Choque de cultura: achou que não íamos falar da paralisação dos caminhoneiros? Achou errado, otário!

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Segue aqui minha humilde sugestão para um roteiro do programa Choque de Cultura.

Rogerinho do Ingá:

Você tava achando que a gente não ia falar da parada que tá rolando com os nossos companheiros caminhoneiros? Achou errado, otário! Tá começando mais um choque de cultura, programa cultural com os maiores nomes do transporte alternativo do país, sempre debatendo cultura e hoje: caminhão.

Vamo falar da paralisação dos caminhoneiros que é quando os caminhoneiros param, fazem churrasco, comem comida feita pelo MST e bebem uma cervejinha porque quem bebe não dirige!

Primeiramente temo que definir se é guerra ou nocaute. A população tá dividida. Quem começa? Maurílio!

Maurílio:

A atual paralisação no transporte rodoviário brasileiro é um momento que ilustra como, no setor, os interesses de trabalhadores e da empresas podem se alinhar. No momento em que uma crise afeta simultaneamente o faturamento de transportadoras e a renda de trabalhadores autônomos, demandas como o reajuste no preço do frete e a redução nos valores dos combustíveis podem facilmente se tornar pauta comum das duas part…

Rogerinho:

Maurílio, guerra ou nocaute! Se começar a explicar muito essa galera que só vê filme de 3 minutos vai dormir como a gente dormiu em 2001 uma odisséia no espaço. Se for pra fazer pensar, a gente vai fazer programa ensinando a jogar RPG.

Renan:

Me permita interromper, Rogerinho. Eu tô muito senfibilizado com esses pilotos que me ensinaram que no cruzamento a preferência é de quem tem mais coragem. Ver meus amigos tudo parado tá mexendo comigo porque eu sei o quanto eles gostam de correr.

Julinho:

Eu tô achando que é nocaute porque não tem uma ‘Central Única dos Caminhoneiros’ e parece que a população tá até sem legume com veneno pra comer. O povo tá endoidecendo, Rogerinho, porque tá com abstinência de agrotóxico!

Renan:

Eu não sei, Rogerinho. Guerra tem gente nova nas trincheiras. Só tem velho nessa paralisação!

Maurílio:

Eu queria observar, que os caminhoneiros formam uma categoria muito diferente, que tem experiência de greves em que foram um instrumental importante das classes patronais usadas para desestruturar, por exemplo, o governo de Salvador Allende no Chile.

Julinho:

Que Chile mané Chile. A gente tá falando de Venezuela.

Rogerinho:

Perfeito, Julinho! Tá faltando produtos básicos já e só se fala em Petróleo!

Julinho:

Mas parece que vai voltar tudo, Rogerinho. O presidente em exorcismo que congelou os investimentos na saúde por vinte anos disse que está preocupado com os insumos que não chegam nos hospitais e disse que vai negociar com os caminhoneiros.

Renan:

Julinho, é paradoxo o que chama isso. Rogerinho, me parefe que as empresas querem dar um nocaute porque têm algo como 55% do controle desse transforte, muitas dessas paralisafões podem ser decisão emprefarial sim, Rogerinho. Os 45% de caminhoneiros autônomos que restam, são muito afetados. Eles já estavam ganhando muito pouco, e o preço do combustível explodiu! Enquanto isso tinha motorista de uber oferecendo chokito. Inescrupulosos, Rogerinho!

Julinho:

O dono de um pequeno caminhão, quando presta serviço para uma grande empresa, ele é, ao mesmo tempo, um pequeno proprietário de um bem de produção importante e uma espécie de ‘proletário dos transportes’. Ele oscila entre esses dois.

Renan:

E se o caminhão for grande?

Rogerinho:

Não existe caminhão pequeno, rapá! Caminhão termina com ão porque é tudo grande!

Maurílio:

Estamos vendo um quadro crítico de recessão, que afeta o nosso amigo caminhoneiro e a nossa inimiga empresa. Nós estamos vivendo um processo em que há um interesse patronal e, ao mesmo tempo, uma revolta de nossos colegas de profissão caminhoneiros independentes, que não estão conseguindo se manter.

A gente não pode resumir como guerra se for coisa de trabalhador e nocaute se for de interesse de empresário. Não é tão simples assim essa situação…

Rogerinho:

Definiu muito bem, Maurílio! Se é coisa de trabalhador estamos em guerra, se não temos chance é nocaute! Vamos agora analisar os pontos fortes e pontos fracos dessa paralisação. Pontos fortes!

Renan:

Renanzinho não teve aula e eu pude ficar mais com ele.

Rogerinho:

Fez bem. Escola é um perigo. Por vezes a criança tá bem quietinha em casa, vai para a escola e volta falando coisa que a gente não entende. Ou morre no tiroteio.

Julinho! Pontos fortes da paralisação.

Julinho:

Memes.

Maurílio:

Voltei a ouvir alguns sucessos de Sula Miranda…

Rogerinho:

Para de falar de música, Maurílio! Isso aqui é um programa de cultura!

Julinho:

Ele não estava falando de música, Rogerinho.

Rogerinho:

Para terminar o programa: Pontos fracos da paralisação!

Maurílio:

As pessoas estão falando muito em trem e em melhoria do transporte ferroviário. Elas têm que manter o foco nas kombis e nas vans. E nada de explorar os animais porque isso não se faz.

Julinho:

O movimento sindical.

Renan:

Constituifão de 88. Eu tô querendo matar quem fala em intervenção militar, Rogerinho. Mas muitas vezes quem mata nesse país é tido como culpado!

Rogerinho:

Considerações finais. Quem quer fazer hoje as considerações finais?

Julinho:

Eu, Rogerinho. Queria dizer que esses radares têm multado demais a gente e que não há mais como burlar porque eles tiram foto! E esse guardas quando a gente fica puto e vem com pedaço de pau eles mostram logo a arma deles. Guarda tem essa mania de ficar multando quem usa celular e não tem a sensibilidade de entender que as vezes a gente precisa conversar quando dirige, eles acham perigoso mas não falam nada do cara que anda de moto com um motor que pode explodir entre as pernas…

3 comentários em “Choque de cultura: achou que não íamos falar da paralisação dos caminhoneiros? Achou errado, otário!

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