Peixe Fora d´Água

pilates

Desde que me entendo por gente, odeio fazer exercício físico. Não levo jeito para esporte nenhum. Tenho medo de bola, não vejo graça em peteca, água com cloro deixa meu cabelo duro e me dá otite, não tenho equilíbrio para surfar e, se pudesse, passaria o dia na rede lendo.

O ponto é que enquanto somos jovens, e isso vai até os vinte e cinco anos, não precisamos de fato fortalecer músculo nenhum. Está tudo lá, indiferente à gravidade e ao tempo. Mas depois desse marco… Esse é o problema, gente, começamos a envelhecer muito cedo. Homens ficam carecas (nada contra os carecas) e já bagulham o corpo com barriga de cachaça antes dos trinta. Mulheres já estão cheias de pés de galinha e fios de cabelos brancos antes de terminarem a faculdade. A gente dá um tchau e tudo balança como um pudim andando em uma carroça.Tenso. Giga tenso.

Há alguns anos atrás, percebi que, ao entrar na água do mar, caía a cada baque das ondas nas minhas pernas. Ou eu bem me concentrava como se estivesse em um jogo de xadrez ou ficava tomando caixotes com a água nos joelhos. Era a porcaria da idade que já havia chegado sem eu sequer ainda ter netos. Eu pensava que esse tipo de coisa fosse acontecer só quanto eu tivesse com oitenta anos. Qual o quê…

Não havia outro jeito. Eu tinha que entrar para uma academia e fazer algo pelo meu corpo. Matriculei-me aqui por perto e fui. Ao chegar, um susto. Eu não estava vestida de forma apropriada. Fui de bermuda jeans, sandália e camiseta. Para mim, estava ótima, bem confortável e bababá bububú, mas geral desaprovou. Precisava me vestir com roupas adequadas que facilitassem os meus movimentos. Era só o que me faltava… Comprei a tal roupa-adequada e quem disse que tinha coragem de sair pelas ruas andando embalada à vácuo? Ainda que eu colocasse uma blusa toda solta que cobrisse tudo – ou o pouco que tenho – tinha meião e tênis! Fala sério! Sem contar o adereço de quem vai suar rios: a garrafinha d´água que você aperta e jorra o líquido com a boca aberta. A água vem pelo ar impulsionada pela pressão que seus dedos fazem com a garrafa de cabeça para baixo. Ainda por cima tinha que aprender me hidratar daquela forma estapafúrdia.

Vocês que me perdoem, mas a fauna de uma academia é hiper estranha. O que são aqueles coxinhas, gente? Não me refiro a galera que pensa politicamente diferente de mim não, refiro-me ao formato do corpo dos meninos. Eu via homens-coxinhas por todos os lados. Troncos enormes que iam se afunilando conforme a gente descia os olhos. Brochante viu. Eu não sinto nada vendo um homem-triângulo na minha frente. Só dó e vontade de rir mesmo.

Voltando para mim…. Eu precisava também fazer algum exercício aeróbico. Eu que sempre fui anaeróbica por natureza deveria acelerar meu coração com um certa frequência e mantê-la por um determinado tempo. Dentre as opções, a que menos odiei foi aquela coisa de ficar pulando, o jumping. O problema é que eles fazem aquilo com música alta! e não era Beatles, Chico Buarque, Elis não. Era funk! Mas não é só isso! Fica uma mulher gritando lá na frente como se aqueles berros tivessem algum efeito no meu ânimo. Mas gente… que inferno… Como sobreviver nesse ambiente?

Não gostava das músicas, achava todo mundo esquisito, não conseguia beber água como eles e nem fazer nada com alguém me olhando – e sempre tem alguém te olhando te apressando para a gente fazer tudo rapidim e eles pegarem nosso lugar. Se fosse só isso, beleza. Mas não. Mal a gente larga o aparelho eles vêm e calibram o peso dos ferros para os músculos deles que suportam toneladas e toneladas. Humilhação e constrangimento geral. Definitivamente, eu estava no lugar errado.

Não me adaptei e entrei em desespero com os meus músculos flacidando. Até que descobri o Pilates. Músicas calmas, uma fisioterapeuta ao seu lado que não fica berrando como uma louca no seu ouvido, exercícios que desafiam também a sua mente e nada repetitivos… há quatro anos estou nessa vida e, pasmem, não tenho a menor intenção de abandonar. Para o coração, fiquei com a corrida de rua. Meia hora duas ou três vezes na semana e está ótimo. Ouço pelos fones o que quiser. Paz. Santa paz.

A preguiça continua gigante. Mas sempre que penso em não fazer, lembro dos amigos novos (como eu) com joelhos ferrados, hérnias de disco e que não aguentam com a minha idade subir escadas sem ficar com um palmo de língua para fora. Não preciso ir com fantasias e adereços para o meu Pilates e sinto-me uma menina no meio daquelas senhorinhas!

É isso. Vai que você é do meu time… fica a dica.

Beijo, gente!

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Arquivado em Crônicas

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