Vã Gógui: Auto Retrato

coragem1

Tenho 1,56m, 52 quilos que variam para mais com facilidade. Poucas coisas me irritam, mas a placa “proibido virar em U” me deixa perplexa. Já comi vários bichos, dentre eles macaco, cobra e jacaré e acho que provaria cachorro se me oferecessem. Hoje além de ateia e de esquerda holics, sou vegetariana. Não posso beber nada alcoólico porque meu corpo não metaboliza a meritocracia e, por falta de aldolase, o álcool. Namorei um mesmo homem durante trinta anos e agora tomo chá de alfazema em pleno verão. Creio que quando usamos nossa autoridade estamos falhando muito em alguma coisa, por isso, corro cinco quilômetros duas vezes na semana. Medito para conseguir dormir e quando acordada, sonho. Moro ao lado de meus pais até hoje, mas sinto-me preparada para aprender a toca bateria. Não sou muito de me socializar, prefiro a solidão bem acompanhada. Com o cordão umbilical faço adereços e com meu primeiro salário comprei um anel de ouro para mim. Tenho dois livros publicados, sete escritos e vinte e dois ainda para fazer. Só possuo uma bolsa, uma manicure e eu mesma me depilo. Não acredito em Deus, embora Chico Buarque me deixe assustada e tenha como amuleto as velas que são acesas pela minha ex-empregada. Gargalho quando me vejo com lingerie e choro quando lembro de minha primeira gravidez. Tenho três filhos e não acredito em escolhas. Leio de tudo, mas não ouço Jorge Vercillo, Ana Carolina e Lenine. Durmo em todos os filmes que vejo em casa e, no cinema, só fui sozinha uma vez. Não entendo quem não vê beleza nas ocupações das escolas e na Gisele Bundchen. Quando casada, minha casa vivia cheia de amigos, agora, solteira, só os verdadeiros a frequentam. Não me considero escritora porque escrevo o que quero quando quero e o que me sustenta é a leitura. Adoro pintar minhas unhas de vermelho e os meus cabelos têm horror a cigarro. Nas paredes do meu cafofo, há quadros pintados por mim e por quem eu amo. Acredito que toda forma de amar seja natural, o cultural é o ódio por qualquer coisa. Adoro começar qualquer texto e sempre quis terminar um no meio de uma fras

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Arquivado em Crônicas

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