Machucada por dentro

Precisamos conversar sobre a velocidade dessas mobiletes. Eu falo mobilete porque brinquei com fofolete e vi Claudia Raia casando com Alexandre Frota.

Elas não são bicicletas porque nunca vi ninguém pedalando aquela geringonça. Também não são motos porque não tem placa e quem pilota não usa capacete. Assim entendo.

Elas andam pelas calçadas se achando gente e no asfalto se entendendo como foguetes.

Hoje, precisei ir ao centro da cidade. Decidi ir de bike Itaú. Do Largo do Machado até a Cinelândia, quinze minutos e três reais. Peguei meu capacete porque sou dessas de respeitar a quina do meio fio. Coloquei minha super máscara PFF2 porque confio na Ciência e quero conhecer meus netos e ver Lula ser presidente de novo. Vários anos de governo Lula, para ser mais exata. Portanto, cuido muito bem da minha saúde. É o que estou querendo dizer.

Parei no sinal vermelho com capacete, máscara e esperança no relatório da CPI.

Quando ficou verde, pedalei como os que estão prestes a ver o Pão de Açúcar.

Uma mobilete pilotada por um sujeito sem máscara, sem capacete, sem noção vinha naquela velocidade que estou querendo criticar e problematizar desde o início deste texto.

Comecei a prestar atenção na rapidez que elas andam quando vi, outro dia, no Aterro, uma criança sendo atingida por um adolescente que estava indo para aula de vôlei a mil por hora em plena ciclovia.

O piloto de hoje avançou o sinal como fazem os que criticam as políticas públicas que diminuem a fome neste país.

O choque foi inevitável. Caí como se tivesse sofrido um impeachment sem motivo.

Era injusto aquele tombo. Não tinha feito nada de errado.

Seria até pontual no meu compromisso se não tivesse sido atropelada.

O babaca quis me ajudar. Me pegou tão desarmada. Assustada, eu disse não.

Pedi para ele ficar distante já que estava sem máscara. Pedi também, se possível, que ele virasse gente. Que pensasse no próximo, que respeitasse os sinais de trânsito, a Constituição e a vontade do filho do superman.

Falei isso com a bicicleta em cima de mim e meu cóccix beijando o asfalto como um pé que encontra com uma bola.

Enfim.

Estou aqui colocando gelo na buzanfa vendo as vaias que Bolsonaro está recebendo na Itália.

Se tivesse um limite para a velocidade dessas mobiletes e para Arthur Lira, minha noite estaria sendo bem melhor.

Precisamos conversar sobre isso. Estamos correndo sérios riscos.

Um comentário em “Machucada por dentro

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