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Genesis Revisitado

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No princípio, era o impeachment.

E a coisa era aparentemente sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo.

E disseram: Solta o áudio de Jucá.

E vimos que o áudio era bom e uma luz, pois incriminava Romero Jucá, Aécio Neves e o próprio Michel Temer deixando muito claro o envolvimento do judiciário e da mídia.

E fez-se separação entre a luz e as trevas.

E daí chamamos o impeachment de golpe; e a democracia chamamos de passado. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

E disseram os golpistas: que venha a PEC 241 que congela gastos públicos por 20 anos, o que deve provocar o sucateamento da saúde, da educação e da Previdência Social. Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.

E fizeram os alunos a Ocupação, e assim a separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.

E chamaram eles a ocupação de crime, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.

E disse Temer: Vamos privatizar tudo.

E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.

E disseram eles: Proíbam as greves.

E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.

E disseram eles: desocupem as escolas ou levarão bala.

E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.

E disseram eles: proíbam os professores de debaterem com seus alunos em sala de aula.

E fez o governo Temer as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua vontade, e todo o réptil da terra conforme a sua necessidade; e viram eles que era bom e fácil.

E disseram os deputados e senadores: Façamos o certo à nossa imagem, conforme a nossa semelhança: homem, macho, branco e hétero. E dominemos sobre os negros das favelas, e sobre as mulheres em casa, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o analfabeto sem instrução que se move sobre a terra.

E que a discussão de gênero seja proibida e que não se fale sobre
a denúncia da Odebrecht contra José Serra, na qual o ministro das Relações Exteriores foi acusado de receber R$ 23 milhões via caixa 2 por meio de uma conta na Suíça.

E viram eles tudo quanto tinha feito, e eis que dar um golpe era muito fácil; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

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Quem aqui está sendo doutrinado?

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Acho que todos aqui já ouviram várias pessoas se dizerem contra a doutrinação marxistas nas escolas feitas por professores comunistas esquerdopatas. Quem fala isso fala como se estivesse havendo uma lavagem cerebral ideológica em massa nas escolas públicas brasileiras com a “injeção” de crenças marxistas na mente de crianças e adolescentes. E nem vamos falar dos que tentam diminuir Paulo Freire. Mentira. Vamos sim.

O que não me parece que seja levado em consideração é que desde que o mundo é mundo e a escola tal qual a conhecemos sempre utilizou de métodos educacionais doutrinários.

Muitos parecem não se dar conta já que nunca tiveram contato com outros métodos de ensino que incentivassem o questionamento daquilo que os detentores de poder vivem dizendo à população. Afinal, verdade seja dita, fomos submetidos a doutrinadores durante toda a vida.

O que não podemos negar é que a educação é e sempre foi um ato político. Não foram os “esquerdistas” (ou Paulo Freire) que inventaram isso. Ensinar é um ato político, a despeito de se ter ou não consciência disso. Não apenas os conteúdos que ensinamos, mas forma pela qual o fazemos.

Por exemplo, se ouvimos o aluno, mesmo quando ele discorda de nós, estamos ensinando a ele (concretamente e não apenas com palavras) um importante princípio da democracia. Por outro lado, quando reduzimos o tempo de debate dos alunos para poder ensinar mais “conteúdos objetivos” (que é o que defende Olavo de Carvalho, por exemplo), também estamos agindo politicamente e ensinando um certo modo de viver e de enxergar a vida.

Se não fomentamos o debate em sala de aula, estamos dizendo com essa atitude que o debate público é uma perda de tempo, que o importante é se preparar para a dura vida que vem a seguir. Estudar, adquirir conhecimentos “de verdade” para poder competir no mercado de trabalho. Ou seja, dizemos para nossos alunos como já disseram tantas vezes para nós com todas as letras para esquecermos os outros e nos preocuparmos somente com nós mesmo porque a vida é dura, o que há aí fora é competição e se não estivermos preparados para competir sofreremos as consequências disso.

Isso é uma mentia? Claro que não! Mas poderíamos repensar sobre o propósito de tudo isso que está acontecendo no mundo de, por exemplo, ao invés de competição, alimentarmos mais a ideia da empatia. Por que não? Ao invés de ficar repetindo que o mundo é assim e que se não estudar vai ser pedreiro (o que não seria vergonha nenhuma, vale observar), por que não pensarmos em formas de melhorar o mundo para o pedreiro?

Acho que as pessoas têm todo o direito de não gostar de Marx ou de Paulo Freire, e de fato há um forte vínculo entre os dois. Mas o legado de Paulo Freire vai muito além do marxismo. Reduzí-lo a ideias comunistas ou doutrinantes é um delírio de quem vê inimigos vermelhos por toda parte.

Paulo Freire é uma das grandes referências (se não a maior) da educação brasileira no exterior, não vamos jogá-lo fora junto com a água suja da  banheira.

A história dessas pessoas é muito parecida. Quando crianças eram educadas por uma família conservadora (como eu fui).  “Aprenderam” no ambiente doméstico e religioso valores preconceituosos, discriminatórios e excludentes porque seus responsáveis também foram assim criados e achavam que o mundo dessa forma fosse o natural. Um mundo onde os gays não podem amar livremente, as mulheres serem independente, os negros exercerem cargos de chefia… tudo isso era visto como algo bizarro e anti natural.

A maioria de nós que estudamos em escolas tradicionais e que hoje somos os adultos da sociedade passou por uma escola que nos fez entender que a meritocracia era um conceito dado na natureza. Que o mundo era assim, que vença o mais forte, portanto, estude para ser alguém na vida (sinônimo de ganhar dinheiro) e saiba que o seu coleguinha (estudante secundarista) é seu inimigo porque vai disputar a mesma vaga em uma universidade que você. Eu ouvi isso N vezes e sei que muitos também.

E nem vamos falar da televisão que sempre fortaleceu essas ideias. A mídia tem um papel fundamental na doutrinação de um modelo correto de sociedade passado em novelas, revistas e jornais.

O que temos hoje? Temos desde os idos da virada do século, um avanço da inclusão social e um aumento no volume do grito (antes mudo) das minorias. Incrivelmente, e esse é um ponto em que tenho estudado, lido e conversado muito porque não entendo, esse movimento de pedido de aceitação e menos preconceito foi visto como algo de esquerda, ou “coisa do PT”. Assim, aqueles que não tem simpatia pelas ideias da esquerda, o que não há o menor problema em pensar diferente, passaram a  odiar e rejeitar quase de maneira irracional os movimentos de inclusão (sejam eles de qual tipo for!).

Será que não pensam que eles foram as maiores vítimas de doutrinação já que nunca fomos estimulados a refletir nas nossas escolas sobre crenças políticas, nunca ou quase nunca nos deram oportunidade de aprender a usar o senso crítico e o ceticismo em temas sociopolíticos e históricos quando estivemos na escola?

Daí, ao se deparar com projetos pedagógicos que pretendem implantar métodos diferentes dos tradicionais de ensino de ciências humanas e mesmo de outras disciplinas, consideram-nos uma “doutrinação ruim”, diferente da “doutrinação boa” à qual foram submetidos por toda a vida.

O que se prega é exatamente uma educação não doutrinadora. Está se colocando e propondo o debate de textos dos mais variados temas. Não é estranho quando temos um ensino que estimule o pensamento livre e autônomo ser visto como doutrinador?

 

 

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Medida Provisória: Cinco pontos a esclarecer sobre a Reforma do Ensino Médio.

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Vivemos um momento em que o país se encontra extremamente dividido e que testemunhamos um diálogo de surdos quase todos os dias. Não importa mais o que aconteça. Sempre haverá, no mínimo, duas versões: a da esquerda e a da direita. Se não há fatos e somente narrativas, como defendem muitos filósofos, temos hoje, ao menos, duas verdades contraditórias coexistindo. Para exemplificar isso, tratarei do assunto tão em voga e urgente que é a reforma do Ensino Médio por meio de uma Medida Provisória instituída pelo Ministério da Educação (MEC). É bom observar, para quem não sabe, que a Medida Provisória é um ato do presidente da República que passa a valer imediatamente como lei. A justificativa da pressa é a relevância do tema, coisa que ninguém pode negar. O que tem dado muita margem para grandes discussões é essa urgência que, para muitos, soa como algo impositivo e pouco democrático. Vamos, então, analisá-la.

É nítida a necessidade de mudança. Os problemas que enfrentamos são gravíssimos. Vão desde um currículo extremamente superficial, em que a maioria das matérias não tem a menor utilidade para a vida prática (com escolas chegando ao número de quinze disciplinas) até a deficiência na infraestrutura, passando pela escassez de recursos, a falta de professores capacitados e as inúmeras propostas pedagógicas inadequadas. As mudanças que se vislumbram, no entanto, dependem dos interesses de quem as formula.

Temos um país com uma história marcada pelas desigualdades sociais. O projeto de escola que temos hoje é excludente em sua base e está na raiz da nossa formação como país. O Ensino Médio é uma etapa de suma importância nesse processo, pois ele é decisivo na trajetória do futuro cidadão e ditará como o jovem vai mudar ou ajudar a reproduzir os valores da sociedade na qual (sobre)vive.

A nossa realidade hoje é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos deixam a escola sem concluir os estudos, ou seja, menos de 60% dos jovens brasileiros terminam esta etapa de escolarização. Para piorar, desses que se formam, menos de 10% sabem o fundamental de Língua Portuguesa e Matemática.

Os motivos para a evasão são vários. Estamos falando de Brasil, então, de muitos jovens de baixa renda, em sua maioria negros, que trocam com frequência os estudos por um trabalho precário, ou de meninas que engravidam já na adolescência. Porém, ainda que não sejam essas as razões, grande parte afirma que a escola é desinteressante ou irrelevante para a sua vida. De fato, a baixa qualidade do ensino e um currículo, especialmente no Ensino Médio, enciclopédico e com pouca flexibilidade para escolhas não são atrativos para ninguém.

Isto posto, está claro que precisamos de mudanças e temos que concordar que é complicado mexer no ensino sem dor e  polêmica. O ponto é se as que estão indicadas na Medida Provisória vão transmutar para melhor ou para pior a escola pública, já que as particulares tendem a sobreviver e a salvar seus alunos pagantes sob condições adversas. No mais, o fato de essa medida provisória vir de um governo cuja legitimidade é colocada em xeque todos os dias nas ruas e nas redes sociais e cujas outras medidas tomadas nesses poucos meses virem de encontro à diminuição da desigualdade social não facilita a discussão, já que qualquer ideologia, por mais linda que ela seja, cega quem dela se nutre.

Vou me concentrar nos pontos mais polêmicos.

1º –  Ouvimos que matérias seriam retiradas e só seriam obrigatórios Português e Matemática. Verdade ou mentira?

Depende. O que acontece é que o currículo foi flexibilizado, como ocorre, vale observar, com os países mais avançados no campo da Educação, onde podemos escolher o que queremos estudar. Ou seja, “flexibilização” é uma palavra, diria, do bem, pois permite a personalização desta etapa para o projeto de vida de cada indivíduo. No entanto, ao contrário dos países que estamos seguindo como exemplo, as escolas não terão obrigatoriedade de oferecer todas as disciplinas. Se uma escola em determinado bairro, por exemplo, achar que não deve oferecer Filosofia ou Física pela falta de procura, assim poderá fazer. E se o aluno quiser? Poderá procurar outra escola. Sabemos, no entanto, que isso não é tão simples para muitas pessoas.

É ponto pacífico entre muitos educadores o quanto o esporte traz de valores para quem o pratica e que influencia diretamente no nosso emocional nos ensinando a perder, a sermos mais empáticos, a lidar com a nossa autoestima… e que a arte aprofunda a nossa sensibilidade e nos ajuda a fazer outras leituras do mundo. Artes e Educação Física estão claramente delegadas a um segundo plano na MP. Oficialmente, não foi decretado o fim de nenhum conteúdo, ou melhor, de nenhuma disciplina. Porém, o que foi publicado destaca que Artes e Educação Física serão indispensáveis aos ensinos infantil e fundamental, sem mencionar a obrigatoriedade ao ensino médio (assim como várias outras matérias). Isso modifica a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação, em que ambas são obrigatórias durante todas as etapas da educação.

A flexibilização do currículo pode significar, dado o texto da MP, que os sistemas de ensino se ajustem às demandas de técnicos feitas pelas corporações e empreendimentos locais, abastecendo as empresas. As desigualdades de formação poderão se intensificar, já que é possível que tenhamos uma elite continuando seu processo de formação rumo à universidade e, consequentemente, atuando no futuro em profissões que pagam melhores salários.

2º – A Medida não foi debatida e sim imposta. Verdade ou mentira?

Depende. A reforma do Ensino Médio vem sendo debatida há anos por especialistas e técnicos do Ministério da Educação – MEC na Comissão Especial de Educação do Congresso desde o Governo Dilma.  O que muitos não esperavam é que a mudança viesse a galope em forma de uma Medida Provisória em um momento que temos como protagonistas nomes como Mendonça Filho, Maria Helena Guimarães de Castro ou Rossieli Soares da Silva, considerados por muitos como administradores e não educadores em sua essência.

Esta é uma reforma muito complexa, que exigirá várias etapas extremamente cuidadosas para dar certo. Fica mesmo complicado entender como se pode melhorar a qualidade da educação por meio de uma Medida Provisória que, para muitos, revela o caráter profundamente autoritário dessa reforma, já que a formulação de políticas educacionais avança mediante aprofundamento do tema com a participação dos diversos segmentos sociais, de forma a contemplar a diversidade de ideias. As pessoas que estão liderando essa MP claramente dialogam com mais simpatia com determinados grupos que não representam um plural majoritário. A discussão poderia continuar no Congresso, já que se trata de uma proposta de alterar muitos componentes da modalidade de ensino médio e do quão complexa será essa mudança.

Então, estava acontecendo um debate. Mas este não estava ocorrendo em toda a sociedade com os representantes de várias entidades, da comunidade escolar e das universidades de todo o país. Se isso é possível, também é difícil responder. Quanto ao fato de as medidas estarem sendo impostas, temos motivos para acreditar nisso, já que houve uma espécie de atropelamento de um processo que estava acontecendo. Vários pontos já haviam sido debatidos, outros não, a prova disso é que há várias mudanças na MP que não sabemos como poderão sem (ser) implementadas pelo fato de não terem sido discutidas a ponto de se chegar a um consenso.

3º – O que se vê é mais um retrocesso em relação às conquistas democráticas. Verdade ou mentira?

Temos muitas razões para crer que seja verdade. A MP coloca vários pontos que dão margem para que entendamos que há um interesse em aumentar a desigualdade social no país. No mais, o fato de vivermos em uma democracia institucionalizada e de as mudanças virem através de uma MP e com essa urgência parece-nos um tanto suspeito. Ainda que na MP a flexibilidade seja contemplada e que, de fato, seja um caminho a ser seguido – já que existe na Finlândia e na Coreia e que demonstra uma intenção de melhoria no EM -, é necessário levar em consideração a nossa realidade. Por exemplo, há um contingente bem considerável de alunos  do EM no curso noturno, mais precisamente 30% do total de matriculados. Como atendê-los de forma satisfatória? Não estaríamos criando um abismo maior entre os alunos e as escolas, já que umas vão mudar o método e outras não? Como essa reforma será financiada? Os Estados falidos vão fazer essa reforma de que jeito? Somente alguns serão contemplados? E sobre o preparo do professor? Como vamos capacitá-los? Se é para seguir o exemplo da Finlândia, não deveriam levar em consideração que lá os professores são supervalorizados, bem remunerados e têm uma formação continuada?

Para que a MP fosse algo seguro em termos de oferecer as mesmas oportunidades para o pobre e para o rico, a escola pública deveria sofrer uma série de adaptações e isso implica investimentos. A parte do financiamento ficou um tanto obscura nessa MP. Mas, ainda que essa seja uma questão resolvida, precisaríamos de uma melhoria da infraestrutura não somente no sentido de instalações, mas também de  profissionais. Quem vem de família muito precária social e culturalmente não vai saber qual matéria escolher. Como a escola vai implementar esse apoio? Os educadores precisarão acompanhar e para isso tem de ter toda uma estrutura e apoio do governo. Em nenhum momento, como se dará isso (se é que se dará) foi esclarecido na MP. Se não houver uma orientação séria, como serão feitas as escolhas desses alunos?

Um dos pontos mais controversos dessa reforma diz respeito à organização curricular em áreas de conhecimento, com a primeira parte comum a todos os estudantes e a segunda específica consoante a escolha do/a estudante por uma das áreas de aprofundamento – linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional. A justificativa para essa mudança procede. Precisamos enxugar os conteúdos de acordo com os interesses de formação de cada um. Porém, ao ler a MP, podemos entender que há margem apenas para reduzir o que será ensinado em quantidade e qualidade, já que em várias partes vemos claramente o interesse de atender ao mercado e não ao crescimento intelectual do futuro cidadão. Há uma notória preocupação – que podemos considerar como até a mais relevante na MP, dado seu destaque – com uma condução para a formação técnica. Podemos esperar que haja um ensino puramente instrumental nas escolas públicas que irá de encontro ao princípio constitucional da igualdade de condições de acesso e permanência e de alcance dos níveis mais elevados de ensino.

Quando se fala em um retorno à época da Ditadura, a despeito do exagero de qualquer discurso extremista, há motivos para tal comparação, pois, na Ditadura Militar, havia uma separação entre aqueles que seriam formados para o trabalho e outros que seguiriam uma formação mais clássica, terminando-a somente na Universidade. Na MP está explicitado que, para sabermos se estão sendo cumpridas as novas exigências do EM, devemos analisar, dentre outras coisas, a demonstração prática, a experiência de trabalho supervisionado e as atividades de educação técnica. Isso nos faz crer que o que menos está importando nessa MP é uma formação para a compreensão crítica da realidade social e para o exercício da cidadania.

Para finalizar, o fato de os protagonistas dessa mudança terem recebido e dialogado com representantes do Escola sem Partido não ajudou a recebermos essa MP sem desconfiança, já que esse projeto não deveria sequer ter espaço em uma sociedade que zela pela democracia.

4º – Essa reforma vai aumentar a desigualdade social. Verdade ou mentira?

Depende. Se o Estado conseguir melhorar a infraestrutura que essa reforma exige, o país tende a melhorar em algum aspecto. Teremos trabalhadores mais capacitados, por exemplo (se serão reflexivos, já é outra questão). Mas serão consumidores, portanto, entrarão na estatística daqueles que subiram de classe. Se todas as escolas oferecerem todas as disciplinas, os professores forem mais valorizados, houver profissionais para atender toda a demanda que o novo sistema exigirá e Artes e Educação Física, a despeito de aparecerem como optativas, delegadas a um terceiro plano, continuarem sendo cadeiras oferecidas pelas escolas, podemos sim ter um Ensino Médio do nível de países com grande sucesso na Educação.

A MP aumenta a carga horária de 800 para 1400 horas e promete escola de tempo integral. A Escola Integral é excelente para outras realidades em que os jovens não tenham que ajudar no sustento da família. Mantê-los na escola integral será um grande desafio para o qual nem de longe temos a solução. A proposta de oferta do Ensino Médio diurno em tempo integral pode promover, portanto, a exclusão de um amplo contingente de jovens que estudam e trabalham.

As escolas integrais exigem muito mais recursos e apoio pedagógico. Precisaremos de professores com jornada completa, com salários e carreira compatíveis, novas metodologias e um novo currículo que integre ciência, tecnologia, cultura e trabalho. Sem que isso seja feito, nossos alunos serão submetidos a uma série de conteúdos dispersos.  Implantar, então, uma escola integral sem um subsídio pode criar mais distanciamentos entre as classes da sociedade. Não há dúvidas, porém, de que, se conseguirmos que as escolas funcionem em período integral, teremos um ganho, dependendo de como esse aluno será estimulado a pensar e a criar.

Vale lembrar que o presidente em exercício, disse que a introdução desse regime integral será progressiva e que o governo federal vai dar um suporte financeiro para que a implementação seja possível nos primeiros anos. Isso faz com que nos perguntemos sobre os anos que se seguirão após os primeiros. Dado tudo escrito na MP, ficamos sem respostas.

5º – Qualquer um poderá dar aula. Verdade ou mentira?

Depende. O que está sendo colocado é uma flexibilização de certificados, já que temos uma carência notória de profissionais de várias áreas do conhecimento. Então, se bem administrado, não será “qualquer um” e sim uma pessoa qualificada para o cargo. No entanto, o “notório saber” é amplo demais e facilita o ingresso de pessoas não somente sem licenciatura, mas também com apenas um “aparente saber” – que não deixa de ser notório em certa medida.

Enfim, sabendo que há uma subserviência de várias camadas produtivas do nosso país ao capital internacional e uma tendência clara às privatizações nesse governo atual, é natural que discutamos se a educação não está incluída nesse grande projeto como sempre esteve em toda a história da humanidade. Temos motivos para encará-la como uma proposta que assegura parcerias entre o setor público e privado de uma forma que não seja inclusiva.

O fato de a MP assumir que a escolha pela especialidade que o aluno fará depende de seu interesse, por exemplo, nos leva a questionar como se dará isso se os pobres nunca tiveram a mesma liberdade de escolha dos ricos e se aos primeiros serão oferecidas apenas opções como técnicos. Do ponto de vista prático, a escolha será para quem ele vai servir e não em que ele quer trabalhar.

No mais, uma mudança sempre causa desconforto. Ainda que tenhamos a certeza de que seja para melhor (o que não é o caso), o medo nos ronda em todo o processo. Diante o do cenário em que nos encontramos, pleno de notícias que nos mostram que está cada vez mais restrito o número de pessoas nas quais podemos confiar, é normal que uma MP como essa venha acompanhada não somente de resistência, mas de críticas de todas as espécies, inclusive as que procedem e as que alertam.

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Coração Valente.

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Ontem, dia 29 de Agosto de 2016, eu não aguentei. Tentei acompanhar o processo de impeachment da presidenta Dilma, mas estava exausta. Fui até Janaína Pascoal, a advogada de acusação, e encerrei o meu dia. Foi como disse o Luis Antonio Simas, Janaína era esperada para fazer a pergunta sobre crime de responsabilidade. Daí ela desatou a comparar a economia de Chile e Paraguai. Oi? A pergunta que ela fez não tinha a menor relação com a tese pela qual Dilma está sendo julgada. No mais, de tudo que vi, ficou a certeza de que o Senado tem um nível de pobreza intelectual que superou o da Câmara.

Que o país está dividido todos sabem. Mas, depois de ontem e mais tudo o que já foi feito nesses poucos meses de governo interino, a divisão se dá porque de um lado há os que sabem que é golpe e estão desesperados com essa ideia e, do outro, os que sabem que é golpe e estão dando de ombros para a democracia.

Outra coisa que eu e mais uma grande parte do Brasil ficamos bem surpresos foi ver a Dilma que a mídia esconde. Até aqueles que sempre a criticaram tiraram o chapéu para a força apresentada. Se a mídia apoiasse Dilma, teríamos uma líder inconteste de nosso povo da qual todos poderíamos nos orgulhar a despeito de seus defeitos que em nada afetam a soberania do país. Dilma cometeu erros políticos, mas não é uma criminosa moral e faz jus ao cargo para o qual foi eleita.

Ela falou por quase 14h em uma defesa memorável que vai entrar para a história. Dilma deu um show de coragem, de dignidade e de respeito à biografia e à democracia. Foi lindo vê-la se dirigindo com a cabeça erguida ao senador Perrela, que teve um helicóptero apreendido com meia tonelada de cocaína e que a acusa de crime. Foi um deleite ver a cara do Aécio que de tão delatado foi considerado como aquele que seria o “primeiro a ser comido” pela Lava Jato, como disse Sérgio Machado. O circo é tão estapafúrdio que havia gente como o senador Romero Jucá que foi pego em gravação conspirando para acabar com o governo Dilma e a Lava Jato. Enfim, esses são apenas exemplos dentre quase todos que estavam ali acusando Dilma de crime de responsabilidade.

O Brasil é o único país onde uma presidente que não cometeu crime algum é condenada por políticos comprovadamente criminosos. E isso ficou ainda mais claro ontem já que a acareação estava sendo feita. Não foi à toa que Dilma aceitou a condição de ser interrogada por 14 horas. Ela sabia que precisava sobretudo defender o processo democrático e sua biografia. Que o golpe seja dado, mas que a relutância seja documentada e saia nos livros de história.

Aliás, ontem praticamente liberei todos de qualquer responsabilidade aqui em casa. Pedi, inclusive, para que meus três filhos matassem aula, que a empregada deixasse tudo para lá e orientei para que todos acompanhassem o quanto conseguissem o processo. Ouçam, meus filhos, observem o olhar de Dilma e sua postura. Inspirem-se nessa mulher. Não sejam covardes, enfrentem seus adversários, sejam dignos.

Assistimos todos uma aula magna de dignidade e de resistência.

Fui dormir deixando Dilma ainda acordada e se defendendo. Estava ainda sem acreditar. Eu após uma palestra e depois de responder a uma meia dúzia de perguntas fico esgotada emocionalmente. Dilma estava há quase 12h quando fui me deitar dando uma aula de democracia e um banho político nos senadores. Que mulher é essa? Será sempre, para mim, uma grande inspiração.

Enfim, que o golpe seja consumado e a diminuição da desigualdade social do Brasil volte a ser um sonho. Que Dilma Roussef não seja mais a nossa presidenta e que a direita governe do jeito que lhe convier. Dormi e acordei, ainda assim, leve por aqui. De forma paradoxal, sinto-me uma vitoriosa. De tudo o que vi ontem, depois de observar atentamente o discurso de quem acusava a minha presidenta e saber da índole de muitos que estão apoiando o golpe e as razões pelas quais isso ocorre terem ficadas mais do que esclarecidas, eu me envergonharia, isso sim, de estar ao lado de quem atacou esse Coração Valente.

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O Rosto do Flávio

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Recebi uma intimação oficial para comparecer em uma audiência sobre o menino menor de idade que roubou meu celular há um mês munido de um facão afiado. Fui. Lá chegando, tive que relatar, mais uma vez, com detalhes tudo o que havia acontecido, a forma da abordagem e como ele foi pego pelo guarda municipal que prontamente disparou atrás dele. O rapaz não estava presente nesse momento na sala da audiência porque isso me exporia demais. Achei justo. Amém.

Eu já sabia (porque tive que ir no mesmo dia que fui assaltada prestar depoimento) que o menino ficaria não preso (pois é menor) mas “recluso”. Era a terceira vez que ele passava pela polícia e, portanto, ficaria durante um ano sob os cuidados de um grupo especializado em menores. A famosa galera dos “Direitos Humanos” que tanto falam.

Em um determinado momento da audiência, a juíza me perguntou:

– Você seria capaz de reconhecer o garoto que te roubou?
– Sim. Claro. – respondi prontamente.

Daí, ela me levou para um local que parecia coisa de filme. A juíza me assegurou que ele não conseguia me ver, mas eu, de onde estava, vi cinco meninos e cada um segurando uma placa com um número. Ela então falou:

– Quem foi que te apontou a faca?

Fiquei olhando. Não vi. Depois pensei: vou sair eliminando quem eu tenho certeza que não é. Não é o 2. Não é o 5. Não é o 1. Nem o 4.

Seria o três? Olhei bem… era ele mesmo!

– O número 3.
– Ok. Voltemos para a sala, então.

Lá chegando, assinei vários papéis e fui dispensada. Mas antes de sair, senti um bolo na garganta e pedi a palavra:

– Eu queria dizer algo…

– Pois não, senhora.- permitiu-me a juíza.

– Eu queria confessar que tive dificuldade em reconhecer o Flávio, ainda que eu tenha certeza de que foi ele que tenha me roubado. Mas tive meus motivos… e queria fazer uma pergunta para vocês. O que esse menino fez aqui durante esse mês que ele ficou recluso?

– Ele fez cursos, está matriculado em um curso de marcenaria. Está tendo acompanhamento psicológico e conversando com assistentes sociais. Ele tem praticado esporte todos os dias e ouvido música… e assim vai ficar durante mais quase um ano já que é a terceira vez que ele passa pela polícia.

– Ele está com outro rosto. – falei emocionada. – O Flávio que me roubou parecia um rato, não tinha foco no olhar, estava imundo, descalço, com cara de bicho mesmo. Abandonado. Agora não. Ele está limpo. Com um olhar sereno. Parecia um aluno meu… Eu queria dar um abraço nele, sei que não posso, mas gostaria que vocês mandassem esse abraço para ele e dissesse a esse menino bonito que eu acredito que ele pode ser muito melhor do que se mostrou para mim há um mês atrás e que eu já vejo que ele está melhor! Quero dizer a ele que o perdôo e que vou continuar lutando para que a sociedade não o exclua tanto e que ele não sinta mais necessidade de roubar.

Eu sempre acreditei que os seres humanos se constroem com as experiências e aprendizados, portanto, o meio em que se vive tem grande influência sobre ele. E o rosto do Flávio me provou que estou certa. Tenho agora a visão ainda mais clara de que algo acontece na sociedade que transforma as pessoas em marginais…

Eu queria dar os parabéns para vocês que trabalham lutando pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e compartilhar algumas perguntas que me ocorrem:

O que há na sociedade que leva essas crianças e esse meninos a cometerem crimes? O que podemos fazer para diminuir? Mais presídios? Diminuição da maioridade? Suponhamos que a maioridade no Brasil fosse de 16 anos e ele fosse preso junto com adultos e recebendo o mesmo tratamento que nossos presidiários recebem. Flávio estaria com esse rosto que eu vi hoje??? Ou estaria com uma aparência ainda mais assustadora???

Definitivamente, o rosto do Flávio só me deu a certeza de que ao reduzir a maioridade penal não estamos focando na raíz do problema, estamos apenas sugerindo uma maneira de remediar. Pouco importa se a maioridade penal é de 16, 18 ou 21 anos se o país continuar a formar criminosos! Devemos pensar em maneiras de diminuir a criminalidade, no processo que transforma as pessoas em transgressoras da lei, ou logo teremos mais presídios do que universidades e mais marginais do que cidadãos comuns! Devemos também mostrar que essa transformação no rosto e na postura do Flávio não é à toa. Tudo bem, ele pode retornar à sociedade e voltar a cometer crimes, mas pode ser que não dessa forma que vocês estão fazendo. Da outra, com certeza, ele será de novo reincidente!

Punindo apenas, aplicando mais violência ainda e enclausurando esses infratores não os transformamos em seres melhores e estamos gastando nosso dinheiro público à toa! Pior, todos esses que estão presos sob esse regime estão sendo soltos todos os dias! Melhores? Como eu vi o Flávio??? Claro que não!

Então, gostaria de dizer a todos os presentes nessa sala, antes de eu ir, que eu acredito no trabalho de vocês, embora tenha plena consciência de que ainda há muito a se fazer e a melhorar. Vocês concordam com isso, não? – todos responderam positivamente com a cabeça.

Continuei:

– E que fique claro: eu não quero que criminosos não sejam punidos. Todos devem pagar penas! Mas sei que a pessoa só vai presa depois de cometer o crime, isto é, depois que alguém já foi lesado como eu fui e por isso aqui estou hoje. Portanto, a minha luta será para que a sociedade não estrague mais tantas crianças. Acredito, depois de ter visto o Flávio, no resultado dos esforços em reabilitar e prevenir a reincidência. Gostaria de parabenizar todos vocês por isso.

Eu quero que ele continue recluso, porque não quero que ele faça mais nenhuma vítima quando voltar à sociedade. Continuem dando atenção a ele, por favor. Sempre desconfiei que aplicando mais violência em quem comete um crime é ir na contra-mão da reabilitação. O rosto do Flávio me provou que há grandes chances de todos aqui nesta sala estarmos certos.

Obrigada a todos. Por tudo. E não esqueçam de mandar meu abraço a ele.

Saí de lá só depois de receber alguns abraços. Acho que quebrei algum protocolo, sei lá. Falei demais mas agradei aos que lá estavam. Coisa rara por onde passo…

Voltei para casa usando o GPS mas, mesmo sem ele, sinto que estou no caminho certo.

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Enem em Tempos de Manifestação

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Como a moda é ser interdisciplinar, resolvi fazer uma prova de física à luz dos últimos acontecimentos. Então vamos lá.

1ª questão:

Sabemos que a força de atrito depende da natureza das superfícies de contato. Sabendo disso, qual o contato cuja força de atrito vai ser a maior?

(A) Entre Bolsonaro e Feministas.
(B) Entre os que são “contra a corrupção” e os que são a favor da democracia.
(C) Entre Eduardo Paes e os pobres de Maricá.
(D) Entre patrões que andam com as babás de branco na rua e marxistas.
(E) Todas as anteriores.

2ª questão:

O plano inclinado é um exemplo de máquina simples. Ao mover um objeto sobre um plano inclinado o total de força F a ser aplicada é reduzido, porém, ao custo de um aumento na distância pela qual o objeto tem de ser deslocar. Ou seja, tudo tem um preço. Isso posto, qual das situações a seguir temos o plano bem inclinado?

(A) A nomeação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva para ministro da Casa Civil.
(B) A divulgação da gravação da conversa entre a presidente Dilma Rousseff e Lula pelo juiz Sergio Moro.
(C) A decisão do ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender a posse do ex-presidente como ministro da Casa Civil.
(D) A aprovação do plenário da Câmara da lista dos deputados que farão parte da comissão especial que vai discutir o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff que inclui, entre outros,Eduardo Bolsonaro (RJ), Pastor Marco Feliciano (SP) e Paulo Maluf (SP).
(E) Todas as anteriores.

3ª questão:

Qual opção descreve um movimento retardado?

(A) Pessoas que pedem a volta da ditadura militar.
(B) Pessoas que dizem que são contra a corrupção mas que se manifestam somente contra um partido.
(C) Pessoas que se dizem contra a corrupção mas aceitam um ato ilegal cometido por um juíz para manter seus interesses.
(D) Perder amizades por causa de política.
(E) Todas as anteriores.

4ª questão:

Gato de Schrodinger trata-se de uma experiência imaginária, na qual um gato, está vivo e morto ao mesmo tempo. A hipótese foi concebida pelo físico austríaco Erwin Schrödinger do século XX. De acordo com as leis do mundo subatômico, ambas as possibilidades podem acontecer ao mesmo tempo – deixando o animal simultaneamente vivo e morto. Mas e se um cientista olhasse para dentro da caixa? Ele não veria nada de mais, apenas um gato – vivo e morto. Isso posto, qual das figuras políticas representa melhor o Gato de Schrodinger?

(A) Sérgio Moro. Ele está certo ou errado?
(B) Dilma. É de esquerda ou de direita?
(C) Willian Bonner. Tá de brincadeira ou tá de sacanagem?
(D) Lula. É ou não é ministro?
(E) Todas as anteriores.

5ª Questão:

Força é:

(A) massa vezes alienação.
(B) massa de manobra mais televisão.
(C) massa de manobra mais corrupção.
(D) diretamente proporcional ao produto das massas raivosas.
(E) Todas as anteriores.

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Enem 2030. Sobre o segundo mandato do governo Dilma, responda as seguintes questões:

1- Quem não enxergou a crise do Brasil no segundo mandato da presidente Dilma?

(A) Pablo Villaça.
(B) Tico Santa Cruz.
(C) Stevie Wonder.
(D) Gregório Duvivier.
(E) Todas as anteriores.

2- Quem fez parte da comissão especial para discutir o impeachment de Dilma em seu segundo mandato?

(A) William Bonner
(B) Eduardo Bolsonaro
(C) Marco Feliciano
(D) Paulo Maluf
(E) Todas as anteriores

3- O juiz que concedeu a liminar contra a posse de Lula como ministro da Casa Civil, Itagiba Catta Preta, titular da 4ª vara federal de Brasília, que devia ser apartidário pelo cargo que lhe foi concedido, apareceu nas redes sociais em que situação?

(A) Segurando o Pixuleco em uma foto.
(B) Convocando todos para a manifestação contra o governo Dilma.
(C) Com camisa com estampa da cara do Aécio.
(D) Com a camisa do Brasil e a legenda “Fora, Dilma”.
(E) Todas as anteriores.

4- Por que a PM não interveio na manifestação sem aviso prévio na Paulista no dia 17 de Março de 2016 como havia feito nas manifestações anteriores dos estudantes secundaristas e do Movimento Passe Livre (MPL)?

(A) Porque a PM desistiu de garantir a todos o direito de locomoção justamente neste dia.
(B) Porque o trânsito não mais precisaria ser organizado e a “segurança”, garantida somente nesse dia segundo Deus.
(C) Porque o paulistano precisava dar uma pausa mesmo neste dia.
(D) Ninguém na época soube explicar.
(E) Todas as anteriores.

5- Os que estavam contra o impeachment falavam sempre em “mídia golpista”. Por quê?

(A) Porque as publicações como a Folha de S. Paulo e os veículos das Organizações Globo, além de publicações de extrema-direita de menor importância, só davam à população informações distorcidas e extremamente controversas.
(B) Porque havia semelhanças gritantes com o momento do Golpe Militar dado em 1964.
(C) Porque a condução das investigações da Operação Lava Jato pelo juiz Sergio Moro tratou o réu como inimigo público e tornou a conclusão do processo previsível independentemente das provas que surjiam.
(D) Porque parecíamos que haviamos embarcado numa República jurídico-midiática, em que as delações viraram a guilhotina de robespierre.
(E) Todas as anteriores.

6- Ao tornar públicas as gravações de telefonemas entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz federal Sérgio Moro divulgou um material. De acordo com muitos advogados e professores de Direito, o material:

(A) era ilegal porque se um dos participantes da conversa tem prerrogativa de foro por função, caberia à primeira instância mandar as provas para a corte indicada.
(B) era ilegal porque a presidente Dilma só poderia ser processada e julgada (em casos de crimes comuns) pelo Supremo Tribunal Federal, conforme manda o artigo 102, inciso I, alínea “b”, da Constituição Federal.
(C) era ilegal porque a única decisão que Moro poderia tomar a respeito da gravação seria enviá-la ao Supremo, para que lá fosse decidido o que fazer com essas provas: abrir inquérito, abrir ação penal, arquivar, devolver etc.
(D) era ilegal porque não há interpretação da Constituição que permita a um juiz de primeiro grau tornar público material sem qualquer decisão do STF.
(E) Todas as anteriores.

7- Afinal, o Lula era ou não inocente?

(A) Muitos achavam que não mas a opinião do povo não quer dizer nada porque o que importa são as provas e isso ninguém tinha.
(B) Se foi criminoso, ele foi um gênio do crime porque a mídia estava na cola dele há 40 anos e nunca conseguiu provar nada que o incriminasse.
(C) Dizem que ele queria ser ministro para não ser preso, mas ser ministro não impedia ninguém de ser investigado, apenas mudava a instância do julgamento então não sei.
(D) O máximo que conseguiam falar é “mas você acha que Lula não sabe de nada?” então não sei.
(E) Todas as anteriores.

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Manifestações na Cozinha

Bolo-de-cappuccino-para-o-Natal4

Estávamos vendo notícias na cozinha sobre as manifestações com a Nara, minha filha adolescente, fazendo pela primeira vez cookies com a ajuda da vovó.

– Vai dar merda… – Falei.
– Mas, mãe, eu segui a receita! Só confundi o bicarbonato com fermento, mas vai dar certo! – Nara protestou.
– Estou falando do Brasil.- Justifiquei.
– Está bonito! – Explanou vovó.
– Não falei, mãe!, vai dar certo o cookie! – Exclamou Nara olhando para os biscoitos todos tortos na fôrma antes de entrarem no forno.
– Estou falando das manifestações. – Disse vovó.
– Está tudo colorido! – Falou Nara mega feliz.
– Tudo amarelo. – Corrigiu vovó.
– Estou falando dos cookies! – Nara disse olhando para os biscoitos enfeitados com confetes de chocolate.
– Vai dar merda. – Falei.
– Você está pessimista com o Brasil, Elika! – Atentou minha mãe.
– Estava falando dos cookies… – Expliquei.

E assim ficamos nós nesse papo esquizofrênico divagando e tentando adivinhar o futuro próximo e o distante.

Os cookies da Nara ficaram ótimos, de fato. Quanto ao resto, estamos – a despeito do meu pessimismo – ainda todos na torcida.

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