Sobre os Debates. Papo reto entre nós.

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Vamos combinar que isso aqui já virou um circo. Para sentirmos o nível de todos os palhaços desse espetáculo, quando o Bonner pediu para a plateia não se manifestar, todo mundo o aplaudiu. No mais, o Brasil é o único país em que o humorista é citado em um debate quando geralmente deve ser ele a fazer referência aos presidenciáveis. Foi tanto tiro, porrada e bomba onde dois papos fizeram história que eu mesma já me peguei dirigindo hoje ao colega que vai votar em Aécio, chamando-o de ‘candidato’. Aliás, candidato e candidata, depois desses debates, viraram sinônimo de, no mínimo, ‘eu não te amo’.

– Candidato, Aécio…
– É mentira! Eu não me chamo Aécio!

Eu, particularmente, senti falta de regras. Andei consultando as usadas nas “Artes marciais mistas”, achei-as bem pertinentes e que poderiam ter sido utilizadas, ainda que em sentido metafórico, nos últimos debates. Observem algumas delas: 1- Não pode morder, 2- Não pode cuspir no colega, 3- Golpear os rins com os calcanhares, 4- Aplicar joelhadas na cabeça de um adversário caído, 5- Pisar em um adversário caído e 6- Usar conduta anti-desportiva que possa causar danos ao adversário; apenas para citar aqui algumas. Tivessem essas poucas normas sido consideradas e já teríamos um mundo mais bonito. E já que é para sonhar, para variar mesmo o espírito da coisa e colocarmos mais amor no Universo, penso que teria sido mega interessante usarmos a dinâmica da terapia de casal. Imagina se as perguntas da platéia fossem, por exemplo: O que você mais admira no projeto do outro candidato?, Se você não for eleito(a), como pretende contribuir para que o Brasil cresça e prospere?, Da vida política do outro candidato, o que mais você admira? Qual a qualidade dele(a) que você gostaria de ter? Seria um belo exercício e exemplo para todos nós, não?

– Candidata, seu governo não investiu nas indústrias e o resultado disso foi a falta da bananada tachão de Ubatuba no mercado alimentício, candidata!
– Candidato, no que se refere, bem, no que se refere às questões… citadas, candidato, o meu governo investiu no povo, e o povo comprou muita bananada tachão acabando, inclusive, candidato!, dado o poder econômico e de consumo que hoje o pobre tem, com todas as bananadas tachão do estoque.

Para que o debate fizesse juz mesmo com entretenimento, poderia ter tido aquela opção do antigo programa de auditório onde quem errasse, mentisse ou desse risinho cínico levava uma torta na cara. E Ratinho poderia intervir a qualquer momento para fazer o teste de DNA que fosse necessário, a começar, pelo Bolsa-Família. Quanto a ela, só faltou alguém do público se levantar e gritar “pai é quem cria e não quem gera!”. E o público, desobedecendo Bonner como mostrou que o faria, aplaudiria o barraco montado. Em tempo, Aécio e Dilma pareciam pais brigando na separação disputando a guarda da criança.

– Candidata, eu criei a Teoria da Relatividade, Einstein só deu continuidade!

Poderíamos também ter a presença dos famosos que fizeram campanha. Gian e Giovani poderiam fazer uma ode no intervalo, Chico Idem, Lobão nem pensar, Ronaldinho poderia fazer umas embaixadinhas, Ziraldo poderia desenhar algumas cenas e Barrichelo poderia aparecer atrasado querendo que Marina ganhasse. Mas o que vimos não foi nada disso. Zero arte. Necas de beleza. Testemunhamos todos, nesses debates, o mesmo de quando também nos unimos há poucos meses atrás e ficamos de frente para a televisão torcendo para ver o Brasil fazendo bonito. E tomamos de 7 a 1. Desânimo total.

– Candidata, deixa de ser leviana, e pare de ficar ofendendo o Estado de Minas toda hora.
– Candidato, eu não ofendo aquela merda!

Quisesse mesmo Dilma ganhar as eleições de forma fácil, não precisava nem de um minuto e meio para falar no final. Bastava ela olhar com aquela cara quando ouve Aécio falar em Mensalão e Petrobrás, bastava ela mirar com aquele mesmo semblante para a câmera e dizer: brasileiro, se você não votar em mim, puxarei seu pé durante quatro anos. Pronto. Batata. Dez segundos e tudo estaria garantido. Por outro lado, se encontro Aécio na rua e ele sorri para mim daquele jeito que o faz para Dilma e se dirigindo para nós, espectadores, eu acho que seria estuprada ou sei lá meu deus, muito estuprada. Meu pesadelo é ao sair do banho, na hora que d´eu pegar a toalha, a casa vazia, silêncio total. Olho no espelho e tcharã! Aécio sorrindo atrás de mim. Morri.

– Candidata, como resolver todos os problemas do Brasil de uma vez só?
– PRONATEC.

Enfim, acho que ninguém aqui é louco de definir voto baseando-se nos debates. Não estamos buscando simpatia e nem é por um erro de português (quem nunca?) que podemos julgar se um candidato serve ou não para nos representar. Quem usa desse argumento deve acreditar que quem fala bem tem mais capacidade intelectual do que quem vacila ao fazer um discurso. Ora, Hittler era mestre em retórica. Charles Chaplin não sorria facilmente, fora de seus filmes era considerado extremamente indigesto.

Mas não quero defender ninguém hoje. O texto é só para mostrar que seja lá quem vencer essas eleições, nós, eleitores, tanto um lado quanto de outro devemos manter o empenho de continuar fiscalizando a vida de quem for eleito e divulgando os números que conseguirmos. Afinal, todos temos em comum o fato de querermos o melhor para nosso país e é bom lembrar que seja Aécio ou seja  Dilma, o nosso papel nessa história não pode acabar no dia 26.

Aproveito para convocar todos para uma manifestação pedindo um churrasco de confraternização a Mark Zuckerberg para que nos abracemos.

Ok, sem churrasco. Mas vai, aperta a mão do amigo porque o barco é um só e estamos todos nele.

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Arquivado em Crônicas, Manifestação, Opinião

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