Experiência

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José Cláudio era um homem extremamente religioso e temente a Deus. Acreditava tanto mas tanto Nele que pouco se lhe dava para as forças do Demônio. Defendia a ideia de que o Belzebu era antes de tudo uma figura folclórica. Tal era a ordem de grandeza de sua fé em Deus que José Cláudio chegava ao ponto de atravessar a rua sem recear ser atropelado por carros, ônibus ou caminhões. A cada final de dia, agradecia sempre feliz da vida a proteção do Seu Senhor.

José Cláudio tinha uma linda família formada por sua esposa e mais dois filhos. Mas a vida de casado, por descuido ou pela ordem natural das coisas, andava meio monótona e José Cláudio acabou arrumando uma bela amante e passou em suas orações a agradecer por ela também.

José Cláudio, como já dito, achava que a proteção dada por Deus Seu Senhor era infinita. Essa crença fez José Cláudio aumentar sem muito ponderar a frequência de seus encontros furtivos. Não ficando um dia sequer sem rezar, aconteceu de José Cláudio se apaixonar pelo seu caso extra conjugal e terminar seu casamento para poder viver o seu novo amor de forma plena. Deus, tão protetor e tão bom, havia lhe dado um novo e melhor caminho, acreditou José Cláudio.

Passados alguns meses, a ex-amante, agora namorada, outrora tão carinhosa, amarrou José Cláudio na cama e torturou-lhe munida de um canivete. Jogou ácido nas feridas abertas e em seu pênis e, ao final, fez com que José Cláudio testemunhasse seu suicídio cortando, na sua frente, sua própria garganta.

José Cláudio foi encontrado desfalecido com o corpo da maluca caído sobre o seu. Levaram-lhe para o hospital onde ficou internado por vários dias para se recuperar dos ferimentos. Quem assumiu os cuidados com ele foi a ex-esposa, menos pelo amor ao José Cláudio e muito mais pela gratidão e respeito que possuía acima de tudo ao pai de seus filhos.

No dia em que recebeu alta, um buquê de flores foi deixado na recepção para ser entregue ao depauperado José Cláudio. Dentro dele havia um pequeno envelope com um cartão de onde se leu: “Caro José Cláudio, daqui para frente você pode continuar duvidando da existência do Diabo, mas agora tem provas de que pelo menos a mulher dele existe.”

José Cláudio nunca mais orou antes de dormir por ter certeza de que havia sido o Nosso Senhor que havia mandado as flores.

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Arquivado em Crônicas

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