A Deus, Manoel.

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Manoel morreu? É possível Manoel de Barros morrer??? Manoel não vai terminar nunca para mim… Não vai! Como ele mesmo me disse um dia, o ser biológico é sujeito à variação do tempo, o poeta não. E eu amarei Manoel para sempre por ter lhe visto carregando água na peneira tantas vezes (lembro-me da primeira vez que vi essa cena…) e por todos os seus tantos outros despropósitos.

Quem me ensinou que o esplendor da manhã não se abre com faca, que desaprender 8 horas por dia ensina os princípios, que poesia é quando a tarde está competente para dálias e quando um sapo engole as auroras, quem me alertou que as coisas que não têm nome são mais pronunciadas por crianças, quem me mostrou que no descomeço era o verbo e só depois é que veio o delírio do verbo e que um girassol se apropriou de Deus em Van Gogh, quem fez tudo isso em mim terá presenças eternas, que estão para além do corpo.

Não morre quem tem dentro de si um atraso de nascença e foi aparelhado para gostar de passarinhos! Não morre!

Não morre, Manoel, por favor, você não…

Ah, meu querido Manoel, você é um imortal que mata meu sorriso quando morre…

Por que morre o Manoel?
Por que morre, Manoel?
Por quê?

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Arquivado em Crônicas, reflexões

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