Cinquenta Anos de Brasil

Meu pai completou hoje 50 anos de Brasil. Com quase trinta anos de idade, ele resolveu sair do outro lado do mundo para tentar reconstruir a vida dele nesse país tão múltiplo de raças, crenças, música,… Para quem perdeu o pai e teve a família desmembrada ainda quando criança durante a Segunda Guerra e ainda acompanhou todo o pós-guerra no japão, tratava-se de um recomeço mesmo.

Papai veio para cá sem saber falar um oi em português e casou-se com a minha mãe falando ainda muito mal a língua. Dizem eles que no amor existem outras formas de se comunicar. Tiveram quatro filhos, hoje cinco netos e, juntos, tivemos não sei quantos bichos de estimação.

Papai sempre sempre sempre nos levou para passear quando criança, jamais negou dinheiro para livro e não sei o que é um ‘não’ quando precisei dele. Antes que eu peça, papai sempre está ao meu lado e esteve nos momentos mais importantes da minha vida. Ele cansou de nos dizer que saiu do Japão sem nada, só com o que tinha na cabeça e que, portanto, valorizássemos o conhecimento, a nossa formação, os estudos porque podem nos roubar tudo menos o que carregamos dendagente.

Nós quatro, eu e meus três irmãos, estamos na categoria dos “bem sucedidos”. Todos formados por Universidades Públicas Federais e bem empregados. Os netos indo pelo mesmo caminho… e grande parte disso, devemos as orientações e a dedicação dele.

Daí que a vida é engraçada… se eu olhar toda a cadeia causal fico confusa. Se ele não tivesse tido a infância tão cheia de traumas e sofrido tanto com esse diabo de guerra, talvez eu não estivesse aqui. Ficar feliz por ele ter vindo com tudo considerado chega a ser cruel da minha parte. Mas não posso deixar de dizer o quanto o admiro e o tenho como exemplo.

Eternamente grata serei por ele ter resistido e insistido em ser feliz de novo.

Espero continuar dando todo o carinho que você merece, pai.

Amor. Só amor aqui para você. De todos nós.

2 Comentários

Arquivado em Crônicas

2 Respostas para “Cinquenta Anos de Brasil

  1. Maria Luiza de Monteiro Marinho

    Que inveja! Não tive pai..
    O meu morreu quando eu tinha 4 anos.
    Que privilégio.
    E que boa escrita
    Parabéns.

    Curtido por 1 pessoa

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