Memória rã

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Às vezes estou no escritório e penso: vou no quarto tirar as lentes e colocar meus óculos. Quando estou no meio do caminho, já esqueci o que ia fazer. Volto de ré bem devagar para ver se a memória é resgatada no rewind. Nada. Ando para frente de novo. Abro a geladeira. Bebo água. Estava com sede. Era isso. Faço carinho na cachorrinha e sento de novo para escrever. Os óculos!

Antigamente, eu trocava o relógio de pulso para me lembrar de algo importante. Anel também funciona quando trocado de mão. Tirar um brinco idem. Porém, outro dia estava com as bijus todas trocadas, tinha até cordão nos meus tornozelos e as duas orelhas sem brincos sem conseguir me lembrar de como senhor fiquei naquele estado. Diria você: anota no celular. Não adianta. Pego o celular abro feicebuque, whatsapp, e-mails, messengers e esqueço do principal.

Isso foi um exemplo. Tenho vários e sei que você também porque com todos que eu comento escuto: comigo é igual! E dá-lhe história bizarra. Não importa a idade. Hideo, meu filho de vinte e um anos, já está pior do que eu. Alzheimer geral.

Uma médica me contou que foi fazer um teste de memória com o paciente dela. O teste consistia em ela falar cinco palavrinhas e depois de um tempo pedir para o paciente repetir. Pois bem, ela falou os vocábulos e continuou a consulta. A consulta terminou e ela se esqueceu de pedir para o paciente repeti-los. Bom para ela que nem se lembrava de quais eram. Tá tenso. Tá brabo.

Li em um artigo (que já não me lembro mais onde) uma associação que fizeram com noites mal dormidas e falta de memória. Dormir oito horas por dia lhe fará uma enciclopédia ambulante. Dizem que funciona mesmo. Não é balela. Mas cá entre nós. Oito horas de sono. Vai. Quem consegue isso hoje?

Deito-me fuçando nessa budega de celular. Depois pego meus livros. Daí, lá pelas tantas, eu durmo e mais ou menos às três da madrugada acordo do nada. Que horas são? Vou ver o celular e constato que tenho novidades e notificações em todas as redes sociais. Algo importante. Nunca é, mas sempre bom checar. Tento dormir. Daí começo a enumerar as coisas que tenho que fazer. Cabeça, sua maldita, descanse! A noite potencializa qualquer receio idiota. Então fico mudando de posição pensando pensando pensando e pego no sono bom que é interrompido imediatamente pelo despertador.

Solução? Ir para Marte talvez. Até que a viagem aconteça vou continuar por aqui trocando o nome de todos os filhos e agora dos nossos bichos de estimação.

Beijo, gente. Tenho que ir ali resolver um probleminha. Qual era mesmo?

1 comentário

Arquivado em Crônicas

Uma resposta para “Memória rã

  1. Tom Lemos

    Genial. Adorei o bordão “Houve”.

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