Para desejar Feliz dia do Professor tem que querer bem a nós.

 

ricci

Como hoje é dia dos professores e eu acredito que somente pela educação mudamos uma nação, vou colocar aqui o programa de governo de Bolsonaro e Haddad para quem não viu. Leiam. Avaliem e raciocinem se um candidato que desde antes de sua campanha tem o discurso de acabar com a liberdade metodológica de qualquer escola garantida hoje pela constituição, seria a melhor opção:

Jair Bolsonaro

– Incluir no currículo escolar educação moral e cívica (EMC) e organização social e política brasileira (OSPB), que eram ensinadas durante a ditadura militar.

– Diminuição do percentual de vagas para cotas raciais.

– Ampliar o número de escolas militares e fechar parcerias com as redes municipal e estadual.

– Educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e Universitário Prontuário Eletrônico Nacional Interligado.

– Escola “sem Partido”. (aspas minhas)

Fernando Haddad

– Revogar a emenda do teto de gastos. Retomar os recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social do Pré-Sal para saúde e educação

– Expandir as matrículas no Ensino Superior e nos ensinos técnico e profissional

– Priorizar o Ensino Médio com o Programa Ensino Médio Federal

– Criação de programa de permanência na escola para jovens em situação de pobreza

– Revogar a reforma do Ensino Médio do governo Michel Temer

– Realizar anualmente uma Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente na rede pública de educação básica

– Em contraponto à Escola Sem Partido, criar a Escola com Ciência e Cultura, para valorizar a diversidade.

Em tempo, se você é a favor do projeto Escola sem Partido defendido e criado por Bolsonaro – que na verdade é um nome lindo que arrumaram para um projeto autoritário que tem como proposta amordaçar professor – nem ouse a desejar feliz dia dos professores para nenhum de nós porque você quer mesmo é que professor se exploda já que Bolsonaro, para além de tudo isso, foi a favor do congelamento dos investimentos para Educação por vinte anos.


Agora vou me estender um pouco mais para quem não entendeu a surrealidade do que Bolsonaro defende:

Há muitos ainda que não entenderam qual é dessa discussão da “Escola sem Partido”. Primeiramente, há de se concordar que o nome é lindo e que de cara nos leva a pensar: “claro que sim! Escola não pode ter partido!” e, a depender da pessoa, ainda complementam: “chega de doutrinação esquerdistas nas escolas!”. De uma forma, digamos, objetiva, trata-se de um Projeto de Lei (n. 193/2016) em tramitação no Congresso Nacional que pretende subordinar conteúdos e atividades escolares às crenças de pais, bem como “monitorar a doutrinação ou cooptação política e ideológica em sala de aula”.

Gostaria de falar que não basta ler o nome do projeto e ler o projeto como um todo. Deve-se prestar atenção em quem defende esse projeto e com quais objetivos. Você deve ler, claro, mas deve também contextualizá-lo. Saber, por exemplo, que temos dois Bolsonaros envolvidos e encabeçando esse projeto é bastante significativo e já coloca em xeque a tal “neutralidade” apontada e defendida no Escola sem Partido. A escola, segundo quem luta pela aprovação desse projeto, deve servir para incentivar ideias como meritocracia e propriedade privada. Isso é ser neutro, segundo seus defensores. Discutir temas em sala de aula, não é ser neutro, portanto, deve ser proibido para esses que estão defendendo a Escola sem Partido.

Uma das bandeiras levantadas por esses políticos que avançam com esse projeto (e que já está sendo implementado em algumas escolas no Brasil) é que “professor não é educador”. O professor, segundo dizem, foi feito para instruir. Educação vem de casa e da Igreja. Nessa esteira, seus defensores dizem que, com isso, protegem as crianças e os jovens de serem doutrinados e, para tanto, ficamos, nós professores, proibidos de discutir qualquer tema em sala como religião, política, notícias, atualidades… e assim, dizem, prepararemos melhor os futuros cidadãos. Oras…Como é que se desenvolve um pensamento crítico se não discutindo política, filosofia, sociologia, história?

O advogado Miguel Nagib, por exemplo, afirmou que “em matéria de educação religiosa e moral, vale o princípio: meus filhos, minhas regras. Nós não queremos impor a nenhuma família uma maneira de agir em relação a seus filhos. Mas também não aceitamos que a escola venha fazer isso”. Assim, a crença ou a moralidade dos pais passaria a ser adotada como critério para o controle familiar da educação escolar, podendo inclusive resultar em punição para os desobedientes. Como seria esse controle? Através de denúncias anônimas. Bastaria um aluno me denunciar para o Ministério Público ser acionado. Ou seja, a conduta de professores, gestores e funcionários passará a ser a ser patrulhada por todo e qualquer indivíduo caso o projeto seja aprovado.

Vale observar que a Constituição Federal distingue educação familiar da educação escolar, do ensino, atribuindo a este último o papel principal de preparar o educando para o exercício da cidadania. Isso significa, por exemplo, que se a família decide educar a criança para torná-la fiel a uma determinada crença, o mesmo não pode ser exigido da educação pública, laica, cujo escopo jurídico-político não se subordina a valores. Amém. Ao professor, segundo nossa Constituição, cabe a liberdade de ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. E é ótimo para o futuro cidadão ter contato com outras ideias e que seja estimulado a pensar e repensar, não? O pluralismo de ideias implica que a educação pública deve transmitir livremente a ciência e a arte, preparando o educando não somente para desenvolver pensamento crítico, mas também para respeitar a diversidade, a alteridade e a divergência de opiniões que caracterizam as sociedades democráticas. Por que isso é visto como algo ruim?

Não estou dizendo que a família não seja fundamental na sociedade. Mas, os pais não têm e nem devem ter direito absoluto sobre seus filhos. A educação moral não pode (e nem deve) ser exclusiva da família. Toda pessoa tem direito a se apropriar da cultura e a observar o mundo de forma crítica. A educação escolar é uma atribuição do Estado brasileiro. E o cidadão brasileiro tem o direito de aprender sobre o evolucionismo de Darwin, a origem do pensamento científico, a luta pela abolição da escravatura, a origem das desigualdades sociais e por aí vai. Como vamos conseguir debater esses temas se esse projeto for aprovado?

Todo professor, claro, sempre faz uma escolha ideológica e isso sempre fica claro para os alunos que costumam sair de sala, muitas vezes, fora da área de conforto (esse local que se morre em vida) porque estão repensando, refletindo, questionando sua leitura sobre o mundo. Desde quando isso é ruim? Oras… que tipo de cidadão se prepara para uma sociedade que frequenta uma escola que não o prepare para pensar, debater, discutir, criticar? Que tipo de cidadão estão querendo que formemos e com quais objetivos? No mais, nenhum país que tem bons sistemas de ensino tem leis absurdas como essas propostas pelo Escola Sem Partido.

Eu, como professora de física, adoto uma metodologia que coloca o aluno a todo tempo que comigo está em sala de aula a questionar o conceito de ciência, por exemplo. Procuro mostrar o modus operandi de como as ideias surgem sempre fazendo uma contextualização histórica com um enfoque estritamente filosófico. Dentro dessa perspectiva, questionamos sempre sobre “verdades universais”, “objetividade” e se procede, de fato, a separação entre ciências exatas e humanas já que não existe ciência sem uma mente humana para concebê-la. Ou seja, meus alunos refletem sobre valores, repensam o que lhes é passado pelo senso comum, questionam se procedem as “verdades” que lhes são apresentadas. Se o projeto Escola sem Partido vingar, serei obrigada a me calar. Não mais ensinarei ninguém a refletir e sim, como está escrito no projeto, serei obrigada somente a instruir meus alunos. Serei escrava de um sistema que gera mais escravos passivos.

Se os pais hoje preferem que seus filhos frequentem escolas orientadas por valores idênticos aos de suas famílias têm a opção de matriculá-los em escolas confessionais, privadas, instituídas pela Constituição Federal exatamente para atender ao tipo de demanda prevista. Mas nas escolas públicas, mantidas com impostos pagos por todos os brasileiros, a prioridade deve ser a formação do cidadão –não do escravo obediente e acrítico– e nela devem prevalecer a tolerância e a cultura de respeito recíproco e de convivência harmoniosa entre todas as opiniões, ideologias, crenças e religiões.

Em que contexto surge esse projeto? Hoje, nas escolas, debatemos sobre a cultura eurocêntrica, o consumismo moderno, a urbanização do mundo, a atuação das empresas multinacionais, a corrida desenvolvimentista, a sustentabilidade e a história contada por pensadores brancos entre outros assuntos marcados pela hegemonia do saber. Questionamos por quê as mulheres são tão agredidas, os negros assassinados, a indignação ainda é tão seletiva, debatemos sobre o sucesso ser baseado unicamente na ascensão econômica, enfim, falamos sobre vários temas conectados a natureza da perversidade das relações. Discutir as desigualdades sociais, o feminismo, a discriminação sexual, entre outros assuntos tem feito os futuros cidadãos pensar e tem gerado instabilidades nesse sistema. Bolsonaros defensores desse projeto Escola sem Partido, por outro lado, cultuam suas verdades e por isso, esse projeto busca silenciar e amordaçar professores fazendo com que escola seja um espaço de conformismo social, cultural e intelectual. Educar sempre foi um ato político e, com Bolsonaros no poder, busca-se fazer com que a política propagada seja somente uma. À luz desse projeto, analisar criticamente as realidades, óbvio, é um problema já que hoje educamos para autonomia e para o pensamento crítico.

Não tem como não citar Paulo Freire numa hora dessas e vou terminar com ele: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”. Por isso, a pressa desses conservadores em aprovar o projeto e a luta em barrá-lo. Lembrando que essa luta não é somente de nós, professores, e sim de todos que não querem uma sociedade plena de amebas ambulantes e rindo quando chicoteadas.

A civilização contra a barbárie

IMG-20181009-WA0067

Podem falar o que quiserem do PT, mas jamais ninguém aqui viu nem Lula, nem Dilma, nem Haddad como ameaça ao Estado de Direito brasileiro. Todos contribuíram fortemente para o alargamento das condições de afirmação da liberdade individual de milhões de brasileiros a quem o destino não concedia outra vida que não fosse a absoluta exclusão social.

Podem discordar de todas as políticas públicas, mas nunca ninguém viu nenhuma liderança do PT desrespeitar as regras da democracia liberal. O que vimos sempre foi um partido enfrentando diariamente a hostilidade de uma mídia que sempre trabalhou para o grande capital.

Vejo esse segundo turno com muita perplexidade porque não encontro nada que me mostra que estamos diante de um confronto político e ideológico normal. Pelo contrário, temos mais de 50 casos já registrados de violência por eleitores de Bolsonaro. Uma morte por facadas dadas nas costas de um homem negro, professor, que afirmou ser petista.

Bolsonaro e sua prole elogiam Carlos Alberto Brilhante Ustra que no tempo da ditadura militar, que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985, comprovadamente, maltratou física e psicologicamente centenas de pessoas e chegou ao limite de obrigar crianças a presenciarem o espancamento dos seus pais. Todos aqui se lembram que esse torturador foi homenageado por Bolsonaro que dedicou o seu voto pelo golpe à “memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Bolsonaro revelou-se ali o que ele verdadeiramente é: um canalha.

Não há defesa pelo caráter de Bolsonaro pois quem elogia o torturador de uma mulher  indefesa atribui-se a si próprio um atestado de animal irracional.

Não estamos numa democracia com esse candidato que se recusa a fazer o que mais é prezado nesse regime: o debate das idéias.

Estamos perante um verdadeiro confronto entre a civilização e a barbárie.

Impressiona e assusta o número de pessoas nesse país que tem como líder um sujeito intelectualmente medíocre, eticamente execrável e extremamente covarde pois não toma sequer para si a responsabilidade do que fala.

A direita anda tão mal das pernas que tem como candidato um homem que foge de debates, que vive de fakenews, que quer acabar com a educação pública.

Se pensam que o futuro do Brasil é educação, por que diabos escolhem um candidato que faz a maioria dos professores e das professoras entrar em desespero e em depressão com a possibilidade de ele ser eleito?

Haddad é, nesse contexto, mais do que o PT.

Haddad é o símbolo da luta dos livros contra as armas. Do diálogo contra a violência. Do debate contra o autoritarismo, a servidão e a anulação da inteligência crítica. Da civilização contra a barbárie.

Sem ganhar, fui vitoriosa.

img_20180921_083851_2463126011088816296287.jpg

Gratidão infinita pela confiança! Foram quase 29 mil votos na minha 1a candidatura! Fiquei em quarto lugar no partido para o cargo que disputei. Pelo coeficiente eleitoral, colocamos 3 candidatos estaduais na ALERJ e fiquei como suplente. Ou seja, não sou deputada.

Saio desse processo muito maior do que entrei e sem saber como agradecer a todas as pessoas que estiveram ao meu lado nessa movimentação tão densa que é uma campanha.

Sensação de dever cumprido. Fiz tudo o que consegui e dei o meu melhor. Fui assessorada por pessoas fantásticas que se tornaram parte da minha vida para sempre.

Temos algo pela frente. Não sei exatamente o que mas o bonde segue junto. Agora com quase 29 mil pessoas!

A gente se move pela utopia. Pelos sonhos. Nesse sentido, embora não tenha entrado para ALERJ, a minha inquietude continua e o sonho maior é ver esse país menos desigual. Agora que sei que não estou sozinha e que somos quase trinta mil pessoas, saibam que meu nome segue à disposição para trabalhar pelo partido e fazer valer a nossa bandeira que prioriza as bases sociais.

Agradeço a todos que colaboraram de uma forma ou de outra nessa campanha que foi elogiada por muita gente grande.

Bora que temos muito trabalho ainda. Temos o fascismo para conter e precisamos eleger Haddad.

Obrigada obrigada obrigada.

Foi lindo e há de ser ainda mais!

O poder das formigas

A minha campanha está sendo elogiada por muitos pela criatividade. De fato, há um esforço sem tamanho aqui para não fazer mais do mesmo. Procuro fazer coisas que eu, no meio de tanta informação, pararia para ver. Daí vai desde vídeos até arte final de panfletos e postagens.

Se não emocionar, não vale a pena. Assim penso.

Mas nada é muito bom que não possa melhorar. Porque com dedicação e com fé se melhora tudo.

Dayana, uma linda eleitora focada, sem que tivéssemos trocado uma palavra, captou a essência do que acredito ser uma verdadeira campanha e, com seu jeito, freou o tempo das pessoas.

Escreveu a mão, um a um, bilhetes que foram anexados ao meu material de campanha.

Muita gente agora sabe que eu sou candidata e leu minhas propostas porque Dayana vale mais do que propaganda em horário nobre de televisão. Um gesto desse de amor tem no mínimo um sorriso como resposta. E em temos de discurso de ódio, convenhamos, não preciso nem abrir as urnas para ficar feliz.

Já somos vencedoras.

Obrigada, Dayana. Somos pequenas, fato. Mas não há quem não se assuste com o poder e a força das formigas.

Eu sem filtros

Ouvi de meu filho mais velho que sou uma mãe ruim e que tenho falhado nessa função.

Poderia visitar meus pais mais vezes já que moramos tão perto mas quando vejo mais um dia se passou e não dei a atenção a eles que deveria.

A casa segue uma bagunça com as paredes manchadas de umidade e as contas atrasadas porque estou sem receber desde que me licenciei para campanha.

Não tenho lido mais nada de literatura há três meses porque preciso me apropriar dos problemas do nosso estado.

Hoje é aniversário do meu caçula e estarei em comícios domésticos sem poder nem almoçar e nem jantar com ele.

A pobreza e a violência sempre me pareceram irmãs. Ao vê-las de perto, descobri que a violência é gêmea da riqueza.

Ando confusa com tudo isso que estou passando. Sem saber lidar com tanta demanda, críticas e elogios.

Meu raciocínio não está linear, na verdade, nunca foi, mas parece que deu uma piorada.

Essa sou eu. Sem maquiagem. Sem escova. Sem filtros. Saindo para levar Yuki à escola. Voltando sem saber para onde estou indo.

Saiu meu jingle!!!!

Segue meu jingle com som, libras, legenda, amor (pleno de amor) e muita esperança de ver um mundo mais acessível. Som na caixa porque a música feita por mozão é linda e olho na tela porque o Jadson dá um show!

#pracegover: no começo do vídeo, Elika está ao lado de Jadson, que interpreta em Libras o que ela fala. Ela diz “meu nome é Elika Takimoto, sou candidata a deputada estadual e quero apresentar para vocês o meu jingle” e então Jadson fica sozinho, traduzindo o jingle. A letra do jingle aparece na tela, em lilás, e é a seguinte:

Minha luta é que pra que nosso filhos possam sonhar
Porque sonhar é viver
Porque sonhar também é lutar
Não é porque parece difícil ou impossível
Que eu deixaria de tentar
Pense bem
Voto só tem um
Elika Takimoto
Treze zero vinte e um
Pense bem
Voto não tem outro
Deputada estadual
Elika Takimoto
Pro nosso Rio se é feliz de novo
E sair dessa fossa
Faça sua parte e vote
Que ela fará a nossa
Pense bem
Voto só tem um
Elika Takimoto
Treze zero vinte e um
Pense bem
Voto não tem outro
Deputada estadual
Elika Takimoto

“Eu confio em você, mas não gosto do PT”.

“Eu confio em você, mas não gosto do PT”.

Essa é uma das frases que tenho ouvido muito nas minhas andanças durante a campanha. Como acho que sempre posso estar errada, procuro saber os motivos pelos quais a pessoa “odeia o PT”.

Dou meus ouvidos e…

Cheguei a algumas observações que acho interessante trazer aqui. O tal do antipetismo é uma posição que orienta a decisão eleitoral exclusivamente pela rejeição ao Partido dos Trabalhadores e ao seu principal representante: Lula.

O antipetista considera que tem um dever de limpar o Brasil “da sujeira feita por Lula e Dilma no nosso país”. É o missionário cívico que se sente com a vassoura na mão. Quando falo dos números e dados como a retirada do Brasil do mapa da fome, ele diz sem pestanejar que isso é mentira e que os dados foram alterados assim como os padrões da miséria. Ou seja, para o antipetista não houve diminuição da fome. Fiquei chocada com essa afirmação.

Mas por que o odeia?, insisto sempre. Daí ouço coisas como o fato do PT ser um partido sindical, que comprou votos dos pobres com o bolsa-família, que inventou o racismo ao apoiar políticas compensatórias, que Lula é um analfabeto, cachaceiro, inventor dos programas sociais para manter os pobres como clientes do partido.

Mas não é legal fazer políticas sociais que diminuem a pobreza?, pergunto. Daí ouço que o PT aparelhou as estatais e quer transformar o Brasil em uma Venezuela dando dinheiro para Cuba.

Oi?, mostro que não entendo algumas proposições e tentam me explicar mais coisas que justifiquem o ódio ao partido que me acolheu: “o PT promoveu o comunismo no Brasil, o bolivarianismo e o gayzismo”.

Mas os banqueiros não reclamaram de nada, nunca se consumiu tanto e gays sempre existiram!, tento argumentar. Daí ouço que o PT encheu os shoppings, os aeroportos e as universidades de preto, que criou o Programa Mais Médicos só para humilhar os médicos brasileiros.

Mas a mortalidade infantil diminuiu muito no governo PT. Isso não foi bom?, pondero. Daí ouço que Lula é amigo de Maluf, Sarney, Collor e aumentou a criminalidade, humilhou as Forças Armadas com comissões da mentira, causou alagamentos, desmoronamentos, o incêndio da Boate Kiss e do Museu Nacional e que na época em que faltou água em São Paulo, Dilma estava no governo.

Como assim?!, pergunto para entender o que perdi. Daí ouço que o PT é o rei da corrupção.

Antes do PT, vivíamos em um país com um enorme período sem mobilidade social e os que estão hoje na classe média – que se achavam intelectualmente superiores e viram mulher preta recebendo diploma de médica – surtaram. Essa é a minha conclusão imediata.

Fora isso, perder sucessivamente em disputas eleitorais por nunca terem apresentado um programa de governo que beneficiasse as camadas menos privilegiadas, pelo visto, faz as pessoas perderem também mais uma coisa: a noção da realidade.

Mas nem todo antipetista é uma tábua ou apoia ideias fascistas da política nacional. Vale observar também.

Alguns simplesmente estão cansados, esgotados, exaustos do PT depois de 12 anos.

Mas por quê?, pergunto. E daí percebo mais coisas. A pessoa quer mudanças tipo as que o PT fez mas apoiando outro partido que não terá a força do PT para fazer o que a pessoa quer que seja feito.

Sem falar o nome do presidenciável, pergunto com carinho se a pessoa votaria em quem defende um programa assim assim e assado. A maioria das vezes, ouço que sim.

Ou seja, o antipetismo é uma modalidade de ódio olímpica praticada por pessoas que apenas não têm se informado direito ou conversado muito por aí. Dado a devida atenção, a dúvida sobre a possibilidade de uma cegueira é considerada, ao menos.

Toda forma de amor é natural. O ódio não. Toda forma de odiar é ensinada.

E o ódio a um partido que em nada ameaçou a nossa democracia (a despeito da perfeição não existir) não é exceção.

Quando algo nos incomoda, sabemos muito mais sobre nós mesmos do que sobre o objeto que nos desestabiliza emocionalmente.

Há um problema de origem política. Mas há também muita coisa de natureza psíquica nessa história. Há de se ter paciência.

Essa é a minha conclusão baseada em conversas pelas ruas por aí nessa minha caminhada rumo à ALERJ.