Conexão Entre Universos

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Por esses dias que se passaram, se olhássemos para o céu veríamos Júpiter e Vênus alinhados. A despeito de parecerem duas estrelas, esses e os demais planetas têm um comportamento diferente de outros astros. O movimento deles não é sempre em uma direção visto por nós aqui da Terra. Eles andam um pouquinho para frente e voltam um tanto. Depois andam mais um pouco e voltam… E assim, nessa aparente indecisão eles muito mais progridem do que retrocedem, e vão desse jeito errático saindo do nosso campo visual.

Em todo tempo que eles permaneceram visíveis, eu os observei um pouquinho cada noite. Odeio desperdícios e seria muito injusto comigo mesmo eu deixar passar esse fenômeno sem interagir com ele e viver as consequências disso.

Ao mirá-los do chão do subúrbio carioca, perguntei-me o que de fato contemplava. Seria o mesmo céu de Galileu ou o céu das ideias de Platão? Olhava para o espaço absoluto de Newton e para o espaço imaterial dos postulados euclidianos? Ou o espaço curvo de Einstein? Essa desconfiança em relação aos meus sentidos e minha inteligência impediu-me de me fazer sentir à vontade com todo o restante do Universo. Olhando assim para seja lá o que for que estiver no firmamento, pensava eu, não consigo extrair nenhuma ideia de dimensões, de distâncias, de ciência e de poesia. Desconfio de tudo o que sei e para o que ignoro mantenho meu conforto suspenso.

Não sabia quando deveria voltar a olhar para as coisas próximas de mim. Será que eu já me apropriei desses planetas o suficiente? De quanto é a medida certa que os corpos celestes podem entrar em meus olhos?

Se tudo o que estou contemplando agora, divagava eu, está tão grávido de incertezas, dúvidas e interrogações o que me resta além de ter que confiar na escuridão e no deserto das minhas respostas? Devo aceitar o nada pela sua estabilidade? Por que diabos a minha relação com o céu é tão perturbadora ao invés de ser algo sereno? De onde vem essa revolução interna a cada vez que eu observo o tempo contínuo e imutável e me desprendo do tempo fragmentado e finito de nós terráqueos?

Assoberbada e insegura, acabei me enervando com os corpos celestes como com muitas pessoas – compulsada e compulsiva – à procura de uma verdadeira conexão.

Que venham outros alinhamentos…

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Arquivado em Crônicas, reflexões

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