Arquivo do mês: março 2016

Madureira

Madureira-por-Cesar-Barreto

Hoje fui andar pelo caminho de Ogum e Iansã que tem tiro até de manhã e uma briga em cada andar. Tinha que resolver algumas coisas e Madureira é o meu lugar.

Entrei em um salãozinho de esquina para fazer as unhas. Minha manicure oficial, a Marilene, não quis descer o morro ontem para me dar um trato porque tinha um corpo ali no Morro do Fubá e ela achou melhor eu ficar feia e ela com vida. Achei justo embora tenha lamentado tudo isso que estamos vivendo aqui.

A manicure de hoje, a Josi, me disse que mora em Santa Cruz.

– Mas, Josi… não tem salão ali mais perto para você?

– Tem. Mas eu não quero. Odeio trabalhar perto de casa. O que seria da minha vida sem o pagode do trem? Sem a alegria da galera na estação de Madureira? Sem as conversas engraçadas no muquifo do vagão que sai daqui? Prefiro trabalhar longe, menina. A vida fica bem mais divertida… ainda mais quando se vem para cá…

Enquanto ela falava, fiquei a pensar nas minhas horas solitárias dentro do carro e o quanto lamento não ter como ler ou com quem conversar nesses longos engarrafamentos que a vida nessa Cidade Maravilhosa oferece…

Na volta, passei andando por um posto enorme bem na esquina da minha rua onde tem um lava-jato. No lugar dos carros, havia um bando de mendigos sendo lavados pelos meninos do posto. Uns escovando outros sendo ensaboados… Todos gargalhando. Era a verdadeira operação Lava Jato que o Brasil inteiro deveria testemunhar. Coisa linda de se ver, gente. Só não fotografei porque aqui onde é cercado de luta e suor, esperança em um mundo melhor e cerveja para comemorar as coisas andam tensas para quem fica exibindo celular a torto direito.

Enfim, o pau está comendo como vocês estão sabendo aqui em Madureira. Mas, olha… tirando isso… que doce lugar é esse que é eterno no meu coração e aos poetas traz inspiração pra cantar e escrever…

 

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A Menina Desaparecida

menina

Parafraseando Chico Anysio.

Estou empenhada na busca de uma menina que desapareceu aqui no Rio e queria apelar para que todos ajudassem no caso.

A menina tem dez anos, mas aparenta muito menos pela sua estatura. É branca e tem os olhos que parecem ter sido feitos por um enxame de abelhas.Tem cabelo curto e muitos pensam que se trata de um menino. Essa menina nunca usa vestidos. Só anda de short e camiseta por aí apostando corrida com ela mesma. Era comum no final da tarde ver a menina indo até o botequim com uma amiguinha loira de olhos azuis para comprar bananada.

Ela gostava de construir seus próprios brinquedos e tinha uma criação de porquinhos da índia no seu quintal que estava lhe fugindo o controle.

É uma menina falante demais para a sua idade. Sempre gostou de inventar histórias para suas bonecas. Cada uma tinha um futuro repleto de passados que são um verdadeiro presente. A despeito de nunca ter os pés no chão, ela anda sempre descalça e assim, com a Terra colada diretamente em seu corpo, ela estava quando vista pela última vez.

Tão menina e já falava para todos que queria ser mãe de dez. Aos domingos ia à missa e para Deus só pedia vida eterna para seus pais. Na confissão, arrancava gargalhadas do padre com suas perguntas desprositadas. Se Cristo ressuscitou por onde ele anda? Se padre usa vestidão, por que freira não anda de calça? Por que só tem papa e não mama? A menina achava que sua avó era uma devassa porque havia tido dezesseis filhos e, portanto, sua avó havia praticado o sexo quase vinte vezes. Minha avó vai para o céu, padre?

A menina não tinha padrinhos a despeito de ter sido batizada em um Domingo de Páscoa. Já que não podia passar férias no Sítio do Pica Pau Amarelo, ela chamava Pedrinho e Narizinho para passear na casa dela. Escrevia-lhes cartas que eram colocadas embaixo do travesseiro para a fada dos dentes levar. A menina achava que todos os personagens existiam e viviam por aí, muito além das histórias. Portanto, nada impedia de Chapeuzinho ter conversado com a Branca de Neve na floresta e a fada dos dentes sempre levar suas cartas para quem quer que fosse.

Como todos perceberam, estou procurando uma menina comum dessas que desaparecem todos os dias. Sequestrada não foi porque todos sabem que para a infância não há resgate.

Se alguém souber de alguma notícia, por favor, me avise. Ou eu encontro essa menina que já fui um dia ou eu não sei o que vai ser de mim…

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Zuleide de Marechal

acupuntura1

Dia desses fui correr no início da manhã e senti um incômodo. Insisti até o final do treino. Voltei para casa sentindo um desconforto. Depois do almoço tirei um cochilo e, assim que me levantei, percebi que estava mancando.

Pela primeira vez na vida, acho que me machuquei sério fazendo exercício físico. Fiz duas sessões de fisioterapia, achei que já estava cem por centa e, na ânsia de correr novamente, a dor voltou com tudo.

Ando meio por aqui com a medicina tradicional que me fez virar uma dependente química da amitriptilina. Agora estou buscando novos conceitos de cura e saúde e comecei a ver tratamentos alternativos. Estava aceitando desde banho de pipoca até ondas gravitacionais vindas dos monges do Tibet diretamente para a cabeça do meu fêmur. Leituras vão, leituras vêm e cheguei a conclusão que a acupuntura seria uma boa. Medicina oriental e milenar é o que há.

Quando estava fazendo a minha pesquisa, deparei-me com fotos de pessoas de quimono em um ambiente com fumacinhas e bonsais. Isso tudo vai gerando na mente da gente expectativas sobre o curandeiro e o ambiente em que seremos tratados. Empolguei-me rapidamente já que adoro novidades. Meu sobrenome é Takimoto, o que quer dizer que, além de me curar, estaria em contato com a cultura e sabedoria dos meus ancestrais. Belezura.

Fiz uma postagem em uma rede social pedindo recomendação de um acupunturista e cinco minutos depois, minha caixa de mensagens estava lotada de endereços e telefones que vinham acompanhados de textos com histórias que mais pareciam milagres. Ótimo. É disso que preciso. Algo tipo levante-te e anda! como Jesus fez com um pobre aleijado. Liguei para vários acupunturistas indicados pelos amigos e, como a dor assusta, escolhi o sábio budista que me atenderia o mais rápido possível.

E foi assim que parei na Zuleide de Marechal Hermes.

Marechal é um bairro do subúrbio carioca que tem personalidade. Lá a estação de trem é tão linda que chegou a ser tombada, assim como muitas casas. Tem praça com pipoqueiro a la novela das seis. Gosto de Marechal. Marechal tem uma áurea boa… Deus no comando.

Na hora marcada, cheguei na tal Zuleide que de japonesa não tem um nada como já era de se esperar pelo nome. Estava em uma clínica de fisioterapia. Passei pela salinha de Pilates e por pessoas andando nos corredores com a ajuda de profissionais vestidas de branco até chegar na sala em que faria o tratamento. Nada de musiquinha ting ling e incensos…

Zuleide mandou eu me sentar ali na cama que estava coberta com uma papel descartável e começou a me fazer várias perguntas. Definitivamente, eu não estava em uma cachoeira sentada em uma pedra onde Buda já havia meditado como pensei que seria. Mas ok. Sigamos. Respondi tudo o que Zuleide quis saber porém, como havia lido muito, estava cheia de questões também. Sou professora de física e, por mais que entenda o funcionamento caótico da ciência, tenho o ranço de querer explicações lógicas. Pedi para a Zuleide me explicar qual era a das chakras. Ela me explicou coisas sobre equilíbrio energético e enquanto eu a ouvia ficava tentando fazer associações com a hidrelétrica de Itaipu, a Usina de Fukushima, mais todo o restante do Universo e eu no meio de toda essa budega.

– Você foi ao médico, Elika?

– Não. Vim até você. Não quero mais saber de médicos para resolver as minhas dores.

– Por quê?

Daí seguiu-se uma longa explicação sobre química, meu corpo minhas regras, indústria farmacêutica, Cuba, PT e o escambau… Zuleide estava com os olhos esbugalhados me observando.

– Mas seria bom termos o resultado de uma ressonância, Elika.

– Zuleide, fala sério. Essa parada de acupuntura é milenar. Ressonância tem coisa de um século para menos. Os orientais resolvem essa parada de inflamação e lesão meditando e colocando agulha em quem tá com dor. Na dúvida, coloca esses alfinetes em tudo qué lugar por aqui ó, bem aqui, e acho que vai dar certo. Deus no comando, Zuleide. Deus no comando!

– Você é sempre assim, Elika?

– Sim. Uma droga. Eu sei. Não tem sido fácil carregar esse espírito inquieto e revolucionário nessa carcaça…

Depois de muita conversa para tentar entender quem sou eu com todas as minhas resistências e essa alta voltagem, Zuleide mandou eu me deitar de bruços e começou o serviço. Foram dez agulhas de cada lado começando na lombar e terminando no tornozelo. Incrivelmente eu não senti nada além de paz. Ela me explicou que eu deveria ficar meia hora com aquilo tudo fincado. Achei ótimo. Super tranquilo e favorável. Zuleide apagou a luz e saiu. Depois voltou rapidinho e disse que havia se esquecido de colocar uma última agulha.

Zuleide, então, pediu para eu olhar para ela. Segurou o meu queixo e enfiou uma agulha no meio da minha testa. Tentou três vezes. Nas duas primeiras, ela perdeu o picaroto porque caíram no chão. A bicha não entrava. Na terceira, ela mirou certeiro e o metal estreito parou.

– Pronto. Tente relaxar. E saiu de novo.

Fiquei em uma salinha escura, sozinha, parecendo um misto de porco-espinho com unicórnio. Pasmem. Eu, que tenho imensa dificuldade em dormir, babei no papel descartável. Acordei com Zuleide já mexendo em mim com carinho e dizendo que vou ficar bem, depois de ter tirado todas as agulhas em menos de cinco segundos, enquanto fazia uns movimentos com minha perna lesionada.

Não. Ainda não estou ainda sem dor. Como todo processo de cura, precisamos de um tempo. Ao sair dali, no entanto, já me sentia muito melhor. Havia uma escola de música ao lado, e eu fiquei alguns minutos na calçada ouvindo alguém tocar piano. Depois, comprei pipoca na praça e sentei no banco para observar umas meninas jogando amarelinha no chão enquanto refletia sobre a nova e inusitada experiência que havia acabado de viver. Comecei a suspeitar que ninguém cura nada. O que acontece, certamente, é que tem processos e pessoas que conseguem tirar o incurável do centro das nossas atenções. Pode ser… Se for isso, Zuleide de Marechal arrebenta. Se não for, também.

Não vejo a hora de viver tudo isso de novo e me livrar, de uma forma ou de outra, dessa dor.

Buda no comando.

Amém.

 

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Judas e Jesus no Brasil.

Judas

Aqui no subúrbio carioca, certas tradições saltam aos olhos de quem anda pelas calçadas. No Dia de São Cosme e São Damião, as ruas ficam repletas de crianças pegando doce e é comum ver muitas casas abertas para a entrada livre dessa turba de pequena estatura.

Hoje de manhã fui comprar pão e me assustei com um grupo de crianças e adultos pisoteando um boneco feito de pano e espuma que tinha o tamanho de um ser humano adulto. As crianças batiam na cabeça do boneco com um cabo de vassoura. Lembrei-me que hoje é sábado de Aleluia, dia de acabar com a raça do delator de Jesus: Judas Iscariotes… Fiquei observando o massacre. Ao final, eles penduraram o boneco no poste e a tarde, disseram, vão colocar fogo nele. Cenas do Estado Islâmico em Madureira, minha gente… Só não fotografei porque não ando mais nas ruas portando celular para não ser roubada como já me ocorreu três vezes.

Daí fiquei pensando se com Jesus a coisa ia ser diferente caso ele voltasse nos dias atuais. O que ficou claro é que sendo Judas ou Jesus, Oscar Wilde parece que acertou em cheio quando disse: “Há três tipos de déspotas. Aquele que tiraniza o corpo, aquele que tiraniza a alma e o que tiraniza, ao mesmo tempo, o corpo e a alma. O primeiro é chamado de príncipe, o segundo de papa e o terceiro de povo”.

No subúrbio, eu não sei como o tratariam, mas, pelas ruas do Leblon, dá a impressão que se ele voltasse repetindo o discurso de dois mil anos atrás, ele seria de novo crucificado. Antes disso, seria linchado pela elite raivosa. Jesus não ensinou a pescar porque ele sabia que quem tem fome tem pressa. Ele é daqueles que distribuem o pão e multiplicam o peixe… E quando ele soltasse a célebre frase “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, iriam gritar “Fora PT!”, “comunista!”…

Duvido se Jesus seria a favor da redução da maioridade penal… Gritariam no ouvido dele coisas como ”tá com pena de bandido? Leva para sua casa!”… E não importa se Jesus estivesse na Zona Sul ou por esse subúrbio abandonado por Deus e pelos políticos. Ao começar a falar: “Atire a primeira pedra quem…”, pronto. Nem teria terminado a frase já teria morrido… “seu defensor de bicha!”, “seu sem-terra!”, “seu mendigo!”, “subversivo!”, “quer acabar com a família tradicional brasileira!?”, “defensor de puta!”, “Bolsonaro para presidente!”… e por aí vai…

Jesus, definitivamente, não agradaria os príncipes, nem o papa e muito menos o povo…

Enfim, não importa com quem tu andas e quem tu és. Jesus andava com Judas e este com Jesus e os dois seriam massacrados nas ruas do Brasil do século 21.

Tempos difíceis, minha gente, tempos difíceis…

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Enem em Tempos de Manifestação

enem

Como a moda é ser interdisciplinar, resolvi fazer uma prova de física à luz dos últimos acontecimentos. Então vamos lá.

1ª questão:

Sabemos que a força de atrito depende da natureza das superfícies de contato. Sabendo disso, qual o contato cuja força de atrito vai ser a maior?

(A) Entre Bolsonaro e Feministas.
(B) Entre os que são “contra a corrupção” e os que são a favor da democracia.
(C) Entre Eduardo Paes e os pobres de Maricá.
(D) Entre patrões que andam com as babás de branco na rua e marxistas.
(E) Todas as anteriores.

2ª questão:

O plano inclinado é um exemplo de máquina simples. Ao mover um objeto sobre um plano inclinado o total de força F a ser aplicada é reduzido, porém, ao custo de um aumento na distância pela qual o objeto tem de ser deslocar. Ou seja, tudo tem um preço. Isso posto, qual das situações a seguir temos o plano bem inclinado?

(A) A nomeação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva para ministro da Casa Civil.
(B) A divulgação da gravação da conversa entre a presidente Dilma Rousseff e Lula pelo juiz Sergio Moro.
(C) A decisão do ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender a posse do ex-presidente como ministro da Casa Civil.
(D) A aprovação do plenário da Câmara da lista dos deputados que farão parte da comissão especial que vai discutir o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff que inclui, entre outros,Eduardo Bolsonaro (RJ), Pastor Marco Feliciano (SP) e Paulo Maluf (SP).
(E) Todas as anteriores.

3ª questão:

Qual opção descreve um movimento retardado?

(A) Pessoas que pedem a volta da ditadura militar.
(B) Pessoas que dizem que são contra a corrupção mas que se manifestam somente contra um partido.
(C) Pessoas que se dizem contra a corrupção mas aceitam um ato ilegal cometido por um juíz para manter seus interesses.
(D) Perder amizades por causa de política.
(E) Todas as anteriores.

4ª questão:

Gato de Schrodinger trata-se de uma experiência imaginária, na qual um gato, está vivo e morto ao mesmo tempo. A hipótese foi concebida pelo físico austríaco Erwin Schrödinger do século XX. De acordo com as leis do mundo subatômico, ambas as possibilidades podem acontecer ao mesmo tempo – deixando o animal simultaneamente vivo e morto. Mas e se um cientista olhasse para dentro da caixa? Ele não veria nada de mais, apenas um gato – vivo e morto. Isso posto, qual das figuras políticas representa melhor o Gato de Schrodinger?

(A) Sérgio Moro. Ele está certo ou errado?
(B) Dilma. É de esquerda ou de direita?
(C) Willian Bonner. Tá de brincadeira ou tá de sacanagem?
(D) Lula. É ou não é ministro?
(E) Todas as anteriores.

5ª Questão:

Força é:

(A) massa vezes alienação.
(B) massa de manobra mais televisão.
(C) massa de manobra mais corrupção.
(D) diretamente proporcional ao produto das massas raivosas.
(E) Todas as anteriores.

————————-

Enem 2030. Sobre o segundo mandato do governo Dilma, responda as seguintes questões:

1- Quem não enxergou a crise do Brasil no segundo mandato da presidente Dilma?

(A) Pablo Villaça.
(B) Tico Santa Cruz.
(C) Stevie Wonder.
(D) Gregório Duvivier.
(E) Todas as anteriores.

2- Quem fez parte da comissão especial para discutir o impeachment de Dilma em seu segundo mandato?

(A) William Bonner
(B) Eduardo Bolsonaro
(C) Marco Feliciano
(D) Paulo Maluf
(E) Todas as anteriores

3- O juiz que concedeu a liminar contra a posse de Lula como ministro da Casa Civil, Itagiba Catta Preta, titular da 4ª vara federal de Brasília, que devia ser apartidário pelo cargo que lhe foi concedido, apareceu nas redes sociais em que situação?

(A) Segurando o Pixuleco em uma foto.
(B) Convocando todos para a manifestação contra o governo Dilma.
(C) Com camisa com estampa da cara do Aécio.
(D) Com a camisa do Brasil e a legenda “Fora, Dilma”.
(E) Todas as anteriores.

4- Por que a PM não interveio na manifestação sem aviso prévio na Paulista no dia 17 de Março de 2016 como havia feito nas manifestações anteriores dos estudantes secundaristas e do Movimento Passe Livre (MPL)?

(A) Porque a PM desistiu de garantir a todos o direito de locomoção justamente neste dia.
(B) Porque o trânsito não mais precisaria ser organizado e a “segurança”, garantida somente nesse dia segundo Deus.
(C) Porque o paulistano precisava dar uma pausa mesmo neste dia.
(D) Ninguém na época soube explicar.
(E) Todas as anteriores.

5- Os que estavam contra o impeachment falavam sempre em “mídia golpista”. Por quê?

(A) Porque as publicações como a Folha de S. Paulo e os veículos das Organizações Globo, além de publicações de extrema-direita de menor importância, só davam à população informações distorcidas e extremamente controversas.
(B) Porque havia semelhanças gritantes com o momento do Golpe Militar dado em 1964.
(C) Porque a condução das investigações da Operação Lava Jato pelo juiz Sergio Moro tratou o réu como inimigo público e tornou a conclusão do processo previsível independentemente das provas que surjiam.
(D) Porque parecíamos que haviamos embarcado numa República jurídico-midiática, em que as delações viraram a guilhotina de robespierre.
(E) Todas as anteriores.

6- Ao tornar públicas as gravações de telefonemas entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz federal Sérgio Moro divulgou um material. De acordo com muitos advogados e professores de Direito, o material:

(A) era ilegal porque se um dos participantes da conversa tem prerrogativa de foro por função, caberia à primeira instância mandar as provas para a corte indicada.
(B) era ilegal porque a presidente Dilma só poderia ser processada e julgada (em casos de crimes comuns) pelo Supremo Tribunal Federal, conforme manda o artigo 102, inciso I, alínea “b”, da Constituição Federal.
(C) era ilegal porque a única decisão que Moro poderia tomar a respeito da gravação seria enviá-la ao Supremo, para que lá fosse decidido o que fazer com essas provas: abrir inquérito, abrir ação penal, arquivar, devolver etc.
(D) era ilegal porque não há interpretação da Constituição que permita a um juiz de primeiro grau tornar público material sem qualquer decisão do STF.
(E) Todas as anteriores.

7- Afinal, o Lula era ou não inocente?

(A) Muitos achavam que não mas a opinião do povo não quer dizer nada porque o que importa são as provas e isso ninguém tinha.
(B) Se foi criminoso, ele foi um gênio do crime porque a mídia estava na cola dele há 40 anos e nunca conseguiu provar nada que o incriminasse.
(C) Dizem que ele queria ser ministro para não ser preso, mas ser ministro não impedia ninguém de ser investigado, apenas mudava a instância do julgamento então não sei.
(D) O máximo que conseguiam falar é “mas você acha que Lula não sabe de nada?” então não sei.
(E) Todas as anteriores.

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Oi?

coragem1

Muitos não sabem, mas eu sou uma deficiente auditiva. Já uso próteses há três anos. Quer dizer, já ‘tenho’ as próteses há três anos. Meu problema é genético, não há o que fazer. Ladeira abaixo sempre e cada vez mais rápido. Estou caminhando a passos largos para ficar surda.

As próteses auditivas nada têm a ver com óculos. Quando eu os coloco (tenho sete graus de miopia (sim, deus me carimbou de várias formas), eu enxergo tudo como qualquer pessoa sem problema de vista enxerga. Fica perfeito. Com as próteses é muito diferente… As pessoas que não têm problemas auditivos ouvem em infinitas frequências. Eu, por exemplo, perdi muito nos agudos. O grave ainda ouço quase que perfeitamente. Mas as próteses não possuem ainda essa variação de frequências e amplificam quase tudo… se passar um caminhão na rua e eu estiver com os aparelhos, parece que um helicóptero entrou na minha cabeça. É um inferno. As vozes ficam todas microfonadas, nada natural… Quando as tiro dos meus ouvidos, sinto sempre um alívio como quem tira um sapato apertado.

Neste ano, apresentei-me para meus alunos abrindo o jogo:

– Bom dia. Meu nome é Elika. Sou a professora de física de vocês e tenho deficiências. A pior é a auditiva. Tentarei usar as próteses quando estiver com vocês, mas as vezes, dependendo do dia, chegarei em sala sem elas porque elas me cansam demais. Esse barulhinho do ar condicionado que vocês estão ouvindo, para mim, é um liquidificador em funcionamento. Se alguém me chamar e eu não ouvir, não é nada pessoal. É porque não ouço mesmo. E mesmo que eu esteja com as próteses, pode ser que eu não ouça alguém me chamar porque eu tenho deficiência de atenção também… Então, peço a vocês paciência comigo…

Os alunos ficaram em silêncio observando. Não sei o que pensaram, mas a reação deles me surpreendeu. Talvez tenham sentido pena de mim. Estou percebendo cada dia que passa que estou piorando. Já andei procurando curso de libras para meus filhos e eu fazermos e ir nos preparando para o futuro. Talvez esse ano, aprenderemos todos a língua de sinais.

Não é preciso ter pena de mim como, talvez, os meus alunos tiveram. As vezes, como gosto de ler, isso me ajuda a concentrar. Idem com o ato de escrever. Tem lá suas vantagens por incrível que pareça…

A luta é para não me isolar por isso. Pesquisas mostram que o deficiente físico que mais se afasta da convivência com os outros – por causa do problema – é o surdo. Quando estou em um ambiente ruidoso, posso me apresentar meio perdida. E é porque estou mesmo… estou lutando dentro de mim para não ir embora correndo. E dói quando alguém ri por algo que eu tenha perdido ou entendido errado. Dói fundo. Mas eu perdôo porque a gente está aqui para perdoar mesmo.

Então, para você que convive comigo, peço um pouco de paciência. Na maioria das vezes, eu estou sem as próteses. Tenho usado essas porcarias somente em reuniões sérias. Usar no dia a dia é deprimente e por demais exaustivo. Vocês não têm ideia…

Não é preciso gritar caso eu não entenda algo que você tenha falado. Apenas olhe para mim e fale pausadamente. Fiquei mestre em leitura labial. E, se eu estiver olhando para os seus lábios fixamente, não é porque quero te tascar um beijo na boca. É porque ouço olhando agora. Mas se você for um inteligente e cheiroso e eu estiver olhando para a sua boca e começar a morder a minha e se eu começar a suar e mexer na orelha esquerda e jogar o cabelo para um lado e para o outro e rir que nem uma hiena nem precisa fazer curso de libras para entender o recado, ok? Se te interessar, basta dar um passo a frente.

Segue o barco.

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