Que sonho seria um candidato desses…

IMG-20181009-WA0067

Será que alguém aqui que zela pela educação  reclamaria em eleger um candidato que tenha uma pós graduação em economia e em filosofia? E se ainda tivéssemos uma boa dissertação e uma excelente tese de doutorado para podermos avaliar a qualidade do raciocínio desse candidato? Que beleza seria, não?

Não que eu ache que títulos implique inteligência, mas o Brasil está tão doido que seria ótimo ter provas documentadas em mãos para podermos falar que o nosso candidato debateu a fundo e com sabedoria esses temas que são fundamentais para avaliarmos nosso futuro.

Seria bacana alguém que tivesse sido algo grande na Educação. Tipo um ministro. Porque só assim poderíamos ver mesmo de perto o que o candidato pensa sobre Educação pública e o que está disposto a fazer para que camadas menos privilegiadas cheguem às universidades.

Quem aqui não gostaria de ter um candidato que tivesse inaugurado uma visão sistêmica da educação fazendo, por exemplo, o ministério da educação a atuar da creche à pós-graduação, entende como? Isso diria muito sobre ele, não?

Você reclamaria de um candidato que tivesse, além disso tudo, instituído algum índice de desenvolvimento da educação básica, tipo o IDEB, para podermos ver se a educação básica e o ensino médio estão crescendo como deveriam?  Daria para ter uma noção real sobre o modo como o candidato valoriza a educação, concordam?

Imagina ainda se esse indicador permitisse estabelecer metas de desempenho anual para cada escola, município e estado, bem como melhorar a distribuição dos recursos pela identificação das carências localizadas? Que sonho uma pessoa dessas na presidência!

Como seria bom um candidato desses…

E ainda. Já pensou se esse candidato já tivesse criado um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, tipo a FUNDEB? E olha que bacana seria se com esse fundo tivéssemos visto uma ampliação do  fundo de financiamento – antes restrito ao ensino fundamental – para toda a educação básica, incluindo creche, pré-escola, ensino médio e modalidades como alfabetização de adultos, educação no meio rural, entre outras…

Nossa… que bacana seria ter um candidato que já pensou em tudo isso…

Imagina se ele ainda conseguisse estabelecer o piso salarial nacional para o professor, que passaria a ser progressivamente adotado pelas unidades federativas! Uau…

Quem aqui não desejaria um candidato que já tivesse mostrado que consegue aumentar o investimento público em educação de 3,9% para 5,1% do produto interno bruto, por exemplo? Isso diria tanta coisa sobre ele, não? Não estaríamos votando no escuro ou em quem votou pelo congelamento nos investimentos na Educação por vinte anos, como Bolsonaro, por exemplo.

E se na gestão desse candidato ainda como ministro da Educação (que lindo seria ter um candidato que já foi ministro da Educação!) ele tivesse  expandido o acesso ao ensino superior com a criação de catorze novas universidades federais e mais de 100 campi?

Meodeos que sonho e alegria votar em um candidato desses…

E se esse candidato tivesse ajudado a conceber a ideia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia? Já pensou que maravilha se meu candidato tivesse algo a ver com isso já que a qualidade dos profissionais que se formam pelos Institutos Federais é elogiada em todo Brasil?

Imagina se por causa desse candidato dos nossos sonhos o número de formandos crescesse em quase 200%! Imagina se a gente tivesse um candidato que já provou ter conseguido  apoio político para aprovar Emendas Constitucionais tipo a nº 53 e nº 59 que alteraram oito dispositivos da Constituição, instituindo, por exemplo, a obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos, o fim do dispositivo de Desvinculação de Receitas da União (DRU) que retirava do orçamento do MEC, desde 1995, cerca de R$ 10 bilhões ao ano, o limite mínimo do investimento público em educação como proporção do PIB e a extensão dos programas complementares de livro didático, alimentação, transporte e saúde escolar para toda a educação básica, da creche ao ensino médio. Só imagina que beleza seria.

E nós, amantes da leitura ainda, amaríamos votar em quem ajudou a distribuir mais de 700 milhões de livros gratuitos para estudantes do ensino fundamental e ensino médio. ❤

Ainda bem que meu candidato existe:

 

Haddad 13.

 

(Elika Takimoto – professora de física do CEFET/RJ)

Para desejar Feliz dia do Professor tem que querer bem a nós.

 

ricci

Como hoje é dia dos professores e eu acredito que somente pela educação mudamos uma nação, vou colocar aqui o programa de governo de Bolsonaro e Haddad para quem não viu. Leiam. Avaliem e raciocinem se um candidato que desde antes de sua campanha tem o discurso de acabar com a liberdade metodológica de qualquer escola garantida hoje pela constituição, seria a melhor opção:

Jair Bolsonaro

– Incluir no currículo escolar educação moral e cívica (EMC) e organização social e política brasileira (OSPB), que eram ensinadas durante a ditadura militar.

– Diminuição do percentual de vagas para cotas raciais.

– Ampliar o número de escolas militares e fechar parcerias com as redes municipal e estadual.

– Educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e Universitário Prontuário Eletrônico Nacional Interligado.

– Escola “sem Partido”. (aspas minhas)

Fernando Haddad

– Revogar a emenda do teto de gastos. Retomar os recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social do Pré-Sal para saúde e educação

– Expandir as matrículas no Ensino Superior e nos ensinos técnico e profissional

– Priorizar o Ensino Médio com o Programa Ensino Médio Federal

– Criação de programa de permanência na escola para jovens em situação de pobreza

– Revogar a reforma do Ensino Médio do governo Michel Temer

– Realizar anualmente uma Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente na rede pública de educação básica

– Em contraponto à Escola Sem Partido, criar a Escola com Ciência e Cultura, para valorizar a diversidade.

Em tempo, se você é a favor do projeto Escola sem Partido defendido e criado por Bolsonaro – que na verdade é um nome lindo que arrumaram para um projeto autoritário que tem como proposta amordaçar professor – nem ouse a desejar feliz dia dos professores para nenhum de nós porque você quer mesmo é que professor se exploda já que Bolsonaro, para além de tudo isso, foi a favor do congelamento dos investimentos para Educação por vinte anos.

 


 

Agora vou me estender um pouco mais para quem não entendeu a surrealidade do que Bolsonaro defende:

Há muitos ainda que não entenderam qual é dessa discussão da “Escola sem Partido”. Primeiramente, há de se concordar que o nome é lindo e que de cara nos leva a pensar: “claro que sim! Escola não pode ter partido!” e, a depender da pessoa, ainda complementam: “chega de doutrinação esquerdistas nas escolas!”. De uma forma, digamos, objetiva, trata-se de um Projeto de Lei (n. 193/2016) em tramitação no Congresso Nacional que pretende subordinar conteúdos e atividades escolares às crenças de pais, bem como “monitorar a doutrinação ou cooptação política e ideológica em sala de aula”.

Gostaria de falar que não basta ler o nome do projeto e ler o projeto como um todo. Deve-se prestar atenção em quem defende esse projeto e com quais objetivos. Você deve ler, claro, mas deve também contextualizá-lo. Saber, por exemplo, que temos dois Bolsonaros envolvidos e encabeçando esse projeto é bastante significativo e já coloca em xeque a tal “neutralidade” apontada e defendida no Escola sem Partido. A escola, segundo quem luta pela aprovação desse projeto, deve servir para incentivar ideias como meritocracia e propriedade privada. Isso é ser neutro, segundo seus defensores. Discutir temas em sala de aula, não é ser neutro, portanto, deve ser proibido para esses que estão defendendo a Escola sem Partido.

Uma das bandeiras levantadas por esses políticos que avançam com esse projeto (e que já está sendo implementado em algumas escolas no Brasil) é que “professor não é educador”. O professor, segundo dizem, foi feito para instruir. Educação vem de casa e da Igreja. Nessa esteira, seus defensores dizem que, com isso, protegem as crianças e os jovens de serem doutrinados e, para tanto, ficamos, nós professores, proibidos de discutir qualquer tema em sala como religião, política, notícias, atualidades… e assim, dizem, prepararemos melhor os futuros cidadãos. Oras…Como é que se desenvolve um pensamento crítico se não discutindo política, filosofia, sociologia, história?

O advogado Miguel Nagib, por exemplo, afirmou que “em matéria de educação religiosa e moral, vale o princípio: meus filhos, minhas regras. Nós não queremos impor a nenhuma família uma maneira de agir em relação a seus filhos. Mas também não aceitamos que a escola venha fazer isso”. Assim, a crença ou a moralidade dos pais passaria a ser adotada como critério para o controle familiar da educação escolar, podendo inclusive resultar em punição para os desobedientes. Como seria esse controle? Através de denúncias anônimas. Bastaria um aluno me denunciar para o Ministério Público ser acionado. Ou seja, a conduta de professores, gestores e funcionários passará a ser a ser patrulhada por todo e qualquer indivíduo caso o projeto seja aprovado.

Vale observar que a Constituição Federal distingue educação familiar da educação escolar, do ensino, atribuindo a este último o papel principal de preparar o educando para o exercício da cidadania. Isso significa, por exemplo, que se a família decide educar a criança para torná-la fiel a uma determinada crença, o mesmo não pode ser exigido da educação pública, laica, cujo escopo jurídico-político não se subordina a valores. Amém. Ao professor, segundo nossa Constituição, cabe a liberdade de ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. E é ótimo para o futuro cidadão ter contato com outras ideias e que seja estimulado a pensar e repensar, não? O pluralismo de ideias implica que a educação pública deve transmitir livremente a ciência e a arte, preparando o educando não somente para desenvolver pensamento crítico, mas também para respeitar a diversidade, a alteridade e a divergência de opiniões que caracterizam as sociedades democráticas. Por que isso é visto como algo ruim?

Não estou dizendo que a família não seja fundamental na sociedade. Mas, os pais não têm e nem devem ter direito absoluto sobre seus filhos. A educação moral não pode (e nem deve) ser exclusiva da família. Toda pessoa tem direito a se apropriar da cultura e a observar o mundo de forma crítica. A educação escolar é uma atribuição do Estado brasileiro. E o cidadão brasileiro tem o direito de aprender sobre o evolucionismo de Darwin, a origem do pensamento científico, a luta pela abolição da escravatura, a origem das desigualdades sociais e por aí vai. Como vamos conseguir debater esses temas se esse projeto for aprovado?

Todo professor, claro, sempre faz uma escolha ideológica e isso sempre fica claro para os alunos que costumam sair de sala, muitas vezes, fora da área de conforto (esse local que se morre em vida) porque estão repensando, refletindo, questionando sua leitura sobre o mundo. Desde quando isso é ruim? Oras… que tipo de cidadão se prepara para uma sociedade que frequenta uma escola que não o prepare para pensar, debater, discutir, criticar? Que tipo de cidadão estão querendo que formemos e com quais objetivos? No mais, nenhum país que tem bons sistemas de ensino tem leis absurdas como essas propostas pelo Escola Sem Partido.

Eu, como professora de física, adoto uma metodologia que coloca o aluno a todo tempo que comigo está em sala de aula a questionar o conceito de ciência, por exemplo. Procuro mostrar o modus operandi de como as ideias surgem sempre fazendo uma contextualização histórica com um enfoque estritamente filosófico. Dentro dessa perspectiva, questionamos sempre sobre “verdades universais”, “objetividade” e se procede, de fato, a separação entre ciências exatas e humanas já que não existe ciência sem uma mente humana para concebê-la. Ou seja, meus alunos refletem sobre valores, repensam o que lhes é passado pelo senso comum, questionam se procedem as “verdades” que lhes são apresentadas. Se o projeto Escola sem Partido vingar, serei obrigada a me calar. Não mais ensinarei ninguém a refletir e sim, como está escrito no projeto, serei obrigada somente a instruir meus alunos. Serei escrava de um sistema que gera mais escravos passivos.

Se os pais hoje preferem que seus filhos frequentem escolas orientadas por valores idênticos aos de suas famílias têm a opção de matriculá-los em escolas confessionais, privadas, instituídas pela Constituição Federal exatamente para atender ao tipo de demanda prevista. Mas nas escolas públicas, mantidas com impostos pagos por todos os brasileiros, a prioridade deve ser a formação do cidadão –não do escravo obediente e acrítico– e nela devem prevalecer a tolerância e a cultura de respeito recíproco e de convivência harmoniosa entre todas as opiniões, ideologias, crenças e religiões.

Em que contexto surge esse projeto? Hoje, nas escolas, debatemos sobre a cultura eurocêntrica, o consumismo moderno, a urbanização do mundo, a atuação das empresas multinacionais, a corrida desenvolvimentista, a sustentabilidade e a história contada por pensadores brancos entre outros assuntos marcados pela hegemonia do saber. Questionamos por quê as mulheres são tão agredidas, os negros assassinados, a indignação ainda é tão seletiva, debatemos sobre o sucesso ser baseado unicamente na ascensão econômica, enfim, falamos sobre vários temas conectados a natureza da perversidade das relações. Discutir as desigualdades sociais, o feminismo, a discriminação sexual, entre outros assuntos tem feito os futuros cidadãos pensar e tem gerado instabilidades nesse sistema. Bolsonaros defensores desse projeto Escola sem Partido, por outro lado, cultuam suas verdades e por isso, esse projeto busca silenciar e amordaçar professores fazendo com que escola seja um espaço de conformismo social, cultural e intelectual. Educar sempre foi um ato político e, com Bolsonaros no poder, busca-se fazer com que a política propagada seja somente uma. À luz desse projeto, analisar criticamente as realidades, óbvio, é um problema já que hoje educamos para autonomia e para o pensamento crítico.

Não tem como não citar Paulo Freire numa hora dessas e vou terminar com ele: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”. Por isso, a pressa desses conservadores em aprovar o projeto e a luta em barrá-lo. Lembrando que essa luta não é somente de nós, professores, e sim de todos que não querem uma sociedade plena de amebas ambulantes e rindo quando chicoteadas.

 

A civilização contra a barbárie

IMG-20181009-WA0067

Podem falar o que quiserem do PT, mas jamais ninguém aqui viu nem Lula, nem Dilma, nem Haddad como ameaça ao Estado de Direito brasileiro. Todos contribuíram fortemente para o alargamento das condições de afirmação da liberdade individual de milhões de brasileiros a quem o destino não concedia outra vida que não fosse a absoluta exclusão social.

Podem discordar de todas as políticas públicas, mas nunca ninguém viu nenhuma liderança do PT desrespeitar as regras da democracia liberal. O que vimos sempre foi um partido enfrentando diariamente a hostilidade de uma mídia que sempre trabalhou para o grande capital.

Vejo esse segundo turno com muita perplexidade porque não encontro nada que me mostra que estamos diante de um confronto político e ideológico normal. Pelo contrário, temos mais de 50 casos já registrados de violência por eleitores de Bolsonaro. Uma morte por facadas dadas nas costas de um homem negro, professor, que afirmou ser petista.

Bolsonaro e sua prole elogiam Carlos Alberto Brilhante Ustra que no tempo da ditadura militar, que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985, comprovadamente, maltratou física e psicologicamente centenas de pessoas e chegou ao limite de obrigar crianças a presenciarem o espancamento dos seus pais. Todos aqui se lembram que esse torturador foi homenageado por Bolsonaro que dedicou o seu voto pelo golpe à “memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Bolsonaro revelou-se ali o que ele verdadeiramente é: um canalha.

Não há defesa pelo caráter de Bolsonaro pois quem elogia o torturador de uma mulher  indefesa atribui-se a si próprio um atestado de animal irracional.

Não estamos numa democracia com esse candidato que se recusa a fazer o que mais é prezado nesse regime: o debate das idéias.

Estamos perante um verdadeiro confronto entre a civilização e a barbárie.

Impressiona e assusta o número de pessoas nesse país que tem como líder um sujeito intelectualmente medíocre, eticamente execrável e extremamente covarde pois não toma sequer para si a responsabilidade do que fala.

A direita anda tão mal das pernas que tem como candidato um homem que foge de debates, que vive de fakenews, que quer acabar com a educação pública.

Se pensam que o futuro do Brasil é educação, por que diabos escolhem um candidato que faz a maioria dos professores e das professoras entrar em desespero e em depressão com a possibilidade de ele ser eleito?

Haddad é, nesse contexto, mais do que o PT.

Haddad é o símbolo da luta dos livros contra as armas. Do diálogo contra a violência. Do debate contra o autoritarismo, a servidão e a anulação da inteligência crítica. Da civilização contra a barbárie.

Sem ganhar, fui vitoriosa.

img_20180921_083851_2463126011088816296287.jpg

Gratidão infinita pela confiança! Foram quase 29 mil votos na minha 1a candidatura! Fiquei em quarto lugar no partido para o cargo que disputei. Pelo coeficiente eleitoral, colocamos 3 candidatos estaduais na ALERJ e fiquei como suplente. Ou seja, não sou deputada.

Saio desse processo muito maior do que entrei e sem saber como agradecer a todas as pessoas que estiveram ao meu lado nessa movimentação tão densa que é uma campanha.

Sensação de dever cumprido. Fiz tudo o que consegui e dei o meu melhor. Fui assessorada por pessoas fantásticas que se tornaram parte da minha vida para sempre.

Temos algo pela frente. Não sei exatamente o que mas o bonde segue junto. Agora com quase 29 mil pessoas!

A gente se move pela utopia. Pelos sonhos. Nesse sentido, embora não tenha entrado para ALERJ, a minha inquietude continua e o sonho maior é ver esse país menos desigual. Agora que sei que não estou sozinha e que somos quase trinta mil pessoas, saibam que meu nome segue à disposição para trabalhar pelo partido e fazer valer a nossa bandeira que prioriza as bases sociais.

Agradeço a todos que colaboraram de uma forma ou de outra nessa campanha que foi elogiada por muita gente grande.

Bora que temos muito trabalho ainda. Temos o fascismo para conter e precisamos eleger Haddad.

Obrigada obrigada obrigada.

Foi lindo e há de ser ainda mais!