Sobre beleza…

encan9

Ontem, antes de me deitar fiz uma macumba que a Nara, minha filha adolescente, me ensinou para ficar linda como a Sônia Braga. Mistura-se hipoglós com bepantol na palma da mão e espalha aquilo pela fuça toda. Em não sei quantos anos, disseram em alguma revista aê, essa liga promete, se usada diariamente, que irão te confundir com a Jennifer Aniston nas ruas. Eu que não sou boba nem nada…

O hipoglós, todos sabem, é uma pomada de difícil, digamos, inoculação. Quando estou com tempo e paciência, fico massageando aquela pasta melequenta até que meu rosto fagocite toda a gororoba albina. Ontem, como a maioria dos outros dias, só passei o reboco branco e fui me deitar. Como estou separada e é a Nara que agora, geralmente, dorme ao meu lado (principalmente no verão por causa do ar condicionado) posso me dar a esse luxo de ir para a cama sem me preocupar se estou parecendo a Regina Casé cheia de pó de arroz.

Deitei.

Peguei meu livro e comecei a ler na paz do senhor.

Nara já dormia profundamente de costas para mim. Mal começo o segundo capítulo, Nara se mexe, se descobre toda e vira o corpo para o meu lado. Fui cobri-la como fazem as mães boas desse mundo, mas quando olhei para o rosto dela… Nara parecia um membro da ku klux klan. Só a boca e as bolinhas do nariz não estavam brancos e ela ainda estava fazendo um beiço mega esquisito. Fiquei um tempo assimilando aquela imagem e pensando: caraca assim a Nara vai acordar nível miss Filipinas para que tanto hipoglós jesus será que eu tenho que passar mais ainda para não virar a miss Colômbia nossa como ela consegue passar hipoglós até no cabelo mas gente… Enfim, pensando assim mesmo sem vírgulas e sem pontuação, eu olhava maternalmente giga concentrada minha menina. De repente, ela deu um roncadão.

Levei um susto porque daí já era demais e quase caí da cama. Fiz, então, o que qualquer pessoa normal faria. Peguei meu celular, tirei um selfie sem conseguir parar de gargalhar no banheiro da minha cara e da cara da Nara e mandei para a maluca pelo WhatsApp. Depois, escrevi um bilhete contando tudo e deixei-o colado no espelho para quando Nara acordasse, lesse – e visse o quanto nós somos estapafúrdias, funambulescas, esquipáticas e esquisitas…

Enfim, todas as vezes que saí da maternidade, além de um filho, trazia sempre para casa, constato isso a cada dia, um parque de diversões

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Arquivado em Crônicas

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