Arquivo do mês: junho 2017

Vai dar tudo errado e mesmo assim você vai ser feliz.

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​Hoje eu dei uma palestra no Instituto Federal de Volta Redonda. Sem palavras para descrever o carinho que recebi ao final. Muita gente querendo me abraçar, tirar foto, compartilhar ideias e experiências. Eternamente grata pela oportunidade de troca, pela cumplicidade e por tanta atenção.

Mas a última pessoinha que veio falar comigo mexeu com algo aqui dentro porque me fez ficar mega zen após me fazer pensar em tudo que deu errado na minha vida.

Explico.

Depois de eu ter falado durante mais de uma hora sobre o que ando aprontando em sala de aula e penso de todo o nosso sistema tradicional de ensino e ter contado a minha trajetória acadêmica que acabou me dando esse currículo doido com graduação em física, mestrado em História e Doutorado em Filosofia mais a minha carreira de escritora, enfim, depois de muito tagarelar e atender a todos, apareceu a serumaninha no apagar das luzes.

– Elika, você sofre de ansiedade? O que faz para lidar com ela?

Por um momento, cheguei a pensar que fosse Mufasa-hatuna-matata em forma de uma menina entrando em contato comigo e me alertando sobre os perigos dessa vida loka.

Olhei no fundo do olho dela e confessei (como fazemos diante de um padre pedindo perdão por ter feito tudo torto nessa vida e não ter conseguido cumprir nada que havíamos prometido).

– Cara. Te falá. Minha vida é um inferno. Há noites não consigo dormir mais de 4 horas. Faço de tudo para combater a ansiedade. Corro que nem uma maluca para cansar bem meu corpo. Faço três horas de pilates por semana.Tento meditar sempre. Encho o rabo de chá de camomila. Tomo suco puro de maracujá antes de dormir. Leio poesias. Nada adianta. Estou lutando com todas as minhas forças para não entrar com remédio. Preciso encontrar meu equilíbrio sozinha sem veneno. Morro de medo de me meter com ervinhas e chás de cogumelos e isso afetar a minha criatividade. Prezo muito por tudo aquilo que penso. Gosto de meu jeito de articular as informações e criar em cima do que leio. Enfim, sofro muito de ansiedade. Estou longe de ser a perfeição e esse poço de felicidade que as pessoas imaginam.

Dito isso, respirei.

– Eu tomo remédio. – ela disse – Mas o que me faz ficar ansiosa é a escola. Isso aqui me cobra demais e eu não consigo responder a tudo. Me sinto péssima sempre. Não consigo ter foco, estudar, decidir o que quero ser, tirar notas boas…

E desatou a chorar.

Fiquei tensa. Não estava preparada para aquilo. Mas não foi por isso que o chão me escapuliu. Não rolou a empatia na hora e nem a preocupação com ela de imediato. As palavras dela me afetaram como uma epifania. Tive visões tais como aqueles que chegam ao nirvana.

Me dei conta que eu também não tenho foco e muito menos ideia do que quero ser. Aliás, nunca tive. Meodeos, o que fiz em todo esse tempo?!

– Ôxi. E você sabe que eu nunca soube o que queria da vida e até hoje não sei? Pensando aqui, sou o que sou porque nada deu certo para mim.

– Você não planejou o que é hoje? – perguntou ela surpresa.

– Não.  E acho que não importa o que você planejar. Vai dar errado. Concluo eu aqui agora me tomando como exemplo. Não planejei ser professora de física. Queria ser bacharel. Daí engravidei do Hideo no meio da faculdade de um namorado que nem amava. Corri para licenciatura para conseguir emprego rápido. Mestrado de história foi um convite que recebi. Queria fazer em Ensino. Depois até que me empolguei muito e quis fazer doutorado na mesma área e a orientadora disse que não. Que eu era muito inquieta e devia ir para filosofia. Eu não queria de jeito nenhum. Mal sabia quem era Platão. Casamento acabou. Planejei ficar casada eternamente. Me fu. Tô apaixonada por um homem que mora longe e pouco me dá atenção por conta de nossas agendas e porque talvez não queira mesmo me dar atenção. Fiquei grávida nos momentos mais conturbados de minha vida.

A menina olhava estranho para mim. Eu também olhava assustada para dentro de mim mesma e só via trevas. Uma confusão dos diabos nessa bagaça.

Até que veio uma luz.

– Então, não fique tensa se você não sabe o que você quer. Eu não sei até hoje. A vida continua me levando. Olha eu aqui em Volta Redonda. Olha eu entrando talvez para política. Você acha que um dia eu planejei dar palestras? Relaxa, querida, porque vai dar tudo errado na sua vida e você vai ser feliz assim mesmo.

– Mas e a ansiedade?

– A primeira que descobrir como se livra dela conta para outra, ok? Vamos combinar assim? Eu sou ansiosa que só. Deito e fico pensando em histórias, em roteiros de vídeos, em aulas que preparei e ainda não testei, em contas que esqueci de pagar, em mozão que demora a me responder, nas viagens que quero fazer e nunca tenho dinheiro, nos livros que não consigo vender… Não tem a ver com ter casa própria, com ter emprego fixo, com ser valorizada e querida… eu tenho tudo isso aê e tô na merda que nem tu.

Após essa aula de anti psicologia e de como acabar com a esperança de alguém em dois minutos, demos um forte abraço. Ela incrivelmente pareceu grata pela conversa e eu mais ainda por ter percebido que não tem ninguém no controle e, se tiver, só pode estar de brincadeira com a nossa cara.

– Querida, não se cobre. Nada é sua culpa. Cada um tem um jeito de ser e uma forma de lidar com os problemas que vão aparecendo. Não se compare. Você é única. E seja o que for que acontecer, o valor de tudo que você conseguir ou não fazer vai estar no fato de a sua história ser ímpar.

Tive que me despedir correndo porque o motorista estava com horário. Na primeira curva, fiz algo que não fazia há tempos. Dormi pesado e cheguei a sonhar. Só acordei quando vi minha casa.

Queria ter feito para ela o bem que ela me fez.

Boa noite para vocês.

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Farei a festa no inferno


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Eu sou ateia e leio de tudo. E se tem algo que gosto de ler, por cultura e pelas histórias bizarras que deixam no chinelo livro censurado pelo MEC é a Bíblia. Mas o que eu gosto mesmo nas Sagradas Escrituras é o Novo Testamento. Sei praticamente de cor as falas de Jesus.

Daí que eu fico vendo esses pastores evangélicos que estão no congresso falando e percebo o quão safados esses caras são. É “faça o que eu digo e não o que eu faço” nível hard. Diria você para eu deixá-los em paz. Poderia… se eles não tivessem na liderança desse House of Paranauê chamado Brasil e se metendo nas leis que me regem também e estão longe de ser divinas.

Em verdade vos digo: Esses pastores nada entendem de Jesus. Eu que não acredito naquela história toda sem pé nem cabeça mas que acho linda e extremamente simbólica afirmo que se eles seguissem Jesus estariam agindo da forma contrária a que estamos vendo.

E se quiserem mesmo sair proibindo livros e só deixar a Bíblia para educarmos nossos jovens a la Escola Sem Partido, melhor dizendo, Escola com Mordaça, em verdade vos digo, farei a festa no inferno.

Mire veja.

Há uma passagem clássica quando um jovem rico quer ser amigo de Jesus. O “Filho de Deus” disse que, para isso, o cara tinha que doar tudo para os pobres. E, então, proferiu a célebre frase: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

Ora ora… Não há líder dessa comunidade evangélica dentro da política que eu conheça pobre. Aliás, o discurso que tenho acompanhado de Malafaias, Bolsonaros, Felicianos e coisas afins é que se os fiéis acreditarem e fizerem o que eles mandam, os pobres terão o que os ricos têm porque “Deus dá em dobro”.

Dízimo com quem andas e eu te direi quem tu és.

(Se houver algum que não seja rico, por favor, me falem. Não quero ser injusta.)

Se formos mesmo usar a Bíblia nas escolas como estão querendo, vocês do Escola com Mordaça, defensores da Família Tradicional Brasileira e a favor das propostas de Alexandre Frota, deveriam ter muito mais medo de Jesus do que de Marx e Engels.

Jesus se não era comunista era radicalmente contra um sistema que permite que uns tenham de tudo e outros quase nada. E mais! Jesus estaria a favor, certamente, das políticas sociais instaladas no Brasil. Pois ele foi O Cara que distribuiu pão e multiplicou os peixes e só depois é que ensinou a pescar porque sabe que quem tem fome tem pressa.

Jesus seria contra essas reformas todas que só prejudicam os pobres e seria #foraTemer nas cabeças. Petralhudo, mortadelaço ou algo que o valha.

Jesus era um típico pé rapado. Vivia descalço de vestidão, parecia que nunca viu um pente e uma tesoura para aparar aquela barba. Ele era contra o consumismo, meus alunos. Percebem? Não tinha vaidades, não usava terno e maletas, principalmente, não tinha preconceito algum.

Jesus não julgou ninguém. “Atire a primeira pedra aquele que…” é A Frase mais LGBTT que eu já vi nesse mundo. “Não faça com os outros aquilo que você não quer que façam com você” resume todo o resto. Se cada um seguisse esse mantra, ah que mundo melhor não teríamos… sem pastores safados como estamos vendo sobretudo liderando nosso país.

Eu tenho a impressão, meus alunos, de que se Jesus voltasse, a primeira coisa que ele faria era tacar uma bomba (no sentido metafórico ou quem sabe mesmo literal) em várias Igrejas que doutrinam as pessoas e as obrigam praticamente a selecionar somente um tipo de amor que lhes é permitido e ainda por cima lucram exorbitantemente falando coisas que Jesus jamais proferiu e vendendo de tudo com a Sua imagem.

Há uma passagem que eu adoro em que Jesus chega chutando literalmente o pau da barraca. Quando ele chega no Templo de Jerusalém e vê um punhado de gente vendendo vários badulaques, Jesus fica possesso e sai quebrando tudo. O que ele faria no Templo do Salomão? Ou vá lá, no Vaticano? O que ele faria vendo Malafaia oferecendo todos os dias produtos em sua rede? Jesus queimaria pneus no meio de estrada contra medidas que estão querendo nos impor que prejudicam a classe trabalhadora? Vamos debater esse tema, turma.

A verdade, meus alunos (já me vejo dando aula) é que se Jesus voltasse, ele seria crucificado de novo. Exatamente pelas pessoas que falam diariamente em Seu nome e me obrigam a isso.

Dissertem sobre.

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Minha estrela

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Hoje, 14 de junho de 2017, como muitos já sabem, encontrei-me com o homem que, quer queiram ou não, será citado em todos os livros da história do Brasil. Muitos já o estão acusando de aproveitador sem sequer saber da missa a metade.

(Como assim ele o aproveitador e não eu? Nem entendi…).

Tudo aconteceu por conta dessa fama que conquistei nas redes. Não sei como justificá-la, pois não sou nada demais. Apenas há anos falo sobre o que me dá na telha.

Seja lá o que for, aconteceu. Hoje, vejam vocês, me param nas ruas para tirarem selfie. Acho mega esquisito tudo isso… mas, mais do que isso, muito mais do que isso… ando sendo convidada para palestras em todo o Brasil e para entrar para política. Para quem não sabe, faço parte de um coletivo político onde debatemos vários temas para tentar compreender essa loucura chamada Brasil e essa galera animada em fazer e acontecer tem insistido na minha candidatura. Vejam vocês o que é a vida…

Uma coisa é fazer textão em blog pessoal e postar no Facebook. Outra, completamente diferente, é atuar em algum cargo político. Há meses já venho conversando com muita gente, ouvindo opinião de quem é do meio, colhendo conselhos de quem não tem nada a ver com política, escutando meus pais… enfim, ando ponderando tudo, podem ter certeza.

Não sei se é do conhecimento de vocês, mas devido a um texto que escrevi relatando um processo de censura que sofri por conta do mercado editorial, Lula me ligou apenas, na ocasião, para me parabenizar pela minha coragem. Disse, fofamente, para eu continuar assim. Foi lindo e emocionante demais. Imagina. Eu. Toca o telefone. Lula…

Depois daquela conversa, tudo começou a mudar em minha vida em um sentido diferente. Políticos entraram em contato querendo conversar comigo e comecei a receber de onde menos sonhava orientações sobre as possibilidades de meu futuro.

Há duas semanas, já perdida com tanta informação, tive a ideia de tentar ir direto ao papa. Se for para me aconselhar com alguém, que seja por aquele que mais ganhou meus votos de confiança nessa vida: Lula.

Entrei em contato com sua assessora que havia chegado até mim e pedido meu telefone por causa daquele texto já supracitado que tocou o coração do meu presidente.

– Gabi, olha, vou parecer ridícula, mas estou vivendo um dilema em minha vida…

E contei-lhe tudo.

– Será que Lula me receberia para uma conversa? Tenho certeza de que ele pode dar uma luz sobre o que fazer com meu futuro. Estou tensa… mas sei que há muitos problemas mais urgentes, sei que o tempo dele é curto… mas vai que né?

Gabi pediu um tempo que ia perguntar a Lula se ele me receberia.

– Elika, ele disse que te recebe com prazer.

Morri.

Ok. Respira.

Marcamos uma data e cá estou eu em São Paulo de frente para o Instituto Lula escrevendo esse texto…

Pulando todas as etapas e sem aprofundar na loucura que foi eu trazer meus três filhos e Lucimar, minha empregada, junto, hoje, fui recebida por ele.

Ao ver toda a minha comitiva que lotou a sua sala, Lula bateu o olho em Lucimar e desatou a perguntar de onde ela tinha vindo (Maranhão), como era lá, como ela está aqui, se está feliz… esse tipo de coisa. Enfim, depois que Lucimar estava íntima dele, Lula se virou para me dar atenção e se prontificou a me ouvir.

Comecei assim:

– Presidente, primeira coisa gostaria de agradecer esse tempo que você me disponibilizou. Sou uma figura que se tornou conhecida nas redes sociais e quando disse que viria te ver, recebi mensagens do Brasil inteiro e recados para te dar. Mas trarei o principal antes de entrar no motivo pelo qual estou aqui. Você precisa se cuidar, estamos preocupados com sua saúde. Tem se cuidado, presidente? Está se alimentando direito?

A seguir, entrei na minha vida propriamente dita e falei um punhado de coisas terminando com a possibilidade de eu me candidatar e me filiar ao PT ou continuar seguindo em frente com a minha vida de professora somente.

Hora de ouvi-lo:

– Elika, primeiro. Uma “vida de professora” já é algo extremamente grandioso. Você é uma figura adorável. Não é sem motivo que muitos te amam. Eu, companheira, te digo que a sua filiação pode te trazer muita dor de cabeça. As pessoas vão passar a te odiar como muitos me odeiam. Lidar com o ódio é algo que você não merece. Eu adoraria ter você com a gente, mas penso muito nas pessoas antes de mim. E olhando para você não tem como não te alertar sobre o quanto você pode perder por se filiar ao PT que está sofrendo ataques de todos os lados.

A Ana Júlia, – continuou Lula – aquela menina linda, esteve aqui e eu disse que antes de ela pensar em filiação deveria pensar no Enem, ler mais sobre tudo, viver outras coisas.

– Lula, eu não sou mais adolescente… e já li muito… – interrompi o presidente.

– Eu sei, companheira. Mas no seu caso, eu fico olhando para o que você faz e fico pensando em você. Uma candidatura pode te trazer muita dor de cabeça que hoje você não tem. Uma coisa é as pessoas dizerem que te amam. Outra é elas votarem em você. E, se você entrar para o PT, muitos dos que te seguem vão parar de te seguir. Estou pensando em seu futuro, Elika. É claro que bom para mim seria ter você aqui com a gente. Mas e você? Você perguntou da minha saúde. E a sua?

– Lula, veja bem. Eu já sou xingada por muitos. Lidar com o ódio para mim não é problema. As pessoas me xingam, mas eu não me ofendo. Tenho pena de quem faz isso e sinto vontade de conversar com quem não consegue dar amor porque sei que lhe falta. A gente dá o que recebe.

Eu não aguento mais ver a educação pública ser sucateada. – continuei – Devo meu doutorado a você. O CEFET permitiu que eu reduzisse a minha carga para estudar. Investiu em minha formação.

Nesse momento, Lula me entrevistou. Quis saber como andava o CEFET.

– Nossos laboratórios estão super atualizados. Hoje há cotistas formados e já trabalhando. Tenho dado palestras em todo o Brasil. Em cada Instituto Federal que visito é uma surpresa pelas instalações e pela qualidade do corpo docente. Isso tudo foi pelo seu governo. Agora, estamos com a corda no pescoço. Não temos mais verbas para nada. Sou, além de professora, coordenadora de física e faço parte do conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. As reuniões de orçamento das quais participo estão desesperadoras.

A Reforma do Ensino Médio está vindo a galope. – segui falando angustiada – A escola pública está sofrendo o maior golpe nunca dantes já visto na história do Brasil. Eu não aguento mais ver isso calada e, se houver algo que eu possa efetivamente fazer, eu quero fazer.

Acredito na bandeira do PT, Lula. Não tem partido que mais fez pelo Brasil e pelo povo que esse. Sei que houve erros crassos cometidos. Mas sei que a imagem do PT foi enlameada injustamente por essa corja que tomou o poder e que está acabando com a educação pública. O discurso de ódio aos petistas não se justifica a não ser por uma lavagem cerebral cometida pela grande mídia incentivado por uma elite que quer que o povo se exploda.

Eu sou essa fofura mesmo que você está vendo. – falei sem modéstia – E sei que precisamos renovar a política. Acredito que posso mostrar o quão injusto é esse discurso de ódio. E o que me tem feito mal é ver as escolas sendo sucateadas por essa quadrilha.

Acha mesmo que é melhor eu ficar longe, presidente? – perguntei com um nó na garganta.

– Elika, querida, você não é fácil. Não ouve os mais velhos… sempre foi assim?

Balancei a cabeça positivamente.

– Está triste mesmo tudo isso. Não é difícil fazer esse país dar certo. Basta dar o poder aos pobres, companheira. E é aí que muitos não aceitam. As pessoas me perguntam se pretendo voltar e se quero voltar. Vou te dizer, Elika. Eu queria muito voltar, não sei se vão me deixar. Queria só para mostrar que não é difícil fazer as coisas acontecerem. Me acusam de assistencialista. Mas eu acho que só há uma saída mesmo: dar poder para a classe mais sofrida. E por isso eu pretendo continuar lutando.

Pois a minha vontade, querida, – disse Lula olhando no branco dos meus olhos – é fazer um evento solene com sua chegada. É pedir para que me tragam o documento agora para você ser nossa. Qualquer político sonharia com seu apoio. Queria fazer uma festa com bumbo, surdo, samba para te receber. Mas, tenho receio por você. Tem certeza que está preparada para uma filiação e entrar para a política de alguma forma?

– Lula, estou aqui pronta. O que falta para você me estender a sua mão, presidente?

Ele a pegou, puxou, e me deu um forte abraço e boas vindas.

Depois de todos os trâmites explicados e marcada uma nova data para um novo encontro onde ele disse que faz questão de estar presente quando eu me filiar no Rio de Janeiro ao Partido dos Trabalhadores para colocar, efetivamente, de um jeito ou de outro, a mão na massa para tentar reverter esse massacre que estão fazendo com as nossas escolas públicas, aí sim, depois de tudo isso, vieram a sessão de fotos para registrar esse grande encontro e a entrega de livros que lhe levei de presente e uma belíssima tela pintada pelo artista Sergio Ricciuto.

Foi isso que aconteceu resumidamente. Em breve, oficialmente, serei uma petista. Estou bem certa desse passo. Para quem tem ódio ao PT, sinto muito, que vocês não consigam entender que entre o branco e o preto há infinitas graduações de cinza. O mundo, fiquem sabendo, não é dicotômico como mostram as novelas. Não existe somente o bem e o mal. E há, podem acreditar, os que tentam com toda a força melhorar o nosso país para os mais necessitados. Mas esses, não são super heróis. São seres humanos comuns plenos de toda a complexidade que qualquer universo possui.

Para finalizar, Yuki estava preocupado que havia perdido aula hoje para vir até São Paulo. Quando Lula foi brincar com ele um pouco ele disse:

– Estava angustiado porque perdi aula e prova hoje. Mas tive a maior aula de história da minha vida! Obrigado.

Fofo meu filho…

Enfim, estou mega feliz por esse encontro e por ter conseguido apresentar meus filhos ao homem que tirou o Brasil do mapa da fome e deu a oportunidade para muitos brasileiros – que nem sonhavam que isso seria possível – de estudar. Seguirei agora, ao seu lado e com seu apoio, lutando pela educação de qualidade para todos.

Animada com tudo o que tenho que viver pela frente.

 


Seguem algumas fotos mega divertidas desse dia:

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Lula falou para eu respirar dez vezes antes de eu entrar para o PT oficialmente por conta das pedras que eu iria receber já que, como todos sabem, há um ódio cego disseminado em nossa sociedade aos petistas e a ele, principalmente.

– Pensa bem, companheira… você tem uma vida tranquila. Lidar com o ódio diário não é nada fácil. Se for aparecer ao meu lado sua paz vai acabar. Querem me destruir de qualquer jeito.

Disse a ele que eu não me importava e não me arrependo de nada. Quero entrar e trabalhar efetivamente no que puder.

A filiação ainda não aconteceu. Vai ser no Rio, em breve, em um evento bacana com a presença do Lula que diz fazer questão de estar presente a assinar a minha entrada já que eu me mostrei decidida.

Verdade seja dita. Os ataques e xingamentos não param desde ontem, como previu Lula. Estou aqui começando a montar o meu castelo com as pedras que ando recebendo. Vai ficar enorme. Quem quiser se proteger dentro dele só chegar depois, ok?

E vai ficar lindão.

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Noite de Lua

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Aconteceu de novo. Eu e Yuki, meu caçula de dez anos, indo para a escola. Tive a ideia de fazer um vídeo com ele de uma música mega maneira que aprendi com Os Cabinha lá no nordeste. Seria assim: Yuki na bateria e eu cantando.

Comecei a cantarolar para ele aprender a belíssima canção quando estávamos na porta da escola:

– ♪♩ Um dia, noite de lua! Abri a porta e fui cagar na rua! A bosta endureceu! Passou um carro e furou o pneu! ♪♩

– Mãe, vamos precisar arrumar um metrônomo para você. – observou ele tecnicamente e frio que só.

– Ôxi, meu filho. E desde quando preciso de alguém me dando o ritmo?! – assustei-me.

– Mãe, a gente precisa andar no mesmo compasso. – explicou ele calmamente.

– Vixi. Quem te ensinou isso? Não fui eu! Com quem você tem andado?

– Com meu professor de bateria.

– Pois diga a ele que filho meu toca no ritmo do coração. Se a música empolgar e a gente resolver acelerar, a gente vai acelerar sim senhor e a música vai ficar bem mais emocionante!

– Mãe, vai ficar uma merda. – falou ele didaticamente.

– Yuki, meu filho. Prestenção na sua mãe. Metrônomo para baterista é camisa de força para passarinho! Toque no ritmo que mandar a sua emoção. Entendeu, meu filho?

– Mãe, imagina só. Só imagina: eu tocando numa banda. Daí, eu me empolgo e o resto da banda fica no mesmo ritmo. Vai ficar horrível!

– E quem disse? Você está descartando a possibilidade da banda se empolgar com você e todos acelerarem ou diminuírem o passo. Vou cantar para você ver como podemos nos empolgar no final dessa belíssima canção. Ouça, Yuki: “♪♩Levaram à prefeitura! Examinaram a bosta dura! ME LEVARAM PARA O XADREZ E SE DUVIDAR EU CAGO OUTRA VEZ! ♪♩”. Viu só?

– Mãe, você manteve o ritmo. Só cantou mais alto, percebeu? E depois eu toco no máximo a 110.

– 110 volts? Pois eu só vivo ligada a 220, meu filho.

– BPM, né mãe. É bateria.

– Tô ligada, Yuki. Mas não estou falando em acelerar somente. Podemos diminuir também. O importante é não seguir o ritmo imposto por essa sociedade opressora e fazer o que o coração ditar.

– Mãe, meodeos, mãe, me ouve pelo menos uma vez na vida! Imagina Bili dim do Michael Jackson sendo tocado sem ritmo. Qual o problema de seguir um pouco as regras? Só um pouco? Por que isso é tão difícil para você? Deixa eu colocar um metrônomo para nos ajudar a fazer um vídeo decente?

– Não sei onde eu errei na educação que te dei, Yuki. Você não querendo ser feliz, me colocando freios… unghf.

– Nem eu. Mas eu sei que não vou errar na que eu te dou. Vamos fazer do meu jeito. Hideo na guitarra. Nara no teclado te ajudando a cantar porque você está péssima e eu na bateria fazendo o back vocal.

– Ok ok… mas e se a gente se empolgar com essa música maneira da porra? Vou jogar o metrônomo longe. Tô avisando. Quero voar. Me deixa voar, Yuki! Que saco essa marcação cerrada viu…

– Mãe, me beija que já tá na hora eu eu tenho que entrar.

– Quero te contar outra coisa. Péra.

– Quando eu voltar, mãe. A inspetora tá chamando.

– Como você aguenta tudo isso de cabeça baixa? Chega atrasado uma vez e diga lá que estava aprendendo uma bela canção com sua mãe!

– Mãe, me beija. Hoje o primeiro tempo é educação física e eu não vou chegar atrasado.

– Vai sem beijo.

– Não consigo. Me beija daquele seu jeito para eu ir bem.

Enchi minha criança de beijinhos. Fiz meu ritual de sempre: amassei ele todinho. Dei uma forte mordida na ponta do nariz e apertei bem as bochechas. Depois descabelei meu filhote fazendo um cafuné alucinante a 110 hertz.

Ele sempre entra em sala de aula todo vermelho dando tchau feliz para mim.

Como dá trabalho educar essas crianças viu…

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Amando novamente

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Depois que eu me separei e de ter passado por uma crise depressiva, fiz tudo o que ensinaram os monges budistas, os psiquiatras, Simone de Beavoir e a Tati Quebra Barraco. Procurei me bastar, ser feliz sozinha…aquele papo né, não somos metade de nada. Somos inteiros. Não podemos colocar no colo do outro a responsabilidade por sermos felizes. Ok. Procurei assimilar isso.

Foi um puta aprendizado. Digo, ser mãe de três filhos, resolver problemas elétricos dentro de casa, vaso entupido, fazer compras, viajar para congressos, dar aula alucinadamente, escrever quando bate inspiração, levar filho na escola todo dia, tentar publicar meus livros custe o que custar, ler sem ter com quem conversar sobre tudo o que pensei, passar finais e finais de semana sozinha em casa produzindo, fazer exercícios físicos, enfim, aprendi com muito custo – mas aprendi – a ser a mulher maravilha.

Durante esses anos, recusei-me a ser chamada de namorada, a despeito de talvez ter sido. Não queria envolvimento com mais ninguém, dizia. Compromisso para quê? Dar nome ao que sentimos com qual objetivo? Apenas me leve para passear e me dê sua companhia. Assim seremos sempre livres, leves e felizes, dizia toda segura de mim. Você pode sair com quem quiser, não quero exclusividade. Se eu for sua prioridade, já está ótimo. Dizia enquanto sentia que havia evoluído espiritualmente e me tornado uma mulher-super-cabeça-mega-bem-resolvida.

E assim, de fato, percebia a tal da paz.

(Aquela insossa)

Mas paz.

Zzzzz.

Até que aconteceu algo inesperado. Conheci alguém que me mostrou que eu não estava evoluindo e sim morrendo. Por um motivo desses que não tem explicação, ao beijá-lo, uma descarga de serotonina, endorfina, adrenalina, e mais outros hormônios começaram a circular no meu corpo e eu sem saber o que era aquilo tudo… Perguntava-me por onde andavam os budistas e Beauvoir, e mais: por que estava vendo a explicação do que sentia nas músicas de Weslley Safadão e Fábio Junior e não mais nos livros de grandes filósofos?

Daí bateu medo, insegurança, desespero, aquela independência toda foi para o ralo antes do estalar dos dedos. Felicidade foi saber que havia simetria nessa doideira chamada (por quem já sentiu algo similar) de amor.

Parafraseando o poeta, nunca a metade foi tão inteira, numa medida que se supera. Metade era eu, a companheira. Outra metade era ele que eu era.

Não conseguia mais me definir sem falar em seu nome. Não conseguia dar nome ao que me definia. Não bastava estar perto, queria ele dentro, não bastava ele dentro, queria a transposição dos corpos. Estava superlativa, transcendendo e transbordando ao som de sinos, tóins tóins tóins de martelos de borracha na minha cabeça e música sertaneja.

Ressuscitei no terceiro beijo.

Sentia-me viva de novo.

Acordada e disposta a envergonhar Confúcio, Nietzsche, Sartre e minha mãe (mais uma vez…).

Preparada para sofrer e pular no precipício de braços abertos com um sorriso de orelha a orelha.

E assim o fiz. Surpreendentemente, caí em uma cama elástica armada por ele que me esperava nela de braços abertos.

A cama não aguentou.

Rompeu.

E estamos agora no chão quebrados em vários pedacinhos, juntando-os e misturando as peças, gargalhando com a bagunça que estamos fazendo.

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Até breve, Juazeiro do Norte

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Estou aqui no aeroporto de Juazeiro do Norte esperando meu avião para o Rio. Vim até essa terra através de um convite de uma professora para dar uma palestra no Encontro Pedagógico no Instituto Federal do Ceará. Eu imaginava que seria um momento especial como costuma ser cada viagem que faço a trabalho. Pisar em um lugar no qual nunca vimos sempre é algo ímpar a ser experimentado.

Mas não esperava que sairia daqui tão transformada.

As professoras que me receberam, Joquedebe e Roberta se tornaram bem íntimas na primeira noite. Não estou falando em terem sido simpáticas. Não. Já fui recebida com muita educação e sorrisos agradáveis em outros lugares.

Fora isso, sou amiga virtual há um ano de George Macêdo, um rapaz que me chamou a atenção pela sua inteligência e sensibilidade. Publicitário esperto e antenado, vale observar, assim que soube que eu viria a Juazeiro se prontificou a fazer as honras da casa. Fofo.

Inicialmente, eu, anti social e desconfiada, agradeci a todos eles que se ofereceram a me apresentar a região do Cariri. Combinei um café com eles separadamente e me programei para fazer tudo sozinha (como sempre prefiro) no meu dia de folga que foi ontem, no sábado.

No primeiro café, já estávamos (sabe-Deus-como-isso-aconteceu) todos juntos conversando sobre alegrias e angústias. George se integrou rápido no grupo das professoras e formamos um time que saiu na sexta à noite e que, no dia seguinte, passaria horas passeando, chorando, gargalhando e almoçando pelos melhores pontos turísticos daqui.

Tudo foi tão intenso e impossível de ser contado que é mega passível de ser considerado uma “fanfic” ainda que seja narrado de forma resumida. Mas vamos tentar.

George, completamente ateu, ajudou Roberta – que está naquela fase de sofrência – a receber a graça do Padre Cícero depois de ter dado a ideia de ela levar seu coração como oferenda no santuário do padroeiro. Roberta, que ouve atenta qualquer um que lhe aconselha, entendeu tudo ao pé da letra e, ao visitarmos um local de esculturas, foi direto ao artesão pedir para que ele esculpisse um coração (Oi? Como assim?!, pensei). Quando o objeto estava quase terminado, Roberta recebeu o telefonema esperado por meses do seu amor e desatou a chorar emocionada com o milagre.

Eu que também estou amando e sem saber o dia de amanhã e que também sou ateia, mas de burra não tenho nada, fiquei boba com aquela graça alcançada com tanta rapidez.

Ao chegar no horto do Padre Cícero e me deparar com a estátua gigantesca, dei três voltas na bengala do Padre fazendo três pedidos conforme os seus devotos agem quando querem algo com urgência.

O primeiro pedido eu pensei no meu amor. O segundo dei uma reforçada no primeiro. E o terceiro pedido foi para que o segundo fosse levado super a sério. Tudo isso sendo testemunhado por George que me conhece bem das redes sociais e estava com o queixo no pé sem acreditar que me via tonta de tanto girar na estátua do padinciço feliz da vida porque iria passar o resto dos meus dias com mozão.

Depois, Roberta falou para eu amarrar uma fitinha na grade de padinciço e fazer um pedido quando desse o nó para dar aquela garantida.

Comprei dez.

Amarrei vinte porque Roberta está na torcida por mim e me deu o resto. Amiga de infância está aí para essas coisas. Joquebede que está super bem no amor e não acredita em nada daquilo tentava sem sucesso frear todas as nossas tentativas de amarrar nosso mozão para a eternidade e fazer com que eles rastejassem aos nossos pés. Bobinha a Joquebede.

Visitei as urnas de pedidos por escrito para Padre Cícero. Já estava completamente tomada pela energia mágica do local. Registrei com vontade no papel: “Amor para o mundo. Meu amor para mim.” Coloquei o bilhetinho com carinho na caixinha. Não segura desse grande passo e para deixar tudo bem claro fiz outro: “Favor dar um jeito. Foco no segundo pedido que é mais fácil de ser atendido”. Pronto.

Virei-me para Meca e fiz o sinal de cruz.

No local das graças alcançadas, regozijei-me com um vestidinho longo e branquinho. Desejei também.

À noite, fomos até à Igreja de Santo Antônio. Falaram para eu colocar a mão no pau do santo casamenteiro pensando em mozão. Enorme o pau do santo. Aponta para as estrelas de tão grande. Comecei timidamente alisando aquela maravilha e, minutos depois, para garantir, fiz meu pole dance à la Madureira no pau do santo.

Disseram para escrever o nome do meu amor naquela tora abençoada de Santantônho que não teria erro daqui para a frente com mozão. “Santo Antônio é porreta”, ouvi por ali. Não tinha caneta. Que desgraça… Ôxi!, disse uma encalhada que estava por perto e já havia rabiscado no tronco ereto. Pois tome a minha! Fofurésima.

Escrevi no pau inteiro. Arranquei uma lasca e vou dar uma água batizada para mozão assim que nos encontrarmos de novo.

Trouxe a foto dele e fizeram um boneco idêntico ao meu amor. Depois, me explicaram a arte do vodu. Nada como cercar por todos os lados. Amei essa terra, gente.

Na volta, Roberta fez questão de me tirar do hotel e me fazer dormir na casa dela. Como já éramos amiga de infância, eu, toda reservada, não tive como dizer não.

Tomamos café todos juntos hoje de novo. Conversamos sobre os problemas graves na Educação do Brasil. Combinamos de fazer um documentário já que temos material humano (publicitário foda, professoras engajadas e pedagoga marxista) para tocar esse projeto de cunho social para a frente denunciando o sucateamento das escolas públicas e mostrando, como disse Darcy Ribeiro, que a falência da educação pública é um projeto e não um acidente.

Almoçamos bolo de chocolate.

A despedida doeu. Queria ficar. Quero voltar. Amigos não se medem pelo tempo que os conhecemos e muito menos pelas horas que passamos juntos. A amizade é boa quando o amigo nos mostra um lado que nem sabíamos que existia dendagente e que nos surpreende pela transformação que nos causou para todo e o sempre.

Volto para o Rio melhor. Outro ser. Visivelmente bem satisfeita pelos rituais que experimentei. Mas, verdade seja dita, muito mais segura pelas trocas que vivi. O laço de amizade – dado com carinho nesses dias que aqui passei – é muito mais forte que todos os nós que dei naquelas fitas do Padre Cícero. E olha que não tem intempérie que desfaça aquilo…

As melhores viagens que fazemos são realizadas não pelos locais que passeamos, mas sim pelas pessoas com as quais interagimos.

Juazeiro do Norte, obrigada por sua gente.

Até breve.

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Arquivado em Crônicas