Arquivo do mês: fevereiro 2015

Liberdade

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Ultimamente, ando pensando muito sobre o conceito de liberdade. Descobri que assim como o ‘tempo’, só sabemos o que é ‘liberdade’ enquanto não tivermos que explicá-la. Experimente a minha dificuldade e tente responder: O que é ser livre? Quanto custa a liberdade? Há regras que limitam e explicam a liberdade? O mundo é um obstáculo para a liberdade? Um escravo pode ser livre? Não é simples… Enfim, ando pensando sobre esse, como diria, estado de espírito (seria isso?). A lembrança de três eventos levou-me a não concluir de vez essas questões.

Ganhei há tempos atrás um livro de meu primo Marquinhos. Ele, agora vejam, lia-me lá no sertão e quando veio ao Rio para assistir o show do Elton John aproveitou a viagem para me presentear com uma preciosidade: ‘200 crônicas escolhidas de Rubem Braga’. Eu, sempre muito ignorante, pasmem, nunca havia lido o maior dos cronistas brasileiros.

Simplesmente devorei Rubem Braga e agradeci a Deus por ter tido essa experiência antes de morrer. A vida ganhou outro sabor. Passei a ver tudo diferente como uma gestante o faz turbilhada pelos hormônios, mas eu estava era imersa em brandura. Apossei-me das vísceras do poeta que escreve em prosa e quando estava já completamente nua em seus braços, totalmente entregue, ele sussurra ao pé do meu ouvido esquerdo parte da crônica intitulada O Morto, parágrafos da página 187, quase já no final do livro:

“Que o mistério que existe em toda morte fosse na minha dignificado pela simplicidade.

Que alguma desconhecida mulher, em uma hora de angústia ou abatimento, lesse por acaso alguma coisa minha e sentisse ali um conforto de mão de companheiro.

[…]

E tu, que foste a última de minhas amigas, que minha lembrança te fosse também suave – apenas a vaga mão pousando no teu ombro e a perdida voz dizendo teu nome, [Elika], com o mais simples carinho, e um tom quase contente.”

Lembro-me do espanto ao ler esta carta dirigida a mim. Se já estava sentindo falta do que jamais tive, saudades daquele entrelaçamento que não cessaria com o findar da leitura, desesperei-me ao ter que me despedir de quem ao olhar para meus olhos fixos em um livro aberto compreendeu todas as minhas inquietações e as acalmou. Rubem estava me dizendo adeus e voltando para o além, lugar de onde saiu para vir ao meu encontro quando percebeu que eu estava emocionada e cúmplice de seus dizeres impressos.

Chorei pedindo para que ficasse quem já havia partido.

Quando estava escrevendo a minha tese em que pesquisava como se deu a matematização da física no século dezoito, mergulhei fundo em muitos autores. Tive que ler várias cartas trocadas entre os físicos, matemáticos e filósofos daqueles idos e levei um susto ao perceber o quão complexo, discutível, controverso, obscuro e até perverso existe por detrás de ideias aparentemente simples que podem ser traduzidas por uma simples equação, tal como F= ma.

Pierre Louis Moreau de Maupertuis foi um dos homens que me mostrou a quantidade de, digamos, metafísica que há em ideias aparentemente claras e objetivas. Saber que a ciência exata que lecionava há anos (para quem não sabe sou professora de física) de exata não tem nada foi uma experiência que se iguala a, sei lá… ver Jesus talvez. Eu, infelizmente, jamais O vi, mas quem se depara com Ele jamais volta a ter o tamanho normal, tal como a mente quando é apresentada a uma nova ideia, como já dizia Einstein. Maupertuis escrevia cartas e cartas para mim. Com cuidado, com carinho. Teve muita paciência de me mostrar como uma equação pode provar a existência de Deus. Ora, Tuis, deixe de bobagem!, dizia eu para ele. Elika, pense comigo… e daí ele tentava me mostrar, naquele francês dos idos do Iluminismo, o quanto ele teve que transcender nas ideias para chegar a equação de um dos princípios variacionais mais importantes dentro da física: O Princípio de Ação Mínima. Maupertuis não olhava para o chão, para a matéria, para o objeto, para o que se pesa e sim para o que há além deles. Depois de nosso encontro, eu jamais consegui dar a mesma aula de física conforme outrora fazia. Acompanhei Tuis em todas as suas inquietações e discussões com outros físicos, filósofos e matemáticos da época. Reconheço a sua caligrafia de longe de tanto ler as cartas escritas por ele e seus rascunhos pessoais. Quando Euler escreveu para Lagrange comunicando a morte de Maupertuis, ao ler a correspondência que dava a notícia, entrei em pânico. Parei de escrever a tese durante um tempo. Vivi um luto inconformado.

Chorei mais uma vez pedindo para que ficasse  quem já há muito havia se ido.

O mesmo se deu com Clarice Lispector. Separei-me há meses de uma pessoa com a qual convivi intensamente feliz por quase 25 anos. Fiz análise, tentei rezar, fui às compras, entupi-me de chocolate. Foi somente Clarice que conseguiu me explicar o que estava acontecendo e acalmar o meu furacão de incertezas e medos. Ao ler Lispector, entendi muito melhor a mim mesma. É terapêutico a vera. Devorei seus livros e senti necessidade de saber mais sobre sua vida pessoal. Clarice foi-me descortinada ao som de um azul celeste na biografia escrita por Benjamin Moser.

Assustei-me com a nossa conivência. Clarice, como eu, lado a lado de defender a própria intimidade, tem o desejo intenso de se confessar em público e não a um padre seus pecados. Minha Vida? É um Blog Aberto. Não que eu esteja comparando a qualidade literária de minha escrita com a dela. Imagina. Longe disso. O que eu quero dizer com isso é que Clarice sempre entendeu muito bem tudo o que fiz e justificou todas as minhas atitudes. Lispector me deu a sensação de não estar sozinha – como os incompreendidos – neste mundo.

O contato com a biografia narrada de forma majestosa tal como Moser o fez ressuscitou Clarice. Fiquei íntima da bruxa, li suas cartas direcionadas para seus amigos mais próximos, ouvi suas conversas ao telefone, vi seu álbum de retrato e cheguei até a me apaixonar pelo mesmo homem que arrancou fortes suspiros de Clarice: Lúcio Cardoso. Conforme o livro de Moser vai terminando, a doença de Clarice aparecendo e ela ainda dizendo que ia morrer escrevendo, o desespero, ah quanta dor! quanta dor!, começou a se apossar de mim. Não, Clarice, fique comigo pelo amor de Deus! Aguente firme, por favor! Mas ela vai e me diz:

“Elika, benditos sejam os seus amores. Será que estou com medo de dar o passo de morrer agora mesmo? Cuidar para não morrer. No entanto eu já estou no futuro. Esse meu futuro que será para vós o passado de um morto. Que a paz esteja entre nós, entre vós e entre mim. Estou caindo no discurso? Que me perdoem os fiéis do templo: eu escrevo e assim me livro de mim e posso então descansar.”

Chorei pela terceira vez  pedindo para que ficasse comigo quem já havia se despedido.

Um dia alguém me disse que sentimos saudades não quando experimentamos a falta de alguém e sim quando percebemos a presença deste alguém. Rubem Braga, Maupertuis e Clarice atenderam ao meu pedido e ficaram, de certa forma, comigo. Após conhecê-los, sinto sempre saudades deles. E, ao chamá-los, quando preciso, tenho sempre um dos três prontamente na minha frente.

Ocorrem-me, porém, depois do reencontro, sempre algumas – outras – dúvidas: O que é morte? A morte mata exatamente o quê? A morte liberta? O que é existir? Podemos sentir falta de algo que nunca tivemos? Para quem foi verdadeiramente um amigo, não será a sua ausência a mais forte das presenças? É preciso estar vivo para semear uma amizade? Só há um jeito de estarmos vivos? Os pensamentos são reais? Tudo o que existe é material? Podem os mortos terem acesso a mim? Podem os mortos compreenderem mais do que os vivos? Podem os mortos nos ajudar? As palavras apontam para alguma realidade? As palavras criam mundos? Existem duendes? E unicórnios?  O tempo é real? Há tempo por extenso? O que eu salvaria num incêndio: Clarice ou seus livros escritos?  Em que medida sou eu mesma? O que é que em mim é só meu? Quem sou eu? Bem, isso já é demais…

Continuo seguindo adiante sendo transformada a cada dia. Desentendendo os sentimentos. Mergulhando no que não conheço. Não me preocupando em desvelar e sim experimentar essas dúvidas que vão me ocorrendo. Viver é muito mais que compreender. Cá estou hoje, clamando para Guimarães Rosa ficar. Cada vez mais presa aos que me libertam.

Sentindo-me estranhamente livre somente ao lado de quem tenho extrema dificuldade em me despedir.

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A mente mente o tempo

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Engana-se o tempo.

A minha idade não se mede

pelos anos idos.

Eu não vivo por extenso.

Meço-me pelas explosões.

Pelo aproximar dos corações.

E pela intensidade dos momentos.

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Eu. Modo de usar: 

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Pergunta-me sobre o que ando lendo e como estou me sentindo em relação a isso. Respeita o meu silêncio quando escrevo, são muitas ideias e elas me escapam num piscar de olhos. Quando levanto-me, fico ávida por uma boa conversa; esteja, portanto, atento a esse momento. Fala-me muito sobre você, conte-me histórias e ouça as minhas. Debatamos ideias. Não fale mal de ninguém para mim porque falarei mal de ti assim que te calares. Alimenta a minha criatividade e minha vontade de escrever quando eu estiver ao seu lado. Faça-me pensar em tudo, mas também de tudo esquecer. Convida-me para vermos juntos um filme diferente ou para darmos uma volta na Lagoa. Pergunte-me sobre meus filhos e sobre a saúde de meu pai. Peça para que eu te conte algo sobre a mamãe. Perceba o que precede às minhas crises de enxaqueca. Ofereça-me a sua companhia para tomarmos um café e pressione a minha nuca com firmeza nos dedos. Isso alivia-me tanto… Leia as entrelinhas das coisas que eu escrevo. Observe que ouço mal e o quanto isso me entristece. Saiba que o olfato é meu sentido mais desenvolvido e que me acalma demais cheiro de terra molhada e da dama da noite. Não diga que sou imprescindível na sua vida. Isso me assusta e não me deixa lisonjeada. Chama-me para dançar, ainda que seja somente no sentido metafórico. Embriague-se comigo. Dê-me chocolate sorrindo. Note que sou muito inteligente, mas somente para algumas coisas. Perceba o quanto sou limitada em outros departamentos. Socorra-me sabendo que eu nunca pedirei a sua ajuda para nada, mas que jamais me esquecerei dela. Não adianta falar para eu me acalmar quando estou diante de um problema. Dê outro jeito, pois eu não sou obediente. Vivo a me procurar; piore esse estado mas, por favor, perca-se um pouco em mim também.

Saiba que em todos os momentos em que estivermos juntos, estarei a observar o que te faz feliz e onde posso surpreender-te. Farei de tudo para que gargalhes ao meu lado e se o assunto em que tocas entristecer-te, darei meu jeito para que chores e te alivies. Leveza é o que terás ao meu lado. Acompanhe-me, portanto, na tentativa de diminuir essa gravidade.

Ajude-me a subir. Faça-me voar. E será uma honra ser usada por você.

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Sobre Baleias e Peixinhos.

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O fotógrafo americano Eric Smith registrou um momento nada raro hoje em dia: uma baleia passando ao lado de homem sem que este a percebesse por estar de olho no celular. Diria você que isso não é comum e até mesmo por ser tão ímpar um momento como esse, a fotografia ganhou destaque nos grandes jornais do mundo. Se tomarmos aqui a baleia no sentido metafórico, como assim foi feita pela maioria das redações dos jornais que comentam o retrato, e associá-la a grandes fenômenos que acontecem à nossa volta enquanto estamos mandando mensagens no WhatsApp ou conferindo as atualizações dos amigos no Facebook é fácil entender que a imagem desse homem em seu veleiro sem se dar conta da baleia que tangencia o seu barco retrata o nosso cotidiano.

Todos já devem ter se deparado com vídeos e textos comentando o quanto as pessoas viciadas em celular deixam de dar atenção para quem está ao  lado. Não vou dissertar sobre isso fazendo coro a todos que criticaram o coitado que não viu a baleia. Primeiro que todos que o fizeram, em sua grande maioria, certamente usaram o próprio celular para atirar a pedra  (tal como aqueles que postam textos falando mal de haloween (a favor do dia no Saci, figura típica da cultura brasileira) confortavelmente de seu aifone). O próprio fotógrafo foi bem rápido em postar a imagem capturada no seu Instagram para criticar o modelo imerso em seu smartphone. Quem lhe garante que não passou outra jubarte ou algo que o valha ao lado do retratista neste momento?

Pergunto-me, por outro viés, a despeito de ser meu sonho ver esse enorme mamífero pessoalmente, se vê-lo faria do homem um ser mais sensível. Estou lendo um livro que aborda o tema do comércio na época da escravidão que acaba descrevendo todas as rotas marítimas utilizadas pelos senhores de escravos. Navio vem, navio vai, muitos homens começaram a observar baleias no mar e rapidamente se perguntaram o que poderiam fazer também com esse bichos para obter lucro. Na mesma época em que negros eram escravizados, surgiu no mundo assim, um mercado que fomentava a caça às baleias. Navios, armas de vários outros tipos, redes, arpões, guindastes eram manufaturados e vendidos para alimentar essa ideia. Até hoje, os japoneses, para citar um outro exemplo, na famosa enseada de Taiji (digitem no gúgol e vejam rapidamente as fortes imagens) chegam a mudar a cor de parte do mar ao matarem diversos golfinhos para seguir uma estúpida tradição. Enfim, o que estou querendo dizer é que ver jubartes, orcas, golfinhos e araras azuis não nos fazem mais sensíveis se não temos capacidade e se não estivermos preparados para sentir determinada emoção. Se formos metaforizar os bichos, pergunto-me quantos vezes nos deparamos com baleias sem que percebamos a beleza do fenômeno não porque estivéssemos focados no celular ou algo que o valha, não porque não estivéssemos olhando para o mar e sim porque algo dentro de nós não permitiu simplesmente chamar aquilo de belo.

No mais, uma outra observação: antes dos smarts, dos celulares que só eram usados para falar, dos telefones fixos e da televisão surgiu a escrita e pessoas que começaram a se ocupar dela. Tanto escrevendo mesmo quanto lendo. Lá pelos idos antes de Cristo, na Grécia, já havia quem criticasse os papiros por afastar a necessidade da presença do corpo nos processos comunicacionais. Por que ir até lá se posso mandar uma carta?  Eu, leitora ávida e por livros de literatura viciada, não raro me isolo para matar a sede pela palavra impressa e, por isso, perdi as vezes em que fui chamada de anti-social. Os alfarrábios eram um veneno para a memória, alertavam os críticos de plantão lá na Grécia antiga. Ninguém precisaria guardar mais nada, nenhum verso, nenhuma poesia, pois estava escrito. Com o exercício da leitura, há uma separação do conhecedor e do objeto conhecido e que perigo isso para a humanidade!, bradavam alguns homens nessa época.

Depois, muito depois, veio o telefone fixo, as cabines, os orelhões que nitidamente buscavam isolar quem do uso deles usufruísse. Pronto. Mais críticas de como estávamos sendo anti-sociais e dá-lhe mais alertas do mal que estamos fazendo com o amigo desprezado que está ao lado. Hoje em dia, não precisamos mais nos isolar. É possível você ouvir uma conversa romântica de um desconhecido que fala no celular ao andar de transporte público, mas ainda assim somos acusados de andarmos distantes de quem está próximo. Quanto ao televisor, nem vamos comentar. O que havia de psicólogos fazendo terrorismo com o fato de ficarmos todos calados olhando para uma telinha não está no gibi… Era o fim do diálogo entre os membros de uma família desde o televisor preto e branco.

Fato é que, mesmo sem dar atenção a quem estava ao nosso lado, em todos esse casos havia sempre uma interação entre pelo menos duas pessoas. Quando lemos um livro, por exemplo, nunca estamos sozinhos, nenhum leitor jamais reclamou de solidão tendo uma boa obra em mãos. E já analisando diretamente os dias de hoje, pergunto-me quantas baleias não vimos dentro do nosso celular. Quantos amores existem graças ao fato dessa engenhoca fazer parte de nossas vidas? Quantos deixaram de existir quando a comunicação era somente feita a pouca distância? Revidará você: e quantos casamentos terminaram por causa disso? Aceito a pergunta, mas não sem antes me questionar se foi o aparelho de celular que separou, de fato, o casal.

Bom, o que estou querendo com toda essa explanação, para quem ainda não me entendeu, é perguntar se é assim tão fácil fazer um julgamento sobre o registro de Eric Smith, ou seja, sobre como estamos nos comportando.

E, permitam-me uma última observação. Se pensarmos ainda mais um pouco, nem era preciso baleia nenhuma passar e deixar o moço sair, abusando do trocadilho, tão ruim na foto. Para os sensíveis, os sensíveis de verdade mesmo, basta ver com bastante atenção um peixinho ou o próprio mar sem que nada se mexa além das ondas e a vida já passa a ter muito o que comemorar.

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Depelamordedeos!

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Nara, minha filha adolescente, resolveu depilar a perna com um tal de veet. Comprou a parada sem me consultar. Enquanto eu tomava banho, ela me chega no banheiro com essa budega. Quando eu estava me enxugando, olhei para ela e vi que a criança mal sabia como abrir a embalagem. Peguei uma faca e trucidei o plástico já possessa.

– Pronto. Quem mandou você comprar isso? – Perguntei com a faca de ponta em riste.
– Se eu uso gilete os pelos ficam grossos. Com isso não. – Respondeu ela calmamente e giga animada abrindo e cheirando tudo.
– Aff. Quem disse isso?
– A moça.
– Da propaganda. Só pode. Essa merda não arranca pelo pela raiz, sua retardada.

Aqui é assim. Sigo à risca o que mandam os psicólogos: os pais devem falar claramente com seus filhos.

– Dá no mesmo, não entende? – Continuei didaticamente. – Isso só usa quem tem alergia à lâmina. Mas dá no mesmo. Só que é mais caro. Bem mais caro.

– Nada disso. Você vai ver! – Disse ela empolgadaça.

Saio do banheiro e deixo ela dois segundos sozinha. De longe, senti o cheiro de sei lá. Amônia com enxofre eu acho. Mó nhaca de laboratório de química pesada. Quando a vi, ela estava totalmente besuntada com aquela porcaria.

– Ó senhor! Você nem fez o teste para ver se é alérgica a essa meleca? Você pode se queimar toda e ficar manchada para o resto da vida!
– Ahn? – Disse ela com cara de assustada e com o corpo todo branco de veet segurando uma esponja que veio junto.
– Ai Jesus! Essa porra derrete pelo! Já imaginou se der um ruim? Um xabu? Já pensou se isso fura a sua pele?
– Você está me assustando!
– Olha o cheiro forte dessa merda, minha filha! Custava testar uma pequena parte primeiro? Não ouviu falar da Valeska Urach?
– Quem é? O que aconteceu quando ela passou veet?
– Ai meu deus. Ela quase morreu querendo ficar bonita. É uma sei lá. Outra burra inconsequente dessas popozudas ex BBB.
– Desde quando você sabe de BBB? – Perguntou Nara correndo pro chuveiro.
– Ai, meu padinciço, eu leio jornal e acesso o feicebuque dez vezes por dia, Nara! Sou mega antenada em tudo! Valeska Urach está em todos os jornais! Mas pouco importa isso. O que importa é que você pode se intoxicar. Ter um choque anafilático, minha filha! Suas pernas vão cair, Jesus!

Enquanto ouvia minhas informações mega procedentes, ela esfregava o corpo alucinadamente como se tivesse saído do esgoto.

Conclusão: Não caíram nem as pernas e nem um pelo sequer da guria. Tá com as coxas que parecem membros de macaco, coitada. Nara disse que quando eu grito a budega não funciona e o meu dinheiro vai literalmente pro ralo.

Mais essa. Agora tenho que ficar em silêncio enquanto o filho come superbonder para economizar. Faz sentido isso??? Fala sério!

A visão dessas crianças é toda muito deturpada e exagerada, né? Ainda bem que eu sou mega ligada, equilibrada e raciocino super rápido por aqui.

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