Arquivo do mês: junho 2013

Manifestações Feicebuquianas sobre as Manifestações

Em  31   de  Maio:

Sabe o que seria legal? Qdo a copa tivesse rolando e o mundo inteiro tivesse de olho no Brasil, o povo resolvesse aproveitar o furor nacional e ir para as ruas protestar contra a corrupção, contra o descaso com a educação e a saúde, contra a falta de segurança… Com o holofote nas nossas cabeças, chutaríamos não a bola como os jogadores, mas o balde. Imagina na copa!

Em 14  de  Junho:

Protestos-por-Lute

Houve depredação de equipamentos públicos? Sim, você encontra minorias de idiotas em todos os lugares. Mas isso não invalida nem diminui a importância do ato. A destruição de equipamentos públicos é contraditória ao próprio movimento, portanto, uma atitude imbecil, mas tenho que confessar que recuperei a fé na humanidade vendo os manifestantes nas grandes capitais do país exigindo o direito de ir e vir, limitados pelo preço alto do transporte coletivo, e que resolveram ir às ruas para mostrar sua indignação e pressionar o poder público para que recue nas decisões que desconsideram a dignidade da população. Não compactuo com uma vida bovina, de ter o traseiro chutado por anos pelo Governo e ainda por cima oferecer a outra nádega. Protesto tem que mexer mesmo com a sociedade, senão não é protesto e “protestar de forma correta”… meio sem sentido isso, não?

Izânio

A propósito:
“Condenam-se as águas violentas de um rio, mas não as margens estreitas que o oprimem e causam sua turbulência.”
Bertold Brecht

Em 15  de Junho:

Mas esses jornalistas estão parecendo Glória Kalil, viu. Camisa de partido, gritam olha lá! Não pode!É feio! Camisa do Che gritam olha lá! Não pode! Camisa vermelha gritam olha lá! PT! Não pode! Moleton da GAP gritam Olha lá! Não pode! Não pode! Caraca… assim vai fica difícil, né? Fala sério…

Em 16 de Junho:

Não vamos misturar um pouquinho de macarrão com um porrão de macaquinhos! A vaia para a presidente Dilma foi dada pela elite de Brasília! Com ingressos custando quase 300 reais em média! Sou a favor das manifestações, mas essas vaias, no entanto, eu achei extremamente questionáveis vindas de onde vieram! Só eu aqui que achei incoerente vaiar a Dilma e pagar caro (pelo menos pra mim é) para assistir o jogo feliz da vida???

Em 17 de Junho:

O-Brasil-Acordou-por-Jarbas

O povo está indo para as ruas. Há partidos de esquerda, de direita, há quem acredite que a depredação é justificável, há jovens movidos por outras aspirações…são tantos rostos e motivos diferentes! Mas há algo em comum que é possível reconhecer. Esses grupos heterogêneos, de uma forma ou de outra, foram unidos e chamados pelos 20 centavos que talvez sejam o tanto de desrespeito que uma vida humana já não pode mais suportar. Vinte centavos é o valor simbólico de um descontentamento difuso. Talvez seja esta a única coesão entre tantos anseios diferentes. O sentimento de que essa vida é curta, de que essa política pautada mais pela reprodução das relações de poder do que por ideias de um Brasil melhor já não motiva ninguém. No Rio e nas outras grandes capitais a questão do transporte só explicitou todo esse desencanto. E o que estamos vendo nas ruas são movimentos voluntários e desejantes de uma vida que faça mais sentido. É possível que o que esteja unindo os manifestantes tão diferentes das grandes capitais seja o ato mesmo de literalmente romper o imobilismo de se viver com dignidade. É assim que se faz um país, levando as nossas crenças para passear e dialogar com outras crenças. Sinto que estamos saindo para mostrar que não temos gostado nem um pouco das negociatas, das simulações e das dissimulações que têm acontecido tão intensamente nas cidades, nas florestas, no sertão, independentemente dos partidos responsáveis por elas… A tarifa, todos sabem (mas vale sempre lembrar), virou a menor das questões agora. Os protestos estão sendo, antes de tudo, pela liberdade de protestar. Os 20 centavos alargam sua teia de significados superando a fronteira virtual. Quem tenta conter a população falando que o aumento foi inferior à inflação não está entendendo nada do discurso novo das ruas que se torna explícito. As manifestações são talvez a melhor e maior prova da vitalidade da democracia! Elas expressam o sentimento de que os políticos que aí estão, os partidos que aí estão, a concepção de mundo, de país e de política que eles representam, já não mais nos representam. Especialmente os jovens-nascidos-com-internet taxados de serem inertes. A postura da polícia tem nos lembrado de fotos em preto e branco da ditadura. As semelhanças, porém, acabam por aí. A demonstração de força é a expressão agora de uma fragilidade com a marca deste tempo histórico. Do hoje: dia 17 de junho de 2013.

Em 17 de Junho  a  noite com o centro da cidade fervendo:

Senhor, esqueça que sou atéia e faça com que esses jovens voltem inteiros para casa.

Em 18 de Junho  pela manhã:

quinho

Eu não falei que seria legal? Eu disse não te disse? Não está sendo o máximo? \o/Como eu disse tb nos comentários “Um povo que nega a caxirola pode reservar muitas surpresas.”
“Sabe o que seria legal? Qdo a copa tivesse rolando e o mundo inteiro tivesse de olho no Brasil, o povo resolvesse aproveitar o furor nacional e ir para as ruas protestar contra a corrupção, contra o descaso com a educação e a saúde, contra a falta de segurança… Com o holofote nas nossas cabeças, chutaríamos não a bola como os jogadores, mas o balde. Imagina na copa!”
Em 18 de Junho a  tarde:
Eu gostaria de deixar claro que embora esteja vibrando com as manifestações jamais cantaria o hino ao lado daquele que diz estar lutando contra “o maior escândalo de corrupção da história do Brasil” (referindo-se ao mensalão) e gritando “fora, Dilma!”. O mensalão ainda que seja digno de atenção e julgamento está muito longe de ser o “maior escândalo de corrupção da história”, pois as privatizações do governo FHC, sim, é que constituem não só o maior escândalo político do Brasil, mas, muito provavelmente, um dos maiores do mundo. A imprensa já tomou partido nessa disputa patética e há anos vem tentando manipular a opinião dos brasileiros. Muitos daqui estão sendo sim senhor manipulados pelo calor das manifestações por essa corja midiático-oposicionista que aproveita o grito-clichê que “o gigante acordou” para dizer que queremos por fim nos problemas brasileiros expulsando Dilma do poder. Minha alegria começa a se misturar com um certo temor. Mais uma vez peço aos jovens que estão fazendo história nas ruas e nas redes: Antes de compartilhar algo e/ou de escrever nos cartazes, verifique a veracidade das informações e se não estão te usando. Considerem a possibilidade da beleza do despertar não estar associada, ao menos proporcionalmente, em ver as coisas claramente, ok?
Em 19 de Junho pela manhã:
Vem-pra-rua-por-Izânio
Vamos ser sinceros: ninguém tá entendendo nada. Nem a imprensa nem os políticos nem os manifestantes, muito menos eu aqui já ignorante em tantos outros assuntos. Se vc está informado, vc está perdido. Eu, por exemplo, estou mais confusa que o Datena diante da enquete! Impunidade, corrupção, a PEC 37, o aumento dos homicídios, os gastos com os estádios para a Copa, a copa, a cozinha escassa, a qualidade das escolas e hospitais públicos, funk no ônibus, Feliciano, Faustão, quadradinho do oito,… são todos excelentes motivos para que se saia às ruas e se tente melhorar o país. Mas as imagens estão me emburrecendo. Acho que estou raciocinando tão pouco quanto o Ronaldo. A gente está vendo de tudo nessas manifestações: movimento das mochilas pensantes, pessoas de esquerda, de direita, de moleton Gap, punk de dreadrok , playboy de mocassim, evangélico que não paga dízimo, comunista de Nike,… inclusive vemos também pessoas que realmente se lascaram com esses 20 centavos, na verdade, 40 porque é ida e volta como bem lembraram…

Os integrantes-cabeça do Movimento Passe Livre: dona Nina Capello e seu Lucas Monteiro se eximiram da responsabilidade de terem catalisado todo uma insatisfação nacional e seguem falando sobre os vinte centavos. Estarão eles certos?

Se as dúvidas sobre as motivações que levam as pessoas as ruas são diversas, o que dizer sobre o futuro do movimento? Marcharemos mais? Murcharemos de novo? Como negociar o fim das passeatas se não temos um motivo único para aderir a elas? É possível que a própria diversidade de motivações enfraqueça a principal? A sensação apaziguadora de que “fiz a minha parte” sendo fotografado numa passeata ajuda ou atrapalha? Ilude ou desperta? A longo prazo, o baixar da tarifa terá alguma relevância? E a curto prazo? Nos calará? Se baixarem a tarifa voltaremos as postagens de auto-ajuda e as citações filosóficas aqui no feicebuque?

Mas ok. Vá lá. Num país tão injusto como o nosso as dúvidas dos últimos dias são muito melhores do que a única certeza de que, aconteça o que acontecer, o Sarney estará sempre no poder. Tenho sinceramente a esperança de que este seja um momento importante na história do país. Mas confesso, hoje estou com a suspeita e o temor de que talvez o gás da indignação vá para o vinagre.

Eu tenho medo, tal como a Regina Duarte. Mas amanhã de repente eu mude de opinião*, tal como o Jabor.

* a minha opinião é que não dá para ter opinião.

Em 19 de Junho a tarde:
Acabo de receber um convite para o “manifest fest”. Diante de tal evento, resolvi fazer uma rápida pesquisa:
1 – O que é PEC 37?

( ) Lei que obriga as empregadas domésticas a trabalharem aos sábados.
( ) Pacote de atualização.
( ) Senha do wi-fi na Alerj.
( ) Dilma no poder.
( ) Não preciso saber. Rua já!

2 – Qual a música que devemos cantar no manifesto?

( ) Que país é esse?
( ) Show das poderosas
( ) Qualquer uma do Lobão.
( ) O hino nacional de costas.
( ) Tico Santa Cruz

3- Depois que tirarmos a Dilma do poder, quem deve assumir a presidença?

( ) Tico Santa Cruz.
( ) Joaquim Barbosa.
( ) Qualquer um sem partido
( ) Goku
( ) Romário.

4- O movimento é

( ) uniforme.
( ) acelerado.
( ) retardado.
( ) sexy.
( ) lindo.

5- Quem é nosso maior inimigo?

( ) o partido.
( ) o Capiroto.
( ) Feliciano.
( ) O menor infrator.
( ) Somos todos amigos. Não a violência!

6- Em caso de choque com a polícia, o que devo fazer?

( ) mostrar uma flor e torcer para alguém fotografar e botar no feice.
( ) me enrolar na bandeira do Brasil.
( ) tomar banho de vinagre.
( ) cantar o hino de costas.
( ) chamar o Tico Santa Cruz.

7 – O que gritar para as pessoas politizadas que aparecerem na manifestação?

( ) Joaquim Barbosa para presidente!
( ) O gigante acordou!
( ) “Verás que um filho teu não foge á luta!” de costas.
( ) Não são pelos 20 centavos!
( ) Odeio políticos!

8- Para o protesto de amanhã ser um sucesso precisamos de

( ) estacionamento com manobrista.
( ) postagens maneras com fotos no feicebuque para todos verem que somos revolucionários.
( ) mais vinagre.
( ) mais mochilas politizadas.
( ) Tico Santa Cruz.

9 – A gente vai protestar a favor de:

( ) mudanças no Brasil inteiro.
( ) Romário.
( ) mais manifestantes.
( ) Tico Santa Cruz.
( ) PS4 e PEC 37.

10- Se chover?

( ) Não vou.
( ) Tenho fé em Deus que não vai chover.
( ) Chuva é vandalismo!
( ) Todos de guarda-chuvas branco!
( ) Cantaremos o hino nacional de costas.

Em 20 de Junho pela manhã:

Vem-pra-rua-por-Cazo

Sim. Sinto muito aos que não acreditam, mas é possível extrair do atual momento elementos para a renovação e reflexão. Aos céticos de plantão: considere que o peso do som vindo das gargantas desses jovens na rua – aquele mesmo que nossos governantes sempre buscaram silenciar- é originado por uma força que gravita em suas mentes outrora chamada de inertes. Estamos diante de uma oportunidade singular e um clima propício para revermos nossos discursos e repensarmos as nossas práticas, projetando o próximo passo depois de todo esse movimento. O orgulho de ser brasileiro agora veio de uma outra fonte que não é o futebol e muito menos carnaval. Esses meninos estão movidos pelo furor nacional (que bom, não?), inicialmente perdidos (quem não está?) mas reconhecem que é chegada a hora de reforçarmos nossa capacidade de ‘diálogo’, de ‘escuta’. Quem está indo às ruas (em sua grande maioria) está completamente disposto a ouvir, aprender, transformar-se para transformar. Ao ver inúmeras postagens, ficou claro para mim que esses jovens também reconheceram que para reclamar temos que ter moral e, portanto, dar o exemplo. Parafraseando Henfil, ainda que não haja tantos frutos quanto gostaríamos porque a intenção da semente está meio confusa, há frutos! E mais ainda: a beleza das flores. Não duvide de que serão eles a mudar o significado para a expressão “jeitinho brasileiro”.

Em 20 de Junho a tarde:

Pro pessoal paz e amor: Ontem vimos pela televisão vários bandidos se infiltrando no meio da multidão. Hoje, há gdes possibilidades de termos mais ainda bandidos se aproveitando da situação. Há um reforço do exército e da guarda civil e militar. Portanto, olhem bem para quem está ao seu lado. Protejam-se. Desconfiem. Jamais andem sozinhos, principalmente as meninas. Paz e amor com um pé atrás e atento a tudo, ok?

Em 20 de Junho a noite (percebendo algo muito estranho no ar):

Um exemplo de como temos que pensar antes de falar e averiguar antes de compartilhar e refletir sobre o que vemos por aqui é o caso do Ronaldo, o ex-jogador que viu ressurgir ontem seu apelido conquistado dentro de campo: o Fenômeno. O vídeo que foi compartilhado loucamente foi feito há dois anos atrás, tirado de contexto e editado! Caraca… o povo não está de brincadeira…tô dizendo… Uma coisa é ser burro, outra é ser um completo boçal. Será que ninguém desconfiou que Ronaldo que sempre foi tão bem assessorado não se enquadraria mesmo se quisesse na segunda opção? Em tempo, ele disse ontem:

“A Copa é uma incrível oportunidade para o Brasil. Chance de atrair atenção, investimento, turismo e mais mil coisas. Mas isso não obriga a deixar de investir em questões sociais prioritárias como saúde, educação, transporte, segurança. Afinal, não temos Copa do Mundo desde 1950 e não foi por isso que atingimos excelência em nenhuma dessas causas”.

Mais uma vez peço aos jovens que estão fazendo história nas ruas e nas redes: Antes de compartilhar algo e/ou de escrever nos cartazes, verifique a ‘veracidade’ das informações e se ‘não’ estão te ‘usando’. Considerem a possibilidade da beleza do despertar não estar associada, ao menos proporcionalmente, em ver as coisas claramente, ok?

Em 21 de Junho pela manhã:

Hj vai ter manifestação na Barra partindo do Alvorada. Só espero que não seja para baixar o preço do Iphone…

Em 21 de Junho pela manhã:

Partidos-políticos-acuados-por-Aroeira

Raciocinemos: A Rede Globo e a Record em tevê aberta, nesta quinta-feira, um dia depois de os prefeitos reduzirem as tarifas, derrubaram a grade de programação e se dedicaram, sem comerciais !, a “cobrir” as manifestações. Os âncoras hoje pela manhã ainda continuam falando em democracia, não à violência, paz, luta contra a corrupção e entra no Brasil inteiro com imagens ao vivo do quebra-quebra, do desmando, da falta de Governo. No jornal da manhã todas as vezes que falaram em vandalismo, bandidagem mostravam atrás imagens de bandeiras do PT, do pessoal da onda vermelha tentando participar das manifestações. O repórter gritava: absurdo! Vândalos! E intercalava com imagens de depredações e cartazes fora, Dilma! Queremos Joaquim Barbosa!. Ontem o que vimos “ao vivo”? Em pleno horário nobre (coincidência o vandalismo começar no horário nobre, não?)??? Somente o quebra-pau, a saturação do caos, e os repórteres sendo vítimas de gás lacrimogêneo! Pensemos: Existe passeata de 50 mil, 100 mil, 300 mil, pessoas apartidária? Dá para continuar acreditando nisso??? Com as imagens que estamos vendo??? Chego a pensar que esse movimento está vindo dos militares…tenho motivos de sobra, não? E ainda tenho motivos de sobra para conjecturar mais!: Militares esses que estão sendo apoiados pela direita que está desesperada com o projeto de esquerda que vem avançando e mudando a vida do país. A direita está “se lixando” para os problemas sociais, desigualdade, fome, desemprego…a direita detesta a ideia da reeleição da Presidente Dilma e que esse projeto socialista perdure por mais 10, 20 , 30 anos…com certeza não irá medir esforços para tentar um golpe e derrubar o nosso modelo de gestão…

A Globo vai derrubar o Governo, com a ajuda desse líderes “anônimos” e com esses compartilhamentos sem reflexão que gritam fora, Dilma!, com essa proibição de bandeiras nas manifestações! Estão incentivando os jovens, que estão na esperança do Brasil ficar melhor da noite pro dia, a acreditar que não há líderes! Que se dane, vou falar: O Lula precisa abrir uma escola, para ensinar a esse povo o que é fazer política! Já estamos no meio sim senhor de uma guerra civil! Mesmo se acovardando em cima de prédios e helicópteros a rede Globo manda o seu recado e só um cego não vê! A ditadura mascarada está chegando com tudo. Queridos jovens, vcs podem sim estar apoiando um novo golpe! A esquerda se uniu (PSTU, PCdoB, PT) e levou muita porrada na manifestação no Rio. Porrada de quem? Dos jovens paz e amor apartidários???? Fala sério!!!!

Enfim , hoje acordei, vi jornais, li revistas, postagens dos amigos e estou quase certa de que os protestos tem uma intenção “oculta”: derrubar a Dilma e eleger um representante da Direita, este e o velho Brasil de massa de manobra! Alguém duvida depois que a Dilma cair a mídia partidária, irá mostrar um Brasil perfeito e tudo volta ao normal, será mostrado que tudo foi resolvido, assim como antes de 2003, quando a direita governava o Brasil, tudo era desenvolvido e sem corrupção? Acorda, gigante!!!!!

Para a mídia e esses que são manipulados e manipuladores de jovens aqui na rede todos os problemas e mazelas começaram após 2003! Antes tudo era perfeito! Fala sério! Doce ilusão daqueles que dizem que com a internet o povo deixou de ser manipulado! Vejam os compartilhamentos! Em sua maioria são contra o governo atual, se não conseguirmos identificar coisa grande por trás disso é a prova que o povo realmente “não tem educação”, “não pensa”, “não tem passado”! Fala sério! O gigante não acordou porcaria nenhuma. O gigante está sonâmbulo isso sim!

Em 21 de Junho:

De uma forma mais comedida: É de se comemorar que as ruas sejam invadidas por jovens de uma geração que sempre foi taxada como irresponsável, alienada, burra, iletrada, individualista e pouco afeita a reivindicações de cunho social. As manifestações têm mostrado sim que há, latente nessa juventude, algum desejo de transformação e uma sensibilidade aguda para a história. Por outro lado, é preciso que todos aproveitemos o momento para ‘aprender ‘com a dinâmica da história que está fluindo sob os fatos mais evidentes que a grande mídia tem transformado em ‘oportunidade’, sempre adequando o movimento aos seus próprios interesses. Estamos de olho!

Em 21 de Junho após perceber o quanto os meus alunos ficaram assustados com o que viram nas ruas:

Ok. Vcs fizeram uma parte. Fizeram cartazes, pintaram os rostos e foram para as ruas. Foi legal? Foi. Foi lindo? Foi. O gigante acordou? Acordou, afinal, como justificar a presença nas manifestações de pessoas que nunca antes se sensibilizaram com passeatas, política e mobilizações? Mas o gigante tem que acordar agora todos os dias para terminar a sua grande tarefa de buscar um caminho para nosso país. Vc entrou pra história? Entrou, mas como vc vai ficar vai depender do que vem agora.

Luta política exige muito mais do que isso que vcs fizeram e não se dá pela quantidade de pessoas nas ruas, ainda que isso tb seja muito importante. Luta política exige estudo, dedicação, seriedade, compromisso. E o compromisso não pode ser efêmero como tudo que vemos hoje por aqui. Não pode ser superficial como são os compartilhamentos com fotos e os simples dizeres dos cartazes! Para quem quiser entrar pra história de uma maneira mais consciente é necessário ter uma meta e aprofundá-la, discuti-la. Dá trabalho… muitos estão assustados porque não tinham ideia da quantidade de energia necessária para manter o gigante acordado….

Ou então, esqueça tudo isso, foi uma experiência legal na sua adolescência. Vc tb vai entrar pra história, carregando no seu álbum a prova de que foi às ruas cheio de amor ao próximo! Mas linchando, debochando e avacalhando com os representantes eleitos pelo povo. Vai ter que saber lidar com isso.

Em 21 de Junho após ver as manifestações na Barra:

Sabe o que cairia bem agora? A Vanusa cantando o hino.

Em 21 de Junho após muito pensar sobre tudo isso:

Andei pensando… Sabe quem deve estar por detrás de tudo isso? Os fabricantes de cartolina. Né?

 

 

 

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Naquela Mesa

Mascaras

Ontem almocei sozinha em um restaurante nos arredores do Maracanã. Antigamente eu tinha problemas sérios em comer sem companhia, até mesmo dentro de casa. Preferia ficar sem comer do que me sentar a uma mesa sem ter com quem conversar. Hoje eu  tenho  só problemas em relação a isso. Sem  adjetivos. Probleminhas que, digamos, o celular resolveu. O ponto é que estou em períodos de abstinência em relação à tecnologia, evitando ao máximo usá-la na tentativa de ficar com um percentual maior de mim nos lugares onde estou.

No restaurante, cinco mesas ocupadas. Seis, contando com a minha. Abrem-se  os guardanapos.

Mesa um: Um casal e um filho ainda de uniforme. Ela corta o bife para a criança enquanto o pai mastiga e fala ao mesmo tempo. A mãe pergunta pro filho se está bom e o homem mastiga e fala ao mesmo tempo. A mãe fala para o filho comer tudo enquanto o homem mastiga e fala ao mesmo tempo. A mãe prova o suco do filho e coloca mais açúcar enquanto o homem mastiga e fala ao mesmo tempo. O homem não é o pai da criança. Os pais não falam tanto assim com as mães.
Mesa dois: Três amigos que não se viam há muito tempo. Todos eles riem e falam alto. Gargalhadas estridentes e o assunto oscila entre futebol e mulher. Grandes chances d´eu estar certa. Os três bebem chope e há momentos em que os três falam ao mesmo tempo. O celular é pego por um, digamos o amigo A, que imediatamente mostra algo para os outros dois, o B e o C, que sorriem olhando a tela do aparelho (Eu estava parcialmente errada). Depois B faz o mesmo. A e C sorriem olhando para o celular de B. C não tem nada para mostrar no celular. Alguns segundos em silêncio. A e B guardam os celulares. A e B voltam a falar de forma bastante animada. C está só ouvindo mas parece não estar mais ali.
Mesa três: Duas amigas. Uma fala sem parar. Espeta a carne do prato com mais força que a necessária. Corta a carne com mais pressão que a necessária. Serra a carne com muita velocidade, mas ela não está com pressa. Ela não enfia a carne na boca. Continua falando falando falando com um pequeno pedaço da carne enfiada na ponta do garfo. A outra só ouve e come seu espaguete.
Mesa quatro: Um casal comendo discretamente. Ambos devem ter por volta de seus quarenta anos. O rapaz ouve com os olhos o que a moça está dizendo. Ela come pouco, quase não enche o garfo. Ele interage com ela no diálogo. Ele pergunta algo. Ela balança a cabeça dizendo que sim. Ele pede um suco ao garçom.
Mesa cinco: Cinco amigos se apertaram para caberem todos à mesa de quatro lugares. Duas mulheres e três homens. Todos eles com roupa meio social. Falam em um volume normal e riem somente com os lábios. Todos mastigam e conversam entre si. Nenhum bebe chope. As mulheres estão ao lado uma da outra. Hora de almoço na empresa.

Mesa um: O menino comeu quase tudo e agora está jogando no celular da mãe. O homem e a mãe conversam. O homem é o irmão da mãe. A avó do menino mora com ele e com a esposa e isso não está legal pra ele. A mãe agora tem um problema. Tenso.
Mesa dois: A e B estão falando dirigindo-se a C que está de cabeça baixa balançando a cabeça negativamente. Triste.
Mesa três: A que  judiou do boi depois de morto agora está ouvindo a do espaguete que fala pausadamente. De repente, a do espaguete é interrompida pela dilaceradora de bifes que faz uma pergunta com a ponta da faca em riste. Doida.
Mesa quatro: A moça se levanta para ir ao banheiro. Ele olha a bunda dela e faz uma rápida ligação. Enquanto fala ao telefone o sorriso de idiota se esvai. Desliga. Ajeita o cabelo e a gola da camisa. Ao vê-la voltando, sorri novamente com o corpo inteiro. Homens.
Mesa cinco: Chamam o garçom. Pedem quatro cafés e a conta. O garçom aparece com uma pequena torta. Quatro cantam parabéns para uma das meninas que fica olhando para todos com um sorriso desconcertado e feliz. Legal.

Mesa um: O menino larga o jogo e se aproxima da mesa cinco.
Mesa dois: A e B começam a cantar parabéns para a menina da mesa cinco.
Mesa três: A faca e o garfo são largados para a maluca bater palmas olhando séria para o molho vermelho do espaguete.
Mesa quatro: Ele segura as mãos da moça que ouve sinos tocando.
Mesa cinco: A menina sopra a vela.

Mesa um: O menino ganha bolo.
Mesa dois: C ganha bolo.
Mesa três: As moças falam juntas não, obrigada.
Mesa quatro: Os dois nem ouviram a aniversariante oferecer bolo.
Mesa seis: Não. Obrigada.

Mesa um: O homem sorri para o menino. Mesa dois: C sorri para A e B. Mesa três: As meninas caem na gargalhada. Mesa quatro: Foram embora. Mesa cinco: A menina é abraçada pelos quatro amigos.

Mesa seis: Tento me lembrar quem falou que a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.

Mesa seis: Rubem Braga? Millôr? Antônio Fagundes? Confúcio? Não consigo…

Mesa seis: Desisto. Mas me lembrei do nada do nome do meu primeiro professor de química, Luis Manuel, e as aulas de reação em que ele falava que duas ou mais substâncias químicas quando reagem, sofrem uma transformação.

Fecham-se  os guardanapos. Ao levantar-me, sinto vontade de aplaudir.

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Diálogos

fisicosb

Em uma rua perpendicular ao tempo que fica em Universo paralelo, Einstein, Newton e Galileu se encontraram no botequim da esquina que fica no alto de um morro.

– Se a gente combinasse não daria certo! Cara, que coincidência! Bom ver vocês! – Só faltou o Maxwell! Mas aí era pedir demais, né? – Disse o de peruca. – Ei, Alberto! Desde quando você não se penteia?

O de barba caiu na gargalhada.

– O tempo é relativo. Mas desde o meu primeiro casamento. Minha primeira mulher quase me enlouqueceu… me fez assinar aquelas teses que revolucionaram a física e tiraram o meu sossego. Lembram-se? Em 1905…
– Também… Quis se casar logo com a melhor aluna da Polytechnische de Zurique…
– Eu acompanhei tudo do alto da torre com a pouca vista que me restou. Achei que você estava ficando louco com aquele papo, mas logo vi que era coisa de mulher…querer dilatar o tempo para frear as rugas e diminuir o espaço por preguiça de varrer… não podemos negar, a ideia é criativa, mas muito me admirou você aceitar assinar aquilo.
– Pois é, não sabia que as evidências da teoria da louca da Mileva chegariam tão depressa e que veria as consequências daquela ideia insana ainda em vida. Assinei porque você sabe, se eu não assinasse… a única coisa que me restou foi colocar o meu nome naquela coisa… lembro de ter balançado a cabeça negativamente e ter me lamentado profundamente em pensamento… triste mundo em que a imaginação é mais importante que o conhecimento…
– A minha teoria fazia tanto mais sentido…
– Ah, fala sério, Isaque! – Disse Galileu – Não foi à toa que não durou quase nada aquela ideia débil de inércia, espaço e tempo absolutos! Até uma mulher conseguiu ver o quanto aquilo era inconsistente…
– Mas Mileva não conta, era inteligente pacas! – Lembrou Einstein. – E braba que só, tá ?
– Por isso eu não casei. Tive lá meu namorico com o Halley. Que ombros… pareciam ombros de gigantes… – Falou olhando o horizonte no mar.

O barbudo e o descabelado se olharam meio sem-graça com aquela revelação. O de peruca percebeu.

– O que vocês sabem é uma gota e o que todos ignoram é um oceano, valeu? Hooke quando soube ficou fulo da vida e quase queimou meu nome na Academia… Daí que fui ver que julguei errado… só assim entendi que é melhor construir muros do que pontes.
– Também, ninguém manda ser marica!
– Caramba… é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito! Fala sério, Galileu! Onde já se viu falar assim do amigo?
– Ok. Mas que ele é marica ah isso é.
– É… aquele papo só durou uns duzentos anos… – Newton retomou o assunto anterior – nada comparado a ideia de Aristóteles que durou uns milequinhentos… – Disse cabisbaixo. – Mas, cara, falar que “tudo que move é movido por alguma coisa” todos sabem! Nem coisa de filósofo isso é! Eu pelo menos tentei inovar com a inércia…
– Mas que a sua inércia não faz sentido, ah isso não faz… – Disse Galileu de implicância. – Não foi à toa que não durou quase nada… por isso eu desisti logo de cara em tentar descobrir as causas das coisas. Entender como elas acontecem já é um cazzo!
– Que horas são? Perguntou Einstein. – Elsa falou para eu não me demorar…
– Já se passaram 587 batidas no meu coração. – Disse o barbudo. Após ver a cara assustada do amigo, explicou. – Não sei ver horas. Na minha época só tinha ampulheta. No mais, fiquei cego.
– Valeu, rapeize. Vou nessa. Nos vemos em outra história!

Assim que desapareceu, Newton falou:

– Eu posso ser o que você falou que eu sou, mas ele largou Mileva para casar com a prima… Eu consigo calcular o movimento dos corpos celestiais, mas não a loucura das pessoas…
– Elsa é boa de cama, Isaque. Mas também não vai durar nada esse casamento. Ela é burra e quando menos a pessoa entende, mais discorda. Eles andam brigando a beça.
– Ih! Leibniz vem lá! Cara, fui. Esse cara é chato pra cacete. Até a próxima!

Galileu que também não era bobo nem nada, disfarçou, se levantou e desceu sentado num papelão com uma aceleração constante o morro com sua encosta bem inclinada.

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Frases dos grandes físicos que ilustram o texto:

“Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes.” (Newton)

“O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano.” (Newton)

“Eu consigo calcular o movimento dos corpos celestiais, mas não a loucura das pessoas.” (Newton)

“Construímos muros demais e pontes de menos” (Newton)

“Quanto menos alguém entende, mais quer discordar.” (Galileu)

“Eppur si muove ou E pur si muove” (Galileu) Tradução: Mas que ela se move, ela se move!

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.” (Einstein)

“Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” (Einstein)

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A Arte e a Ciência (2)

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Já tem alguns dias em que comecei a ler Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato para o Yuki.  Esse livro por muito pouco não foi proibido por conter passagens racistas com a Tia Nastácia. A despeito de Monteiro Lobato ter me chamado a atenção de uma forma negativa em algumas partes da narrativa, Caçadas de Pedrinho arrancou do Yuki altas risadas a ponto d´eu correr na livraria e comprar Reinações de Narizinho. E foi lendo esse livro que um fato se deu.

Numa passagem em que a Dona Aranha – que é manca – está falando com a Narizinho e contando que já teceu lindos vestidos para muitas princesas, Narizinho pergunta: e para Branca de Neve também costurou? Como não? Responde Dona Aranha. Pois foi justamente quando eu estava tecendo o véu de noiva de Branca que fiquei aleijada. A tesoura caiu-me sobre o pé esquerdo, rachando o osso aqui neste lugar. Fui tratada pelo doutor Caramujo, que é um médico muito bom. Sarei, embora ficasse manca pelo resto da vi… Cara, peraí! Interrompeu-me Yuki. E desde quando aranha tem osso??? E desde quando você sabe que aranha não tem osso? Desde que vi a tia falando na aula de ciências que a aranha é um aracnídeo e que o esqueleto dela é a “casca”. Quando a aranha cresce, ela troca de esqueleto como se tirasse uma roupa. Então, que história é essa, mãe?!? Ué! Já vimos boneca andando, peixe falando, besouro cantando, uma baratinha que é a Dona Carochinha de óculos e brigando! com a Narizinho… e você vem questionar a veracidade da história agora? Por que não posso ter uma aranha com osso? Só porque a “ciência” disse que não existe? E o que a ciência diz existir, existe de fato???

Yuki passou batido pela minha viagem filosófica, é claro. Me olhou como se eu fosse um ET. Pensou certamente nos outros personagens e viu que nada daquilo tinha mesmo sentido. Por fim disse: agora você me pegou… Tá. Pode continuar.

Continuei até Yuki fechar os olhos ainda com o sorriso no rosto. Mas eu… custei a dormir.

Estávamos no mundo da imaginação onde tudo era permitido e a ciência apareceu para frear a viagem criativa da minha criança. Arte e ciência pareceram, assim, universos beeeeem distantes naquele momento. Mas será de fato isso? Será que os cientistas assassinaram o Sol, transformando-o numa bola de fogo com manchas e aranhas em aracnídeos? Pensar cientificamente é proibir que a emoção se meta? Como observamos a rotação interna do Sol? Os cientistas só trabalham com imagens realistas? Há alguma imaginação mais simbólica do que os números? O que seria uma fórmula química? Por que acreditamos nas imagens que construímos com os microscópios eletrônicos? Não estamos amparados por uma teoria ao construí-las? Novas teorias não são novas representações? E as novas representações não criam diferentes realidades? Como poderemos saber o que é realidade? Será que a teoria realmente é a origem da confiança que temos na forma como vemos as coisas? As palavras foram criadas para fins práticos? Como a racionalidade é definida? Não é a partir do que pensa a comunidade da época? Será que existe um corpo de conhecimento coerente o qual não pode ser reduzido à história e à psicologia das crenças subjetivas? Por que a astrologia oriental não pode ser chamada de ciência? Existe uma única caracterização correta para lidar com um determinado aspecto da natureza? Falar de pedaços espaçotemporais de lagartixidade é o mesmo que falar lagartixa? A teoria pode funcionar para nós e ainda assim ser falsa a respeito do Universo? Há um relato completo a respeito de uma pessoa? Como termos que denotam entidade teóricas adquirem seu significado? A ciência é um fenômeno histórico? Por que a ciência é um sucesso? O que queremos dizer quando afirmamos que encontramos a explicação de um evento? Que diabos significa dizer que “o colapso do pacote de ondas” que ocorre durante a medição microfísica se dá numa interação com a mente humana? Será que pode existir cargas elétricas mínimas ainda que os elétrons não existam? Quando eu encho o quadro de setas pra cá, setas pra lá, gráficos, desenhos de cargas positivas e negativas, e bababá bububú… não estou falando de fenômenos criados? Os fenômenos que são criados em laboratório são criações de Deus ou do homem?

Definitivamente, ainda que eu não saiba responder a quase nenhuma  dessas perguntas de forma clara – se é que elas tem respostas-, há muita arte na ciência. Ensinar física, biologia, química é expôr um lado bastante criativo do ser humano. Einstein, um grande cientista, tem uma frase muito conhecida que afirma “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”. Vai muito ao encontro do que estou querendo dizer ou “desdizer” com todo esse devaneio. Mas é pouco.  Junto o físico com o poeta Mário Quintana e consigo passar o que sinto “A imaginação é a memória que enlouqueceu.”

Deveríamos receber a explicação científica de um fenômeno com a mesmo sentimento de quando entramos pela porteira aberta do Sítio do Pica Pau Amarelo…

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