Enfim, tiro o meu time de campo

Soccer - 2006 FIFA World Cup Germany - Quarter Final - Brazil v France - Commerzbank Arena

Eu, como qualquer brasileiro, quis participar da festa que foi a Copa do Mundo. Senti imensa vontade de comentar com todos os amigos sobre os jogos, os lances, as jogadas… mas de futebol o que entendia? Nada. O ponto é que isso para mim nunca foi problema, bastaria um pouco de pesquisa e leitura e já estaria apta a dar o meu palpite em tudo como sempre faço. O que não podia era ficar de fora da brincadeira de jeito maneira.

A primeira grande surpresa foi ver que Casagrande estava vivo. Eu jurava que ele já havia passado para o meta Universo. Depois, a dificuldade foi decorar os nomes dos jogadores. Dependendo da seleção dava para me referir aos meninos de alguma forma. A da Inglaterra por exemplo, era composta por Gato, Cheiroso, Príncipe, Passo, Lindo, Nada Demais, Modelo, Vem pra Madureira, CasaComidaeRoupaLavada. Outra coisa que me assustou, a despeito de tanto ter estudado sobre o assunto, foi com a cara do David Luiz ao comemorar um Gol.

(Em tempo: David Luiz Elika Elika David Luiz muito prazer o prazer é meu.)

david luiz-horz

O que era aquilo? Eu só fico assim quando tomo dez litros de café e vinte de guaraná em pó, acabo de corrigir todas as provas, digito a senha do cartão e depois de segundos leio transação aprovada, quando quero e consigo matar um de susto, acerto uma bolinha de papel no cesto de lixo e  quando vai ter pudim de sobremesa. Por um gol? Não sabia que era a mesma emoção.

Mas aí depois veio o inacredítável 7×1. Nesse momento, eu me senti à vontade para comentar. Ninguém nunca tinha visto nada daquilo, havia gente culpando o PT, … enfim, o que eu falasse entraria bem na conversa. Mas para não fazer feio, apelei para a física e falei algo sobre falta de entrelaçamento quântico entre os jogadores que foi tão bem aceita quanto as teorias da conspiração que já estavam circulando. Questionei o spin da bola e a indutância da taça. Agi naturalmente e consegui interagir bem. Mas o meu lado mãe foi mais forte e os meus comentários foram no sentido de demonstrar preocupação com os meninos. Primeiramente, com a coluna do Neymar. Segundamente, eu fiquei me lembrando recorrentemente da entrevista que Júlio Cesar deu depois do jogo com o Chile no qual ele defendeu uns pênaltis dizendo que ficou 4 anos traumatizado e que iria lavar a honra dele nessa Copa e bababa bububu. Tive vontade de indicar alguns bons terapeutas e sugerir uma lobotomia para que o coitadinho ficasse bem. Por fim, sofri mesmo ao ver o David Luiz (que até então não sabia se ele jogava no Rio ou em São Paulo) dizer que queria nos trazer alegria.

DL

Na disputa do terceiro lugar, estava segura. Sabia o nome de quase todos os jogadores. Mas quando a câmera passou pelos rostos dos nossos guerreiros, enquanto o hino era cantado, desesperei-me. Crente que ia abafar e Felipão havia trocado o time inteiro! Fala sério. E nem vamos falar que eu jurava que aquele tal de Robben era o Zidane. Estava com o mó medo dele dar cabeçada nos nossos meninos. Foi brabo viu. Mó vexame. Daí, veio Alemanha e Argentina e, como diria Drummond, foi-se a copa? Não faz mal. Adeus chutes e sistemas. A gente pode, afinal, cuidar de nossos problemas.

Mas  antes de voltar às coisas mundanas, eu gostaria de agradecer aos amigos pela paciência e pelo carinho que tiveram comigo, principalmente ao meu marido que ao me ver na área urrava em um misto de alegria e desespero sem saber se eu daria um drible da vaca ou da jumenta. Para alívio de todos, minha breve carreira de comentarista esportiva se encerrava com o final da Copa. Fiquei mega feliz, pois, não sabia nada de futebol e aprendi um bocado vendo todos esses jogos e pesquisando muito na tentativa de não falar muita besteira.

Agora, por exemplo, eu sei que não podemos morder o amigo de jeito maneira porque a punição é braba, que uma lesão na L3 te permite andar dois dias depois com mochila nas costas, que os portugueses, como Cristiano Ronaldo, deram espelhos para os índios e os alemães um cheque de 30 mil reais, que o capitão de um time pode chorar como um bezerro desmamado antes da cobrança dos pênaltis, que temos que conquistar toda a antipatia de Mick Jagger, que é possível mudar de nacionalidade a cada jogo da Argentina, que pela integridade moral de uma nação passou do marco de 5 gols o jogo tem que acabar, que cantamos o Hino a Capela e não à Capela, que entre o hino e o voltano pode ter prorrogação, que o Fred não teve culpa do resultado porque ele não fez nada, que existe vice que não é o Vasco, que se soubéssemos o que aconteceu nas Copas de 1998 para cá ficaríamos enojados, que japonês é limpinho, que o coração de torcedor brasileiro não bate, só apanha, que não sou só eu-professor e sim que todo mundo aqui ganha menos que jogador de futebol, que qualquer um podia ganhar o que o Fred ganha, que o Casagrande não morreu quem morreu foi o Sócrates, que não é padrão FIFA e sim ladrão FIFA, que quando um craque se machuca ninguém mais joga, que existe vários níveis de autismo e o que Messi tem é mimimi, que síndrome de Asperger passa na hora do gol mas ataca forte quando perde a Copa, que se o Messi foi o melhor jogador dessa Copa não fizeram justiça com o Fred, que a cobertura da Globo foi tão boa que eu nunca mais quero ouvir falar no assunto, …

Enfim, acabou. Foi tudo hiper divertido tirando o episódio da ameaça a nossa democracia que seguirei acompanhando giga atenta. De novo, como diria Drummond, o povo, noutro torneio, havendo tenacidade, ganhará, rijo, e de cheio, a Copa da Liberdade.

Beijo proceis

 

 

 

Mudando de Assunto

12-copa

 

– Mudando de assunto, vamos falar de sexo?
– Sim, claro! Antes da partida, você acha que é bom ou ruim para os jogadores?
– Ok. Vamos falar da coluna superfaturada.
– Pois então, aquele filha da put* quase aleijou o Neymar.
– Não. Eu disse coluna superfaturada, a de BH e não ‘coluna fraturada’. Vamos falar de problemas femininos. Menstruação.
– Deveria acontecer de 4 em 4 anos e não todo mês. Todo mês Copa. Menstruação 4 em 4 anos.
– Vamos falar do ENEM.
– A lesão do Neymar vai cair no ENEM. Avisa pra geral.
– Seriado.
– Será que Dr House conseguiria botar o Neymar jogando na final?
– Vamos falar então de vírus Chicungunya que começou a circular no Brasil e é bem pior que a dengue.
– O Messi tem que pegar isso.
– Ok. Amor. Vamos falar de amor.
– Só ficarei satisfeito no amor quando alguém me olhar da mesma forma que o Galvão olha para Neymar.

Mulher Brasileira

Eu sou mulher-brasileira, mas não tenho bunda, nem peito durinho nem coxas sem celulite. Eu sou mulher-brasileira, mas não faço parte do patrimônio nacional que é visto com orgulho por muitos daqui. Sou mulher-brasileira, mas não sirvo para embelezar estádios e nem para ser candidata a musa de torcida. A minha sensualidade não pode ser vendida como atrativo porque ela está na minha inteligência.

Sou mulher-brasileira, mas não é a minha arquitetura que me define e sim a minha biblioteca. Sou mulher-brasileira, mas a minha existência não gira ao redor da aprovação e da satisfação sexual masculina. Sou mulher-brasileira, mas não deixo o mundo mais bonito quando uso uma roupa justa e sim quando falo, quando escrevo e quando trabalho.

Não vou negar que fico feliz quando alguém generosamente me acha bonita. Mas sei que a beleza enxergada o tempo já está levando e, em breve, pouco restará. Portanto, se me alegro quando elogiam a carcaça, regozijo-me quando enaltecem o que produzo intectualmente: meus filhos, meus textos, minha oratória e minhas aulas.

Se quiser trocar uma ideia, como a maioria das mulheres brasileiras, sou mega simpática e cheia de esperteza. Sente-se aqui e bora conversar. Mas saiba que:

Eu sou mulher-brasileira e não estou aqui para servi-lo.

Japonês catando lixo. Um exemplo. Não. Pera…

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Foi lindo ver os japoneses catando lixo. Mas catar papel, ainda que seja louvável, é moleza.

Vale uma discussão de algo que não foi fotografado (com uma máquina mega moderna japonesa de última geração). Sabemos que somos uns lesados em termos de parafernália eletrônica em relação a eles. A tecnologia lá está a anos-luz de nós aqui e completamente desenfreada. Há uma doença (que começou lá): o culto aos descartáveis. Nada de conserta, tudo se compra novo. Se geramos muito lixo eletrônico em um país em que temos índio andando em volta do Maracanã, dá para imaginar o quanto eles geram de lixo eletrônico a mais que nós? Quem aqui não trocou de televisão nos últimos cinco anos? E de celular nos últimos dois anos? O pior: hoje trocamos de aparelhos sem nem esperar que eles quebrem! Lá seria diferente??? Seria sim. Muito pior. Pelo fato da tecnologia lá se modernizar muito mais rápido do que a nossa, como seria a mentalidade deles em relação a isso? Exemplar??? Doce ilusão.

Eles estão reciclando bem o lixo deles, isso é fato. Mas além da quantidade de lixo, ainda que se recicle, quero frisar outra coisa: a mentalidade consumista. No mais, reciclagem não é sinônimo de salvação. Querem que acreditemos nisso. Reciclar é bom e melhor do que não reciclar. Mas o ‘ter tanto o que reciclar’ é que são elas.

Por que, por exemplo, fala-se tanto em reciclagem e não em pôr o pé no freio do consumo??? Estranho, não? Fala-se nas escolas sobre o tema, crianças no jardim sabem separar lixo nas Europa e no Japão, eles dão show em reciclagem e quanto a isso não resta dúvida, mas e a reflexão sobre a mudança dos valores culturais que sustentam o estilo de produção e consumo da sociedade moderna? Discutem eles isso lá? Por que não?

Ao invés de construir aparelhos mais e mais modernos por que não pensam em diminuir a obsolescência (planejada) dos que estão sendo construídos? Essa mesma japonesada que catou papel nos estádios está preocupada com essa discussão? Quero ver produzir uma geladeira que dure vinte anos e ficar com uma máquina fotográfica por mais de um ano pendurada no pescoço. Isso a Globo não mostra. Isso ninguém fotografa! Por que? Já te digo: produtos ficarem “velhos” sem que os anos passem é um projeto forte que está dando muito certo para o modo de produção capitalista.

Para esses mesmos japoneses mega educados, não ter um aparelho novo é sinônimo de privação, sacrifício e dor já que a posse de bens materiais caracteriza a felicidade proporcionada pelo consumo. E quem lidera essa doença? Quem sai na frente nessa história? Os mesmos que estamos idolatrando como exemplo porque cataram papel nos estádios. Atitude louvável, reconheço, vale frisar.

A questão do lixo não é uma questão de ordem simplesmente técnica. Reciclar não é sinônimo de salvar o mundo e melhorar o planeta. O buraco é muito mais embaixo. É cultural e político e quiçá filosófico. O que é, de fato, reciclar? Reciclar muito é bom? Melhoramos se reciclamos mais e mais e mais? Evoluímos se lideramos a quantidade de materiais recicláveis? Em que medida uma sociedade que recicla muito é melhor do que outra que quase nada recicla? Em que medida catar papel em estádio é sinal que a sociedade está muito melhor educada? Que tipo de cidadão é esse que não joga papel no chão e descarta celular duas vezes ao ano?

Temos é que tomar muito cuidado para não ficarmos com os olhos mais fechados do que eles. Penso eu…

Vai ter Copa e Muito Gringo!

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A Copa está aí e os gringos já estão chegando no nosso país aborígene com a cartilha na mão de como devem se comportar. Bem possível que as cenas da JMJ se repitam com pessoas andando de mãos dadas em um cordão de isolamento. Talvez agora com capacetes e com coletes à prova de balas. Na bolsa, duas carteiras, duas máquinas, dois celulares… Uma pra eles, as outras pro ladrão. Se levar prostituta pro hotel, fique esperto porque as primas daqui são foda. Se for beber, coloque a mão em cima do copo se não vão jogar um pozinho, você vai virar cinderela, vão arrancar seu fígado e contrabandeá-lo na fronteira do Paraguai. Não sentem na privada porque está cheio de vírus ebola. Aqui os marginais são violentos, diferente de toooooodo o resto do mundo que são uns amores. Mesmo se ficar hospedado do quinto andar, fechem as janelas ao dormir porque aqui somos iguais macacos. Escalamos prédios com a mó facilidade. Se virem manifestações mantenham distância porque na última até o Batman se feriu. Levem vinagre na bolsa caso não tenham como evitá- las e qualquer coisa sentem no chão e chamem não por Jesus mas por Tico Santa Cruz. Disfarcem o sotaque. Vc que vem do Japão e vive pegando metrô vazio, pode se assustar com o nosso. O americano que come bem, pode passar mal com a nossa feijoada. O francês que é limpíssimo pode ficar horrorizado na feira dos paraíbas. Os mosquitos daqui picam e transmitem doenças. Temos remela, calcinha velha nas gavetas, cecê, piolhos, chulé, piriri, lombriga, ameba e zoamos das bailarinas. Cometemos pecado, temos febre amarela, verde, azul e branca. Rimos alto. Não temos pressa se formos baiano, tristeza se nortista, mau humor se cariocas e água se paulistas. Fornicamos. Trazemos a mulher amada em 3 dias. Contato em qualquer poste do país. Batucamos a vera e a brinca. Fazemos coisas impressionantes de última hora. Vide nosso carnaval, nossas moquecas, nossos estádios e tantas crianças bonitas!

Enfim, welcome!, bienvenue!, benvenuto!, willkommen! Aproveite bem a estadia e divirta-se como nunca!

Não, vai ter Copa!

Agora que os investimentos já foram feitos, tanto o público quanto o privado, o que vocês querem afinal? Agora que os hotéis já aumentaram exorbitantemente o preço de suas diárias (será que vale protesto?), os turistas já compraram seus pacotes, as seleções até já reservaram seus locais de treinamento…. agora? O que vocês querem afinal com o seu hashtag nãovaitercopa? Torcer para que tudo dê errado? Para que?

Percebo que grande parte desse grupo anti-copa foi o mesmo que constituiu o gigante acordado andando pelo Brasil tipo um godzilla bêbado. Uma das coisas que já vi até cansar pelas redes sociais e comprova que esse movimento é, para dizer o mínimo, movido por pessoas altamente desinformadas e mal intencionadas, é o caso-Ronaldo-Fenômeno. A foto dele e o vídeo já obtiveram sei lá quantos compartilhamentos. Sendo que ambos, foto e vídeo, foram retirados de contextos. Ora, pessoas, uma coisa é ser burro, outra é ser um completo boçal. Será que ninguém desconfiou que Ronaldo que sempre foi tão bem assessorado não se enquadraria mesmo se ele quisesse na segunda opção? Em tempo, o que ele disse: “A Copa é uma incrível oportunidade para o Brasil. Chance de atrair atenção, investimento, turismo e mais mil coisas. Mas isso não obriga a deixar de investir em questões sociais prioritárias como saúde, educação, transporte, segurança. Afinal, não temos Copa do Mundo desde 1950 e não foi por isso que atingimos excelência em nenhuma dessas causas”. Mas isso a Globo não mostra! como vcs mesmos dizem…

Percebo jovens animados em mudar o Brasil. Que bom! Que bom! Percebo latente nessa juventude, algum desejo de transformação e uma sensibilidade aguda para a história. Contudo, é preciso que todos aproveitemos o momento para ‘aprender ‘com a dinâmica da história que está fluindo sob os fatos mais evidentes que a grande mídia tem transformado em ‘oportunidade’, sempre adequando o movimento aos seus próprios interesses. Como assim “não vai ter Copa!” nessa altura do campeonato vai contribuir para que melhoremos? Doce ilusão daqueles que dizem que com a internet o povo deixou de ser manipulado e anda bem informado…

Vejo um grande movimento tentando disseminar raiva, ódio e muitas das vezes com inverdades, tais como as palavras descontextualizadas de Ronaldo. A campanha está tão evidente que quem se vestir com a camisa do Brasil em dia de jogo está, desde já, sendo taxado de alienado, burro, conformista por gostar de futebol e torcer para a seleção. Relo-ou! Entre torcer tanto para que as coisas deem certo como para a seleção brasileira e compactuar com as mazelas que persistem e precisam ser superadas há uma grande diferença! Igualá-las? Para que? Melhorar o país?

Ora, ora…

Vocês que são contra a Copa porque somos um país com outras prioridades e torce para que o evento seja um vexame… vexame para quem? Para a Alemanha? Para a Itália? Para os Estados Unidos??? Para o Japão??? Para a França??? Poupe-me. Leiam os notícias internacionais e depois discutiremos a sério o termo “desenvolvimento”. No mais, os problemas do Brasil foram causados e vão piorar com a Copa???

Para quem fica gritando aqui que precisamos de hospitais e escolas e não de estádios algumas perguntas: Por que não gritaram antes, Pelo menos quando fomos escolhidos para sediar o mundial? Teria sido ótimo se esses patriotas tivessem agido há sete anos, quando o Brasil se candidatou à sede da Copa. Aquele foi o momento certo de tentar impedir a Copa e seus gastos, não? Por que se calaram na época? Vocês sabiam que 70% dos gastos da copa não são para construção de estádios? O maior gasto da Copa não é em estádios. Quem acha diferente está desinformado e desinformando outras pessoas. Mas tudo bem, você dirá que é para maquiar o país com obras urbanas, aeroportos, segurança pública e por aí vai. Respeito quem, de fato, está se preocupando como a realização do evento está sendo e será conduzida, pois, esta também é uma de minhas preocupações. Esses, assim como eu, reconhecem que a aversão à realização da Copa do Mundo no Brasil passa por um questionamento muito mais complexo: qual o custo do alegado sucesso desse evento para a população brasileira? Essa é uma excelente questão e pouquíssimo explorada em qualquer compartilhamento que vejo por aqui e em outras redes sociais.

Alguém aqui já ouviu falar da medida que foi aprovada pelo Congresso que limita o tempo de mandato de dirigentes esportivos e que obrigará entidades a prestar contas, em meios eletrônicos, sobre dados econômicos e financeiros, contratos, patrocínios, direitos de imagem e outros aspectos de gestão? Não, né? Quem foi o responsável por essa medida? Alguém sabe? Estranho… Vocês sabiam que os coordenadores de cobertura da Copa do JN foram orientados a transmitir a repórteres e editores a mensagem de que a Copa e a seleção brasileira são uma paixão nacional, mas que irregularidades deverão ser denunciadas e “pautas positivas” deverão ser evitadas, a não ser que “surjam naturalmente”? Perceberam que as reportagens que mostram como a Copa está beneficiando grupos de pessoas, como os comerciantes vizinhos a estádios, já não estão sendo mais produzidas nos jornais? Por que será? Esquisito, não?

Vocês não são contra a Copa, todos sabemos. Mas ainda assim estão muito preocupados com a situação das escolas e dos hospitais públicos, não? Pois muito bem, vocês sabem quanto foi investido em saúde e educação? Sabem me dizer se um gasto (com educação e hospitais) está atrelado ao outro? Você acha que a verba da copa está saindo da Saúde e da Educação e por isso bate perninha dizendo que não vai ter Copa? Uma dica: procure saber sobre o valor da arrecadação de impostos do governo federal brasileiro no ano de 2013, de 2012 e de 2011. Depois veja a Educação. Veja quanto o governo federal repassou a Estados e municípios, através do FUNDEB, para investimentos na Educação Básica. Faça as contas, cruze os dados. Avalie, sim? E que tal lutar pela aprovação do Plano Nacional de Educação, pelo cumprimento do piso salarial nacional dos professores, pela fixação de percentuais mais elevados e progressivos de financiamento público para a saúde e pela regulação mais firme sobre os planos de saúde? Uma boa, não?