Pipo

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Não há como usar sujeito verbo predicado e vírgula porque a gramática não dá conta. Poesia é coisa que requer lua primavera e talento e nada disso se presencia aqui nas tangentes…

Aprendi com o Riobaldo da Diadorim que se falar tudo errado sem rima nem métrica diremos coisas sem pé nem cabeça, mas sentimento é assim mesmo a la Picasso. A gente vai falando ao ritmo de sístole e diástole e os outros vão enxergando o que a alma permite.

Turbuliu tudo no repente de um minuto em que pisquei e fiquei piscada no beijo de Pipo que fez o coração virar fogo – depois de ter sido cinzas.

Ouvido meu gargalhava entretanto. A voz dele não se ouvia enquanto só imaginava o ele tão possível de encostar minha boca as infinitas mais vezes – jamais nunca mais! – sempre para sempre.

Perdi meu bom dormir porque para sonhar é preciso consciência e ficar espairecendo de contentamento virou vício sem consentimento. A mente não mais transladava. Adivinhava coisas por rotacionar em duvidações de quem suspeitava entender não por que se morre mas por que se nasce.

Como é que a alma dá conta de esquecer de tantos reveillons em pleno abril maio junho? O amor é medonho demais? Tem.

Dor que vem quando não se encosta nas ideias.

Mareja tudo.

Pipo não é mais gente e sim sentimento de vontade quando não se vê. Vira susto de grito no meio da escuridão. Existia falta de luz nenhuma, é verdade. Mas não há amortecedor para os trancos da saudade. Mora longe ele de mim.

Todos querendo emprego, sucesso, casamento, saúde, chuva e eu desejando entrar com força no furacão dos hormônimos da dopamina, ocitocina, endorfina me ensina a lidar com essa química por favor.

Religião só uma não dá conta, nenhuma muito menos. Pior que ando órfã de mão de bença para, da platéia, lotada, eu dar um sopro, fazer a cortina se abrir e o ator desfigurinado (Pipo é ator. Ele) falar somente para mim um texto decorado de flor miudinha dessas que só tem na cabeça de quem está louco – para os demais.

Os demais. Os julgadores de nós.

Aqueles que não sentem ou não se sentam grudados no maior amor. E nunca deitam e rolam.

Também. Como  explicar o poder disso que se surge criado gigante destamanho?! E tudo que nasce não é porque já zigoto um dia?

Loucura é achar que a vida é pra ser meio morta.

Pipo não é pessoa para quem o ama. Ele é um lugar. Tipo sombra fresca. Biblioteca. Sorveteira.

Pudim.

Amor que amei e, como Riobaldo, só então acreditei.

5 Comentários

Arquivado em Crônicas

5 Respostas para “Pipo

  1. Josianne

    Muito emocionante. Aos sobressaltos.

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  2. Lourdes Tavares

    Elika Takimoto Guimarães Rosada. Coisa linda de envivecer. Releitura que implora re leitura. Amei dicunforça 💞

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  3. Gilberto Barros Vieira

    Apesar da minha ignorância. Achei lindo, muito lindo.

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  4. Ricardo Pipo

    Me implodiu com tudo dentro, demoliu cabeça, ombro, joelho é pé. Hoje seu nome é música, ar, Sol, grama verdinha de manhã quando vou dormir, mas não durmo e alimento pro corpo já não nutre. Uma dependência química, física, psíquica desse abraço que um dia será só meu, mesmo que por só mais um dia.

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