo.

– Alô, mãe! Mãe! Eu estou em frente ao Império Serrano! – Nara riu.

Nara desceu antes do que deveria. Era para ter seguido por toooooodo o viaduto e ela desceu no meio do caminho! Agora ela estava em pleno coração de um dos grandes centros comerciais do mundo. O maior furdunço do universo! Já estava escurecendo. Eu tinha que ser rápida e ligeira com ela.

– Nara, sai daí, keep walking! – Orientei decidida.
– Mas pra onde?
– Vai se distanciando de onde você veio.
– Ai, mãe, tô vendo a Belíssima! Nossa! Uma blusa por quatro e noventa e nove? Mãe! Uma blusa por quatro e noventa e nove! E não é feia não, hein!?
– Isso. Vai! Anda! – De novo abri o gúgol mépis.
– Você está vendo a Sapatella? – perguntei.
– Sapateeeeellaaaa, tô! Ali!
– Então, vai nessa direção. Quando chegar lá me avisa para eu te orientar.
– Cheguei! E agora?
– Tem bota?
– Tem! Ai, mãe! Lin-da!!!!
– Vê o preço.
– Trezentos e…
– Ok. Se concentra, filha! Se concentra! Está vendo a Chiffon?
– Tô. Ali em frente!
– Então, vai andando até ela.
– Ai que legal! Quanta coisa legal, mãe! E tudo barato! Amanhã você vem comigo? Cheguei na Chiffon.
– Olha a vitrine.
– Mãe! A Chiffon está com a vitrine ótima! Você ia a-mar aquela blusa! Nossa! Quanta coisa legal! – Nara ria de felicidade.
– Ok. Se concentra, filha! Se concentra! Na mesma calçada…você vê a Sonhos dos Pés?
– Vejo.
– Segue na direção.
– Ai, mãe, que legal isso aqui! Sonho dos Pés! Cheguei.
– Tem bota?
– Hmmm xovêêê… Tem!

E assim eu fui orientando a minha filha sem-noção-mega-esperta-alto-astral a sair de uma forma bem confortável, segura e útil do centrão de Madureeeeeraaaa lálaiá ♪♫. Enquanto eu falava e fazia com que ela olhasse para tudo em sua volta, eu também corria com o celular ao seu encontro. Já havia escurecido e o caminho de Ogum e Iansã é sinistraço.

Assim que Nara me viu, sorriu mostrando todo o aparelho cheio de elásticos. Voltamos conversando sobre a dentista e a aula de canto e piano que ela tivera no meio da tarde. Nem sentimos necessidade de falar do fato dela ter se perdido. Estranho… Algo saiu tão diferente do planejado e ainda assim pareceu ser tão certo…

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O desenho que ilustra esse texto foi feito pelo artista Sergio Ricciuto Conte

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Fio… por que quilos?

Tudo evoluiu desde que inventaram a eletricidade. Televisões, aparelhos de CDs e DVDs, caixas de som, ferros de passar roupa, lâmpadas… mas se tem uma coisa que não mudou nada foi o fio. Heloou, seu engenheiro! Dá para se concentrar no nosso problema?

Não importa o aparelho supimpa que você compre e o quão prateado e moderno ele seja. O problema de como esconder os fios permanece. Na rua o que vemos flutuando como se fossem pássaros, agonizando no passeio público e na mão e contramão atrapalhando o tráfego? Eles. Os fios. Você pode sair do interior do nordeste e ir direto para o Japão pleno de suas modernices e bizarrices. Lá estão eles correndo o céu em paralelo e se encontrando (!!!) nos postes onde se misturam sem qualquer cerimônia. Vê se isso é admissível…

Quase dois séculos já se passaram e só o que temos é mais e mais fios pela casa! Até as coisas que funcionam sem fio, como os celulares, os noutebuques, os aipódes e aipédis da vida de nada nos serviriam sem um bom fio ligado na tomada para alimentá-los. A medicina melhorou com o tempo? Vai ter um treco na frente de um médico! Ele vai é te encher de fios! E chapinha de cabelo? Tem de titanium, de íons, de bósons, quarks e o diabo a quatro! Mas de que adianta se os fios continuam atrapalhando os alizamento dos fio? Fala sério! Que evolução é essa? Ainda querem nos enganar pintando-os de vermelho, verde, amarelo… só porque a televisão com suas imagens coloridas é melhor que a preto e branco eles acham que com fio é assim também. Comigo, não, violão!
Vivemos numa ditadura, tá ligado? Estamos presos nesse regime e limitados…até quando, minha gente? Temos que brigar sério, ir para as ruas para exigir que algum líder político faça alguma coisa! Nada de perder tempo pedindo para aprovar casamento gay porque isso é besteira. Casamento, bem sabem todos os casados, é o ó. Isso é até falta de carinho com os gays. Temos é que pedir para os governantes o fim desse regime antidemocrático imposto desde o idos de Benjamin Franklin. Temos que ir à luta para que isso entre nos programas de governo e conseguir mais incentivo para as pesquisas sérias. E não dessas bobeiras que não nos servem para nada como descobrir como foi a origem do Universo ou do que é feito a matéria . Pra que perder tempo com isso? Precisamos é de pesquisas sobre essa porcaria de matéria criada e não evoluída: o fio.

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