Vem comigo, boneca.

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Não sei quanto aos amigos de vocês, mas os meus me aparecem com cada bizarrice sexual catada na internet que não é mole não. Aliás, nada mole meesssmo. Eu que estou chegando ao marco olímpico surreal de quase um mês sem usar celular, por motivo de força e trauma maior fui poupada nesse tempo, dentre tantas coisas bacanas, de vídeos que me eram enviados pelo whats por aqueles que viviam com a libido a mil e aparentemente com todo o tempo do mundo de manter seus conhecidos a par das novidades nesse universo pleno de buracos negros.

Antigamente, na época dos meus bisavós, era por e-mail que a quixotada, rabularia e lambuzeira vinha sob o título no assunto: CUIDADO com o capslock ligado e piscante. Já sabia logo que se tratava de assuntos bobiciais.

O diabo é que esse tema cabeludo – que tem andando bem careca dado a moda da depilação – desperta a curiosidade das pessoas mais fofas como eu, por exemplo. Vejam vocês, a despeito de me portar como equilibrada e intelectual publicamente, abro, quando nem deus está me vendo, todas as imagens e vídeos que me mandam e, embora eu seja do do tipo prafentex, em se tratando de vuco-vuco, serei, pelo que estou entendendo, eternamente neófita porque o ser humano não para de inventar…

Por mais fanfarras e jactâncias que tenha visto em telinhas de celular, putaria é um assunto inesgotável como qualquer serumaninho, depravado ou não, em si o é. Eu juro que não procuro muito saber mas, não sei se é coisa de Brasil ou essa budega é endêmica nessa planeta, mas se você não vai à putaria, e tem pelo menos um amigo saudável e feliz, a putaria – ah pode ter certeza.. – vem até você.

Como ia dizendo no primeiro parágrafo, eu estou sem meu celular e, dentre outras coisas, limitada para receber esse tipo de informação o que tem me feito focar em outros assuntos como politica brasileira por exemplo que não deixa de ser putaria também. Ainda assim, embora haja uma regra clara de segurarmos a nossa onda nessa rede social que tanto nos balançamos, outro dia, vi uns amigos com muita testosterona compartilhando um vídeo em que mostrava a fabricação de bonecas ditas infláveis, mas que não esvaziam mais como aquelas com cara de Marylin Monroe depois que foi atropelada por um caminhão e, as seguir, por um trator. Os novos brinquedos são feitos de cyberskin, uma borracha que imita perfeitamente a textura de nossa pele, e por dentro tem um esqueleto todo articulável que promete posições que só vemos feitas pelos artistas do circo de solé.

O vídeo era casto, contido, apenas informativo já que não podemos soltar a franga, o ganso, a galinha e o peru por aqui. Com as aves todas amarradas, eu, estudiosa que sou e já com o lote reservado na fornalha do Capiroto, fui aprofundar sobre o tema na santa web e aqui estou com algumas informações nada imaculadas que se você parar de ler aqui não vai perder nada na vida. Se as trago é porque sou bem fã de Spinoza que disse que conhecimento – seja lá sobre o que for – aumenta quando compartilhado – ainda que este seja tão inútil quanto a equação de Torricelli que todos aprenderam na escola ou cópulas com bonecas, sendo o último muito mais difícil de entender do que o primeiro, a meu ver.

Fuxiquei tudo e vi fotos de altíssima definição me sentindo o próprio ginecologista enfiando um bico de pato (instrumento muito usado em exames ginecológicos) na paciente. Pasmem, tem todos os tipos de xanas inclusive com pelos para quem não se acostumou com esse desmatamento todo moderno que mexe, de um jeito ou de outro, com o pau brasil. O rosto também impressiona pelo realismo. Mas, como esses engenheiros e designers com uma criatividade do caralho inventam, vi umas com um buraco circular no alto da cabeça para, supus, colocar uma latinha de cerveja enquanto estiver com o badalhoco na boca da boneca que, segundo minha análise – agora de dentista procurando cárie – não possui nenhum sistema de sucção e nada que controle o movimento da língua quando o ganso estiver não afogando mas imergindo e emergindo naquelas águas cujas margens são lábios que podem ser tipo Angeline Jolie ou Bianca Rinaldi. E também não entendi para onde vai aquela porra toda já que não há a tal goela abaixo e, se não suga, certamente não cospe de onde concluí com esses olhos curiosos que, ao fim e ao cabo, basta lavar que tá novo como são a maioria dos buracos negros reais nesse universo pleno de energia e fornicadores.

O que me deixou mais intrigada foi o preço daquelas meninas de borracha. Uma fortuna que já não me lembro mais. Mas a loja que vi vendendo atende também aos menos abastados e oferece somente uma vulva com aquele mesmo esquema, a dizer, você pode escolher se acompanhadas de pelos ou não. Achei estranho. Pode ter sido preconceito já que não vejo com tanta íris exposta as bitolas em riste dos mais diversos modelos, cores e tamanhos de borracha que abundam e abucetam nos catálogos nas lojas de sex shop.

Como a empresa busca se aproximar ao máximo da realidade para satisfazer o freguês, havia também outra opção, não tão cara quanto a boneca inteira e um pouco mais completa do que só uma chavasca. A variação vinha com a vulva como a supracitada acompanhada de duas esferas cheias de silicone (ou algo que o valha) com um vale simulando o vulgo rêgo que abriga, como em todos nós, um orifício que está em alta como nunca e que é fetichizado desde os maias: o cu. Só me restou fazer uma colonoscopia e se o fiz foi porque fiquei boquiaberta com o preço que era muito mais do que o dobro de um só buraco. Oras, se um buraco vale x, dois, por uma regra de três simples, vale?, dois x! Nananinha. Valia o olho do c… quer dizer da cara. Muito mais do que o dobro. O mistério permaneceu. O buraco era uma argolinha rugosa embora não houvesse lá por dentro um tubo digestivo, mesmo por quê, não havia espaço para isso já que se tratava de algo parecido com uma bacia mutilada.

O vídeo que vi onde o final mostra várias bonecas na vitrine me deu angústia. Embora saiba que são bonecas, essas de hoje estão tão parecidas com gente de verdade de carne, osso e sangue correndo nas veias que meu lado feminista deu vontade de ir até a loja e soltá-las como devemos fazer com qualquer ser vivo preso. Mas, são brinquedos e apenas objetos sexuais ainda que… ah deixa para lá…

Mundo bizarro esse em que vivemos, não?

Enfim,como disse, você poderia ter ficado muito bem sem todas essas informações inúteis. Perdoem-me quem leu até aqui com uma expectativa de encontrar algo que prestasse ou engrandecesse o espírito. Não foi dessa vez… Culpa do Steve Jobs que facilitou tanto essa navegação em mares nunca dantes navegados onde mastros apontam de todos os lugares. A postagem termina assim sem nenhuma grande reflexão, pois, o mundo decididamente nem sempre  – quase nunca – se rege pelas noções de beleza, calma e poesia como sonhava a madre Teresa de Qualcutá…

 

2 Comentários

Arquivado em Crônicas

2 Respostas para “Vem comigo, boneca.

  1. Erick

    Engano seu ao pensar que não há nenhuma informação útil pois já comecei a pesquisar sobre Baruch Espinoza que não sabia de quem se tratava antes. Sempre á algo de útil quando quem escreve, pensa.

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  2. Erick

    Engano seu ao pensar que não há nenhuma informação útil pois já comecei a pesquisar sobre Baruch Espinoza que não sabia de quem se tratava antes. Sempre há algo de útil quando quem escreve, pensa.

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