Isaac No Mundo das Partículas

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Vejam que interessante. Ao pedir para Sergio Ricciuto ilustrar o meu livro “Isaac no Mundo das Partículas”, algumas imagens apareceram naturalmente na cabeça dele e ele, simplesmente, colocou-as no papel. Ricciuto, diretamente de São Paulo, via mensagem, me comunicou o que havia acontecido: Isaac ganhou um presente de Aristóteles. Como?, Onde?, Quando?, perguntei. E ele disse: ao se despedirem. Ecomplementou: Pergunte ao Yuki como isso aconteceu.

Dito e feito. Yuki foi me contando detalhes e eu só fiz escrever toda aquela história relatando da forma mais fiel que consegui, diria, o fato visto por Ricciuto e pelo Yuki.

Segue a passagem que eu nem sabia que havia acontecido nessa viagem de Isaac quando escrevi o livro, caso queiram ler. A prova de que tudo foi verdade é que Isaac passa o resto do livro com o regalo pendurado no pescoço. Essa belíssima ilustração é a primeira que Isaac aparece com o adorno.

“- Vamos, Argo. Mamãe já deve estar preocupada. – Falou Isaac para o grãozinho.

Aristóteles estava olhando o foguete de Isaac com uma incômoda curiosidade.

– Vocês viajaram nisso? – Perguntou.
– Sim. Viemos de muito longe. Tão longe que a distância pode ser medida em séculos!
– Isso viaja pelo céu?
– Sim. Se chama foguete intergalático espaço-temporal 5-AR6. – Detalhou Isaac o nome de batismo de seu brinquedo favorito.
– Você pode me levar rapidinho, antes de partir, para dar uma volta? Gostaria de sentir o cheiro das estrelas.
– Perfeitamente, seu Aristóteles. Será um prazer!

Dito isso, subiram todos no foguete. Aristóteles ficou encantado ao poder tocar as estrelas!, as mesmas que ele ficava horas olhando lá debaixo, observando como elas giram bem juntinhas e imaginando-as tangenciar o limite do Universo. Tamanha era a sua emoção que chegava ao ponto de transbordar em formas de risadas misturadas com lágrimas furtivas. Teve, de repente, a ideia de pegar uma estrelinha bem brilhante daquele céu por eles visitado. Amarrou-a com cuidado em uma linha arrancada de sua roupa.

Antes de se despedirem para sempre, já em solos firmes, o filósofo entregou-lhe o cordão, feito por ele, dizendo que aquele pingente super brilhoso e colhido do cosmo cuidadosamente pelas suas mãos simbolizava a ciência que Isaac estava buscando. Somente quando as estrelas apagarem, saberemos que os homens conheceram a matéria em sua plenitude, disse o homem para o menino.

Isaac aceitou com prazer o regalo. Ficou alguns segundos (talvez minutos) olhando para aquela luz pendurada em seu colo. Lembrou-se que estava chegando a hora da janta. Voltou-se para o filósofo para agradecer e se despedir como os meninos educados fazem.

– Valeu, tio! Valeu mesmo! A gente se vê por aí.

E acrescentou uma frase super sincera, mas um tanto assim esquisita para aqueles que nunca pensam em nada:

– Vou pensar sobre “nada” em casa, ok?

Argo e Isaac colocaram os capacetes e entraram no foguete supersônico que viajava quase na velocidade da luz. Ficaram dando tchau para o barbudo até que ele ficasse do tamanho de um grãozinho de areia, depois do tamanho de meio grão, depois do tamanho de um quarto de grão, depois e de repente, Isaac não mais viu Aristóteles.

E ainda assim, ele sabia que o tio sabichão estava lá.”

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Em tempo, sigo procurando uma editora. Assim que conseguir publicá-lo, aviso a todos.

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Arquivado em Crônicas

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