BASTA DE CENSU

Lula e Dilma quando foram presidentes falavam da necessidade de fazer a “regulação da mídia”. A manada anti PT que acredita em kit gay, Haddad estuprador, mamadeira ejaculadora e coisas afins disseram que era “censura comunista”. Ontem, o candidato eleito na primeira entrevista deixou claro que o jornal que não lhe agradar será eliminado.

Silêncio dos que só sabem falar em Venezuela.

Silêncio estarrecedor.

Nos Estados Unidos, país que vivem idolatrando, há muito tempo, foi estabelecido que donos de empresas que publicam jornais e revistas não podem controlar também canais de rádio e TV.

Ditadura? Comunismo?

Não. Nada disso.

Lá entende-se que muita concentração de poder em termos de difusão de informação é prejudicial para a democracia liberal que tanto defendem. Mas vale acrescentar: Todos os países democráticos têm regulamentação da atividade de imprensa.

Entendam: “regulação da mídia” não é coisa de país comunista. Dito de outra forma, não significa que vai ser definido o que as emissoras podem ou não podem dizer. Quem diz isso está, no mínimo, mal informado e votou em Bolsonaro.

O projeto vem com o intuito de garantir condições mínimas de operação do serviço de forma a manter o interesse público em primeiro lugar e não o lucro das empresas, como está acontecendo atualmente e vai piorar pelo que Bolsonaro falou.

Só não ri porque o barco é um só.

Mentira. Gargalhei comendo pipoca.

Voltando:

Acha justo que grande parte do tempo que seu filho fique em frente à televisão seja usado para estimular o consumo? Seria certo passar desenhos com linguagem de baixo calão para crianças ou cenas de sexo explícito no horário nobre? Por que não passa? Não pode ora bolas.

Ditadura? Comunismo? Não. Nada disso.

A nossa mídia já é, em certa medida, regulada pois “regulação da mídia” trata de uma exigência constitucional para definir regras concretas do funcionamento destes veículos.

É bom que se saiba: na Constituição brasileira de 1988 foram estabelecidos princípios que devem ser respeitados pelos canais de rádio e TV.

Pergunto-me primeiramente, então, por que nunca ninguém se levantou antes contra a nossa Constituição taxando-a de ditadora?

Questiono a seguir: se está na Constituição, por que, então, esse papo agora de “Regulação da mídia”? Essa eu mesma respondo. Quase trinta anos se passaram e nenhum artigo do capítulo que trata da Comunicação Social foi regulamentado. Isso acabou permitindo a consolidação de situações que contrariam os princípios ali estabelecidos, por exemplo, temos uma única emissora controlando cerca de 70% do mercado de TV aberta e a imensa maioria do espectro de radiodifusão é ocupada por canais privados com fins lucrativos, vide a quantidade de rádios evangélicas.

Ontem, Bolsonaro elogiou a Record pelo jornalismo isento. A Record. Do Edir Macedo.

Morri de rir imaginando a galera-fora-comunista ou de queixo caído (se entenderam o que está por vir) ou aplaudindo (afinal, acreditaram na versão manu-pedófila).

Voltando:

Pois então, a “regulação da mídia” define regras no sentido de atender aos objetivos definidos pela sociedade, a dizer, promover a diversidade cultural, garantir proteção dos cidadãos contra material que incite ao ódio, à discriminação e ao crime, e contra a propaganda enganosa; proteger crianças e adolescentes de conteúdos nocivos ao seu desenvolvimento; proteger a cultura nacional, entre outros.

A própria Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) defende há muito tempo esse controle pelos motivos aqui citados.

Mas por que os empresários de comunicação são contrários à regulação? E a liberdade de expressão? Onde fica?

Entenda:

A questão da liberdade não pode ser sinônimo da ausência de interferência do Estado. A ideia de liberdade de expressão é um conceito encontrado na experiência democrática na Grécia lá pelos idos antes de Cristo. Ela se realiza na medida em que há a participação do ser humano livre na elaboração das regras às quais ele deve se submeter. Ele é livre por participar da elaboração das regras que confirmam a sua liberdade. Não tem nada a ver com a ideia de ausência de interferência do Estado.

Regular os meios de comunicação de massa neste sentido que Dilma e Lula propuseram está longe de estabelecer práticas de censura da mídia. Pelo contrário, a regulação é necessária para democratizar a alta concentração de poder instalada nos meios de comunicação de massa, garantindo um efetivo exercício da liberdade de expressão.

Já o que Bolsonaro propôs ontem é censura mesmo.

Se você, eleitor desse que confessa não entender nada de economia, não compreendeu patavinas do que escrevi, imagina um petista anunciando que “verbas publicitárias do governo só para quem se ‘comportar bem”. Conseguiram agora?

Então. Censura. Escancarada.

Vou à urna com Marielle em mim.

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Nessa onda toda de censura que estamos vivendo, o mais alarmante a meu ver foi implicarem com as faixas de “Marielle Vive” ou “Quem matou Marielle?” nas universidades.

Como já disseram. Marielle virou uma ideia e esta não se mata. Pelo contrário. Virou semente. Os eleitores de Bolsonaro (assim como ele próprio) odeiam tudo o que Marielle Franco representa. Ela expunha nas redes sociais sua luta contra o racismo e a violência, em especial contra jovens e mulheres.

Marielle sempre mostrava indignação pelo fato da mídia não dar a mesma importância que dava para Zona Sul para um tiroteio na favela. Qualquer confusão em áreas de IPTU caro gera mais indignação do que mortes em comunidades carentes. “Onde mora sua comoção?”, era a pergunta recorrente de Marielle.

Se Bolsonaro disser que vai sair metralhando na rua a esmo e que vai morrer branco rico mas paciência porque inocentes morrem nas guerras, ia ser um quiprocó no Leblon e imediações. Dizer que vai dar tiro no escuro em favelas, se duvidar, até votam nele por isso.

Marielle assinou um projeto importante, dentre vários outros, sobre contratos da prefeitura com organizações sociais de saúde, alvos frequentes de investigações sobre corrupção. Ajudou a regularizar a profissão dos moto táxis que são fundamentais nas comunidades. Ela era presidente da Comissão Permanente de Defesa da Mulher e havia sido escalada para representar a Câmara do Rio em Brasília, para acompanhar a Intervenção Federal na Segurança Pública no Estado fluminense.

Marielle criticava e denunciava os abusos da polícia. Um dia antes de ser assassinada, a vereadora questionou ações da PM. Não sem motivo ela fazia isso. Sempre cobrou do Estado resposta e responsabilidade pela morte de inocentes em comunidades carentes. Além disso, Marielle sempre lutou na Câmara pelo direito de amar seja lá quem for.

Não é à toa que Bolsonaro e seus seguidores entendem que as faixas pela memória de Marielle são consideradas propaganda eleitoral contra eles que dizem que vão acabar com as minorias que ela encarnava, que vai mandar gente como Marielle pra prisão ou pro exílio.

Não se governa um país com ódio.

Lembrar Marielle hoje é uma forma de resistência. É pensando nela que me dirijo à urna.

MARIELLE PRESENTE!

Caso me encontre por aí hoje…

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Fui com meu carro ontem de Madureira para a Lapa. Fui de carro para economizar Uber. De Madureira para qualquer lugar que eu vou, minha corrida nunca é menos de 50 reais.

Na volta. Cadê. 11 horas da noite e cadê meu carro… Não sabia se tinham levado o taki-móvel ou feito coisa errada. Segunda opção.

Fui rebocada.

Melhor assim. Estacionei em lugar proibido sem querer. Confiei no flanelinha. Me f*di de vermelho.

Sabia ao menos onde pafúncio estava.

Glória a deux.

Hoje de manhã. Fui imprimir o boleto para pagar tudo e levar para o depósito para liberarem meu carro.

Impressora não funcionava.

Tive que ir na minha mãe que mora perto. Consegui. Ufa.

Só podia pagar em banco. Não aceitam pagamento feito pela internet.

Ok.

Resolvi ir na agência do CEFET no Maracanã que é sempre vazia. Cheguei lá rápido. Tinha pressa e paguei um táxi porque tenho que trabalhar ainda hoje.

O sistema estava fora do ar.

E eu estava sem dinheiro. Precisei ir em outro Banco do Brasil andando. Era longe e precisava pagar. Cada diária no depósito é um rim.

Fiquei presa na porta giratória do banco da Praça da Bandeira por minutos. Até com meia implicaram. Quase tive que tirar minha roupa. Consegui entrar.

Paguei.

Vim aqui até o depósito em São Cristóvão com todos os documentos e tudo pago. Enfrentei filas enormes. Fui atendida. Amém. Carro liberado.

Fui pegar o carro.

Cadê a chave.

Esqueci a chave em casa.

Vou ali enfartar e já volto. Se me encontrar hoje na rua me abraça e me dá dinheiro.

Exílio, jardins e botequins

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O ano começou com a decisão louca de passar as férias com ele. Havia conhecido Pipo em abril de 2017 e estava, como dizem por aí, perdidamente apaixonada desde o primeiro minuto em que o vi. Li muita filosofia, mas encontrei de forma satisfatória a explicação do que sinto nas músicas sertanejas. Nesse nível que ando superlativa e hiperbólica, gente.

Eu e Pipo não tínhamos quase tempo para conversar. Coincidir a minha agenda com a dele é modalidade olímpica. Tudo poderia acontecer porque a convivência revela coisas que encontros furtivos nos poupam.

Lá fui eu para Brasília deixando, pela primeira vez, todos meus filhos em casa.

Em Janeiro, eu ainda em Brasília, trabalhei intensamente para a finalização do meu livro Isaac no Mundo das Partículas. O livro já havia virado espetáculo infantil cuja estreia foi no dia 27 de Janeiro. Voltei de Brasília e ainda consegui pegar os ensaios finais. Houve trocas profundas de ideias por telefone entre mim e Joana Lebreiro, a diretora do espetáculo no tempo que estive longe do Rio.

Fui buscar os livros em São Paulo onde consegui uma gráfica mais em conta. Eu, que tenho pavor em andar só, fui sem ninguém ao meu lado dirigindo até sampa. Mas voltei com muitos livros. Meu carro se transformou na nave que Isaac usa para viajar no tempo e no espaço. Dentro dela, carreguei, além de infinitas partículas, um universo de sonhos a ser compartilhado,

Isaac no Mundo das Partículas foi lançando em fevereiro com a presença do ilustrador e grande artista Sérgio Ricciuto Conte. Saindo da noite de autógrafos, fomos direto para a Sapucaí ver a Tuiuti, sambar e gritar porque já sabíamos que nossa voz poderia ser, em breve, calada.

Foram mais de mil livros vendidos em menos de um mês. Todos embrulhados, etiquetados e postados por mim com ajuda da trupe lá de casa.

Em julho, tirei licença do CEFET para participar da minha primeira campanha. Era também a primeira vez em 25 anos que me afastava das salas de aula.

Ser do PT e fazer campanha nas ruas do Rio de Janeiro ao lado de Marcia Tiburi, Benedita e outras figuras nas quais sempre me inspirei não são coisas fáceis para serem assimiladas. Não dormia de tanta ansiedade. Visitei ocupações, sindicatos, comunidades, conheci artistas que já sabiam meu nome. Fui xingada e ameaçada por pessoas que votarão em um fascista.

Não. Não foi fácil administrar tanta adrenalina.

Estar no palanque foi o grande desafio a ser vencido. Não sabia exatamente como agir diante toda aquela grandeza sem me perguntar o que estava fazendo ali. Falar com uma plateia sedenta de grito de guerra estando eu tão insegura com a minha capacidade para lidar com tudo aquilo foi como escalar um muro de cimento à unha com um cachorro raivoso latindo e pronto a me morder caso caísse.

Sou desajeitada com os chamados.

Tive que aprender a trabalhar em equipe. A peça Isaac foi um trabalho coletivo, mas só participei do processo como espectadora. Na campanha não. Tudo estava centralizado em mim e eu não agia mais pela minha vontade e sim pelo consenso de uma equipe na qual confiei 100%.

Acordava sem saber para aonde ia e que horas o dia terminaria.

Quase 29 mil votos. Fui a candidata do PT mais votada no município do Rio de Janeiro. Superei parlamentares antigos do partido. Ganhei moral, a primeira suplência e uma bagagem de toneladas de tanto aprendizado.

Mal terminou a campanha, o livro Filosofilhes ficou pronto e parti para trabalhar a entrega de todos que colaboraram com o financiamento coletivo. Foram mais de 100 livros autografados, embrulhados e postados. Tudo feito por mim.

Durante a campanha, trabalhei na revisão do livro e com a necessidade de mudar o nome da criança na última hora. Já havia uma empresa com o nome Filhosofia e por pouco não perdi muito dinheiro. Dá-lhe reuniões, consultas, advogados e novas decisões.

Enquanto tudo isso vai acontecendo, o espetáculo Isaac que ficou em cartaz por 3 meses no Rio foi indicado para vários prêmios. Lembro-me que saí do avião voltando de Brasília, onde havia feito o lançamento do Filosofilhes + Isaac (em que faltaram livros para tanta demanda), e fui direto para a cerimônia de premiação. Choro cada vez que vejo a nave do meu filho viajando por esse universo. Ela ganhou altitude e não a controlo mais.

Em cada canto que vou, conheço mais pessoas. Famosas ou não, é cada constelação em essência que vem até mim que nem sei viu. Recebi infinitos abraços e em todos eles fechei meus olhos. Não aceito nada menos do que 100%.

Ainda há muito para acontecer. Companheiros estão sendo ameaçados e mortos. Lula está preso de forma arbitrária e injusta. A cadela do fascismo está copulando devassamente. Há livros para serem escritos, outros tantos para serem lidos e uma guerra a ser vencida. Prometi a Lula que estaria na linha de frente e se tem algo que tenho, além de muito medo, é palavra.

Como se tudo não bastasse, resolvi me mudar para morar com o Pipo e começar uma nova etapa da minha vida em um outro lar em que ambos construiremos do zero. A convivência, de fato, me revelou coisas que encontros furtivos jamais me mostrariam: uma conexão ímpar mais a surpresa de que há em mim um tesão infinito.

Acertei quando fui até ele.

O medo me cativa assim como a escuridão. Meu espetáculo não é ensaiado e sim feito de improvisações. Tem sido muito melhor fazer – mesmo sem ter garantia nenhuma – do que assistir a hora passar na paz que somente os sofás oferecem. Vivo fora da zona de conforto, esse lugar que se morre em vida. Cansa mas há muita poesia na exaustão.

Quanto ao Brasil, perdemos muitos amigos mas fizemos muito irmãos. E com eles caminharemos juntos seja lá para qual exílio, jardim ou botequim essa estrada nos levar.

Que as deusas me protejam porque meu Deus. Como estou animada para viver.

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Carta de Lula para o povo brasileiro sobre o segundo turno.

Carta de Lula sobre o segundo turno das eleições divulgada há pouco. Leiam leiam. Por favor, leiam:

“Meus amigos e minhas amigas,

Chegamos ao final das eleições diante da ameaça de um enorme retrocesso para o país, a democracia e nossa gente tão sofrida. É o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia.

Por mais de 40 anos percorri este país buscando acender a esperança no coração do nosso povo. Sempre enfrentamos o preconceito, a mentira e até a violência, e, mesmo assim, conseguimos construir uma profunda relação de confiança com os trabalhadores, com as pessoas mais humildes, com os setores mais responsáveis da sociedade brasileira.

Foi pelo caminho do diálogo e pelo despertar da consciência cidadã que chegamos à Presidência da República em 2002 para transformar o país.

O povo sabe e a história vai registrar o que fizemos, juntos, para vencer a fome, superar a miséria, gerar empregos, valorizar os salários, criar oportunidades, abrir escolas e universidades para os jovens, defender a soberania nacional e fazer do Brasil um país respeitado em todo o mundo.

Tenho consciência de que fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo, mas sei que isso contrariou interesses poderosos dentro e fora do país. Por isso tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo. Mas não vão conseguir.

Para derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, juntaram todas as forças da imprensa, com a Rede Globo à frente, e de setores parciais do Judiciário, para associar o PT à corrupção. Foram horas e horas no Jornal Nacional e em todos os noticiários da Globo tentando dizer que a corrupção na Petrobras e no país teria sido inventada por nós.

Esconderam da sociedade que a Lava Jato e todas as investigações só foram possíveis porque nossos governos fortaleceram a Controladoria Geral da União, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário. Foi por isso, e pelas novas leis que aprovamos no Congresso, que a sujeira deixou de ser varrida para debaixo do tapete, como sempre aconteceu em nosso país.

Apesar da perseguição que fizeram ao PT, o povo continuou confiando em nosso projeto, o que foi comprovado pelas pesquisas eleitorais e pela extraordinária recepção a nossas caravanas pelo Brasil. Todos sabem que fui condenado injustamente, num processo arbitrário e sem provas, porque seria eleito presidente do Brasil no primeiro turno. E resistimos, lançando a candidatura do companheiro Fernando Haddad, que chegou ao segundo turno pelo voto do povo.

O que assistimos desde então foi escandaloso caixa 2 para impulsionar uma indústria de mentiras e de ódio contra o PT. De onde me encontro, preso injustamente há mais de seis meses, aguardando que os tribunais façam enfim a verdadeira justiça, minha maior preocupação é com o sofrimento do povo, que só vai aumentar se o candidato dos poderosos e dos endinheirados for eleito. Mas fico pensando, todos os dias: por que tanto ódio contra o PT?

Será que nos odeiam porque tiramos 36 milhões de pessoas da miséria e levamos mais de 40 milhões à classe média? Porque tiramos o Brasil do Mapa da Fome? Porque criamos 20 milhões de empregos com carteira assinada, em 12 anos, e elevamos o valor do salário mínimo em 74%? Será que nos odeiam porque fortalecemos o SUS, criamos as UPAS e o SAMU que salvam milhares de vidas todos os dias?

Ou será que nos odeiam porque abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, de negros e indígenas? Porque levamos a universidade para 126 cidades do interior e criamos mais de 400 escolas técnicas para dar oportunidade aos jovens nas cidades onde vivem com suas famílias?

Talvez nos odeiem porque promovemos o maior ciclo de desenvolvimento econômico com inclusão social, porque multiplicamos o PIB por 5, porque multiplicamos o comércio exterior por 4. Talvez nos odeiem porque investimos na exploração do pré-sal e transformamos a Petrobras numa das maiores petrolíferas do mundo, impulsionando nossa indústria naval e a cadeia produtiva do óleo e gás.

Talvez odeiem o PT porque fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste, levando água para quem sofria com a seca, levando luz para quem vivia nas trevas, levando oportunidades, estaleiros, refinarias e indústrias para a região. Ou talvez porque realizamos o sonho da casa própria para 3 milhões de famílias em todo o país, cumprindo uma obrigação que os governos anteriores nunca assumiram.

Será que odeiam o PT porque abrimos as portas do Palácio do Planalto aos pobres, aos negros, às mulheres, ao povo LGBTI, aos sem-teto, aos sem-terra, aos hansenianos, aos quilombolas, a todos e todas que foram discriminados e esquecidos ao longo de séculos? Será que nos odeiam porque promovemos o diálogo e a participação social na definição e implantação de políticas públicas pela primeira vez neste país? Será que odeiam o PT porque jamais interferimos na liberdade de imprensa e de expressão?

Talvez odeiem o PT porque nunca antes o Brasil foi tão respeitado no mundo, com uma política externa que não falava grosso com a Bolívia nem falava fino com os Estados Unidos. Um país que foi reconhecido internacionalmente por ter promovido uma vida melhor para seu povo em absoluta democracia.
Será que odeiam o PT porque criamos os mais fortes instrumentos de combate à corrupção e, dessa forma, deixamos expostos todos que compactuaram com desvios de dinheiro público?

Tenho muito orgulho do legado que deixamos para o país, especialmente do compromisso com a democracia. Nosso partido nasceu na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do país, que tanto sacrifício, tanto sangue e tantas vidas nos custou.

Neste momento em que uma ameaça fascista paira sobre o Brasil, quero chamar todos e todas que defendem a democracia a se juntar ao nosso povo mais sofrido, aos trabalhadores da cidade e do campo, à sociedade civil organizada, para defender o estado democrático de direito.

Se há divergências entre nós, vamos enfrentá-las por meio do debate, do argumento, do voto. Não temos o direito de abandonar o pacto social da Constituição de 1988. Não podemos deixar que o desespero leve o Brasil na direção de uma aventura fascista, como já vimos acontecer em outros países ao longo da história.

Neste momento, acima de tudo está o futuro do país, da democracia e do nosso povo. É hora de votar em Fernando Haddad, que representa a sobrevivência do pacto democrático, sem medo e sem vacilações.”

E há quem ainda quem tente me convencer a mudar de partido. Orgulho da minha estrela. Uma honra estar ao lado dessas pessoas que lutam tanto pelo povo.

Até breve, meu presidente. O amor há de vencer o ódio.

Que sonho seria um candidato desses…

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Será que alguém aqui que zela pela educação  reclamaria em eleger um candidato que tenha uma pós graduação em economia e em filosofia? E se ainda tivéssemos uma boa dissertação e uma excelente tese de doutorado para podermos avaliar a qualidade do raciocínio desse candidato? Que beleza seria, não?

Não que eu ache que títulos implique inteligência, mas o Brasil está tão doido que seria ótimo ter provas documentadas em mãos para podermos falar que o nosso candidato debateu a fundo e com sabedoria esses temas que são fundamentais para avaliarmos nosso futuro.

Seria bacana alguém que tivesse sido algo grande na Educação. Tipo um ministro. Porque só assim poderíamos ver mesmo de perto o que o candidato pensa sobre Educação pública e o que está disposto a fazer para que camadas menos privilegiadas cheguem às universidades.

Quem aqui não gostaria de ter um candidato que tivesse inaugurado uma visão sistêmica da educação fazendo, por exemplo, o ministério da educação a atuar da creche à pós-graduação, entende como? Isso diria muito sobre ele, não?

Você reclamaria de um candidato que tivesse, além disso tudo, instituído algum índice de desenvolvimento da educação básica, tipo o IDEB, para podermos ver se a educação básica e o ensino médio estão crescendo como deveriam?  Daria para ter uma noção real sobre o modo como o candidato valoriza a educação, concordam?

Imagina ainda se esse indicador permitisse estabelecer metas de desempenho anual para cada escola, município e estado, bem como melhorar a distribuição dos recursos pela identificação das carências localizadas? Que sonho uma pessoa dessas na presidência!

Como seria bom um candidato desses…

E ainda. Já pensou se esse candidato já tivesse criado um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, tipo a FUNDEB? E olha que bacana seria se com esse fundo tivéssemos visto uma ampliação do  fundo de financiamento – antes restrito ao ensino fundamental – para toda a educação básica, incluindo creche, pré-escola, ensino médio e modalidades como alfabetização de adultos, educação no meio rural, entre outras…

Nossa… que bacana seria ter um candidato que já pensou em tudo isso…

Imagina se ele ainda conseguisse estabelecer o piso salarial nacional para o professor, que passaria a ser progressivamente adotado pelas unidades federativas! Uau…

Quem aqui não desejaria um candidato que já tivesse mostrado que consegue aumentar o investimento público em educação de 3,9% para 5,1% do produto interno bruto, por exemplo? Isso diria tanta coisa sobre ele, não? Não estaríamos votando no escuro ou em quem votou pelo congelamento nos investimentos na Educação por vinte anos, como Bolsonaro, por exemplo.

E se na gestão desse candidato ainda como ministro da Educação (que lindo seria ter um candidato que já foi ministro da Educação!) ele tivesse  expandido o acesso ao ensino superior com a criação de catorze novas universidades federais e mais de 100 campi?

Meodeos que sonho e alegria votar em um candidato desses…

E se esse candidato tivesse ajudado a conceber a ideia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia? Já pensou que maravilha se meu candidato tivesse algo a ver com isso já que a qualidade dos profissionais que se formam pelos Institutos Federais é elogiada em todo Brasil?

Imagina se por causa desse candidato dos nossos sonhos o número de formandos crescesse em quase 200%! Imagina se a gente tivesse um candidato que já provou ter conseguido  apoio político para aprovar Emendas Constitucionais tipo a nº 53 e nº 59 que alteraram oito dispositivos da Constituição, instituindo, por exemplo, a obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos, o fim do dispositivo de Desvinculação de Receitas da União (DRU) que retirava do orçamento do MEC, desde 1995, cerca de R$ 10 bilhões ao ano, o limite mínimo do investimento público em educação como proporção do PIB e a extensão dos programas complementares de livro didático, alimentação, transporte e saúde escolar para toda a educação básica, da creche ao ensino médio. Só imagina que beleza seria.

E nós, amantes da leitura ainda, amaríamos votar em quem ajudou a distribuir mais de 700 milhões de livros gratuitos para estudantes do ensino fundamental e ensino médio. ❤

Ainda bem que meu candidato existe:

Haddad 13.

(Elika Takimoto – professora de física do CEFET/RJ)

Para desejar Feliz dia do Professor tem que querer bem a nós.

 

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Como hoje é dia dos professores e eu acredito que somente pela educação mudamos uma nação, vou colocar aqui o programa de governo de Bolsonaro e Haddad para quem não viu. Leiam. Avaliem e raciocinem se um candidato que desde antes de sua campanha tem o discurso de acabar com a liberdade metodológica de qualquer escola garantida hoje pela constituição, seria a melhor opção:

Jair Bolsonaro

– Incluir no currículo escolar educação moral e cívica (EMC) e organização social e política brasileira (OSPB), que eram ensinadas durante a ditadura militar.

– Diminuição do percentual de vagas para cotas raciais.

– Ampliar o número de escolas militares e fechar parcerias com as redes municipal e estadual.

– Educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e Universitário Prontuário Eletrônico Nacional Interligado.

– Escola “sem Partido”. (aspas minhas)

Fernando Haddad

– Revogar a emenda do teto de gastos. Retomar os recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social do Pré-Sal para saúde e educação

– Expandir as matrículas no Ensino Superior e nos ensinos técnico e profissional

– Priorizar o Ensino Médio com o Programa Ensino Médio Federal

– Criação de programa de permanência na escola para jovens em situação de pobreza

– Revogar a reforma do Ensino Médio do governo Michel Temer

– Realizar anualmente uma Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente na rede pública de educação básica

– Em contraponto à Escola Sem Partido, criar a Escola com Ciência e Cultura, para valorizar a diversidade.

Em tempo, se você é a favor do projeto Escola sem Partido defendido e criado por Bolsonaro – que na verdade é um nome lindo que arrumaram para um projeto autoritário que tem como proposta amordaçar professor – nem ouse a desejar feliz dia dos professores para nenhum de nós porque você quer mesmo é que professor se exploda já que Bolsonaro, para além de tudo isso, foi a favor do congelamento dos investimentos para Educação por vinte anos.


Agora vou me estender um pouco mais para quem não entendeu a surrealidade do que Bolsonaro defende:

Há muitos ainda que não entenderam qual é dessa discussão da “Escola sem Partido”. Primeiramente, há de se concordar que o nome é lindo e que de cara nos leva a pensar: “claro que sim! Escola não pode ter partido!” e, a depender da pessoa, ainda complementam: “chega de doutrinação esquerdistas nas escolas!”. De uma forma, digamos, objetiva, trata-se de um Projeto de Lei (n. 193/2016) em tramitação no Congresso Nacional que pretende subordinar conteúdos e atividades escolares às crenças de pais, bem como “monitorar a doutrinação ou cooptação política e ideológica em sala de aula”.

Gostaria de falar que não basta ler o nome do projeto e ler o projeto como um todo. Deve-se prestar atenção em quem defende esse projeto e com quais objetivos. Você deve ler, claro, mas deve também contextualizá-lo. Saber, por exemplo, que temos dois Bolsonaros envolvidos e encabeçando esse projeto é bastante significativo e já coloca em xeque a tal “neutralidade” apontada e defendida no Escola sem Partido. A escola, segundo quem luta pela aprovação desse projeto, deve servir para incentivar ideias como meritocracia e propriedade privada. Isso é ser neutro, segundo seus defensores. Discutir temas em sala de aula, não é ser neutro, portanto, deve ser proibido para esses que estão defendendo a Escola sem Partido.

Uma das bandeiras levantadas por esses políticos que avançam com esse projeto (e que já está sendo implementado em algumas escolas no Brasil) é que “professor não é educador”. O professor, segundo dizem, foi feito para instruir. Educação vem de casa e da Igreja. Nessa esteira, seus defensores dizem que, com isso, protegem as crianças e os jovens de serem doutrinados e, para tanto, ficamos, nós professores, proibidos de discutir qualquer tema em sala como religião, política, notícias, atualidades… e assim, dizem, prepararemos melhor os futuros cidadãos. Oras…Como é que se desenvolve um pensamento crítico se não discutindo política, filosofia, sociologia, história?

O advogado Miguel Nagib, por exemplo, afirmou que “em matéria de educação religiosa e moral, vale o princípio: meus filhos, minhas regras. Nós não queremos impor a nenhuma família uma maneira de agir em relação a seus filhos. Mas também não aceitamos que a escola venha fazer isso”. Assim, a crença ou a moralidade dos pais passaria a ser adotada como critério para o controle familiar da educação escolar, podendo inclusive resultar em punição para os desobedientes. Como seria esse controle? Através de denúncias anônimas. Bastaria um aluno me denunciar para o Ministério Público ser acionado. Ou seja, a conduta de professores, gestores e funcionários passará a ser a ser patrulhada por todo e qualquer indivíduo caso o projeto seja aprovado.

Vale observar que a Constituição Federal distingue educação familiar da educação escolar, do ensino, atribuindo a este último o papel principal de preparar o educando para o exercício da cidadania. Isso significa, por exemplo, que se a família decide educar a criança para torná-la fiel a uma determinada crença, o mesmo não pode ser exigido da educação pública, laica, cujo escopo jurídico-político não se subordina a valores. Amém. Ao professor, segundo nossa Constituição, cabe a liberdade de ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. E é ótimo para o futuro cidadão ter contato com outras ideias e que seja estimulado a pensar e repensar, não? O pluralismo de ideias implica que a educação pública deve transmitir livremente a ciência e a arte, preparando o educando não somente para desenvolver pensamento crítico, mas também para respeitar a diversidade, a alteridade e a divergência de opiniões que caracterizam as sociedades democráticas. Por que isso é visto como algo ruim?

Não estou dizendo que a família não seja fundamental na sociedade. Mas, os pais não têm e nem devem ter direito absoluto sobre seus filhos. A educação moral não pode (e nem deve) ser exclusiva da família. Toda pessoa tem direito a se apropriar da cultura e a observar o mundo de forma crítica. A educação escolar é uma atribuição do Estado brasileiro. E o cidadão brasileiro tem o direito de aprender sobre o evolucionismo de Darwin, a origem do pensamento científico, a luta pela abolição da escravatura, a origem das desigualdades sociais e por aí vai. Como vamos conseguir debater esses temas se esse projeto for aprovado?

Todo professor, claro, sempre faz uma escolha ideológica e isso sempre fica claro para os alunos que costumam sair de sala, muitas vezes, fora da área de conforto (esse local que se morre em vida) porque estão repensando, refletindo, questionando sua leitura sobre o mundo. Desde quando isso é ruim? Oras… que tipo de cidadão se prepara para uma sociedade que frequenta uma escola que não o prepare para pensar, debater, discutir, criticar? Que tipo de cidadão estão querendo que formemos e com quais objetivos? No mais, nenhum país que tem bons sistemas de ensino tem leis absurdas como essas propostas pelo Escola Sem Partido.

Eu, como professora de física, adoto uma metodologia que coloca o aluno a todo tempo que comigo está em sala de aula a questionar o conceito de ciência, por exemplo. Procuro mostrar o modus operandi de como as ideias surgem sempre fazendo uma contextualização histórica com um enfoque estritamente filosófico. Dentro dessa perspectiva, questionamos sempre sobre “verdades universais”, “objetividade” e se procede, de fato, a separação entre ciências exatas e humanas já que não existe ciência sem uma mente humana para concebê-la. Ou seja, meus alunos refletem sobre valores, repensam o que lhes é passado pelo senso comum, questionam se procedem as “verdades” que lhes são apresentadas. Se o projeto Escola sem Partido vingar, serei obrigada a me calar. Não mais ensinarei ninguém a refletir e sim, como está escrito no projeto, serei obrigada somente a instruir meus alunos. Serei escrava de um sistema que gera mais escravos passivos.

Se os pais hoje preferem que seus filhos frequentem escolas orientadas por valores idênticos aos de suas famílias têm a opção de matriculá-los em escolas confessionais, privadas, instituídas pela Constituição Federal exatamente para atender ao tipo de demanda prevista. Mas nas escolas públicas, mantidas com impostos pagos por todos os brasileiros, a prioridade deve ser a formação do cidadão –não do escravo obediente e acrítico– e nela devem prevalecer a tolerância e a cultura de respeito recíproco e de convivência harmoniosa entre todas as opiniões, ideologias, crenças e religiões.

Em que contexto surge esse projeto? Hoje, nas escolas, debatemos sobre a cultura eurocêntrica, o consumismo moderno, a urbanização do mundo, a atuação das empresas multinacionais, a corrida desenvolvimentista, a sustentabilidade e a história contada por pensadores brancos entre outros assuntos marcados pela hegemonia do saber. Questionamos por quê as mulheres são tão agredidas, os negros assassinados, a indignação ainda é tão seletiva, debatemos sobre o sucesso ser baseado unicamente na ascensão econômica, enfim, falamos sobre vários temas conectados a natureza da perversidade das relações. Discutir as desigualdades sociais, o feminismo, a discriminação sexual, entre outros assuntos tem feito os futuros cidadãos pensar e tem gerado instabilidades nesse sistema. Bolsonaros defensores desse projeto Escola sem Partido, por outro lado, cultuam suas verdades e por isso, esse projeto busca silenciar e amordaçar professores fazendo com que escola seja um espaço de conformismo social, cultural e intelectual. Educar sempre foi um ato político e, com Bolsonaros no poder, busca-se fazer com que a política propagada seja somente uma. À luz desse projeto, analisar criticamente as realidades, óbvio, é um problema já que hoje educamos para autonomia e para o pensamento crítico.

Não tem como não citar Paulo Freire numa hora dessas e vou terminar com ele: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”. Por isso, a pressa desses conservadores em aprovar o projeto e a luta em barrá-lo. Lembrando que essa luta não é somente de nós, professores, e sim de todos que não querem uma sociedade plena de amebas ambulantes e rindo quando chicoteadas.