Coitado do Vitor…

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Nara, minha filha adolescente, ontem veio me falar que vai passar o fim de semana fora acampando com os amigos em um sítio em Xerém.

– Quem vai? – perguntei porque sou mãe e tenho que saber das budega toda.
– Marina, Pedro, Mateus, Vitor, e eu. – respondeu ela prontamente.

Pensei um pouco e falei:

– A conta não está fechando…
– Mãe, que conta?
– Três meninos e duas meninas. Alguém vai sobrar…
– Mãe, não tem conta. Vou com meus amigos. – Disse ela seriamente me olhando como se eu fosse um sei lá. Um ET.

Fiquei chocada com a ingenuidade de Nara que vai fazer 18 anos em março! Não é possível… muito lerdinha…

– Isso não existe, minha filha. – tentei explicar mantendo a calma. – Quando a gente sai para acampar com os amigos na adolescência , como diria de uma forma que você me entenda…, quando a gente acampa na adolescência com os amigos… a gente… Tipo… Coitado do Vítor. Vai sobrar…
– Mãe, eu vou ficar com a Marina.

Que bom que Nara é normal. Que susto viu…

Peixes com Ascendente em Escorpião.

en-horz

– Nara, conheci uma pessoa. – disse eu super fofa e mãe miga para minha filha adolescente.
– Que dia ele nasceu? – perguntou ela que agora está com essa mania ridícula de astrologia que eu sempre abominei.
– Para que você quer saber isso?
– Para saber como ele é.
– Eu te falo aqui. Ouve.
– Que dia, mãe! Que dia!!!
– Ai caceta. Não importa! Ouve aqui.
– Mãe, que dia. Dia, mãe!!!!
– 20 de Janeiro.
– Que horas?
– 10:40h da noite. – falei na lata com cara de assustada.
– hmmmm. Deixa eu ver aqui. Pera.

Nara pensa.

Começo a ficar tensa.

– Pode ir. Super vai dar certo.
– Valeu.

Ufa.

Nem quero ir para lugar nenhum não, mas como assim eu sei o dia e a hora que ele nasceu e não sei o nome completo do crush?!? Como assim? Em que momento Nara me estragou por completo??? Onde foi que eu errei com essa pisciana com ascendência em escorpião e o diabo da lua em Sagitário, Vênus em Aquário e Marte e Mercúrio em Áries?

Nós, aquarianos, não acreditamos em signos! Socorro!!!

A Arte e a Ciência

– Mãe, o desenho está bonito? – perguntou o menino de seis aninhos para a mãe que dava aulas de física.

– Está, está lindo, mas está errado. Gotas de chuva são iguais as bolinhas e não assim como o Zé Gotinha com a cabeça afunilada.

– Por que?

Segundos de silêncio para a mãe pensar…

Mais alguns segundos…

O menino olhava para o desenho sem entender que mundo é esse em que as gotinhas de chuva não são como o Zé Gotinha.

(Custava a mãe ter falado para o menino que o desenho estava lindo e ponto final?)

Ok. A mãe pensou em algo.

– Porque as moléculas que formam as gotinhas de chuva dão as mãos de uma forma que  a menor quantidade delas fique com as costas de fora pegando vento. E elas só conseguem fazer isso formando uma bolinha perfeitinha! Qualquer outro formato que elas escolhessem teria mais moléculas pegando vento nas costas e isso não é legal como já cansei de te falar.

– Se não a mãe das moleclas briga?

– Exatamente isso, meu filho.

– E a mãe vai dar sopa pras moleclas depois?

– hm hmmm. Isso.

– E vai mandar as moleclas colocarem camisa?

– É.

– E a mãe vai levar as moleclas pra tomar vacina depois, é?

– É.

– E a mãe das moneclas…

-…meu filho, o desenho está lindo!!!!

– Brigado. Mas eu vou fazer um outro com menos moneclas pegando vento.

Entre a ciência e a arte, vivemos aqui com uma inominável terceira opção.

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Mais de nós dois em:

Limpando a cabeça

Biciquétala

A História do Meu Novo Amor

Viver é desenhar sem borracha