Arquivo da categoria: poesia

Lista de Afazeres

lista-de-compras-nao-esquecer

Lembrar-se de:

– Apagar as contas.

– Ir ao banco e sentar.

– Colocar o lixo lá fora.

– Corrigir prova e a postura.

– Alimentar o gato e as borboletas.

– Regar as plantas e a auto-estima.

– Arrumar o armário e bagunçar o coreto.

– Comprar presente e se livrar do passado.

– Trocar a lâmpada do banheiro e do pensamento.

– Rasgar os rascunhos e as lembranças que imobilizam.

– Botar para consertar e botar para quebrar.

– Livrar-se das roupas velhas e da culpa.

– Pagar a conta de luz e não apagá-la.

– Lavar o carro e secar as lágrimas.

– Estender a roupa e passar bem.

– Cortar o cabelo e pintar o sete.

– Correr e parar o relógio.

– Esquecer e aquecer-se.

– Amar-se.

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A mente mente o tempo

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Engana-se o tempo.

A minha idade não se mede

pelos anos idos.

Eu não vivo por extenso.

Meço-me pelas explosões.

Pelo aproximar dos corações.

E pela intensidade dos momentos.

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Dia da Criança

criança

A mãe dirigia apressada 
quando o menininho 
no banco de trás perguntou:
E se você atropelar um pombo?
A mãe falou que havia vários.
E continuou cheia de atrasos.
E se você atropelar um pombo feliz?

A mãe teve branduras,

afetos, ternuras

e vagarezas.

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Invernos Verão Primaveras

primavera4

Cá estão os bichinhos de luz

querendo antecipar o verão.

Sempre que eles entram

e ficam volteando a lâmpada acesa,

aqui em cima da minha cabeça

por maior que seja a minha distração

assusto-me.

Já é dezembro?

Não, seus danados.

Voltem!

Voltem que é muito cedo, sim?

Eu ainda nem vivi a minha primavera!

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Das Paixões

cataratas

Os apaixonados
passam por um período de pôr
do Sol e inspiração
para cigarras
Se interessam pela selvageria
das palavras
Lecionam gaivotas
E quanto às luas ?
Libélu-las
Estreitam as tardes de outono
desenhando cheiros das obras-primas
Portanto, primaveram
comungam, palomam
conjugam
Se eu flor, se tu flores
nos florescemos
Independem do lugar
pois são encontrados sempre
por poetas
Têm predomínio por árvores
que se movem
com a Terra. Amanhecem
a qualquer hora da noite
Preferem viajar
com gestos ao invés de avião
Borboletam-se com os olhos
que se fecham
para ver as Cataratas do Iguaçu
No átimo do ápice do ótimo
Do gozo
Do amor.

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Ontologia do Meu Ser

ricci4

Gosto de ver as rãs sendo equilibradas por passarinhos
e os urubus pelas formigas vestidas de verão.

Almejo descobrir que gosto tem as joaninhas para as margaridas
(Sabor de brinco?).

Queria poder engolir os fiapos de Sol do inverno
Adaptar-me a dimensão da luz que brota das tartarugas e dos caramujos
Ouvir o barranco lodoso
Comungar Suassuna aos domingos
E no equinócio, as estrelas corajosas
Assistir a maçã mastigando Adão lentamente.

Gostaria de ter um lugar
Para ser um grilo rosa
E me entupir com o som das mudas.
Acredito que pelas frestas consigamos ver
Como as palavras tiram retratos dos pintores
E como os problemas que dormem nos livros de física possam ser resolvidos
com uma dança ao som dos pólens
E os que despertam nos livros de matemática
com cambalhotas dadas pelos girassóis.

Queria entender por que determinadas noites usam muletas
Se depois correm tanto  pelo Universo

Sou como um sabiá em um terreiro.

Sinto-me plena quando não estou.

O meu lugar é o outono carioca.

E o meu melhor dia é ontem – o presente
embrulhado em papel de eternidade.

 

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A pintura que ilustra a poesia é obra do artista Sérgio Ricciuto

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Velocidade Congelada.

estátua estátua2

As estátuas
que simulam movimento
possuem algo
de mágico.
Paradoxal.
E vejam esses
Meninos Pulando
Rindo
da gravidade!
Eternizou-se
um movimento
alegre.
Daí, a gente
que é gente
fica parado
como uma estátua
vendo todos
os deslocamentos.
E bate uma animação
do nada assim
só de ficar olhando…
Talvez, por querer,
lá no fundo d’alma,
onde os sonhos descansam,
descongelar a tal da velocidade e,
por tabela,também
a felicidade.

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