Partiu usar a Bíblia em sala de aula!

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Foto: Bárbara Lopes

O ministro da educação Ricardo Vélez anunciou Iolene Lima para chefiar a Secretaria Executiva do MEC. Na prática, ela será a número dois da pasta. Ela defende que a Bíblia deve ser a base para a Educação e cita Gênesis para que a criança aprenda matemática inicialmente por ele (no 1o dia Deus fez isso, no 2o dia aquilo, um, dois, três… dias da semana… Gênesis nas cabeça).

O vídeo com Iolene explicando didaticamente com podemos usar a Bíblia em aula de geografia, biologia e matemática está em todas as redes. Não deixem de ver.

Eu gostei disso de levar Bíblia para a sala de aula. Na verdade, adorei. Já quero.

Vamos ver alguns fatos para debatermos em sala de aula? Vamos!

Comecemos no Gênesis com a adorada história de Noé. A lenda dos animais entrando na arca aos pares.

Deus condenou os seres humanos e resolveu – com exceção de uma família – afogar todos eles, incluindo as crianças, e também, por via das dúvidas, o resto dos animais, presumivelmente os inocentes, de certo…

Deus é bom? Deus é perfeito? Por que condenou crianças? Vamos fazer um problema de matemática com isso utilizando Gênesis como propõe a secretária executiva do MEC? Vamos!

Deus afogou 25 famílias com 4 crianças cada uma. Quantas crianças morreram sem ter culpa de nada?

Vamos agora para destruição de Sodoma e Gomorra. Foi Ló, sobrinho de Abraão, o escolhido para ser poupado junto com a sua família por ser especialmente correto.

Dois anjos foram enviados a Sodoma para avisar a Ló e dizer que ele saísse da cidade antes da chegada do enxofre.

Ló recebeu os anjos com hospitalidade, e então, todos os homens de Sodoma reuniram-se em torno da casa dele e exigiram que Ló entregasse os anjos para que eles pudessem sodomizá-los: “Onde estão os homens que vieram para sua casa esta noite? Traze-os para que deles abusemos”(Gênesis, 19,5).

A bravura de Ló ao recusar-se a ceder à exigência sugere que Deus deve até ter tido razão ao considerá-lo o único homem de bem de Sodoma.

Mas… a auréola de Ló fica manchada com os termos de sua recusa: “Rogo-vos, meus irmãos, que não façais mal; tenho duas filhas, virgens, e vo-las trarei; tratai-as como vos parecer, porém nada façais a estes homens, porquanto se acham sob a proteção de meu teto” (Gênesis, 19,7-8).

Por mais estranha que a história possa parecer, ela certamente nos indica alguma coisa sobre o respeito reservado às mulheres nessa cultura inteiramente religiosa.

Bom tema para discutirmos gênero em sala, o papel da mulher na história e coisa e tal. Réchi tégui fica a dica.

No final, a oferta que Ló fez da virgindade de suas filhas mostrou-se desnecessária, pois os anjos conseguiram afastar os opressores cegando-os por milagre.

Pausa para uma boa questão de matemática utilizando Gênesis:

Os anjos de Ló cegaram 27 soldados. Quantos olhos deixaram de enxergar por conta desse crime?

Voltando à Bíblia. Eles então advertiram Ló para que partisse imediatamente com a sua família e seus animais porque a cidade estava prestes a ser destruída. A família inteira escapou, com exceção da pobre mulher de Ló, que o Senhor transformou num pilar de sal por ter cometido a ofensa de olhar para trás para ver os fogos de artifício.

Vejam vocês, a curiosidade de uma mulher na Bíblia foi duramente condenada.

Bora seguir que eu adoro a Bíblia em sala de aula:

As duas filhas de Ló fazem uma breve reaparição na história. Depois da mãe delas ter sido transformada num pilar de sal, elas moram com o pai numa caverna, no alto de uma montanha. Carentes de companhia masculina, adivinha (!), elas decidem embebedar o pai e copular com ele.

Ló não percebeu quando sua filha mais velha chegou a sua cama, mas não estava bêbado demais para engravidá-la. Na noite seguinte as duas filhas combinaram que era a vez da mais nova. Novamente Ló estava bêbado e engravidou a mais nova também (Gênesis, 10, 31-36).

Vamos usar a Bíblia para nos inspirarmos em questões de biologia?

Considerando o cruzamento genético e o papel do ambiente no desencadeamento de problemas, as chances de um recessivo se manifestar é de 50%. Por que o risco é 100 vezes maior quando Ló transa com as filhas do que se elas tivessem copulado com os soldados, por exemplo?

Cá para nós, se essa família tão perturbada era a melhor que Sodoma tinha a oferecer em termos de princípios morais, dá até para entender o enxofre punitivo mandado por Deus!

A história de Ló e os sodomitas ressoa de forma assustadora no capítulo 19 do livro dos Juízes, quando um levita (padre) não identificado viajava com a concubina em Jebus.

Eles passaram a noite na casa de um velho hospitaleiro. Enquanto jantavam, os homens da cidade chegaram e bateram à porta, exigindo que o velho entregasse seu convidado “para que dele abusemos”.

Praticamente com as mesmas palavras de Ló, o velho disse: “Não, irmão meus, não façais semelhante mal; já que o homem está em minha casa, não façais tal loucura. Minha filha virgem e a concubina dele trarei para fora; humilhai-as e fazei delas o que melhor vos agrade; porém a este homem não façais semelhante loucura”(juízes 19, 23-24).

Acho o termo “humilhai-as” especialmente aterrador. É como se dissesse: Divirtam-se humilhando e estuprando a minha filha e a concubina desse padre, mas mostrem o devido respeito por meu convidado, que, afinal de contas, é homem!

A concubina não teve a mesma sorte que as filhas esquisitas de Ló. O levita a entrega à multidão que a estupra coletivamente a noite inteira: “E eles a forçaram e abusaram dela toda a noite até pela manhã; e , subindo a lava, a deixaram. Ao romper da manhã, vindo a mulher, caiu à porta da casa do homem, onde estava o seu senhor, e ali ficou até que se fez dia claro”(Juízes 19, 25-26).

De manhã o levita encontra a concubina prostrada na porta e diz: “Levanta-te e vamos”. Mas ela não se moveu.

Estava morta.

Então ele “tomou um cutelo e, pegando a concubina, a despedaçou por seus ossos em doze partes; e a enviou por todos os limites de Israel”.

Sim. Você leu certo. Pode olhar em Juizes 19, 29.

Vamos fazer um probleminha de matemática utilizando as partes do corpo da concubina para estudar fração?

Vou passar essa.

Podemos ir além nesse história bíblica que deve ser debatida em sala de aula. Havia um motivo para esse esquartejamento: provocar uma vingança.

E deu resultado, pois o incidente causou a guerra de desforra contra a tribo de Benjamim, na qual, como o capítulo 20 de Juízes ternamente registra, mais de 60 mil homens foram mortos.

Matemática? Probleminhas? Vamos fazer? Deus é o matemático mais perfeito que existe, segundo o MEC. Bora?

Depois eu faço. Continuando.

Essa história é tão parecida com a de Ló que não dá para não especular se algum fragmento do manuscrito sem querer não se misturou em algum escritório esquecido de um monastério.

Calma que isso não é nada! As aulas podem ficar ainda mais interessantes!

–  Abram a Bíblia na página tal! Hoje a aula vai ser sobre Abraão!

Todos os episódios desagradáveis citados acima não passam de pecadilhos se comparados à infame lenda do sacrifício de filho de Abraão: Isaac.

Deus determinou que Abraão transformasse seu filho querido em oferenda em forma de fogo. Abraão construiu um altar, colocou lenha sobre ele e amarrou Isaac sobre a lenha.

(Questão sobre física boa aqui. Como o atrito gera calor…)

A faca assassina já estava em suas mãos quando um anjo interveio drasticamente, com a notícia de uma mudança de planos de última hora: Deus estava apenas brincando, no fim das contas, estava apenas testando a fé de Abraão.

Ufa!

Mas, como uma criança conseguiria se recuperar de tamanho trauma psicológico?

Fica a dica para aulas de Moral e Cívica. Podemos discutir que Deus foi bom pois poupou a vida de Isaac no último minuto.

Isso prova que Deus realmente é bom, mas quero ver como vai explicar a onisciência se baseando nessa história… Por que Ele não foi capaz de entrar na cabeça de Abraão e poupar a criança do trauma?!

Vai ser um excelente debate.

Em Juízes, capítulo 11, o líder militar Jefté fez uma troca com Deus combinando que, se Deus garantisse a vitória de Jefté sobre os amonistas, Jefté sacrificaria, sem falta, na fogueira, “aquele que sair primeiro da porta da minha casa e vier ao meu encontro, voltando eu.”

(Analisar a gramática e o estilo da Bíblia nas aulas de português. Não faltam frases interessantes).

Jefté tinha mesmo a intenção de derrotar os amonistas e voltou para a casa vitorioso.

Como era de se esperar, sua filha, única filha, saiu de casa para recebê-lo e, que pena, foi a primeira a sair pela porta…

Jefté rasgou suas roupas, compreensivelmente, mas não havia nada que pudesse fazer. Deus estava ansioso pela oferenda prometida, e dadas às circunstâncias, a filha, respeitosamente, concordou em ser sacrificada.

Ela só pediu permissão para ficar dois meses na montanha para lamentar a sua virgindade. Ao fim desse período ela voltou, obediente, e seu pai a cozinhou. Deus não achou por bem intervir nesse caso.

(Questões sobre geografia e biologia aqui. Pressão em montanhas, falta de oxigênio, hemácias e coisa e tal.)

Vou adorar chegar em sala com o Novo Testamento! Venha nimim, MEC!

Jesus, meu ídolo! Se Jesus não era comunista era radicalmente contra um sistema que permite que uns tenham de tudo e outros quase nada.

E mais! Jesus estaria a favor, certamente, das políticas sociais instaladas no Brasil no governo do PT pois ele foi O Cara que distribuiu pão e multiplicou os peixes e só depois é que ensinou a pescar porque sabe que “quem tem fome tem pressa”.

Jesus seria contra essas reformas todas que só prejudicam os pobres e seria Réchitégui-EleNão nas cabeças. Petralhudo, mortadelaço ou algo que o valha seriam os apelidos de Jesus.

Jesus era um típico pé rapado. Vivia descalço de vestidão, parecia que nunca viu um pente e uma tesoura para aparar aquela barba. Ele era contra o consumismo, meus alunos. Parecia um universitário de humanas.

Percebem? Não tinha vaidades, não usava terno e maletas, principalmente, não tinha preconceito algum.

Jesus não julgou ninguém. “Atire a primeira pedra aquele que…” é A Frase mais LGBTT que eu já vi nesse mundo!

“Não faça com os outros aquilo que você não quer que façam com você” resume todo o resto.

Já me vejo falando em sala de aula com a Bíblia na mão emocionada:

– Eu tenho a impressão, meus alunos e minhas alunas, de que se Jesus voltasse, a primeira coisa que ele faria era tacar uma bomba (no sentido metafórico ou quem sabe mesmo literal) em várias Igrejas que doutrinam as pessoas e as obrigam praticamente a selecionar somente um tipo de amor que lhes é permitido e ainda por cima lucram exorbitantemente falando coisas que Jesus jamais proferiu e vendendo de tudo com a Sua imagem.

E continuaria:

– Há uma passagem que eu adoro em que Jesus chega chutando literalmente o pau da barraca. Quando ele chega no Templo de Jerusalém e vê um punhado de gente vendendo vários badulaques, Jesus fica possesso e sai quebrando tudo. O que ele faria no Templo do Salomão? Ou vá lá, no Vaticano? O que ele faria vendo Malafaia oferecendo todos os dias produtos em sua rede?

– Jesus queimaria pneus no meio de estrada contra medidas que estão querendo nos impor que prejudicam a classe trabalhadora? Vamos debater esse tema, turma!

Concluiremos em sala de aula que se Jesus voltasse, ele seria crucificado de novo.

Exatamente pelas pessoas que falam diariamente em Seu nome e me obrigam a isso.

Vai ser lindo. Adorei a ideia e já penso em começar na semana que vem! Estou empolgada!

Pelas mulheres e pela liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva

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Olá, gostaria de me apresentar. Eu sou uma mulher comum, professora, mãe de dois filhos e de uma filha, minha casa fica no subúrbio do Rio de Janeiro, mais especificamente em Madureira bem ao lado do Império Serrano, onde Lula assinou a minha ficha de filiação ao Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em agosto do ano passado.

Como isso foi acontecer, é uma história que tentarei contar para quem quiser ouvir por acreditar que ela vale a pena – principalmente em um dia especial como hoje em que celebramos conquistas sociais e políticas das mulheres no mundo inteiro.

Nunca fui uma militante típica de ir a manifestações, plenárias e coisas afins até mesmo porque, como mãe de crianças e moradora do subúrbio carioca, não é fácil o ir e vir. Porém, fui professora a vida inteira e não tem como trabalhar no Ensino Público e ficar alheia ao que acontece nas Assembleias e nas Câmaras. Já tive duas matrículas no Estado e hoje sou professora e a primeira coordenadora mulher de Física do CEFET/RJ em 100 anos. Paralelamente a isso, sou escritora. Uma escritora desconhecida como tantas outras que não têm berço e nem facilidade de fazer contatos que agilizam a publicação de um livro. No início de 2016, um agente literário se aproximou de mim. Aceitei a mão estendida. Depois de três meses analisando meus livros e minha rede, fui comunicada que poderia me transformar em uma escritora famosa, contanto que mudasse meu comportamento. Disse-me que não poderia falar mais tanto de política nas redes sociais que, na época, era meu único espaço de manifestação.

A reunião em que fui avisada sobre a necessidade de me silenciar para que as editoras me aceitassem aconteceu em uma cobertura no Leblon. Lembro-me de que chovia muito quando saí de lá, mas, ainda assim, ao lado do meu carro, sentei-me no meio fio e chorei antes de pegar o túnel Rebouças de volta para minha casa. Ali, com a água gelada correndo nas minhas costas e um filete úmido, quente e intenso escorrendo pelo meu rosto, percebi o que era todo esse sistema em que vivemos. Porém, fui além. Percebi também quem eu era, a dizer, uma mulher tão comum dessas que vemos em qualquer esquina cheia de foco e de sonhos.

Estava como ficam as pessoas que decidem a própria amputação de um membro. E com essa sensação que perderia as pernas – mas que o cérebro continuaria intacto -, chorando do início ao fim escrevi um texto que acabou viralizando na internet. O texto está aqui para quem quiser ler.

O interessante é que ele foi lido por parentes e amigos, mas ninguém identificou nele o que Lula captou com sua sensibilidade ímpar: tratava-se de uma mulher tão comum como vemos por aí que precisava ser empoderada. E ele fez algo que mudou para sempre a minha vida: Lula estendeu a sua mão, me colocou em pé e me abraçou com sua ligação inusitada. Os detalhes da ligação estão registrados em um outro texto que está neste link.

Dentre outras coisas, Lula me disse que percebeu em mim uma força e a necessidade de receber um abraço forte. Frisou que para isso ele havia me ligado. Nunca, em tempo algum, jamais pensei em um dia receber essa atenção de uma pessoa famosa. De Lula, nem se fala. Era quarta-feira de cinzas de 2017. Dona Marisa havia falecido há pouco e Lula me ligou em pleno luto. Não perdi a oportunidade. Agradeci em nome de todas as pessoas que hoje tem diploma e que, sem ele, estariam à margem da nossa sociedade. Eu sabia que estava diante do político que mais fez pelas mulheres em nosso país.

Para quem não sabe, no primeiro ano do governo Lula, a Secretaria dos Direitos da Mulher foi desvinculada do Ministério da Justiça e transformada na Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM). Hoje, o Ministério passou a ser pasta e voltou a ser subordinada ao Ministério da Justiça e da Cidadania.

Muita gente não tem conhecimento sobre isso, mas o programa que tirou o Brasil do mapa da fome também promoveu uma verdadeira revolução feminista nos confins do Brasil por meio de uma ideia simples: o dinheiro é transferido sempre para a mulher. Com a garantia do benefício, encerrou-se em muitos lares o ciclo de abusos muitas vezes alimentado pela dependência financeira do companheiro. O relato delas é impressionante e pode ser conferido no livro “Vozes do Bolsa Família”, de Walquiria Leão Rego e Alessandro Pinzani. (São Paulo: Editora Unesp, 2013). Vale lembrar que só pode receber o benefício as mulheres cujos filhos de seis a 15 anos estejam matriculados e frequentem pelo menos 85% das aulas. Menores de sete anos têm que ter a carteira de vacinação sempre em dia. Depois do golpe, pasmem, perdemos mais de 1 bilhão de investimentos nesse programa e em torno de um milhão de famílias que recebiam por volta de R$ 170,00 ficaram sem o auxílio.

Para muitas famílias, a criação do programa Minha Casa Minha Vida representou uma chance única de realizar o sonho da casa própria. O programa foi lançado em 2009, um ano antes de Lula deixar a presidência. Quase quatro milhões de famílias foram beneficiadas em seis anos. Quando Dilma assumiu o poder, o programa foi aperfeiçoado para contribuir com a autonomia feminina. Elas passaram a ter preferência na assinatura da escritura e, caso fossem separadas, não precisavam da assinatura do cônjuge, mesmo se o divórcio ainda não estivesse no papel.

E não vamos nos esquecer das companheiras rurais. Foram criados nas gestões do PT serviços especializados para atender as trabalhadoras em situação de violência e o Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural, as linhas de crédito Pronaf Mulher e o Programa de Organização Produtiva de Mulheres Rurais.

Em um país no qual todos os dias lemos notícias de mulheres que sofrem com os mais diversos tipos de violência seja em casa seja fora dela, essas políticas significam muito e eu sabia disso quando Lula me ligou. Em nome de todas as mulheres deste país, quer elas soubessem ou não do quanto Lula melhorou suas vidas, quer reconhecessem ou não, eu agradeci.

Depois dessa ligação que completou agora exatos dois anos, encontrei-me com Lula pessoalmente, pois muita gente começou a cogitar meu nome para ocupar algum cargo político – coisa que jamais havia vislumbrado na minha vida – e eu queria conversar com ele. Afinal, a minha vida havia virado um rebuliço quando souberam que Lula me ligou.

Após me receber no Instituto, Lula ouviu toda a minha história como fazem os grandes líderes políticos. Nunca havia recebido aquela atenção nem mesmo nas minhas sessões de terapia. É uma experiência que desejo a todas as pessoas, principalmente, àqueles que zombam da inteligência de um possível Prêmio Nobel da Paz.

Lula, ao contrário do que imaginei, desencorajou-me de imediato a vincular meu nome ao PT, pois, disse ele, a minha vida iria virar um inferno. “Veja o que fizeram com Marisa”, alertou-me. Expliquei ao nosso presidente que inferno é ler todos os dias nos jornais o que estão fazendo com a Educação Pública desse país e que eu fui até ele não para pedir autorização e muito menos conselho – que foi o que havia falado quando pedi a sua assessora dez minutos com ele. “Vim aqui para pedir a sua bênção, presidente. Vai ser com ela ou sem ela, mas vou me filiar ao PT”.

Ao ouvir minha teimosia, Lula sorriu e disse que sabia que não tinha errado ao me ligar.

Depois disso, nos encontramos por aí em alguns palanques. No meio de tanta gente importante, ele sempre me reconheceu e perguntou dos meus filhos e de Lucimar, a moça que trabalha aqui em casa.

Hoje, 8 de Março de 2019, o presidente que mais fez pelas mulheres neste país está preso. Tiraram-lhe a possibilidade de interação com outros seres, o que ele faz de melhor. Perdeu o povo com o seu silêncio porque suas palavras são como um bom cobertor no inverno e, dependendo de onde estamos, sentimos uma frieza danada aqui fora.

Sigo apanhando por ter aprendido de uma forma natural a amar Lula como acontece quando lemos um livro maravilhoso. Tudo o que estão fazendo com ele é demasiado injusto e já está claro que o Brasil piora muito quando não o deixam agir e fazer mais pelas minorias.

Mas, ainda que eu esteja plena de hematomas, quando vejo o olhar de quem me ataca e ouço o discurso dos que me xingam, reafirmo meu amor ao homem que diminuiu a desigualdade social neste país e mudou a vida de milhares de brasileiras.

Como lhe disse em uma carta que ele respondeu em seu cárcere, estarei lhe esperando aqui fora:

“Para que você me veja e me reconheça no meio da multidão quando sair, darei uma dica: estarei de vermelho e de braços abertos. Não vai ter erro, presidente, porque eu também virei uma ideia. Você irá reconhecê-la”.

Hoje eu, uma mulher comum cheia de impaciência com as injustiças, anseios e ideias, estarei nas ruas ao lado de outras mulheres. Pelas mulheres e pela liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva, nosso eterno presidente.

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