Arquivo da categoria: Hideo

Mãe, tá orgulhosa de mim?

hideo13

Tenho três filhos. Um adulto de 9 anos, Yuki, Nara de 18 e uma criança de 23 que se chama Hideo. Para completar, sou solteira e ontem foi Domingo, dia de Manifestação. Yuki estava com o pai, voltaria meio dia. Nara está possessa com o Temer e estava saindo com mais de vinte cartazes debaixo do braço para protestar. Hideo estava super preocupado com a Nara e resolveu acompanhá-la caso desse algum xabú como tem dado – já que a Polícia Militar serve a um determinado tipo de gente. E eu estava em casa gerenciando tudo isso. Até que Hideo, que não está tão envolvido quanto deveria com o que anda acontecendo, politicamente falando, pediu-me para ir também e lhe fazer companhia. Nara engrossou esse coro dizendo que é nas ruas que vamos resolver isso. Ok ok… liguei para a minha mãe (que mora ao meu lado) e pedi para ela receber o Yuki para mim porque eu ia acompanhar Hideo que ia acompanhar Nara que quer mudar o mundo..

Poderia, nesta crônica, focar na Nara que deu literalmente um show ontem cantando Roda Viva à capela em pleno (antigo) canecão fazendo o presidente do PCdoB chorar vendo algo tão genuíno e depois ir até ela agradecer por aquilo. Ou poderia me estender com Yuki que estudou sobre relevos e chegou em casa querendo montar uma maquete da Chapada Diamantina com argila depois de ter pesquisado no gúgol como ela foi formada e está desde então com essa ideia fixa. Mas não. Quero lhes contar sobre Hideo.

Moramos em Madureira e ir e voltar de Copacabana onde o povo-Fora-Temer estava reunido foi uma viagem em todos os sentidos. Deixamos o carro no Shopping Nova América onde tem metrô e de lá partimos para lutar pela Democracia. Acabado o protesto, Nara decidiu ficar com o pai que mora no Leme e eu e Hideo tivemos que voltar sozinhos. O povo começou a dispersar lá pelas 13h quando nos despedimos da revoltada (não sem razão) da Nara e eu cheguei em casa com Hideo às 19h da noite. Durante este tempo, nós ficamos voltando para a casa. Paramos na casa de um amigo, Hideo capturou um monte de Pokemon, depois almoçamos um peixe em um restaurante que tem um aquário cheio de peixinhos iguais ao Nemo e a Dory, pegamos skate, cipó, metrô e chegamos ao Shopping onde estava estacionado o Takimóvel.

Foi aí que o motivo da crônica começa. Hideo, na ida, foi dirigindo o meu carro e, quando estávamos nos aproximando do caixa para pagar o estacionamento, ele me disse:

– Passa o ticket aê.

– Que ticket mané ticket. Você que veio dirigindo o Pafúncio (Pafúncio é o nome do Takimóvel), você que guardou a budega.

– Eu joguei na sua bolsa.

Aff. Abri a bolsa. Tirei lenço umedecido, cuequinha do Yuki, guarda-chuva, toco de lápis, caneta sem tampa, bolsinha com absorvente, necessé com maquiagem, capa de óculos do Hideo, caneta Pilot de escrever em cartaz, garrafa d´água vazia, a chave de casa, papel de bombom, bombom (que comi), mas…

– Hideo, o ticket não tá aqui!

– Eu coloquei aí caralho!

Hideo é desses que usam palavrão como ponto de exclamação.

– Mas não tinha nada que ter enfiado na minha bolsa, cacete! Você é o motorista! E se eu não tivesse vindo? Por que quando estou por perto vocês enfiam tudo na minha bolsa? Não tá aqui! E agora? vai ter que pagar uma multa de trezentos reais! Ai jesus, Hideo! Puta merda, meu filho!

Eu estava desesperada.

– Mãe, se acalma. Você é igual a mim. Quando tem um problema entra em desespero.

– Que igual a você mané igual a você onde? O mundo está acabando, vou ficar pobre com o mês mal começando e você está calmíssimo! Cadê a semelhança?

– Estou calmo porque não há problema algum aqui.

– Como não há, Hideo! Cadê a porra do ticket cacete!

– Mãe, entra no carro. Liga o rádio. Ouve o CD que está lá. Relaxa que eu vou resolver isso sem gastar o que já iríamos gastar. Nem um real a mais. Relaxa.

Eu já perdi o ticket de estacionamento uma vez e tive que vender o carro para pagar a multa. Duvido Hideo resolver isso. No mais, o documento do carro estava na minha bolsa também. Como ele ia dar um jeito sem sequer ter levado a comprovação da placa do Pafúncio e bababá bububú? Duvido…

Enquanto pensava, ele sumiu e voltou meia hora (!!!!) depois. Entrou no carro com um sorriso de orelha a orelha e me mandou na lata:

– Não disse que eu ia resolver tudo? Não disse que não tínhamos problema algum? Não disse que era para você ficar calma?

E deu de balançar um ticket novo e pago no meu nariz.

– Pagou quanto por isso jesus?

–  Nada a mais do que pagaríamos. Fui ali, falei com o cara da administração, dei a placa do carro, ele fez um novo ticket e pronto. Mãe, você está falando com Hideo. Parece que não me conhece. Sabe quantas vezes eu já perdi o cartão de estacionamento na vida? Você me subestimou, mãe. Viu só? Mãe, você está orgulhosa de mim agora?

Eu poderia ter feito um escândalo nessa hora. Ter dado uma lição de moral dizendo que estaria mais feliz se ele não tivesse perdido um papel valoroso tantas vezes, poderia ter falado que fiquei quase meia hora no carro (tudo bem que fiquei ouvindo Jimi Hendrix que é o CD que Hideo havia colocado para eu degustar e que desconhecia e fiquei encantada…), mas pensei. Se ele não tivesse perdido o ticket, eu não teria vivido tamanha experiência de encontro com meu filho. Se Hideo não fosse desses indicados a tomar Ritalina desde os oito anos por ser extremamente desligado e se eu permitisse que ele ingerisse essa droga, ele se lembraria de guardar tudo que é dito ser importante, teríamos entrado no carro e voltado sem maiores percalços para a casa, é verdade; mas também, é válido observar, sem que eu tivesse recebido tanto carinho e o sorriso de satisfação dele por ter conseguido dar um jeito na situação sem se estressar um tiquinho de nada e me ensinado a fazer um verão quando nos são oferecidos muita chuva e ventos giga frios.

– Razô, meu filho. Só deu tu hoje.

– Ouviu Jimi Hendrix? Gostou? Conhece a história dele?

E voltamos com Hideo me contando sobre a vida desse ídolo do Rock na paz do senhor. Ele falando e eu ouvindo. Plena de orgulho do meu filho.

 

3 Comentários

Arquivado em Crônicas, Educação, Filhos, Hideo, Manifestação, maternidade, Opinião

Caixa de Bombons

Caixa-Bombons-Gold-Trufas

Ontem a noite, em plena terça-feira depois de minha aulinha bombadésima de dança de salão na Tijuca, fui pegar Nara e Hideo, meus filhos de 17 e 22 aninhos, na Freguesia onde eles estavam ensaiando para a peça que entra em cartaz no próximo final de semana “Cabaré Opus305”. Vale observar que em 2015, depois do término de um casamento de mais de vinte anos com meu primeiro namorado, passei por uma crise de depressão que me imobilizou durante quase seis meses e a dança de salão foi usada como remédio. Super funcionou. Agora tenho um novo grupo de amigos, já consegui ir ao cinema sozinha pela primeira vez na vida e tenho feito o que der na telha. Sair ou ficar em casa são coisas que atualmente faço em paz. Povoei, enfim, o meu deserto.

Pelo fato de eu ter me reerguido e voltado a viver com alegria, novidades andam acontecendo. Pessoas têm se aproximado e eu tenho permitido. Enquanto estava me sentindo extremamente só, evitei ao máximo qualquer tipo de contato, principalmente com homens. Viver a dor da solidão foi necessário e eu sabia disso. Caso contrário, ia cometer a mancada de sair por aí buscando alguém que me complete, a famosa outra metade, e acredito que para viver a dois, antes, temos que ser um inteiro.

Isso posto ainda que de forma extremamente resumida, ontem ganhei uma caixa de bombons e, voltando ao primeiro parágrafo e conectando as histórias, assim que Nara e Hideo entraram no carro, eu mostrei para eles o regalo toda feliz e contente.

– Vejam! Vejam! O crush está se chegando esbanjando fofura!

– Qual deles? – perguntou Nara que é giga antenada com tudo o que acontece comigo. – O que nasceu em 20 de janeiro ou 19 de Fevereiro?

Nara agora anda nessa de astrologia para meu total desgosto. Eu, como amante de física e ciências em geral, chegada a uma lógica e a uma coerência, abomino qualquer religião. Imagina se euzinha aqui mega inteligente vou aceitar a ideia de que meu comportamento pode ser moldado pela posição dos planetas… Aff. Mas história que segue:

– O que nasceu 20 de Janeiro às 10:40h da noite com ascendente em Aquário.- respondi.

– Você sabe que os capricornianos com esse ascendente são meio desapegados, não?

– Nara, perceba a fofurice. Ganhei bombons agora pouco e durante o dia ganhei coraçãozão no uátisápi. E todo mundo sabe que emoticon de coraçãozão é para começar a escolher a decoração da igreja.

– Mãe, precisamos conversar. Chegou a hora de termos um papo reto. Conversa séria. – disse Nara com um tom hiper assustador.

– Pode falar.

– Os homens costumam se aproximar da gente quando querem sexo. Fazem gracejos, dão bombons, flores, mas eles querem sexo, ok? Essa história de príncipe encantado não existe, certo? Isso é conto de fadas, mãe. A realidade é outra!, você está me entendendo?

– Nara, nem todos os homens são assim, minha filha. – expliquei para ela olhando para o céu estrelado pela janela do carro.

– Mãe, caraca!, me ouve. Depois você vai sofrer e vir para mim toda bagação. Ouve a sua filha que tem mais experiência que você. Sua vida, mãe, está apenas começando e eu tenho a obrigação de abrir os seus olhos!

– Mas, Nara, ele tem sido tão atencioso…

– Claro que sim, mas que fique claro o motivo! Daí, se você quiser ir aos finalmentes tudo bem. Mas não vai iludida pelamordedeos!

– Minha mãe não faz sexo, Nara! – gritou, de repente,  Hideo que estava dirigindo.- Minha mãe é uma santa! Parem com essa conversa que eu vou surtar e eu não tenho dinheiro para terapia! Minha mãe não faz essas coisas! E mudem de assunto que eu quero falar algo importante com vocês. Mudem de assunto!!!!

– Pera que ainda não terminei com ela. – interrompeu Nara cheia de atitude – Mãe, e embora eu saiba que você tenha as trompas ligadas, você tem que usar camisinha. Você vai me prometer que vai usar camisinha. Não se iluda com o perfume dele e nem se ele sair do chuveiro para cima de você com cheirinho de sabonete!

– Ai que eu vou surtar com essa conversa! Nara, minha mãe não precisa desses conselhos! Minha mãe não vai passar por isso!!! – urrava Hideo. – Né, mãe?

– Hideo, cala a boca! – salvou-me Nara. – Mãe, ouve: você não se iluda com homem cheiroso, está me entendendo? Você não sabe por onde ele andou!!! Doença sexualmente transmissível não é brincadeira.  Você para com essa mania de ficar sonhando, por favor! DST é uma realidade que temos que encarar nesse mundo que você está entrando!

– Que entrando, Nara! Só ganhei uns bombons e estou feliz. Só isso!

– Ai meodeos, mãe!, não é só isso!!! Onde foi que eu errei com você que você não consegue enxergar as coisas mesmo eu sendo clara???  Promete pelo menos para mim que vai ficar esperta?

– Ok. Prometo. Pode falar agora, Hideo.- cortei para o Hideo já que estava ficando desconcertada com aquela conversa.

– É o seguinte – começou ele animado – pintou uma oportunidade de eu transar na sexta mas eu preciso que você me empreste o carro para isso. – explicou assim o problema com a maior naturalidade.

Mas gente… antes de eu ter filhos, eu li tudo quanto é revista de psicologia para ser uma boa mãe, aprender como dialogar com eles e bababá bububú. Mas nenhuma tinha esses exemplos especificamente ou nada parecido para eu usar como um guia. Estava tontinha da Silva Takimoto.

– Pode ficar com meu carro, meu filho. – falei pensando na logística de todos nós. – Conte comigo. – disse fofa fofa fofa super mãe miga, descolada e moderninha.

Mas pequei como sempre tagarelando muito mais do que devo:

– O rapaizinho dos bombons vai me pegar em casa na sexta para passearmos.

– Ah não, mãe! Ah não! Promete que não vai ceder para eu poder sair sem crise de consciência! Promete, mãezinha. – implorou Hideo com cara de desespero.

– Mãe, se joga! – disse Nara.

Enfim, eu não sei exatamente o que ando fazendo em relação aos meus filhos. Não sei se posso chamar isso que eles andam recebendo de mim de educação. Dá a entender, quando comparo por aí com outros lares, que o bagulho aqui tem outro nome. Mas uma coisa é certa: não há calça legue que seja mais sincera que a nossa amizade e muito menos parque de diversão que se equipare com o que construí com eles aqui.

E quanto a caixa de bombons que recebi…  Que tudo seja tão surpreendente quanto ela que me fez virar os zóio a cada mordida.

*-*

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas, Educação, Filhos, Hideo, Humor, maternidade, Nara

Procrastinação a Dois.

hideoelk2

– Mãe, você vai correr? – perguntou Hideo, meu filho de 22 anos que está querendo emagrecer, no finalzim da tarde de sexta.
– Vou. Vamos?
– Vamos. – e se deitou ao meu lado.
– Ué. Vamos!
– No três a gente levanta. Pode ser?
– Pode.
– Um, dois…
– Pera. Vai até 13 que eu tenho que pensar numa coisa aqui.
– … 10, 11… Mãe, e se a gente for para o Resenha tomar um chopp com meus amigos?
– Pode ser depois da corrida?
– Ok. Pode. No três a gente levanta então.
– tá.

Me levantei e liguei o ar. Deitei de novo.

– Mãe, por que você ligou o ar? Eu já vou começar a contar até três!
– Escureceu. Será que correr no escuro é bom?
– Mãe, tem luz nos postes. No três, mãe.
– Bora então! Começa logo a contar.
– Mãe, será que não vai ficar muito tarde para depois a gente sair pro chopp?
– Correr de barriga cheia faz mal, né?
– Ué. A gente não ia correr antes?
– Então. De barriga vazia deve ser até pior.

Mas gente…

Moral da História: Quando dois não querem um não faz.

Partiu buteco com filho.

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas, Filhos, Hideo

Arrumando a bagunça. Bagunçando o que está arrumado.

Hideoelk

Eu e Hideo, meu filho lindo de 22 anos, resolvemos fazer uma arrumação no quarto dele que estava um angu de caroço. Saíram quatro sacos imensos de lixo e dois de roupas para doar. Mas a cada gaveta que a gente abria, eu tipo via umas três a dez camisinhas.

– Caraca, Hideo. Tem camisinha pra cacete aqui! – disse literalmente e conotativamente.
– Sabe o que quer dizer isso né, mãe?
– Que você está se precavendo. – respondi de imediato. – Parabéns!
– Mãe, isso são todas as fodas perdidas. Cada vez que saio com uma menina eu sempre esqueço onde enfiei as outras camisinhas e compro mais. Tuuuudo isso é foda não dada, mãe.

Daí que, antes do Hideo nascer, eu li tudo que é revista de psicologia para ser uma boa mãe, aprender como dialogar com meu filho e bababá bububú. Mas nenhuma tinha esse exemplo especificamente ou nada parecido para eu usar como um guia. O que dizer numa hora dessa, gente?

– Entendi, meu filho. Vamos fazer o seguinte. Vamos juntar todas elas e colocar numa caixinha que fica no banheiro. É bom que vai ter camisinha a dar com o pau.
– Puxa, mãe, obrigado.

Como sou fofa fofa fofa, gente. Mas tenho um defeito: exagero. Resolvi dar uma de mãe descolada:

– Inclusive, meu filho, quando mamãe precisar já sei onde pegar. – disse maternalmente.

– Não fode, mãe! Que nojo!

Enfim, se fosse fácil se chamaria tabuada do um e não convivência.

1 comentário

Arquivado em Filhos, Hideo

Férias Corridas

Tirei uma semaninha com meus filhos de férias. Os três aparecem em muitos textos aqui no Minha Vida é um Blog Aberto. Fomos a Florianópolis e fizemos um álbum meio diferente:

Espero que curtam o nosso curta!

Beijo procêis!

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas, Hideo, Nara, vídeos, Yuki

Vida Privada

Mr-Bean-s-holiday-mr-bean-28500295-1366-738

Hideo, meu filho guitarrista e trabalhador, há dias está boladaço com uma casa que ele foi dar aula particular. Na verdade, era um apartamento e bem pequeno. Em um determinado momento, meu filho pediu para ir ao banheiro que era dentro do quarto onde estava a esposa do aluno dele. A esposa estava vestida e coisa e tal, mas continuou no quarto enquanto ele entrou no banheiro. Qual foi o desespero de Hideo ao perceber que não havia porta alguma. Como eles cagam, gente? Um fica olhando o outro? Como pode banheiro não ter porta??? A mulher não vai sair dali? Como assim? Eles são loucos?, repetia essas perguntas que lhe ocorreram na hora para toooooodos que ele contava e recontava a história.

Acabou que, após muito se concentrar, ele fez um xixizão com mulher do cara ali ao lado, depois pediu dá licença para ela e voltou a dar aula achando aquele povo da casa muito estranho.

Ontem, ele contou essa história pela milionésima vez mas pela primeira vez para meu irmão que conhece o tal do cara que vive em um micro apartamento que nem porta no banheiro tem.

– Tony, você já foi naquele banheiro?- perguntou ele indignado.
– Sim. Qual o problema?
– Não tem porta! Como pode o banheiro não ter porta! Como eles cagam, gente? Um fica olhando o outro? – e bababá bububú…

Qual foi a surpresa do Hideo ao ouvir que havia sim uma porta.

Mas era de correr…

E o meu filho é lesado.

Mas gente…

Agora fico imaginando o que a mulher do cara e o cara estão pensando do meu filho.

Moral da história: O julgamento precipitado é sempre uma merda.

2 Comentários

Arquivado em Crônicas, Hideo, Humor

Meu Ventre

filhos2

Yuki, meu caçulinha de oito anos, teve que ser entrevistado para a diretora da Escola de Música dizer se ele poderia ou não ser matriculado na aula de bateria. A entrevista foi hoje, 26 de Fevereiro, às 15h, no Méier. Ele estava nervoso e veio no carro questionando que estava querendo aprender justamente porque nada sabia e que aquela entrevista não fazia sentido. Concordei com ele, mas era protocolo da escola e vamu que vamu.

Ele entrou. Trinta minutos se passaram e eu do lado de fora sentindo como se ele estivesse numa entrevista de emprego.

– Pode entrar, mãe. Me disse a diretora mega séria cheia de óculos e notícias abrindo a porta e segurando-a para que eu adentrasse depois daquela interminável meia hora.

– Nunca vi nada igual, ela assim começou. Ele tirou nota máxima em ritmo, memória, resistência física, compreensão, raciocínio lógico e musicalidade. Essa entrevista é sempre feita para orientarmos os pais a fazer algo que ajude a criança a aprender música. Yuki, para minha grande surpresa, não precisa fazer nada. Seu filho já está pronto. É só lapidarmos esse diamante. E ele é nosso! Você vai fazer essa matrícula agora. O professor já está avisado que ganhou um presente em forma de criança. Mas você me lembra muito alguém. Você é irmã da Nara?

Nara, minha adolescente de dezesseis anos, começou a estudar canto nessa escola e fez um pouco de piano clássico lá também. Hoje faz aulas de Teatro Musical e estuda canto em uma das melhores escolas de música do Brasil com a Chiara Santoro e Mirna Rubim, na zona sul do Rio.

– Cof Cof. Eu sou a mãe da Nara.

Muitas festas, parabenizações e perguntas sobre o paradeiro dela.

– Nara foi a nossa melhor aluna aqui! Ela é outra que tem tudo!!! Já está pronta!

– Meu filho Hideo também estudou aqui.

– Você é mãe do Hideo??? – Hideo, meu primogênito de vinte a tantos anos, chegou a circular também por lá em aulas de canto. Hoje faz bacharelado em guitarra no Conservatório Brasileiro de Música.

– Caramba! Que ventre é esse, menina? Parece um palco! Não há nascimentos e sim estréias!

Vou dizer uma coisa para vocês…Chorei. Ventre que é palco foi lindimais de ouvir.

Que meus filhos continuem tornando o mundo um lugar mais agradável de se viver. Para tanto, todo o meu tempo e meu dinheiro continuarão sendo usados de forma prioritária para que eles continuem consumindo arte e aprendendo a fazê-la.

Estou extremamente orgulhosa e feliz!

filhos

2 Comentários

Arquivado em Crônicas, Educação, Filhos, Hideo, Nara, Yuki