Iti Malia Luiza, Márcia e seu Lúcio.

Já falei muito sobre a Márcia aqui, a pessoinha que conheci que ajuda pessoas em situação de rua há mais de 20 anos. Hoje quero falar da Maria Luiza, a netinha da Márcia de quatro anos.

Maria Luiza cujo nome completo é Iti Malia Luiza acompanha a avó em várias atividades.

Para a criança que cresce em um ambiente repleto de pessoas que não têm sequer onde dormir, a forma de olhar o mundo é outra. O conceito de amor, beleza e amizade que Maria Luiza já tem em sua cabecinha é bem diferente do que vemos nas novelas.

Márcia fica doida com Maria Luiza que não para quieta. Vejam vocês, outro dia a menina saiu do carro da vovó, viu um guardador de rua imundo, fedorento e não pensou duas vezes. Correu para lhe dar um abraço e conversar com ele.

Quando Márcia olhou, a neta já estava agarrada na perna do homem que, ao ver o rosto da avó, colocou as mãos para cima assustado dizendo – no olhar apavorado – que foi Maria Luiza que havia tomado a iniciativa daquela união.

Márcia não pensou duas vezes. Deu uma bronca daquelas.

Na Maria.

– Maria! Você sabe lá se ele quer esse abraço? Quantas vezes já te falei que não pode sair abraçando as pessoas assim, Maria Luiza? Perguntou a ele se podia abraçar antes? Desculpa, moço, ela é muito levada!

O moço que se chama Lúcio abriu um sorriso como aqueles que veem o garçom chegando com a comida.

Maria Luiza aprendeu a abraçar as pessoas que gosta. Ela já sabe que a verdadeira beleza é coisa que não se vê e sim que se semeia.

E seu Lúcio tem conhecimento, como qualquer ser humano, que muitas dores se dissolvem com um abraço e que é no abraço, mais do que qualquer outro gesto, que as pessoas se encontram e se gostam.

Mas seu Lúcio sabe mais do que isso.

Sabe que um abraço pode ser dado sem que dois corpos se encontrem e que Márcia quase lhe quebrou uma costela.

Por quem as sementes florescem?

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Aconteceu, gente. Eu vi uma forma de felicidade. Vou tentar descrevê-la.

Perdi a noção um dia e convidei Maria Gadu para cantar para pessoas em situação de rua que Márcia ajuda há mais de 20 anos ali em São Cristóvão (Rua Bela, 795). Fiz o pedido como aqueles que nos estendem a mão nas calçadas esperando uma moeda.

Qual foi minha surpresa ela aceitou de pronto!

A data seria especial: nossa festa de Natal.

Ontem preparamos, com tudo o que foi nos doado (inclusive por muitos de vocês) uma ceia maravilhosa e Maria Gadu cantou lindamente para um público bem diferente do qual ela está acostumada. Maria Gadu cantou com a alegria de uma mãe batendo palmas no aniversário de um filho.

Hideo, meu filho músico, deixou tudo preparado para ela no palco que veio direto de São Paulo para nossa festa. Mal Gadu sentou e pegou no violão, pediu para que Hideo ficasse ao lado dela.

Réchi tégui emocionada

Yuki também se apresentou ao lado da Gadu porque Hideo achou que seria legal o caçula aproveitar a oportunidade. Cedeu a vez para o irmão como um faminto que divide um prato de comida.

Réchi tégui chorei baldes

Gadu emocionou demais.

Vou colocar aqui uma mensagem que mandei para ela por Whatsapp assim que ela topou, eu anunciei nas redes a novidade e algo aconteceu:

“Oi, Gadú. Vou falar uma parada aqui para você.

Sou muito sem noção. Eu sei. Esse negócio de ser suburbana me fez ficar assim. Acho que foi isso.

Conheci a Márcia no ano passado. Ela trabalha com pessoas em situação de rua há 20 anos. A bicha tem é história viu.

Me senti uma ameba diante dela. Uma vida dedicada a ajudar o outro.

A população vulnerável aumentou. Comecei a entrar em desespero quando vi tudo de perto e a pedir socorro nas minhas parcas redes que cresceram sabe Deus por quê.

Pede daqui pede dali e a gente vai dando conta com o que conseguimos do nosso jeito.

Daí fui falar com você. Você topou. Nenhuma data amarrada ainda em nome de Jesus mas Deus viu nossa boa vontade (Digo isso desse jeito por retórica porque sou ateia por parte de pai).

Daí, feliz que estava, compartilhei a novidade na rede. “Maria Gadú topou cantar para a galera, gente”. Não falei em data. Não falei mais nada. Disse isso. Desse jeito.

Um fenômeno aconteceu.

Pessoas se prontificaram a ajudar também. Mas muitas! Pencas de pessoas! Epidemia de gente do bem. Enxame de amor. Coletivo de luz. Impressionante.

A associação passou o dia todo recebendo ligações. Doações já começaram a aparecer.

Estamos falando para as pessoas que estão entrando em contato que se você for, não será aberto ao público de fora e sim só para as pessoas que frequentam o local.

Não importa. Geral quer ajudar mesmo assim porque Maria Gadú isso Maria Gadú aquilo amo Maria Gadú…

Estou te contando tudo isso porque estou impressionada com o que estou vendo aqui. Sei que você é uma artista e tanto e não é isso que me surpreende, digo, as pessoas te amarem.

Estou impressionada com a mobilização e a força de um(a) artista para fazer o bem (ainda que nada aconteça, a dizer, o show em si).

Espero que você conheça a Márcia e as pessoas que trabalham ajudando outras. Espero que você possa cantar e emocionar quem nada tem.

E ainda que tudo tenha sido um sonho doido da minha cabeça, quero te agradecer pela confiança e por você existir.”

Ela estava em turnê internacional quando lhe fiz o convite e, alguns dias depois, mandei a mensagem acima.

Verdade foi que conseguimos tudo bem antes do dia da festa que foi ontem. Teve comida, roupa, enfeites, tudo! A festa já seria perfeita mas, ainda assim, Deus nos mandou Maria Gadu. Agradeci em silêncio sorrindo olhando tudo como aqueles que acreditam Nele, pois o que seria lindo teve um quê de divino.

No carro, saindo do evento, ela me contou uma coisa: no dia em que recebeu o meu convite, ela estava muito triste lá em Portugal por estar longe de casa e ter recebido uma notícia extremamente ruim sobre a perda de uma amiga.

Disse para mim, a seguir, que a minha mensagem equilibrou seu universo particular e me agradeceu muito por isso com a cabeça encostada no meu ombro.

Chorei disfarçadamente como aqueles que, depois de muita suspeita, deparam-se com uma prova esperada.

Era isso e muito mais que queria compartilhar com vocês hoje. Tem algo além que as palavras não alcançam mas espero que vocês consigam captar daí.

O amor é muita coisa, gente.

A arte resiste. E, de fato, faz um bem danado para nossas vidas.

Obrigada a todas as pessoas que contribuíram para a realização dessa festa de um jeito ou de outro.

Obrigada, Márcia, pela oportunidade de me fazer crescer tanto ao lado dos meus filhos.

Obrigada, Maria Gadu, por ter confiado em mim e por existir.

Para finalizar, as pessoas em situação de rua precisam de ajuda o ano todo. Toda as quartas, faça chuva com enchente faça chuva sem enchente aqui no Rio, estamos na rua Bela em São Cristóvão oferecendo oportunidade para banho, roupas limpas e um jantar para quem lá chegar.

Como vocês sabem, o número de gente sem casa aumentou muito e precisamos de doações sempre. O ano todo.

Independente de Natal, se você quiser doar roupa, comida e tempo para ajudar, só chegar lá. Faço esse aviso como aqueles que compartilham a descoberta de um curso gratuito.

Deixo aqui o celular da Márcia para quem quiser maiores informações 21 98627 5163

Foi lindo, gente. E há de ser sempre assim. E, se tudo correr bem, com menos caridade e mais políticas públicas.

O amor resiste porque viver só não basta. E floresce porque as sementes servem para isso.

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Educar sem rumo

Quando Yuki nasceu, resolvi falar com ele sem significados. De vez em quando, eu me comunicava com meu caçula assim como as chuvas conversam com as rinites.

Na terça-feira, ao ver uma pomba atropelada no asfalto falei:

– Veja que desgraça, meu filho. Mas ainda podia ser pior. Imagina se a pomba era feliz…

Yuki compreendia com a imaginação, não julgava meus absurdos e nunca questionou meus passeios verbais.

Um dia, visitando esses lagos cheio de peixes, vimos pessoas dando comidinhas para verem aquelas criaturas sem pernas se aproximando. Peguei o resto da minha água e joguei com cuidado perto do cardume guloso.

– Sempre gosto de beber água quando como alguma coisa. Vai que alguns peixes são iguais à mamãe.

Yuki ria não por entender o que é a maluquice e sim a bondade.

Quando fomos à praia perto do Natal, ficamos até o pôr do Sol. Peguei uma pedra com cuidado que estava meio avermelhada pelo reflexo do fenômeno e disse.

– Olha que lindo. Esse é meu presente para você de Natal. O pôr do Sol registrado nessa pedra. Você pode molhar. Não tem problema. Esse pôr do Sol lindo aê está já para sempre nela.

Yuki guardou com cuidado a pedra.

Meses depois, no sítio de um amigo, ele quis retribuir o presente e me deu uma outra pedra.

– Onde cê pegou isso, menino?

– Ali. No laguinho do tio Luís.

– E se for de algum peixe?

Yuki respondeu que o peixe iria pensar que a pedra foi levada por um extra terrestre.

– Extra do lago, corrigi.

Percebi o quanto é bom agir como as árvores. Percebam: os passarinhos comem seus frutos e elas se alegram toda quando eles estão por perto.

Daí que Yuki foi crescendo. Curioso como todo menino que nasce e cresce. Percebeu que eu gostava de prosa e de pesquisa. Quando tinha alguma dúvida sempre anunciava:

– Mãe, quero te oferecer uma pergunta.

Numa tarde incomum, assim como são todas as manhãs, eu estava lendo Jorge Amado na minha cama. Deixei o livro aberto no travesseiro e fui fazer coisas que as mães fazem quando não estão escrevendo. Yuki passou pelo quarto e veio me avisar que havia fechado o livro, não sem antes marcar a página em que havia parado.

– Mãe, o Jorge Amado estava falando sozinho no seu quarto. Coloquei seu marcador e deixei ele quietinho te esperando.

Era quarta. Fazia Sol em alguns lugares e poesia em Madureira.

Porque deleite é educar sem rumo.

A quem a gente agradece?

Depois que eu
havia arquivado
a esperança
E julgado
o sexo bebida
de quem tem sede
Deparei-me
com um sonho
em segurança
Que surgiu
como um sono
em uma rede.

Pipo foi isso:
o encaixe
não previsto
Que distante,
eu completa,
a paz padece
Quando perto,
vou falar
e já me dispo
Porque o sexo
não mais
com sede
se parece.

Não é troca
muito menos
uma dança
O que entre
o ator
e a professora
acontece
Não é permuta
muito menos
liderança
Há duas almas
se libertando
em várias preces.

Eu ateia
ele ateu
vejam a lambança
Por esse tesão
infinito
divino
que entorpece,
Pela esperanca
ressuscitada
várias vezes
E a chegada
da primavera
em nossa cama
a quem,
meu deus,
se agradece?

Abençoe, Senhor

Deus, abençoe minha gordura localizada, minha falta de coragem e minha hiperatividade.
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Deus, abençoe meu divórcio.
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Deus, abençoe minha preguiça, minha gula, minha pressa e minhas manchas de Sol.
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Deus, abençoe meus tombos,
minha incompetência e minhas insistências.

Deus, abençoe a minha teimosia porque dependendo do resultado vira perseverança.
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Deus, abençoe minha indisciplina, minha inapetência e meus desequilíbrios.
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Deus, abençoe minha deselegância, minha impaciência e meus inimigos.
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Deus, abençoe também minha rebeldia e minha descrença em Ti.

Abençoe minhas dúvidas, meus erros, meus defeitos e meus livros.

Sem eles não seria nada.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Amém.

Respeitem a moça

Estou vivendo uma experiência bem diferente comigo mesma. Desde que me entendo como mulher nessa sociedade doente, pinto as unhas, a cara toda (primer, corretivo, base, lápis, sombra, pó, rímel…) e, há uns dez anos, taco tinta preta nos cabelos com cada vez mais frequência.
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Abri mão de tudo de uma só vez.
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No início, foi por preguiça. Estava cansada. Depois, fui fazendo uma conta que nunca havia feito e comecei a ficar assustada em quanto gastei para “parecer linda”. Percebi que ganhei umas quatro horas por semana e investi em leitura. Depois fiquei surpresa com a quantidade de cabelos brancos que tinha do lado direito. Assim, por fim, quero saber como sou. Agora é por curiosidade.
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Não é nada fácil esse processo já que dou aula, palestras, viajo a beça, tiram foto comigo e há espelhos por onde passo. É difícil se olhar sem os disfarces.
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Por outro lado, é libertador andar por aí com a cara de quem saiu da cama e bastar estar limpa e vestidinha para os eventos. Estou me sentindo linda? Não. Muito pelo contrário. Mas está tudo bem.
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Tenho me alimentado com muito cuidado. Estou estudando como sempre e como nunca, aprendendo libras, pedalado toda semana e há pessoas me perguntando porque não estou me cuidando.
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Maldito sistema em que as mulheres têm que parecer sempre mais novas do que são e mostrar que estão se esforçando para isso.
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Não sei quanto tempo vou aguentar porque não temos o direito de ser feliz como falam por aí.
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Mas saibam que se me virem na rua com a cara desta foto, estou transformando o futuro do pretérito em futuro do presente. E isso é um tipo de revolução.
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Chutar o balde nem sempre é sinal de fraqueza. Por vezes, pode ser um ato de coragem.

Respeitem a moça.

ENEM 2019

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Foto: Bárbara Lopes

Enem 2019

Física

1 -Qual das situações a seguir temos o plano bem inclinado?

(A) Rampa do Planalto

(B) Pegar provas do crime 

(C) AI – 5

(D) Reforma das leis trabalhistas 

(E) Inventar fake news todo santo dia.

 2 –Gato de Schrodinger trata-se de uma experiência imaginária na qual um gato está vivo e morto ao mesmo tempo. Qual das opções a seguir representa melhor o Gato de Schrodinger?

(A) Democracia.

(B) Natal em família

(C) O povo

(D) Ciro Gomes.

3- Sabemos que a força de atrito depende da natureza das superfícies de contato. Sabendo disso, qual o contato cuja força de atrito vai ser a maior?

(A) Entre Bolsonaro e a verdade

(B) Entre Bolsonaro e o PT

(C) Entre Bolsonaro e o PSL

(D) Entre Bolsonaro e Alexandre Frota 

(E) Entre Bolsonaro e a Democracia

4 – Força é:

(A) massa na oração

(B) massa mais televisão.

(C) massa apoiando corrupção.

(D) massa vezes indignação .

Biologia

Um casal formado por um homem macho super hétero (XY) e uma mulher recatada e do lar (XX), ambos de direita, formam uma família tradicional brasileira. Que características eles passarão para seus herdeiros?

(a) hipocrisia

(b) ódio

(c) preconceito 

(d) pontaria

Matemática

Considerando que a área do Brasil é de aproximadamente 8 515 767 km2, calcule quantas pessoas filiadas ao PT são necessárias para implantar o comunismo em todo o território nacional.

 

As questões a seguir foram revisadas e modificadas pelo governo Bolsonaro:

Português

Leia o trecho abaixo de uma música feita por um comunista artista vagabundo safado que ganha milhões da Lei Rouanet:

“Apesar de você

Amanhã há de ser

Outro dia”

O autor desta canção:

(a) tem que ir para Cuba.

(b) é comunista

(c) mama na Lei Rouanet

(d) é maconheiro

 

Química

Formada pelos elementos Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, o Tetraidrocanabinol (C21H30O2) é a principal substância encontrada na maconha. Marque outro elemento ligado à maconha:

(a) artista 

(b) professor 

(c) universitário

(d) petista.

 

[Redação] Disserte sobre o tema: “O homossexualismo denegriu a moral no Brasil”.

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