Dez propostas que levarei (inicialmente) à ALERJ:

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1) Educação pública de qualidade é um direito que vamos proteger!

O governo PMDB tem como regra uma gestão de educação pouco democrática, ou seja, sem consulta à comunidade escolar e total ausência de diálogo com os movimentos sociais. O resultado disso é o quadro caótico em que se encontra a educação pública básica em nosso estado: nos últimos 10 anos foram fechadas cerca de 230 escolas estaduais; os planos de carreira dos profissionais da educação seguem defasados; não conseguimos avançar na construção de um plano estadual de educação; temos uma alta distorção idade-série; carregamos um dos maiores índices de evasão escolar do Brasil.

Enquanto toda a população clama por mais investimento em educação, por mais e melhores escolas, seguimos verificando o aumento do descaso em relação a tudo isso. Por isso, estamos juntos na luta por:

  • Criação de um programa emergencial para extirpar o analfabetismo funcional do Estado do Rio de Janeiro;
  • Garantir na educação básica a presença de arte e esporte, tanto como disciplinas próprias quanto como elementos a integrar possivelmente aulas de outras disciplinas, tendo em mente a interdisciplinaridade e o potencial humano do exercício artístico ou esportivo;
  • Aparelhamento das escolas de educação básica com WiFi aberto a todos para aproveitamento dos conhecimentos disponibilizados pela internet;
  • Garantia e ampliação das políticas de permanência dos alunos na educação básica, como a merenda escolar, e das políticas de acompanhamento da questão social do território e dos alunos e alunas, tendo em vista as problemáticas de acesso à escola e de evasão escolar;
  • Construção de um programa de elevação da qualidade da educação fluminense, com referência social, pressupondo a qualificação docente e do pessoal pedagógico de apoio, por meio de programas de nível superior stricto sensu, em parceria com as universidades, de forma que em uma gestão de governo todos tenham formação em nível de Mestrado, pelo menos.


2) Valorizar a educação é valorizar o professor!

Como professora, eu não poderia deixar de colocar um olhar atento sobre a valorização dos homens e mulheres que atuam no campo da educação. Estamos lidando com situações graves tanto no campo da educação pública quanto da privada. Os professores da rede estadual de educação travam uma luta ferrenha por valorização e melhores condições de trabalho há tempos. A situação, que já era ruim, piora com o aprofundamento da crise econômica e com o processo de sucateamento das instituições públicas de ensino em nosso estado, levando a meses de atraso no pagamento dos salários. Na educação privada, encaramos um triste fenômeno: o processo de “uberização” do ensino, onde professores são acionados para aulas avulsas, negligenciando a necessidade de construção da relação professor/estudante, fundamental para o processo de ensino-aprendizagem.

Tudo isso é inaceitável. Não podemos, de forma alguma, naturalizar as dificuldades denunciadas há anos por nossos professores e professoras. Não podemos romantizar o alto nível de desgaste físico e mental enfrentado pela maioria atualmente. E apesar de vivermos no país um momento de brusca retirada de direitos, nosso mandato pretende se somar à luta de professores, professoras e demais profissionais da educação na resistência por:

  • Salário digno: o ato de lecionar não pode ser tido como um subemprego; precisamos continuar exigindo um piso salarial maior, como parte de um conjunto de medidas especialmente direcionadas a uma nova política de valorização de professores e professoras de nossa rede estadual;
  • Melhores condições de trabalho: estrutura e equipamentos adequados (bibliotecas, laboratórios, sala de ciência) e a manutenção do bom estado da instituição e das salas de aula contribuem tanto para um processo de aprendizagem mais qualificado quanto para a saúde do professor;
  • Garantia de qualificação: além de ser um direito que deve ser garantido para o aperfeiçoamento continuado de nosso corpo docente, exerce influência também no desempenho do estudante;
  • Criação dos centros de retreinamento de professores com desvio de função e, porventura, colocados à disposição das secretarias;
  • Reconhecimento público de iniciativas em prol da melhoria do ensino: apesar das dificuldades estruturais e conjunturais que nossa educação enfrenta, sabemos que muitas vezes todo o corpo escolar se une para desenvolver novos tipos de relação com os estudantes, e até mesmo com a comunidade de seu entorno, possibilitando caminhos alternativos e bem sucedidos de construção cidadã através da escola. Precisamos fazer ecoar estes esforços!

3) O Rio todo é CULTURA

Historicamente, o Rio de Janeiro é famoso pelo atrativo circuito cultural que possui. Dotado de centros culturais, museus, teatros, espaços para shows, polos gastronômicos, bares e até um gigante espaço cenográfico, de onde emana grande parte do conteúdo produzido para a TV e distribuído para todo o país. Um desavisado morador de outro estado poderia pensar que o Rio de Janeiro é basicamente “o que passa na novela”. Mas a cultura produzida em nosso estado é muito mais rica e profunda, vai muito além da tela, e nem sempre é devidamente conhecida e disseminada.

Para que possamos dar este devido reconhecimento, que o diversificado arranjo cultural fluminense merece, é preciso que ele seja observado com um olhar mais apurado e plural. Diversos municípios da região metropolitana e do interior do estado têm dificuldade em acessar a produção cultural feita nas áreas centrais da cidade do Rio de Janeiro. E pior do que isso: eles não conseguem ter sua própria produção cultural devidamente valorizada.

Investir no potencial cultural é caminho para a construção cidadã da população de nosso estado e dever do poder público. Por isso propomos:

  • Descentralização dos eventos e aparelhos de cultura, com a valorização dos já existentes;
  • Lutar pelo cumprimento da lei que garante que 1% do orçamento se destine para a Cultura;
  • Promoção dos espaços de cultura em áreas periféricas;
  • Apoio às iniciativas de valorização da cultura popular;
  • Acompanhamento e divulgação de projetos que envolvam o enraizamento da memória e identidade dos territórios;
  • Entrelaçamento e valorização da vivência artístico-cultural com a educação, ampliando o atual público infanto-juvenil e o futuro, e também atuando na idade adulta;
  • Incentivo às trocas de experiências multiculturais entre as diversas regiões do estado e da região metropolitana;
  • Afirmar que as escolas são enraizadas e presentes nos bairros, cumprindo neles um papel central, e logo, há várias potencialidades para que sejam polos de cultura e conhecimento, espaços da cidadania – Escola Viva;
  • Entrosamento dos potenciais artísticos com os espaços públicos, permitindo que as produções cheguem ao maior número de pessoas possível;
  • Reconhecer que o futebol também é raiz: precisamos acompanhar as demandas feitas pelo público que frequenta nossos estádios de futebol; a garantia de um acesso mais popular e a desburocratização do processo para a entrada de faixas, bandeiras e instrumentos nos estádios, entre outras, são discussões nas quais também podemos contribuir.

4) Mulheres: nossa vida é luta permanente!

As mulheres lutam cotidianamente para se manterem vivas, para não sofrerem diversos tipos de violência, para avançarem na ocupação de espaços, para garantirem algum grau de autonomia. Décadas de luta possibilitaram que as reivindicações das mulheres fossem transformadas em políticas públicas, construindo progressivamente um conjunto de suporte, proteção e serviços – que deveriam ser oferecidos pelo poder público. Porém, o governo de nosso estado, totalmente alinhado aos golpistas que colocaram o país à venda, tem evocado de forma oportunista a crise econômica para promover reduções e cortes justamente nas áreas mais fundamentais à população mais pobre, e em especial, às mulheres pobres.

Somos diretamente afetadas por toda e qualquer precarização na área da saúde, da segurança pública, da educação e da geração de emprego. Isso porque é sobre nós que recai o cuidado da saúde de toda a família, porque somos nós as violentadas nas ruas sem patrulhamento, porque somos responsabilizadas pelo insucesso escolar de nossos filhos e de nossas filhas, e porque temos duplas ou triplas jornadas, com trabalhos exaustivos e não remunerados no ambiente doméstico, e ainda ocupamos a maior parte do mercado informal. Serei, na ALERJ, uma soma às vozes que pedem:

  • Garantir e acompanhar a alocação de recursos orçamentários para o funcionamento e a ampliação da rede de serviços de atendimento às mulheres em situação de violência em todo o estado;
  • Acompanhamento das discussões sobre mercado de trabalho e emprego, garantindo a presença da perspectiva de gênero e atenção à autonomia econômica e social das mulheres – elementos que contribuem para nossa qualidade de vida e na prevenção/eliminação de situações de violência;
  • Promover mais destaque à luta pela histórica bandeira de construção e maior acesso às creches, e trabalhar em prol da ampliação e democratização deste serviço;
  • Ampliação e aprofundamento da discussão sobre o parto humanizado em nosso estado;
  • Apoio a redes de microempreendedoras vítimas de violência e às cooperativas de mulheres – o trabalho que liberta.

5) Carnaval é mais que folia! – é mercado de trabalho, emprego e renda.

Existe uma economia estruturada a partir do mundo do carnaval que infelizmente tem seu potencial pouco explorado, principalmente nestes tempos em que o fundamentalismo religioso invade cada vez mais a estrutura político-administrativa de nosso estado.  As escolas de samba são espaços construídos a partir de uma identidade cultural e territorial importantíssima, e reconhecendo isso podemos alcançar e dialogar com a população de forma mais direta.

Por isso propomos a construção de parcerias que deverão promover ações localizadas de formação e qualificação profissional nas áreas de artesanato, costura, desenho e moda, turismo, entre outras. Avançaremos assim no apoio e desenvolvimento da cadeia produtiva do carnaval em todas as suas potencialidades, e ao mesmo tempo garantindo emprego e renda através da cultura. Para proteger e valorizar esse cenário nós vamos:

  • Estimular ações sociais promovidas pelos agentes locais no atendimento às pessoas em situação de rua, contribuindo com alimento, vestimenta, capacitação ou direcionamento para abrigos – Casa de Samba também é lar!;
  • Promover parcerias entre universidades e/ou escolas técnicas do estado para auxiliar no processo de capacitação dos profissionais do carnaval;
  • Promover integração entre pólos tecnológicos e produtores locais para potencializar as vocações locais com a geração de emprego e renda;
  • Apoio às atividades de baixo impacto ambiental viabilizadas pelas escolas de samba, blocos e demais agremiações: turismo, informática, roteiros culturais e pesquisa.

6) Por um Rio mais inclusivo: pessoas com deficiência também são parte deste Rio.

Recorrer ao nome correto é um elemento importante de demarcação conquistada por homens e mulheres que não tomaram uma deficiência e saíram com ela debaixo do braço; por isso, são Pessoas com Deficiência, e não portadores de algo. São pessoas com sonhos, desejos, metas, ideias e direitos, e temos o dever de nos somar à luta para assegurá-los.

O processo de exclusão ao qual as pessoas com deficiência são submetidas tem sido motivo de discussão há anos. Os avanços acumulados no campo das leis precisam ser resguardados devidamente através de uma séria fiscalização e acompanhamento que garanta o cumprimento das mesmas. Nós lutaremos para:

  • Pressionar para que hospitais, escolas, espaços culturais, repartições públicas, enfim, equipamentos públicos e privados estejam devidamente adaptados, atentando não só à estrutura física, mas também à contratação de profissionais preparados para lidar com pessoas com deficiências físicas, auditivas, visuais e intelectuais; para que haja inclusão, isso tudo precisa ser parte de nosso cotidiano, não uma exceção. Por uma cultura de inclusão!;
  • Garantia de facilitadores nas repartições públicas para auxiliar no acesso aos serviços;
  • Fiscalização das frotas de ônibus, tendo em vista as dificuldades que muitas pessoas com deficiência apresentam quanto ao uso dos elevadores;
  • Garantir a implementação de sinais de trânsito sonoros para atender a pessoas com deficiência visual;
  • Promoção de convênios que promovam a inclusão;
  • Atenção ao ensino público nas escolas estaduais para acolher devidamente pessoas com deficiência.

7) Por um Rio em movimento – cadê a mobilidade urbana?

A mobilidade urbana, de acordo com a Política Nacional de Mobilidade Urbana, pode ser definida como a condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano. Ela deve, por princípios, fornecer equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo, integrar os modos e serviços de transporte urbano, priorizar projetos de transporte público coletivo estruturadores do território e indutores do desenvolvimento urbano integrado, reduzir as desigualdades, promover a inclusão social e promover o acesso aos serviços básicos e equipamentos sociais.

A mobilidade no estado do Rio de Janeiro está muito longe de se adequar a tal definição. Segundo o Índice de Bem-Estar Urbano (IBEU), produzido pelo Observatório das Metrópoles no ano de 2013, entre as 15 regiões metropolitanas do Brasil, a do Rio de Janeiro é a que tem a pior avaliação no quesito mobilidade urbana, se colocando abaixo da média nacional, com o tempo médio dos deslocamentos “casa-trabalho” de 52 minutos sendo o pior índice entre as Regiões Metropolitanas do país.

Garantir o acesso das pessoas aos equipamentos urbanos e serviços é garantir um direito básico! Na ALERJ precisamos nos somar à discussão para:

  • Garantia de investimentos em corredores de alta capacidade como a malha ferroviária e metroviária, demarcando a importância de atentar a regiões fora da capital do estado, como o Leste Metropolitano (Niterói, São Gonçalo e Itaboraí aguardam há anos a já “lendária” Linha 3 do Metrô);   
  • Acompanhar os estudos sobre a viabilidade e implantação de novas linhas hidroviárias, aproveitando o potencial da Baía de Guanabara;
  • Aprofundar a discussão sobre a política de integração tarifária, fazendo com que as pessoas se desloquem de maneira menos custosa (algo que pode ser decisivo para a geração de empregos e para o acesso a saúde, lazer e educação);
  • Ampliar a estrutura de ciclovias nas regiões urbanas e incentivar este meio de transporte, tendo em vista o baixo custo de locomoção e o impacto positivo no trânsito e nos indicadores ambientais e de energia limpa;
  • Estímulo e acompanhamento das discussões sobre o Plano Diretor em nossos municípios: as desigualdades sociais que se apresentam, por exemplo, na região metropolitana do Rio de Janeiro se enraizaram por motivos históricos; seu enfrentamento exige um grande esforço de planejamento e gestão integrados entre governos municipais e estadual;
  • Promoção de audiências públicas sobre o desenvolvimento urbano: é preciso trazer para a ALERJ a responsabilidade de articular as contribuições dadas por técnicos, pela academia e pelo povo nesta discussão que afeta tão profundamente a vida de todos e todas; um desenvolvimento urbano baseado na rede de mobilidade influencia não só na ocupação coerente do território, mas também no uso eficiente do solo e das infraestruturas, diminuindo o consumo de energia e de tempo em deslocamentos, reduzindo o uso de recursos naturais e permitindo a preservação da terra para outros fins, como a agricultura e a proteção ambiental.

8) Juventude para fazer e acontecer!

Quem nunca ouviu alguém dizer que “a juventude é o futuro”? Quem diz isso certamente deseja que o que virá seja melhor do que aquilo que temos no presente. Mas para que isso aconteça, para que tenhamos uma realidade diferente, não podemos atribuir aos jovens a responsabilidade de uma transformação automática do futuro. É preciso que olhemos para a juventude agora! É preciso arregaçar as mangas e trabalhar incansavelmente para contribuir em sua formação cidadã e na construção de seu senso crítico. Como deputada, assumirei a responsabilidade de contribuir nesta tarefa, mas as rédeas que conduzirão a este “outro mundo possível” estão inteiramente nas mãos da juventude.

Por isso é fundamental que o poder público desenvolva as possibilidades para que as/os jovens sejam parte ativa dos processos de decisão em nosso estado, e que se vejam enquanto sujeitos políticos de formulação, execução e controle das ações realizadas pelo Estado. Com uma juventude participativa e antenada às demandas do seu bairro, igreja, escola, etc., criamos condições reais de organização e intervenção cidadã. Para o futuro que queremos, precisamos no agora:

  • Dinamizar os diversos mecanismos de participação popular e da juventude (debates, consultas e audiências públicas, conferências, conselhos, etc.);
  • Monitoramento permanente do conjunto de políticas públicas voltadas para a juventude e ampliação da divulgação das mesmas;
  • Manutenção e revitalização dos espaços públicos de socialização, como praças, parques, quadras esportivas, campos de futebol, pistas de skate, entre outros;
  • Acompanhamento para a garantia do pleno funcionamento do Conselho Estadual de Juventude – que deve tornar-se mais popular e mais próximo da realidade das diversas juventudes do estado, abraçando a juventude negra, LGBTQ+, mulheres, periferia, interior, estudantes, trabalhadores.

9) Escolas Técnicas e Formação Profissional

A forma como o Estado vem tratando o Ensino Técnico, tanto em sua concepção quanto em relação a seu financiamento, é um obstáculo à efetivação de um projeto educativo no qual seja garantido não só o acesso aos saberes indispensáveis à formação técnica, mas também à apropriação de conhecimentos e à vivência de práticas que contribuam para a atuação na sociedade. Não aceitaremos que nossa juventude seja formada para ser mão-de-obra de baixa qualificação nas indústrias e empresas. Queremos sim que seja uma juventude de trabalhadores e trabalhadoras associadas à gestão do conhecimento do processo de trabalho, aperfeiçoando os conhecimentos inovadores no processo produtivo, se tornando referencial de qualificação profissional.

Na contramão dos nossos desejos, seguimos presenciando a aplicação de uma lógica absurda de desmonte da Rede FAETEC, produzindo uma grande evasão de matrículas e reduzindo drasticamente os recursos do FUNDEB para a Educação Tecnológica do nosso estado. A educação técnica e a formação profissionalizante requer nossa atenção urgentemente! Por isso, devemos:

  • Criar uma comissão legislativa de Educação Superior, FAETEC e Institutos de Educação Superior, composta exclusivamente de deputados e deputadas com formação superior, considerando-se que a Educação Superior é da competência da Secretaria de Ciências e Tecnologias;
  • Criar um programa de distribuição de verbas de pesquisa (FAPERJ) para pesquisas nas seguintes áreas: Amazônia Verde Fluminense (litoral rico em petróleo, nióbio e diamantes), Energia Limpa, Educação Pública, Segurança, Turismo e Hotelaria, Informática, Cinema e TV, Fármacos e Polímeros e outras conforme a vocação da determinada região do estado do Rio de Janeiro;
  • Agrupar as escolas da rede FAETEC por regiões conforme as suas vocações;
  • Estender a Gestão Integrada da Educação (GIDE) para a melhoria das unidades escolares da educação básica e da rede FAETEC sem corresponder a qualquer premiação, mas como importante instrumento de apoio à administração escolar;
  • Analisar e debater um projeto para a gradual transformação das escolas estaduais com formação profissional em Institutos Estaduais, a exemplo do que é feito na rede federal, integrando essas unidades de forma mais ampla e elaborando diretrizes e orçamentos condizentes com o cenário atual do nosso estado e suas necessidades.

10) Nossas Universidades Estaduais pedem socorro!

Faz parte do cotidiano da população do Rio de Janeiro acompanhar a situação das nossas universidades estaduais. O descaso do governo MDB, na figura de Luiz Fernando Pezão, desmonta de forma constante o ensino, a pesquisa e a extensão promovidos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e suas irmãs, a Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), fazendo com que essas universidades vivam em um ambiente de precarização e insegurança.

Nossas universidades não podem ser encaradas como um custo e sim como instituições centrais na retomada do crescimento econômico do nosso estado, bem como de seu desenvolvimento tecnológico e social. Não podemos deixar que serviços essenciais à população, como os do Hospital Universitário Pedro Ernesto, por exemplo, sejam colocados na berlinda pelo fato da educação não estar no atual rol de prioridades do Estado. Por isso, mais do que garantir o perfeito funcionamento da UERJ, UENF E UEZO, é preciso trabalhar para expandir essas instituições, criando boas condições de trabalho e aprendizagem.

O afastamento que existe entre a ALERJ e nossas universidades deve ser mitigado para que possamos caminhar rumo a um futuro onde a educação seja encarada como investimento, com retorno garantido, e não custo. Quero me somar na ALERJ às vozes que lutam por:

  • Garantia de universidades públicas, gratuitas e de qualidade;
  • Respeito à autonomia política e financeira da UERJ, UENF e UEZO;
  • Orçamento maior, compatível com as necessidades das universidades;
  • Fiscalização dos repasses dos duodécimos, já garantidos por lei;
  • Valorização dos salários de professores e técnicos e das bolsas estudantis;
  • Implementação de políticas de assistência e permanência estudantil, como a bolsa permanência e respeito ao passe livre universitário;
  • Acompanhamento dos trabalhadores terceirizados lotados na UERJ, UENF e UEZO;
  • Alocação da UERJ, UENF e UEZO na Lei Orçamentária do Estado, destinando-lhes verbas de custeio e financiamento da mesma forma que as secretarias de estado, isto é, sem necessitar que sejam aprovadas pela ALERJ;
  • Inclusão definitiva da Dedicação Exclusiva (DE) a professores e funcionários das universidades estaduais conforme a prática das UFES;
  • Regulamentar o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação no estado do Rio de Janeiro a fim de desburocratizar regras para investimentos em P&D nas instituições científicas e tecnológicas.

 


Espero contar com o apoio vocês nessa caminhada!

#ChegaDeAssédio

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Aqui em Madureira, no colégio Pensi, várias meninas usaram a rede social para relatar casos de assédio através da hashtag #AssedioÉHabitoNoPensi. O ato de denunciar teria sido incentivado por uma professora da própria escola e funcionou muito bem atingindo o trendig topics no twitter em poucas horas. Não tardou para que outras alunas de instituições como, por exemplo, o Miguel Couto no Méier e o CEFET no Maracanã também se manifestassem nas redes e nas ruas com cartazes e blusas vermelhas e pretas.

Esse caso me remeteu a um outro também iniciado nas redes sociais há três anos. A campanha #PrimeiroAssedio teve mais de 80 mil tweets e surgiu em apoio à menina de 12 anos que foi alvo de comentários de cunho sexual na internet durante sua participação em um reality show de culinária.

Vemos todos os dias casos de violência contra a mulher em seus mais variados níveis. Os números são assustadores e se há algo certo é que enquanto você está lendo esse texto várias mulheres estão sendo assediadas e estupradas.

Por que quando uma começa a falar aparecem milhares de outras atrás? Qual a explicação por detrás desse fenômeno?

Vamos entender: existe uma repetição da natureza da violência sexual contra a mulher como parte de uma misoginia institucionalizada e que resulta na contínua não penalização dos agressores em muitos processos.

A sociedade tende a corroborar com a famosa e maldita cultura do estupro que afirma de várias maneiras diferentes que a culpa é da vítima. Segundo pesquisa feita pelo IPEA em 2014, quase 60% dos brasileiros concordam com a afirmação de que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”.

Quando, porém, surge uma válvula de escape dada até mesmo na forma de uma hashtag onde mulheres não se sentem sozinhas, começamos a ouvir, literalmente, milhares de histórias. Sabemos que não é uma missão simples, indolor. Todas sabemos o quão difícil é se expor.

Concluímos que a média de  idade do primeiro assédio que sofremos não é quando já somos adultas, passamos batom e andamos de saia curta e salto alto na rua. A realidade é que a primeira vez que um homem comete essa violência é com meninas de nove anos e 65% dos casos são cometidos por pessoas próximas da família – muitos deles dentro da própria casa da vítima.

Mas o fato recente de encorajamento ao grito e à denúncia foi feito dentro de uma escola. Não faz sentido fixar o nome de uma somente já que o problema é endêmico. A Escola é uma das instituições que dão sustentação ao Estado patriarcal e ao sistema Capitalista. Cada vez mais se educa para o mercado de trabalho e cada vez menos para o pensamento crítico. Não sem motivo, quando começamos a debater os problemas de preconceito dentro das instituições de ensino, somos ameaçados até mesmo por projetos de lei que buscam amordaçar professores e professoras. Nada é por acaso. Tudo está conectado.

Já temos Estados no Brasil em que o governo decidiu instituir a obrigatoriedade da oferta de ensino religioso nas escolas. Tal decisão fere, inclusive, a constituição federal que determina a laicidade do Estado. Para tanto, as escolas do Rio Grande do Sul, por exemplo, estão tendo que diminuir carga horária de outras disciplinas e a opção tem sido cortar tempos de aula de sociologia e de filosofia, justamente por serem disciplinas que mais promovem o debate. Qualquer semelhança com a época da ditadura não é mera coincidência. O argumento de que a disciplina abordará a diversidade religiosa brasileira não procede pois diversidade religiosa já é um tema tratado nas aulas de filosofia, de sociologia, de história e quiçá de física. Não existe razão para a existência dessa disciplina além de transformar a escola num espaço de disseminação da fé cristã. Juntamente com isso, tivemos a retirada dos temas de diversidade sexual dos planos nacionais, estaduais e municipais de educação. Mais uma vez: nada é por acaso.

Por que estou dizendo isso? Porque tudo está conectado de verdade. A nossa saúde está ligada ao transporte que pegamos todos os dias para irmos ao trabalho, por exemplo. A violência está associada a falta de oportunidades e do tipo de educação que andamos recebendo dentro de casa e nas escolas – ou na ausência total dela.

A escola, o local onde todas e todos julgam ser o lugar do conhecimento e do ensino, também é um lugar onde se produz e reproduz violência. O assédio sexual cometido dentro delas é uma das grandes aflições que atingem meninas e jovens de várias idades. O problema está na própria sociedade demarcada pelo machismo da qual a escola também faz parte.

São quase 25 anos de magistério mais meus tempos como aluna sendo testemunha e vítima de diversos assédios, vendo professores e funcionários em posição de prestígio coagir meninas e mulheres.

O silêncio é a regra.

Nosso grito, exceção.

A média é que 80 % das mulheres que sofrem assédio preferem não prestar queixa.

A verdade é que temos medo. Medo de sermos reprovadas, medo de perdermos o emprego, medo de represálias, medo de passar vergonha e medo de levar a culpa, pois, o que mais vemos é o agressor nada sofrer após a denúncia e a mulher ser desacreditada e ridicularizada publicamente.

Quando crescemos e entramos no mercado de trabalho, queridas alunas, saibam: não estamos livres dessa violência. O machismo e o preconceito são estruturais. Muitas vezes envolvem não apenas a opressão de gênero, mas também a opressão de classe. Entendam, homens. que o assédio, assim como o estupro não é apenas o ato sexual em si. “Piadinhas” e comentários que nos colocam em situação de coação psicológica são enquadrados como assédio sexual. Não é nada fácil lidar com isso. Por vezes, ficamos deprimidas, desistimos de um curso, sofremos de ansiedade, não acreditamos no nosso próprio potencial,…

Quando voltamos para a casa após um dia cansativo, nós, mulheres, ainda temos que enfrentar muita coisa. Homens aproveitam os trens, metrôs e ônibus lotados para tocar nas nossas partes íntimas. Eles não entendem que o transporte é público, mas o nosso corpo não.

Isso tudo gera nojo, revolta. Porém, mais do que punir, o que mais precisamos fazer é desconstruir o patriarcado. Não quero andar armada e me tornar uma assassina para combater o estupro e o assédio. Há outros caminhos que indicam ser muito mais efetivos e duradouros; por eles andaremos. Precisamos debater em todos os lugares sobre igualdade de direitos, conscientização e empoderamento das mulheres. Mas, principalmente, dentro das escolas mais do que nunca.

Por isso, os “movimentos hashtag” devem ser vistos com toda a atenção. Eles nos mostram algo assustador. Quase 100% das mulheres são vítimas ou conhecem vítimas de assédio sexual que, como já falado aqui, muitas vezes ocorrem quando somos crianças. O medo e o risco são constantes justamente por não sabermos de quem e quando podemos sofrer um abuso.

Nem nas escolas estamos protegidas.

Nem nos hospitais.

Nem nas nossas casas.

Daí a expressão “todo homem é um estuprador em potencial”.

Acho bom que você, homem bonzinho e honesto, que se ofende com essa frase “todo homem é um estuprador em potencial avise a sua filha, a sua afilhada, a sua irmã e a sua mãe que todo homem é sim um estuprador e um assediador em potencial. Se tivessem me avisado isso com todas as letras, talvez eu não tivesse sofrido o que sofri com um médico, um vizinho e um desconhecido na rua. Todos me pegaram, me sarraram, botaram o pênis para fora… e, pasmem, quando eu ainda era criança.

Quando colocamos a boca no trombone e saímos gritando de forma uníssona seja nas ruas seja nas redes sociais não estamos querendo dizer que todos os homens são ruins. Estamos falando que precisamos do apoio de toda a sociedade. Estamos pedindo socorro e reflexão profunda sobre o tema porque há mulheres sendo estupradas e meninas sendo assediadas diariamente.

Algumas histórias pessoais:

9 anos. Fui fazer exame de vista. O oftalmo apagou a luz e mandou eu ler as letrinhas. A sala ficou muito escura. O médico segurou o meu braço e começou a me sarrar toda. Minha mãe estava na sala mas não viu nada naquela escuridão. Eu apavorada me calei. – ‪#‎PrimeiroAssedio‬

11 anos. Em Minas. Fui na beira do rio pegar capim para os porquinhos da índia. Um homem que estava passando abaixou as calças e começou a se esfregar todo em mim. Consegui me desvencilhar dele e corri gritando. Foi preso. – #‎SegundoAssedio‬

12 anos. No ônibus. Eu sentada sozinha um homem senta ao meu lado. Pega a minha mão com força e coloca em cima do pênis dele. Ameaça-me com um canivete. E eu sou obrigada a obedecê-lo. Mais gente entrou e ele parou e desceu. Fiquei em estado de choque. – #‎TerceiroAssedio‬

Acabou? Não. Mas acho que está suficiente.  A mente agoniza.

Para que todas as mulheres denunciem e digam basta para a violência, elas precisam se sentir seguras, acolhidas e aí está a última questão que gostaria de comentar. É importante o empoderamento entre nós, mas o poder público não pode se eximir do seu papel. A violência contra a mulher se dá por causa de uma opressão histórica de gênero dos homens em relação às mulheres em todas as esferas sejam elas públicas sejam privadas. Essa reparação precisa começar acontecer também e, principalmente, na escola com o apoio do Estado. É nesse templo que considero sagrado o local mais apropriado para debatermos as diferenças de direito e de tratamento na nossa sociedade. Não à toa, tenho sido alvo de críticas por quem defende um modelo de educação que se fundamenta na mera transmissão de conteúdos.

Não vou cair aqui na hipocrisia de dizer que a escola é neutra. Ser laica é uma coisa, neutra é outra. O meu conceito de educação inclui entender como funciona a sociedade e essa grande máquina chamada mercado de trabalho. Ou educa a favor dos privilégios ou contra eles, ou a favor das classes oprimidas ou contra elas. Ou para falar ou para ficar calado. E ambas as formas de educar são políticas. A primeira forma cidadãos-zumbis que acreditam que o mundo é assim, nada mais pode ser feito e só lhes resta ser mais uma peça substituível nesse sistema. A outra é a que eu defendo.

Por isso espero que tudo o que aconteceu nesses últimos dias seja amplamente discutido dentro das salas de aula, porque mais importantes do que o valor da força de atrito para que o bloco não desça num plano inclinado são os valores éticos e morais que levamos conosco em qualquer lugar pelo qual passemos.

Caindo de paraquedas na Assembleia

Elika PT

Ontem, no meio do Festival Lula Livre, fui freada, literalmente e metaforicamente, por uma mulher, petista, militante que fez questão de me dizer que não apoia a minha pré-candidatura por não acreditar que eu consiga fazer algo, se for eleita, tão bem como outras pessoas que ela conhece.

– Há muita gente na militância há anos muito mais preparada do que você para o cargo, ouvi. Para ser política tem que ter experiência. Não basta ser famosa na internet e cair de paraquedas na Assembleia. Tem que ter vivência de rua. O meu apoio será para essas pessoas que lutam há anos e não para quem apareceu agora do nada.

No que pese o respeito à opinião contrária e ao fato de eu sequer ter pedido o apoio dela para essa tensa e nova fase que estou vivendo, conforme a moça falava, eu me lembrava das inúmeras pessoas que apareceram na minha frente, muitas delas amigas e familiares, para me dizer de infinitos jeitos: “Não faça isso. Você não vai conseguir.”

Quando criei o meu blog “Minha Vida é um Blog Aberto” onde escrevo crônicas sobre os mais diversos assuntos e, sobretudo, falo de mim mesma, aconselharam-me a parar pelo perigo da exposição. Não só não parei como inscrevi várias crônicas do meu blog em um concurso nacional e hoje sou vencedora do Prêmio Saraiva de Literatura na categoria crônicas. Tenho um livro premiado homônimo ao meu blog: Minha Vida é um Blog Aberto e publicado por uma das maiores editoras do Brasil.

Quando fui fazer mestrado, ouvi da minha sogra na época: “tem certeza? Como vai dar conta de filhos, casa, trabalho e ainda fazer um mestrado?”. Respondi que ia diminuir minha carga horária nas escolas nas quais eu trabalhava na época. “Vai ganhar menos? O nível social de toda a sua família vai cair só porque você quer estudar? Acha isso justo?”, foram coisas que escutei.

Quando avisei ao diretor da escola particular na qual trabalhei que estava grávida da Nara, ele riu da minha cara, bateu palmas e me disse: “uma excelente maneira de acabar com uma excelente carreira é casando e tendo filhos”.

Quando fui fazer doutorado, ainda por cima mudando mais uma vez de área (sou graduada em física, mestre em história e doutora em filosofia), ouvi de colegas de trabalho e de muitos outros que me acompanhavam: “por que não fazer algo sobre Educação? Qual a necessidade de mudar de área? Você sabe que você vai concorrer com quem se graduou e fez mestrado em filosofia! Você tem esperança de passar numa prova de doutorado? Você nem sabe quem foi Platão direito!”. Hoje tenho dois livros publicados sobre Filosofia da Ciência para jovens e crianças: Como Enlouquecer seu Professor de Física e Isaac no Mundo das Partículas que virou até espetáculo infantil. Consegui fazer a conexão entre ciência, filosofia e educação na literatura.

Quando me matriculei no curso de italiano, já no meio do doutorado, com três filhos, casada e trabalhando, ouvi: para que estudar italiano se isso não vai te dar dinheiro nenhum e só vai te afastar mais ainda de seus filhos? Qual a necessidade disso? (Consegui fazer dois capítulos de minha tese que ficaram em altíssima qualidade por ter sido capaz de ler um livro que só tem em italiano e até hoje me deleito lendo literatura italiana no original).

Quando fui fazer a prova do Cefet estava terminando meu mestrado e grávida do terceiro filho. Ouvi de quem dormia comigo: “Só tem uma vaga e você não está dando conta de sua vida. Jura que vai insistir nisso?”.

Entendo perfeitamente que título não representa capacidade intelectual. O maior exemplo é Lula, mas temos outros infinitos por aí. Consigo compreender a preocupação da militante e repito aqui parte do que eu disse a ela:

– Não há regras para o sucesso. Assim como há políticos que estão aí há anos na prática e que nada fazem, é possível vermos pessoas novas entrando com muita vontade de fazer uma política diferente e isso precisa ser considerado.

Para ser uma boa representante do povo, precisamos entender sobre as pautas que estão em jogo e ter disposição para brigar por elas.

Estou pré-candidata a deputada estadual cuja principal função é propor, emendar ou alterar os projetos de lei que representem os interesses da população. Além disso, uma deputada estadual tem que fiscalizar o trabalho do governador, garantindo a boa administração do Estado, julgar anualmente as contas prestadas pelo Executivo estadual e fiscalizar outras ações administrativas. Mas o mais difícil não será isso. O desafio será enfrentar quem defende interesses contrários ao que eu irei representar. E é nesse ponto que, talvez, a moça tenha duvidado de minha capacidade.

Entendo perfeitamente também que estou fazendo parte de um grupo de renovação política vindo de uma camada privilegiada. Percebo, porém, que para falar sobre Educação Pública ninguém melhor do que uma pessoa que tenha sido professora da rede particular, da rede estadual e da rede federal de Ensino, que tenha passado pela vida acadêmica entendendo a necessidade do fomento à pesquisa e que esteja, atualmente, movida pela força do ódio vendo o sucateamento de nossas escolas e o avanço de projetos de lei que trabalham para dificultar a chegada das camadas mais pobres às universidades.

Sei que o mal-estar do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro não será resolvido com vídeos no Facebook e muito menos textões como esse. Mas sim com políticas públicas que mostrem resultados. Para tanto, precisamos aumentar a nossa representatividade nas Assembleias, nas Câmaras, nos Congressos.

Se serei capaz, teremos que deixar o tempo mostrar isso. Não é mentira para ninguém que nunca militei organicamente nas ruas. Mas outro fato é que sempre fiz política a meu modo e sem paixão jamais andei.

Se os novatos e as novatas como eu terão que se adaptar para lidar com as complexidades de um governo, os arcaicos terão que se reinventar para lidar com essa cara nova que está chegando cheia de disposição e sem os vícios dessa forma antiga de se fazer política.

Vamos entrar pelo resgate do que há de melhor na política: a aglutinação de ideias, o respeito às instituições e o debate franco seja nas redes sociais seja nas ruas pelas quais, agora, tenho andado.

Com apoio ou sem apoio, farei o que sempre fiz: seguir em frente.

Doutrinação marxista (?)

 

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Agora a moda é dizer que as escolas estão doutrinando alunos porque ensinam Marx. Reinaldo Azevedo, famoso colunista da Veja, disse que “o Brasil precisa de menos sociólogos e filósofos e de mais engenheiros que se expressem com clareza” condenando, como fica claro, a inserção dessas disciplinas no Ensino Médio.

Não foi sem propósito que havia – e há ainda – em muitas escolas muito mais tempos de aula de física, química, matemática do que história, geografia e agora filosofia e sociologia. O papel da ciência na formação dos jovens brasileiros para quem fez esse currículo – que muito serviu à ditadura – deveria ser somente o de possibilitar o domínio de técnicas para a melhoria do processo de trabalho, e não o domínio de técnicas de pesquisa para a investigação da realidade social brasileira. A sociologia e a filosofia sempre foram vistas como um dos melhores instrumentos para a formação de indivíduos com capacidade de questionar, investigar e compreender a realidade social. Não foi sem propósito que foi banida na época da ditadura e que agora sua inserção está sendo criticada por filósofos de direita como Olavo de Carvalho e colunistas da Veja.

Ensinar sociologia sem mencionar Marx é como ensinar física sem mencionar Newton e Biologia sem falar em Darwin. Se apresentar as ideias de um grande pensador é errado, prendam-me, por favor. Estou dando ferramentas para meu aluno pensar!

Mas sim, concordo que exercitar o início de um pensamento crítico e/ou reflexivo que leve o jovem a perceber em alguns antes desimportantes detalhes, fatos ou frases, as contradições, as desigualdades, a realidade a sua volta e que assim esse aluno possa se perceber em seu grupo, como parte deste grupo, se individuar, se compreender e compreender as diferenças, enfim, concordo que fazer o adolescente pensar em conceitos como ‘desenvolvimento social’, ‘ progresso’, ‘liberdade’ e tudo o mais pode ser extremamente arriscado para essa direita que usufruía bastante do antigo currículo sem filosofia e sociologia quando muitas escolas apenas adestravam os alunos para fazer provinhas de vestibular.

No mais, tudo que escreve é em defesa da continuidade da sociedade capitalista e sua desigualdade. Mas, nesse sentido, para esses colunistas da Veja isso não é uma “doutrinação”. A verdade é que somos CON-formados a aceitar nossa sociedade desigual desde a hora que nascemos. Isso posto, penso que ensinar Karl Marx é ensinar a ir além da aparência dessa desigualdade, é olhar para a história da formação do capitalismo e ver a necessidade de desnaturalizá-la, no sentido de entender que é construção histórica e, portanto, pode ser modificada.

Olavo de Carvalho e seus pares têm mesmo muito para se incomodar…

Para finalizar, segue a publicidade veiculada no jornal “O Globo” do programa “Fábrica de Escolas do Amanhã” da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro feita há pouco anos.

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Cabeças baixas, padronização e esteira de produção criam o forte significado de serialidade. Certamente, a analogia com o vídeo “Another Brick in The Wall” é imediata, pela serialidade da padronização dos estudantes como tijolos que formam o muro do sistema. A esteira está descendo o plano da foto, outra observação. Não há elevação de espírito com esse sistema literalmente cinza.

Entre isso e o que chamam de “doutrinação marxista”, o que é preferível para a mente de nossas crianças?

Coisa de petista

 

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Você sabe por que a gasolina está aumentando, empresas de ônibus trabalhando com metade da frota, caminhoneiros parados e aviões sem decolar por falta de combustível? Antes de responder essa, outra pergunta: por que você bateu panela quando a gasolina era menos da metade do que está agora e hoje, diante esse caos, você está mudo? Vou tentar enfrentar essas indagações baseada em tudo o que ando observando.

Para tanto, alguns outros questionamentos:

Por que você disse que não aguentava mais a corrupção e colocou no poder os maiores corruptos? Por que você não enxergou naquele episódio triste do julgamento do impeachment (Pela minha família, por Deus, pela minha cachorrinha eu voto sim!”) que aquilo era um circo de horrores e ficou feliz com cada voto a favor do afastamento da Dilma mesmo vendo o nível daqueles discursos? Por que você desprezou o áudio de Jucá? Por que você, à luz de tudo o que está acontecendo, não acredita até agora que seja golpe e ainda hoje fala que “o importante é que não viramos uma Venezuela”? Por que fica feliz com a prisão de Lula mesmo sabendo que grandes juristas do mundo apontaram falhas gravíssimas nesta sentença e que há políticos comprovadamente corruptos soltos e contra esses você não manifesta ódio algum? O que o PT fez de mal para você?

Considere a possibilidade de você ter sofrido (como aconteceu em outras épocas da história) um tipo de lavagem cerebral a ponto de fazer com que você bata palmas quando direitos trabalhistas a duras penas conquistados lhe são retirados e que esteja vendo um único inimigo na sua frente: o “comunista” ou o “esquerdopata”.

É claro que o governo no PT não foi perfeito. Vide o nosso congresso. Foi com isso que Lula e Dilma tiveram que lidar. Justifica, porém, tamanho ódio? Como isso foi alimentado em você?

O golpe foi dado para acontecer exatamente o que estamos vendo. Há uma pauta que não beneficia o povo e que jamais seria aprovada pelo voto. Daí a necessidade de se tomar o poder pela força e de sucatear nossas escolas e universidades públicas.

Indo ao ponto da gasolina. Depois do golpe – e para isso também ele foi efetivado – iniciou-se em 2016 o processo de privatização da Petrobrás.

Surfando na onda do desgaste de imagem provocado pelos escândalos revelados pela Operação Lava Jato, o governo mudou – utilizando de um discurso de Salvador da Pátria – a política de preços praticados pela empresa. Na época, muitos escreveram sobre o quão prejudicial isso seria para o povo. A classe média deu de ombros porque “têm que acabar mesmo com o controle do Estado”.

Essa medida tomada por Temer fez com as variações de preço do petróleo no mercado internacional influenciassem diretamente o preço de nossa gasolina. Ou seja, mudanças lá fora ditaram o que era para ser feito aqui dentro. Felicidade para os neoliberais porque o governo ficou sujeito às regras do mercado, onde o principal interesse é a rentabilidade especulativa. Que se dane a contribuição da empresa para o desenvolvimento econômico e social de nosso país, assim pensam eles.

Ao mudar a política de preços, Temer sabia que os baixos preços do barril do petróleo seriam modificados em algum momento futuro. Se Temer não tivesse alterado a política do reajuste, as regras de como se dá o preço do barril, a gasolina não estaria custando hoje 5 reais o litro.

Então, você que tem medo do comunismo e se diz a favor do livre mercado, saiba que é isso que acontece quando o governo perde a autonomia de regular o preço das coisas produzidas aqui dentro. Investidor quer lucro. Estado deve visar o bem social acima de qualquer coisa.

Mas isso de Estado controlador é “coisa de comunista”. Então, se vocês odeiam o controle do Estado e é a favor de empresários governando no lugar de políticos que buscam diminuir a desigualdade social não pode mesmo bater panela porque tudo o que está acontecendo é o que você quer e, por isso, você está mudo.

Há tempo de acordar ainda. Acreditar que a gasolina está aumentando semanalmente porque estão tentando salvar a Petrobrás e resolver os problemas causados pelo PT é de uma ingenuidade sem tamanho.

Há possibilidade do preço do litro da gasolina diminuir? Acreditar nisso é acreditar em conto de fadas. Há um cartel dominando os postos de gasolina e o governo não tem mais como segurar esse valor pelas novas regras criadas depois do golpe.

Estado interventor e combater cartéis são coisas típicas de petista. Não sem razão, orgulho-me de ser pré candidata a deputada estadual por esse partido.

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Carta para Lula

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Querido presidente,

Escrevo daqui do meu cafofo de Madureira, exatamente no mesmo lugar em que estava quando você me ligou pela primeira vez. Era quarta feira de cinzas. Dona Marisa havia acabado de falecer. E você, meu presidente, após ler um texto meu e ter percebido que eu estava precisando de um abraço, foi a única pessoa que me ligou para dizer: “Querida, tenha força. Os tempos estão difíceis, querem nos calar, mas seja forte, receba meu abraço e meu carinho.”

A emoção, presidente, foi demais. Se Aécio tivesse me ligado eu teria ficado feliz por ser considerada por alguém que tem uma certa importância no cenário político. Mas ter sido você, o homem que tirou o Brasil do mapa da fome, que construiu diversas escolas técnicas de excelente qualidade e mais sei lá quantas universidades federais, por ser reconhecido no mundo todo por ter diminuído a desigualdade social em um país com a extensão do Brasil… olha, eu sou a suburbana mais honrada deste planetinha.

Quando resolvi me filiar ao PT e quis entrar para a política, pedi para conversar com você pessoalmente. Fui desencorajada de cara, lembra-se? Você me disse que assim que eu vinculasse meu nome ao partido e a minha imagem a sua, eu seria apedrejada porque as pessoas aprenderam a odiar cegamente. Você quis me proteger e eu neguei essa proteção porque fui atrás de sua bênção e não de escudo. Ao perceber que eu era um soldado pronto, você sorriu para mim e me abraçou com carinho. Colocou a mão na minha cabeça e eu me senti vestida com um capacete.

Depois disso, nos encontramos por aí em alguns palanques. No meio de tanta gente importante, você sempre me reconheceu e perguntou dos meus filhos e de Lucimar, a moça que trabalha aqui em casa.

Agora você está preso. Tiraram-lhe a possibilidade de interação com outros seres, o que você faz de melhor. Perde o povo com o seu silêncio porque suas palavras são como um bom cobertor no inverno e, dependendo de onde estamos, sentimos uma frieza danada aqui fora. Você precisa saber que a temperatura caiu. Neva em alguns pontos do Brasil, presidente.

Sigo apanhando por te amar. Por achar tudo que aconteceu demasiado injusto e que o mundo piora muito quando não deixam você agir e fazer mais pelo povo. Mas, ainda que esteja plena de hematomas, quando vejo o olhar de quem me ataca e ouço o discurso dos que me xingam, reafirmo meu amor a você e, mais do que isso, ao que você representa.

Estarei te esperando aqui fora. Para que você me veja e me reconheça no meio da multidão quando sair, darei uma dica: estarei de vermelho e de braços abertos. Não vai ter erro, presidente, porque eu também virei uma ideia. Você irá reconhecê-la.

Até breve, meu presidente.

Com todo carinho e toda a saudade do mundo.

Elika Takimoto

MST. A quem pertence a terra?

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Latuff – 2013

Para aqueles que julgam que as pessoas que fazem parte do MST são um bando de criminosos e vagabundos, eu pergunto se, por acaso, sabem do que se trata esse movimento.

Entendo que o julgamento se dá porque as informações que nos chegam são dadas por uma mídia que tem interesse em estigmatizar quem atua no movimento como pessoas baderneiras e invasoras. Sabemos que os meios de comunicação que temos são instrumentos de poder das classes dominantes.

Peço para pensar se já viram o MST invadindo alguma indústria. Não, confere? Eles não fazem isso porque isso é crime já que houve um trabalho ali para se construir algo que não lhes pertence e, se tomarem esse local para eles, poderão ser presos. Só vemos o MST no meio de grandes fazendas porque a terra pertence a natureza e todos têm direito a ela.

A terra, para quem não sabe, pelas nossas leis, deve cumprir uma função social que tem a ver com o cuidado com o meio ambiente. A obrigação de fazê-la cumprir é do titular do direito de propriedade, que perde os direitos de proteção jurídica de seu título caso não cumpra.

Invasor foi quem tirou a terra de alguém (geralmente dos índios) e a demarcou dizendo que a comprou. Veja bem. “Comprou” um bem que era comum a todos. E pior. Para ou nada produzir ou trabalhar em uma monocultura que pode danificar o meio ambiente como a plantação de eucaliptos, por exemplo, esses desertos verdes que acabam com o solo e a biodiversidade local. Por lei, ele pode perder o direito a essa terra.

Geralmente, os adversários do MST são algumas forças partidárias que parecem desconhecer o contexto democrático. Porém, o verdadeiro inimigo dessas pessoas que querem terra para plantar são os grandes capitalistas do agronegócio, empresas que estão envenenando o solo brasileiro utilizando produtos que são proibidos em outros países dado o dano que causa para o nosso sistema nervoso.

Cada vez que os pobres se organizam para lutar pelos seus direitos, a mídia faz com que acreditemos que o que eles estão fazendo é algo muito errado. Jamais explicam o objetivo da luta e o motivo pelo qual a terra foi ocupada (e não invadida, vale frisar a diferença).

Temos hoje, segundo dados de documentos do MST, em torno de quatro milhões de famílias sem nenhuma terra. Em 30 anos de MST, eles conseguirem que 800 mil famílias conseguissem um pedaço de terra para produzir seus alimentos e há em torno de 200 mil famílias em acampamentos em processo de mobilização. Não se tratam de vagabundos e sim pessoas extremamente dispostas para trabalhar com a terra, produzir sem agrotóxico, organizar escolas e uma sociedade mais justa onde todos comem e estudam.

A nossa política inviabiliza o pequeno produtor. Há um acúmulo de grande capital na agricultura que é apoiado pelo poder judiciário e pela mídia que só favorece a produção de grande escala para exportação. Imagina se tivéssemos políticas públicas que fortalecessem a agricultura familiar em cada município? Certamente, haveria uma diminuição no êxodo pela melhoria de vida daqueles que vivem no campo, não? E, a longo prazo, quiçá uma diminuição da população das favelas dos grandes centros urbanos.

A reforma agrária é algo pelo qual o MST luta e por isso é taxado de comunista como se isso fosse, de fato, uma ofensa e não um grande elogio dado a essência dessa ideologia. Muitos não sabem que em grandes países capitalistas como o Japão houve a reforma agrária. Não é questão de ser ou não comunista e sim ser ou não democrático. No Brasil, a lei parece que só é aplicada para beneficiar uma classe.

Os integrantes do MST ocupam lugares onde empresas infringem leis para chamar a atenção da sociedade para aquele local. Eles entendem que não somente têm o direito de ocupar como o dever de fazê-lo para denunciar uma grande injustiça. Onde deveríamos agradecer por eles nos chamar a atenção, pela narrativa imposta pela grande mídia, acabamos por taxá-los de baderneiros. Quem, de fato, desobedecem às leis?

Saibam que o movimento é legítimo e tem como bandeira organizar os pobres do campo para que eles lutem por um direito que está assegurado na constituição. A população tem o direito de se manifestar. Se fosse contra a lei, essas 800 mil famílias que já estão assentadas deveriam ser presas. Nenhum juiz pode decretar prisão quando as massas ocupam um lugar como forma de protesto e ainda denunciam ilegalidades. As terras ocupadas são sempre terras férteis que podem ser usadas na reforma agrária.

Infelizmente, muitos desconhecem o trabalho do MST. Perdem por não aprender com quem sabe de verdade lições de sustentabilidade e cuidado com o solo. Hoje, há feiras orgânicas de produtos do MST pelo Brasil e eles são o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.

Uma pena que haja tanto preconceito. Enquanto isso, o agronegócio está acabando com as terras indígenas e liberando mais e mais venenos para serem usados em plantações que são proibidos pelo resto do mundo.

Que fique claro que não venho aqui atribuir santidade para ninguém. Apenas gostaria de compartilhar o que tenho aprendido por andar conversando com pessoas diretamente ligadas ao movimento. Sempre me pergunto perplexa o porquê do que eles fazem em sua totalidade não ser divulgado na mídia e nas escolas.

A resposta me parece clara. E esse texto é uma mínima tentativa de fazer com que quem leu até aqui procure saber mais sobre o MST e (re)pensar com carinho e seriedade sobre o conceito de justiça, crime e democracia.