Bodas de ouro

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A primeira vez que coloquei Pipo para dormir ao meu lado na minha cama na minha casa com meus três filhos foi um pouco depois de nos conhecermos.

Após abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, disse-lhe olhando em seus olhos que me fitavam atentos:

– Vou te falar uma coisa. Você pode voltar quando quiser. E não precisa avisar. Esse lugar aí é seu.

Certamente ele poderia pensar que eu era uma dessas mulheres que está desesperada procurando um macho para chamar de seu.

Não era nada disso.

Não que a loucura seja escassa em minha essência, mas de homem não estava carente. Digo, de homem de uma forma geral porque, a partir do momento que o conheci, se não o visse, sentia a ausência insuportável de Pipo e somente dele.

Não estava me importando com o que ele pensaria a meu respeito. Nunca me preocupei com o julgamento alheio. O que priorizo é a pessoa com a qual estou lidando saber exatamente o que estou sentindo.

Ele poderia se levantar e ir embora naquele instante. Mas me disse:

– E você pode sair com quem quiser e isso em nada vai mudar a vontade que sinto de estar ao seu lado.

Ainda que considere que a melhor prisão que há seja essa quando desfrutamos da liberdade, preferiria que, naquele momento, ele me pedisse para eu ser somente dele. Paradoxos de quem foi empoderada na fase adulta mas viu muito filme da Disney na infância.

Mantendo a sinceridade e a coerência, comuniquei-lhe que não sairia com mais ninguém porque algo intenso havia acontecido em mim e que precisaria alguns anos para digerir. Com qualquer um que me deitasse eu só iria lamentar por não ser ele. Não seria justo com nenhum dos envolvidos.

Reza a lenda e diz o povo que não devemos entregar o jogo fácil para que recebamos o devido valor. Meu maior medo não era perder Pipo e sim não ser vista por ele por inteiro.

Moramos a mais de mil quilômetros de distância e, mesmo que quisesse, não conseguiria vigiá-lo. Incrivelmente, não estou preocupada com o que ele vai fazer da vida dele. A única coisa que peço é que Pipo me conte o que sente por mim e me atualize – preferencialmente de cinco em cinco minutos.

Não sinto ciúmes a despeito de tanto amor. No que pese essa saudade infinita, não tenho a menor necessidade de controlar nada dentro dele.

Percebo que não há o que eu sinto e o que Pipo sente. Há o que nós sentimos. Se eu deixar de ser a prioridade dele, Pipo não mais será quem ele é hoje para mim.

É muito estranho lidar com algo que já nasceu do tamanho de um dinossauro. Não houve flerte, não houve namoro, não houve dúvidas. Pelo que estou entendendo, já começamos numa grande festa comemorando nossas bodas de ouro.

Haja estrutura física e emocional para carregar esse espelho.

 

Sobre direitos humanos e a nova prova do Enem

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Desde que li a notícia de que a justiça suspendeu a regra de zerar a redação do Enem para quem desrespeitar os direitos humanos, prevejo algumas questões.

Tema da redação: Os mimimi das femizazi, dos gays e dos negros.

Tema alternativo: O crescimento do homossexualismo no século 21 e como isso denigre a imagem da família tradicional brasileira.

Biologia:

Um casal formado por um homem macho super hétero (XY) e uma mulher recatada e do lar (XX) fazem amor na posição papai-mamãe e forma uma família tradicional brasileira. Que características eles passarão para seus herdeiros?

(a) integridade
(b) amor à pátria
(c) temor a Deus
(d) horror a museus
(e) todas as anteriores

Uma mulher tem olhos verdes (genótipo aa) e o estuprador negro tem olhos castanhos escuros (genótipos AA ou Aa). Qual poderá ser a cor dos olhos do filho que obrigatoriamente e merecidamente ela irá ter por ter andado de saia curta?

Química

Formada pelos elementos Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, o Tetraidrocanabinol (C21H30O2) é a principal substância encontrada na maconha. Marque outro elemento ligado à maconha:

(a) artista que mama na lei Rouanet
(b) professor de história
(c) quem vai a museus
(d) petista

Física

Uma feminista de saia curta e perna cabeluda atravessa a Av. Nossa Senhora de Copacabana a 3,2km/h quando choca seu rosto sem maquiagem em um poste. Calcule:

a) O tempo que ele vai levar para parar de mimimi e aprender a ser mulher delicada.

b) O espaço percorrido até encontrar um macho que a coloque nos eixos.

Matemática

Considerando que a área do território brasileiro é de aproximadamente 8 515 767 km² Calcule:

a) a quantidade de gays, sapatonas e transexuais deitados após serem fuzilados que servem como limite dessa área.

b) quantos artistas pelados são necessários para implantar o comunismo em todo o território nacional.

Português

Leia o trecho abaixo de uma música feita por um comunista artista vagabundo safado que ganha milhões da Lei Rouanet:

“Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa.”

O autor desta canção:

(a) tem que ir para Cuba.
(b) gosta de museu.
(c) merece fuzilamento.
(d) é pedófilo.
(e) todas as anteriores.

The buquê is on the table

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Nunca tirei dez em redação nas provas de português e também jamais fui boa em inglês. Na época em que estava no ensino fundamental e médio, na minha escola havia duas línguas estrangeiras: a tal universal e o delicioso francês que dei toda a minha dedicação.

Por conta do mestrado e doutorado tive que ter fluência, ao menos, na leitura e consegui aprender, enfim, essa língua de origem anglo-saxã vendo desenhos animados com meus filhos com áudio em português e legenda em inglês (já que não tinha, na ocasião, nem dinheiro nem tempo para fazer curso). Algo aconteceu dentro do meu cérebro que as estruturas gramaticais foram devidamente assimiladas e o vocabulário enriquecido.

Lembro-me de que na segunda série do ensino médio como parte da avaliação em inglês eu tinha que fazer uma redação com não sei quantas palavras sobre uma pessoa que admirava. Era demais para mim, digo, a quantidade de linhas redigidas com tão parco conhecimento e interesse.

E foi assim que me saí dessa:

I love my mother. She is very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very … beautiful.

A professora Rita – que já havia me encaminhado num passado remoto para a psicóloga da escola por tanto que eu escrevia meu nome nos livros, provas e cadernos – leu minha redação tal como ela foi feita para toda a turma que gargalhada e não acreditava no que eu havia feito.

A seguir, Rita fez um discurso elogiando até o meu último fio de cabelo dizendo que a criatividade iria me salvar de situações muito piores na vida e pediu para que outros colegas se inspirassem em mim.

Nunca tirei dez em redação alguma de escola nas provas de português. Sempre escrevia em primeira pessoa e fugia do tema.

Por incrível que pareça, foi uma professora de inglês iluminada e atenta a mim que se fez crucial para que hoje eu me tornasse uma escritora. Quando não sei o que fazer em vários momentos dessa jornada, levo o pouco de conhecimento que trago comigo para o parque de diversões e faço a festa. Algumas saíram em forma de livros.

Vejam vocês. O único dez que tirei em redação foi nessa prova de inglês e a uso como um terço ou um amuleto em minha vida.

Obrigada, Rita, por esse empoderamento, vocábulo que nem era usado na época mas que já era praticado por maestria por você.

Desajeitados com a felicidade.

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Sou desajeitada com a felicidade, estou chegando a essa conclusão. Vivi períodos solitários e percebo que sou mais equilibrada visualizando o fundo do poço. Meu corpo dá tilte e a mente piripaca com grandes doses de endorfina, oxitocina e serotonina, os hormônios que fazem a festa no corpo de quem está amando e se sentindo amada.

Sábado passado, dia 14 de Outubro, conheci meus sogros, passeei com Pipo, vi Mozão se apresentando, jantamos juntos abraçadinhos e, à noite, como se tudo não bastasse, compramos uns petiscos e fomos ver um filme na casa dele.

Era para estar tudo, como dizem, a mil maravilhas. Mas grudada nele de frente para a tela onde estava passando um filme fodástico, eu tive uma crise de pânico. Assim. De repente. Do nada. Acontece sempre quando estou com ele.

Abril Despedaçado era o que estávamos assistindo. Mas curiosamente comecei a ver um outro filme em minha cabecinha que estava encostada no ombro dele: “De 1° de Abril à sexta-feira 13”, escrito e dirigido por mim mesma. Foi nesse intervalo aê que conheci Pipo, ele começou a fazer parte de minha vida e mudou-me por completa. Em, meodeos, seis meses apenas lá estava eu sendo recebida pela família dele. Em Brasília…

Os flashs de tudo o que já passamos se metiam na frente de Rodrigo Santoro e eu não mais ouvia o que os personagens estavam dizendo na película. O medo foi se apossando de mim. Percebi que ia ter uma crise de choro e, muito sem graça, pedi para Pipo parar o filme.

Ele prontamente atendeu a minha solicitação com os olhos esbugalhados que parecia que tinha injetado um litro de cafeína na veia e dois de RedBull nas artérias.

– O que foi, meu amor?

Ele me saca de longe e sabia que eu não estava lá muito bem.

Na noite anterior, a sexta-feira 13, enquanto tomava banho pensava que não era possível tudo aquilo. Que em algum momento Pipo ia virar um monstro e me mostrar a que veio. Que quando saísse daquele banheiro ele estaria com uma faca em riste me esperando. Coisinhas assim de imaginar quando estamos muito bem obrigada. Não só nada disso aconteceu como fui recebida com fogos e artifício na cama depois de ter me lavado e ficado cheirosona – da mesma forma que ele sempre faz quando chego na frente dele de cirolão bege, cheia de cecê e descabelada.

Voltando para sábado à noite.

De que jeito dizer tudo o que estava sentindo sem desesperar Pipo e fazê-lo sair correndo me achando uma louca? Como me lembrar de todas as lições de empoderamento que recebi das manas? De que manêla não sair metlalhando melda a tolto dileito? Cadê que conseguia. Olha que difícil esse negócio de verbalizar o que sente viu.

Eu sei que não temos garantia de nada nessa vida. Sei que homem nenhum jamais irá pertencer a uma mulher e vice-versa, independente do papel que assine ou do tamanho do ritual que sacramenta essa união. Sei que casamento de papel passado realizado na Capela Sistina pelo Papa e nada é a mesma coisa. Não há o que assegure a eternidade do que sentimos e sei muito bem que não temos o controle de porcaria nenhuma. Não há ninguém no comando. Nem Deus – já que Ele sequer existe para mim. Sei que carinho não se pede, amor não se exige, atenção não se mendiga. Se feito a pedidos, não é sentimento genuíno, é esmola mesmo.

Maldita sabedoria.

Por Deus gente. Como ser feliz e curtir esse momento lidando com a dura realidade que posso perdê-lo a qualquer instante?

Lembrei-me de um guru indiano em uns vídeos desses que passam em redes sociais. Ele dizia com uma barba branca comprida e fedorenta, impostando uma voz calma como o cinza e vestindo uma túnica alva como o tédio: “As pessoas dizem que amam peixe. E o que fazem elas? Elas que amam peixe tiram o peixe do mar, matam o peixe e comem o peixe! Se amassem mesmo, deixaria o peixe nadando em paz. Aí sim seria amor”.

Aff. Não era essa minha definição de amor desde primeiro de Abril… O amor aconteceu aqui porque alguém me pegou, eu, laranja inteira que rolava pelo mundo. E deu-me a sensação de ter me colocado de volta à árvore. Senti-me internamente florescer, amadurecer, viva e, como dizia Aristóteles, no meu lugar natural.

Confabulava perdida desse jeito aí e olhava para o Pipo que, tenso, esperava que eu lhe explicasse o que estava me acontecendo.

Enquanto tinha mozão na minha mira, percebia que estava apavorada com a falta de garantia que a vida nos oferece. Porém, deixando de lado muita coisa tipo tudo que aprendi na vida, lembrei-me do sábio vendedor paraguaio que dizia: la garantia soy djô!

Qual o quê tirar o peixe do mar e comer, minha gente. Casamento é pouco para dizer o que almejo fazer com esse peixe. O que quero é colocar esse guelrudo em cárcere privado lá em casa.

Como dizer isso para Pipo que se encantou pela pessoinha fofa, independente e bem resolvida aqui? Como não botar tudo a perder? De que forma cessar esse looping de pensamentos sem que alguém de fora (no caso, ele) ajude?

Sabe Deus como saiu isso de mim. Comecei a contar para ele sobre rituais de acasalamento e juramentos no altar perante um público. Falei do guru (Pipo deu uma banana para o guru enquanto falava do peixe nadando no mar), do quanto não acredito em nada e… não estava conseguindo concluir porque não tinha nada para fechar mesmo naquele raciocínio sem pé nem cabeça ou, vá lá, com pé, cabeça, nariz, orelha e mão parecendo, porém, um quadro de Picasso com tudo mutilado e fora de lugar.

Eu só queria pedir de joelhos para Pipo ficar comigo para sempre e não me largar nem por um minuto, mas não podia fazer isso porque isso não se pede a ningu…

– Meu amor, não me apavore. Nunca mais faça isso. Quando pedir para parar o filme fale antes “Pipo, eu te amo, está tudo bem, não vou terminar nada, só quero te dizer uma coisa”. Estava já desesperado achando que você ia dizer que não era nada disso, que não queria embarcar nessa loucura e que ia embora. Vivo com medo de você me deixar, de desistir de viver essa vida maluca na qual nos metemos. Não sei mais viver sem você. Você quase me matou do coração agora.

Sou desajeitada com a felicidade, mas Pipo sequer sabe cumprimentá-la. Impressionante. Valha-me Deus. Coitado. Relaxei e fiquei super deboa alegre contente livre leve e solta depois de saber que Pipo sofre muito mais do que eu. Abracei-o com toda força do mundo cheia de sorrisão para acalmá-lo. Amor é isso.

Se for para desgraçar a cabeça de tanta insegurança que ao menos esse ato seja compartilhado. Amém.

Bússola quebrada

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Ontem, conheci minha sogra e meu sogro. Estava completamente em paz comigo mesma e, ainda que fossem as piores pessoas do mundo, continuaria preenchida de horizontes porque quem segurava a minha mão era ele – a pessoa que parou (com um martelo)  a minha bússola que girava girava girava como um pião de menino de antigamente.

Antes de dormir, falei com Pipo que precisaria escrever uns três livros para digerir, dissecar, analisar o turbilhão de emoções daquela noite.

Pela manhã de hoje, minha sogra perguntou-me se o café estava muito forte. Disse-lhe que não. Estava do jeito que gosto e, fofa que sou, agradeci.

Um filme passava na minha cabeça e, naquele instante, fui grata não somente a ela mas também a Deus (que sequer acredito) pelo café, pelo queijo, pelo mamão, pelo acolhimento e pelas fodas bem dadas com tanto amor que ultrapassaram esse plano físico e já estão no metafísico há tempos.

Enquanto orava, retoricamente falando, olhando para Mozão que mexia um ovo na panela para eu colocar no meu pão, ouvi dela que sorria para mim com os olhos:

– Ainda não sei das coisas que você gosta mas, pelo que estou observando aqui, teremos pelo menos trinta anos pela frente para nos conhecermos melhor.

Como se tudo não fosse já suficiente…

Dentre tantas coisas bacanas que já ouvi na vida, considero essa uma das mais preciosas.

Jamais pensei que um dia eu ficaria assim como agora aqui em Brasília. Tão perdida a despeito de ver a agulha fixa apontando para o norte e eu não ter mais dúvida em qual direção seguir.

Já me enrolei em muitos momentos da minja vida. Esse, porém, tem sua singularidade. Não estou sabendo lidar com tamanha felicidade.

Como não a mala?

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Tenho andado para baixo e para cima. Literalmente. Os aeroportos agora fazem parte de minha vida. E eu não estava preparada para isso. Ou eu viajava de férias ou ficava por aqui. Nada disso de ir num dia e voltar no outro com roupas, livros para vender e computador na bolsa para palestrar.

Precisava de uma mochila maior com rodinhas que tivesse espaço para colocar essas coisas. Não era mala. Era dessas mochilas encorpadas de gente séria-mas-nem-tanto. Que atendesse as demandas da minha nova vida.

Basta comprar.

Qual o quê, minha gente.

Rodei várias lojas de bolsas e malas. Só encontrei mochila boazona do jeito que queria muito na cor preta. Modelo bem macho executivo com foco mas sem personalidade, sabe?

Bah. Cadê os modelos femininos?! Não tinha… para mulher só mochilinha frágil que não ia aguentar metade dos livros que carrego.

Nara, minha filha feminista antenada até além da conta, vendo meu desânimo estampado veio me lembrar que não existe brinquedo de menina e de menino. É tudo brinquedo-menine.

– Então, mãe, o que seria uma mochila de menina? Lembra das nossas conversas? Essas malas servem para você muito bem, mãe. Disse ela tentando me convencer da ausência ou fluidez de gêneros nesse momento.

Eu, diante aquela mochilaiada-mala-de-um-dia(-no-máximo-dois-vá-lá-três) tudo sem graça, sem flor, sem personalidade, eu toda empoderada desconstruida sim mas não cem por centa, fofa e meiga com o pé no século passado cuja infância foi regada a desenhos de princesas delicadas, euzinha, estava na maior bad crise white woman problem de mái láife.

– O que seria mochila de menina, Nara?!!, perguntei perplexa arrancando meus cabelos e olhando para toda aquele infinito mostruário inútil. Mochila ROSA! ROOOOSAAA!

Nara já vendo que não iria ser fácil me apontava desesperada outras bolses, males, mochiles tude horroroze!

– Também não quero essas estampadas de borboleta que parece que vão desmontar com dois livros! Quero uma com quatro rodas e tração em todas elas! Quero uma mochila lacradora mas não nível Pablo Vittar!

Os vendedores tensos mega tensos estavam também me empurrando várias porcarias de mulher perua. Nada contra, mas não era aquilo que queria, meu povo. Vamos respeitar a travessia das pessoa que estão num processo…

– Quero uma ROSA CHÁ COM RENDA sem estampa! Ou algo que o valha! E forte como essas ridícules!

Enfim, precisava de uma mochila boa. E comprei a que me atendeu bem. Em termos de conteúdo e não de forma, vale observar e frisar.

Gastei muitos dinheiros e não tive aquela satisfação que o capitalismo costuma dar para quem gasta tanto. Voltei com a mochila-mala para casa mas não feliz com aqueles que resolvem um problema.

Hoje vou estreá-la.

Arranquei o laço e o par de brincos de minha boneca amiguinha da estrela que estava no sótão e colei com super bonder na taki mala.

Enquanto o Deus mercado não se adapta ao meu estilo Beauvoir-Cinderela, vou dando meu jeito por aqui.

Não era sobre pedofilia. Não era sobre corrupção.

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Lembram-se de quando a gente ficava se esgoelando dizendo: “eles não estão na rua contra a corrupção”? Com o tempo, o que alertávamos se confirmou. Provas foram expostas, malas encontradas, áudios liberados e… silêncio de quem fez um fuzuê com as pedaladas que são cometidas há anos (e que logo depois do golpe foram liberadas pela corja que está no poder, vale lembrar).

A frase épica de Bertold Brecht “a cadela do fascismo sempre está no cio” explica bem tudo o que aconteceu. Era um bando de fascistas no armário que estava sem graça de vir a público. Afinal, falar que odeia pobre e que quer mais que preto, mulher, trans, gays se explodam não pegava bem.

Daí veio 2013 e a Globo aproveitando-se daquelas manifestações “apartidárias” – cujas bandeiras da CUT eram proibidas – criou o vilão e o herói. O Brasil ficou dicotômico como os personagens das novelas. Há o bandido (PT) e o Salvador da Pátria (Moro). Esse tipo de narrativa novelesca o povo assimila bem como se entre o branco e o preto não houvesse uma infinidade de tons de cinza.

E a cadela no cio passou a copular devassamente.

Foi naquele contexto que os fascistas vestiram uma camisa de heróis da nação. Teriam a nobre missão de “livrar o Brasil da corrupção”. Caíram como patos e lá foram de verde e amarelo para as ruas achando que estavam salvando a nossa pátria.

Passou, de repente, a ser questão de soberania nacional falar mal do PT e tirá-lo do poder. Achavam e diziam eles. Eles. Os mesmo que estavam completamente irritados com as políticas sociais como o programa Mais Médicos, Bolsa Família e as cotas, vale observar.

O fascismo funciona exatamente assim para quem não sabe. O inimigo tem que estar bem definido e cabe aos fascistas desmoralizá-lo. Vídeos descontextualizados das falas da Dilma eram a cereja do bolo naquela época. Queriam ridicularizá-la a qualquer preço. Pessoas a chamavam de burra e riam da retórica de uma mulher que hoje está pelo mundo dando palestras a convite de grandes universidades. Como se conseguissem ser metade da metade que Dilma é.

E eles não param. Como 2018 está logo ali e Lula segue sendo preferência da população brasileira como mostram todas as pesquisas, é necessário desmoralizar a esquerda e tudo o que ela representa.

Incrivelmente pautas humanitárias e a defesa pela liberdade de expressão saíram das atas das reuniões da direita. Haja vista o que o MBL anda fazendo.

O episódio Homem Nu foi mais um exemplo de como se comporta a hipócrita cadela do fascismo.

Avisamos: não é sobre pedofilia! E os patos lá fazendo postagens “temos que proteger nossas crianças…”. Proteger de quê, cara pálida? Quando a gente perguntava isso, ouvia como resposta: contra a pedofilia!

Qual a razão dessa resposta sem nenhum sentido? Das duas uma. Ou a pessoa é burra de pedra a ponto de conectar uma performance artística sem o menor teor sexual com pedofilia ou falta-lhe caráter mesmo, pois faz isso com o intuito de diminuir a capacidade intelectual dos artistas e dos que os apóiam.

E a prova de que eles não estavam preocupados com as crianças porcaria nenhuma veio a galope: o caso do estuprador do Piauí.

O crime foi noticiado por todos os jornais. Silêncio dos protetores das crianças do nosso Brasil. O estuprador teve autorização para ficar com uma criança dentro de sua cela porque ajudava a família do menino financeiramente.

Segundo o levantamento do projeto, ligado ao Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso a Informação da USP, enquanto o caso do museu teve 550 mil compartilhamentos, o do estuprador do Piauí ficou na média de 45 mil. “Uma relação de 10 pra 1”, afirma a página.

“No caso do MAM, as matérias muito compartilhadas estavam dispersas em várias publicações do Jornalivre, Veja, Folha, Instituto Liberal e Ceticismo Político, entre outros; no caso do estuprador do Piauí praticamente foram compartilhadas apenas matérias da Folha de São Paulo e do UOL”, disse a pesquisa.

Além disso, enquanto o caso do MAM motivou manifestações do Movimento Brasil Livre (MBL), da família Bolsonaro e de partidos conservadores, o caso do Piauí “não teve nenhum grande compartilhador” e não chegou a ser mencionado por aqueles que foram contrários à exposição.

E se alguém aqui achar que estou exagerando, deixo aqui as frases de um cartaz que está fixado no museu do Holocausto em Washington que tem como objetivo alertar as pessoas sobre os perigos do fascismo e como identificar seus primeiros sinais. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

1. Empoderamento nacionalista contínuo.
2. Desdém por direitos humanos.
3. Identificação do inimigo como causa unificadora.
4. Supremacia militar.
5. Sexismo desenfreado.
6. Controle de mídias de massa.
7. Obsessão com segurança nacional.
8. Governo e religião interligados.
9. Poder/direitos corporativistas protegidos.
10. Poder/direitos de trabalhadores suprimidos.
11. Desdém pelos intelectuais e pelas artes.
12. Obsessão por crime e punição.
13. Corrupção e nepotismo desenfreado.
14. Eleições fraudulentas.

Não era sobre a corrupção e não era sobre pedofilia. É sobre extermínio de raças e de classes.

Acreditam agora ou precisam ainda de mais exemplos?