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Coitado do Vitor…

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Nara, minha filha adolescente, ontem veio me falar que vai passar o fim de semana fora acampando com os amigos em um sítio em Xerém.

– Quem vai? – perguntei porque sou mãe e tenho que saber das budega toda.
– Marina, Pedro, Mateus, Vitor, e eu. – respondeu ela prontamente.

Pensei um pouco e falei:

– A conta não está fechando…
– Mãe, que conta?
– Três meninos e duas meninas. Alguém vai sobrar…
– Mãe, não tem conta. Vou com meus amigos. – Disse ela seriamente me olhando como se eu fosse um sei lá. Um ET.

Fiquei chocada com a ingenuidade de Nara que vai fazer 18 anos em março! Não é possível… muito lerdinha…

– Isso não existe, minha filha. – tentei explicar mantendo a calma. – Quando a gente sai para acampar com os amigos na adolescência , como diria de uma forma que você me entenda…, quando a gente acampa na adolescência com os amigos… a gente… Tipo… Coitado do Vítor. Vai sobrar…
– Mãe, eu vou ficar com a Marina.

Que bom que Nara é normal. Que susto viu…

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Caixa de Bombons

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Ontem a noite, em plena terça-feira depois de minha aulinha bombadésima de dança de salão na Tijuca, fui pegar Nara e Hideo, meus filhos de 17 e 22 aninhos, na Freguesia onde eles estavam ensaiando para a peça que entra em cartaz no próximo final de semana “Cabaré Opus305”. Vale observar que em 2015, depois do término de um casamento de mais de vinte anos com meu primeiro namorado, passei por uma crise de depressão que me imobilizou durante quase seis meses e a dança de salão foi usada como remédio. Super funcionou. Agora tenho um novo grupo de amigos, já consegui ir ao cinema sozinha pela primeira vez na vida e tenho feito o que der na telha. Sair ou ficar em casa são coisas que atualmente faço em paz. Povoei, enfim, o meu deserto.

Pelo fato de eu ter me reerguido e voltado a viver com alegria, novidades andam acontecendo. Pessoas têm se aproximado e eu tenho permitido. Enquanto estava me sentindo extremamente só, evitei ao máximo qualquer tipo de contato, principalmente com homens. Viver a dor da solidão foi necessário e eu sabia disso. Caso contrário, ia cometer a mancada de sair por aí buscando alguém que me complete, a famosa outra metade, e acredito que para viver a dois, antes, temos que ser um inteiro.

Isso posto ainda que de forma extremamente resumida, ontem ganhei uma caixa de bombons e, voltando ao primeiro parágrafo e conectando as histórias, assim que Nara e Hideo entraram no carro, eu mostrei para eles o regalo toda feliz e contente.

– Vejam! Vejam! O crush está se chegando esbanjando fofura!

– Qual deles? – perguntou Nara que é giga antenada com tudo o que acontece comigo. – O que nasceu em 20 de janeiro ou 19 de Fevereiro?

Nara agora anda nessa de astrologia para meu total desgosto. Eu, como amante de física e ciências em geral, chegada a uma lógica e a uma coerência, abomino qualquer religião. Imagina se euzinha aqui mega inteligente vou aceitar a ideia de que meu comportamento pode ser moldado pela posição dos planetas… Aff. Mas história que segue:

– O que nasceu 20 de Janeiro às 10:40h da noite com ascendente em Aquário.- respondi.

– Você sabe que os capricornianos com esse ascendente são meio desapegados, não?

– Nara, perceba a fofurice. Ganhei bombons agora pouco e durante o dia ganhei coraçãozão no uátisápi. E todo mundo sabe que emoticon de coraçãozão é para começar a escolher a decoração da igreja.

– Mãe, precisamos conversar. Chegou a hora de termos um papo reto. Conversa séria. – disse Nara com um tom hiper assustador.

– Pode falar.

– Os homens costumam se aproximar da gente quando querem sexo. Fazem gracejos, dão bombons, flores, mas eles querem sexo, ok? Essa história de príncipe encantado não existe, certo? Isso é conto de fadas, mãe. A realidade é outra!, você está me entendendo?

– Nara, nem todos os homens são assim, minha filha. – expliquei para ela olhando para o céu estrelado pela janela do carro.

– Mãe, caraca!, me ouve. Depois você vai sofrer e vir para mim toda bagação. Ouve a sua filha que tem mais experiência que você. Sua vida, mãe, está apenas começando e eu tenho a obrigação de abrir os seus olhos!

– Mas, Nara, ele tem sido tão atencioso…

– Claro que sim, mas que fique claro o motivo! Daí, se você quiser ir aos finalmentes tudo bem. Mas não vai iludida pelamordedeos!

– Minha mãe não faz sexo, Nara! – gritou, de repente,  Hideo que estava dirigindo.- Minha mãe é uma santa! Parem com essa conversa que eu vou surtar e eu não tenho dinheiro para terapia! Minha mãe não faz essas coisas! E mudem de assunto que eu quero falar algo importante com vocês. Mudem de assunto!!!!

– Pera que ainda não terminei com ela. – interrompeu Nara cheia de atitude – Mãe, e embora eu saiba que você tenha as trompas ligadas, você tem que usar camisinha. Você vai me prometer que vai usar camisinha. Não se iluda com o perfume dele e nem se ele sair do chuveiro para cima de você com cheirinho de sabonete!

– Ai que eu vou surtar com essa conversa! Nara, minha mãe não precisa desses conselhos! Minha mãe não vai passar por isso!!! – urrava Hideo. – Né, mãe?

– Hideo, cala a boca! – salvou-me Nara. – Mãe, ouve: você não se iluda com homem cheiroso, está me entendendo? Você não sabe por onde ele andou!!! Doença sexualmente transmissível não é brincadeira.  Você para com essa mania de ficar sonhando, por favor! DST é uma realidade que temos que encarar nesse mundo que você está entrando!

– Que entrando, Nara! Só ganhei uns bombons e estou feliz. Só isso!

– Ai meodeos, mãe!, não é só isso!!! Onde foi que eu errei com você que você não consegue enxergar as coisas mesmo eu sendo clara???  Promete pelo menos para mim que vai ficar esperta?

– Ok. Prometo. Pode falar agora, Hideo.- cortei para o Hideo já que estava ficando desconcertada com aquela conversa.

– É o seguinte – começou ele animado – pintou uma oportunidade de eu transar na sexta mas eu preciso que você me empreste o carro para isso. – explicou assim o problema com a maior naturalidade.

Mas gente… antes de eu ter filhos, eu li tudo quanto é revista de psicologia para ser uma boa mãe, aprender como dialogar com eles e bababá bububú. Mas nenhuma tinha esses exemplos especificamente ou nada parecido para eu usar como um guia. Estava tontinha da Silva Takimoto.

– Pode ficar com meu carro, meu filho. – falei pensando na logística de todos nós. – Conte comigo. – disse fofa fofa fofa super mãe miga, descolada e moderninha.

Mas pequei como sempre tagarelando muito mais do que devo:

– O rapaizinho dos bombons vai me pegar em casa na sexta para passearmos.

– Ah não, mãe! Ah não! Promete que não vai ceder para eu poder sair sem crise de consciência! Promete, mãezinha. – implorou Hideo com cara de desespero.

– Mãe, se joga! – disse Nara.

Enfim, eu não sei exatamente o que ando fazendo em relação aos meus filhos. Não sei se posso chamar isso que eles andam recebendo de mim de educação. Dá a entender, quando comparo por aí com outros lares, que o bagulho aqui tem outro nome. Mas uma coisa é certa: não há calça legue que seja mais sincera que a nossa amizade e muito menos parque de diversão que se equipare com o que construí com eles aqui.

E quanto a caixa de bombons que recebi…  Que tudo seja tão surpreendente quanto ela que me fez virar os zóio a cada mordida.

*-*

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Enem 2015

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Lembre-se: Não há motivos para ficar nervoso com a prova do ENEM. É apenas a sua carreira, sua vida, o amor de seus pais, e a sua inteligência que está em jogo. Fique de boa e Boa Prova!

1- (Enem-2015) Você está a 3 metros do fluxo e avista uma novinha acelerada a 180 graus da corrente. De acordo com as leis de Newton e a constituição federal, o que ela quer?
(A) pau
(B) Respeito
(C) Atrito
(D) Impeachment

2- (Enem 2015) Sabendo que você passou o ano inteiro fazendo postagens de signos, marque a opção correta:

(A) Gêmeos univitelinos se desenvolvem a partir do mesmo espermatozóide.
(B) Um corpo boiando em Aquário sofre um empuxo maior que seu peso.
(C) Peixes respiram engolindo água e as brânquias ajudam a absorção de gás carbônico.
(D) Libra é medida de massa e não de peso.

3-  (Enem-2015) Devia ter:

(A) amado mais.

(B) chorado mais.

(C) visto o Sol se por.

(D) estudado mais.

4- (Enem-2015) De acordo com a constituição do povo brasileiro, marque a opção correta:

(A) Se Dilma cair quem assume é o Aécio.
(B) Se Temer cair quem assume é o Aécio.
(C) Se o Vasco cair quem assume é o Aécio.
(D) Se o dólar cair quem assume é o Aécio.

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Vida Privada

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Hideo, meu filho guitarrista e trabalhador, há dias está boladaço com uma casa que ele foi dar aula particular. Na verdade, era um apartamento e bem pequeno. Em um determinado momento, meu filho pediu para ir ao banheiro que era dentro do quarto onde estava a esposa do aluno dele. A esposa estava vestida e coisa e tal, mas continuou no quarto enquanto ele entrou no banheiro. Qual foi o desespero de Hideo ao perceber que não havia porta alguma. Como eles cagam, gente? Um fica olhando o outro? Como pode banheiro não ter porta??? A mulher não vai sair dali? Como assim? Eles são loucos?, repetia essas perguntas que lhe ocorreram na hora para toooooodos que ele contava e recontava a história.

Acabou que, após muito se concentrar, ele fez um xixizão com mulher do cara ali ao lado, depois pediu dá licença para ela e voltou a dar aula achando aquele povo da casa muito estranho.

Ontem, ele contou essa história pela milionésima vez mas pela primeira vez para meu irmão que conhece o tal do cara que vive em um micro apartamento que nem porta no banheiro tem.

– Tony, você já foi naquele banheiro?- perguntou ele indignado.
– Sim. Qual o problema?
– Não tem porta! Como pode o banheiro não ter porta! Como eles cagam, gente? Um fica olhando o outro? – e bababá bububú…

Qual foi a surpresa do Hideo ao ouvir que havia sim uma porta.

Mas era de correr…

E o meu filho é lesado.

Mas gente…

Agora fico imaginando o que a mulher do cara e o cara estão pensando do meu filho.

Moral da história: O julgamento precipitado é sempre uma merda.

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Qual o WhatsApp do Cachorrinho?

sonho

Hoje, Nara, minha filha cheia de dezessete anos, me contou uma história que vivenciou ontem depois que perguntei para ela porque ela estava rindo sozinha. E ouvi mais ou menos isso:

Ai, mãe!, encontrei o amor da minha vida! Fui buscar Marie Curie no veterinário e quando estava voltando bem devagar porque Marie estava operada uma porta se abre lentamente de uma casa voltada para a rua, exatamente quando eu estava passando.

Fiquei olhando a porta se abrir…

Um cachorro dourado enorme, maravilhoso, peludão sai e logo atrás dele o amor da minha vida! Ele, também enorme, maravilhoso e peludão me deu um sorriso lindo!!! Sem que eu perguntasse, ele me falou:

– Ele não morde. – E me piscou com aqueles olhos cheios de verde esperança.

Ai ai… E o dono…também parecia que
nasceu para me dar carinho…

– Ele tem whatsapp? Ele votou em Aécio ou Dilma? Ele gosta de ler o quê? O cachorrinho estuda onde? Ele gosta da série Sherloque Holmes? O cahorrinho lindo gosta de vacas ou as come? Qual o signo do cachorrinho fofo?

Enquanto olhava para ele hiper piscante, sonhando com as nossas futuras viagens mega românticas, rindo por nada, só pelo fato de ele existir no mundo e atravessar o meu caminho com um cachorro lindo e me trazendo tantos sonhos lindos, Hideo chega e fala antipaticamente empurrando as minhas costas.

– Bora, Nara.

Com a delicadeza do Hideo quase caí e quando acordei o amor da minha vida estava todo sem graça, certamente sem saber como lidar com as minhas gargalhadas saídas assim do nada, só de vislumbrar as respostas para todas aquelas ingênuas perguntas.

Fiquei pensando como seria os filhotes da Marie com aquele cachorro lindo… Depois me lembrei que voltava com ela do veterinário justamente por ela ter sido castrada e que não fazia sentido perder tempo pensando então nos meus netos peludinhos.

Meus sonhos, porém, estão longe de um bisturi, mãe. Por isso cá estou eu, contando para você sobre o amor da minha vida.

Ai ai…

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Bom dia! Não. Pera…

maquiagemcarro

Hoje acordei dez minutos atrasada. Foi o suficiente para minha vida virar do avesso e eu passar por momentos que se equiparam a um verdadeiro pesadelo.

O caminho de casa até o trabalho não é longo mas é engarrafado. Muito engarrafado. Giga engarrafado. Então, eu geralmente deixo para tomar o meu café no carro e acabar de me arrumar dentro dele que está já devidamente preparado cheio de bijouterias, perfume, acetona e esmaltes. Se o Takimóvel tivesse banheiro, daria para ir fazendo outra série de coisas no caminho e dormiria até mais tarde.  Mas vá lá. Está bom e vai ficar ainda melhor quando arrumar uma torradeira que possa ser ligada na bateria do carro. Serão mais 2 min e 43 seg que poderei ficar na cama. Maravilha.

Mas fato que hoje acordei atrasada e fiz tudo muito rapidamente como fazem aqueles que estão mega apertados para fazer xixi. Lembrei de pegar o pão, a faca e o catupiry para passar no pão. Peguei a caneca com café quentinho e os livros que usaria para dar aula. Fiz tudo isso correndo pra lá e para cá dentro de casa já no salto alto. Entrei no carro e vim me embora. Beleza.

Porém, quase chegando no cefet parei para abastecer o Pafúncio, nome dado ao Takimóvel, quando me dei conta que havia esquecido minha bolsa com dinheiro e documentos. Nada demais. Estava hiper calma até aí já que esse tipo de coisa se resolve fácil com um telefonema ou simplesmente não se resolve e é só rezar que a gente se livra da blitz. O pior e o que me fez entrar em desespero é o que vou lhes contar agora e só as lindas me entenderão. Eu também deixo para me maquiar no carro e o reboco dessa fuça estava todo lá. Na bolsa que eu havia esquecido lááááá em casa.

Problemaço nível perder filho na praia. Imagina dar aula olhando para quase cinquenta alunos sem rímel e sem batom? Já imaginou a desgraça?

Nara havia dormido na casa do pai. Era a minha esperança. Ela estuda na mesma escola em que eu trabalho e tinha que chegar no mesmo horário que eu.

– Alô! Nara! Você não sabe o que me aconteceu! Socorro! Esqueci minha bolsa em casa!
– Ai, mãe, que desgraça! Andando na rua sem documento e sem dinheiro!?! E agora???
– Que dinheiro mané dinheiro! Você está com a sua bolsa de maquiagem na sua mochila?
– Ih, mãe. Eu super estou, mas vou chegar atrasada.
– Quando chegar vai direto para o estacionamento. Tem rímel?
– Mãe, eu disse que vou chegar atrasada.
– Então, estarei te esperando no carro. No estacionamento! Deitada no banco para que ninguém me veja! Corre que hoje tenho que dar uma aula giga importante! Beijo!

Ai. Grazadeus tenho a Nara… Amém.

Enfim, Nara chegou correndo e suada para me ajudar, passou um delineador em mim como só ela sabe passar, bem fininho quase imperceptível, passei o primer (um creme transparente que serve para não sei o quê), depois uma base bem natural com BB cream e batom cor de boca hiper cor de boca mesmo só para dar um toque. Pronto. Podia sair do carro e ir para o mundo que me esperava lá fora. Estava linda.

Como disse, foram momentos de terror e agora vocês super me entendem. Mas depois que Nara apareceu, eu saí do carro com os cabelos esvoaçantes no salto alto. E assim fui andando até a minha sala me sentindo a Gisele Bitchein no comercial da L’Oreal.

Mal dou bom dia para a turma um aluno lá atrás levanta a mão e me diz:

– Professora, sua blusa está do avesso!

É isso, gente.

Espero que o dia de vocês tenha começado melhor do que o meu.

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Manifestações na Cozinha

Bolo-de-cappuccino-para-o-Natal4

Estávamos vendo notícias na cozinha sobre as manifestações com a Nara, minha filha adolescente, fazendo pela primeira vez cookies com a ajuda da vovó.

– Vai dar merda… – Falei.
– Mas, mãe, eu segui a receita! Só confundi o bicarbonato com fermento, mas vai dar certo! – Nara protestou.
– Estou falando do Brasil.- Justifiquei.
– Está bonito! – Explanou vovó.
– Não falei, mãe!, vai dar certo o cookie! – Exclamou Nara olhando para os biscoitos todos tortos na fôrma antes de entrarem no forno.
– Estou falando das manifestações. – Disse vovó.
– Está tudo colorido! – Falou Nara mega feliz.
– Tudo amarelo. – Corrigiu vovó.
– Estou falando dos cookies! – Nara disse olhando para os biscoitos enfeitados com confetes de chocolate.
– Vai dar merda. – Falei.
– Você está pessimista com o Brasil, Elika! – Atentou minha mãe.
– Estava falando dos cookies… – Expliquei.

E assim ficamos nós nesse papo esquizofrênico divagando e tentando adivinhar o futuro próximo e o distante.

Os cookies da Nara ficaram ótimos, de fato. Quanto ao resto, estamos – a despeito do meu pessimismo – ainda todos na torcida.

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