Como não a mala?

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Tenho andado para baixo e para cima. Literalmente. Os aeroportos agora fazem parte de minha vida. E eu não estava preparada para isso. Ou eu viajava de férias ou ficava por aqui. Nada disso de ir num dia e voltar no outro com roupas, livros para vender e computador na bolsa para palestrar.

Precisava de uma mochila maior com rodinhas que tivesse espaço para colocar essas coisas. Não era mala. Era dessas mochilas encorpadas de gente séria-mas-nem-tanto. Que atendesse as demandas da minha nova vida.

Basta comprar.

Qual o quê, minha gente.

Rodei várias lojas de bolsas e malas. Só encontrei mochila boazona do jeito que queria muito na cor preta. Modelo bem macho executivo com foco mas sem personalidade, sabe?

Bah. Cadê os modelos femininos?! Não tinha… para mulher só mochilinha frágil que não ia aguentar metade dos livros que carrego.

Nara, minha filha feminista antenada até além da conta, vendo meu desânimo estampado veio me lembrar que não existe brinquedo de menina e de menino. É tudo brinquedo-menine.

– Então, mãe, o que seria uma mochila de menina? Lembra das nossas conversas? Essas malas servem para você muito bem, mãe. Disse ela tentando me convencer da ausência ou fluidez de gêneros nesse momento.

Eu, diante aquela mochilaiada-mala-de-um-dia(-no-máximo-dois-vá-lá-três) tudo sem graça, sem flor, sem personalidade, eu toda empoderada desconstruida sim mas não cem por centa, fofa e meiga com o pé no século passado cuja infância foi regada a desenhos de princesas delicadas, euzinha, estava na maior bad crise white woman problem de mái láife.

– O que seria mochila de menina, Nara?!!, perguntei perplexa arrancando meus cabelos e olhando para toda aquele infinito mostruário inútil. Mochila ROSA! ROOOOSAAA!

Nara já vendo que não iria ser fácil me apontava desesperada outras bolses, males, mochiles tude horroroze!

– Também não quero essas estampadas de borboleta que parece que vão desmontar com dois livros! Quero uma com quatro rodas e tração em todas elas! Quero uma mochila lacradora mas não nível Pablo Vittar!

Os vendedores tensos mega tensos estavam também me empurrando várias porcarias de mulher perua. Nada contra, mas não era aquilo que queria, meu povo. Vamos respeitar a travessia das pessoa que estão num processo…

– Quero uma ROSA CHÁ COM RENDA sem estampa! Ou algo que o valha! E forte como essas ridícules!

Enfim, precisava de uma mochila boa. E comprei a que me atendeu bem. Em termos de conteúdo e não de forma, vale observar e frisar.

Gastei muitos dinheiros e não tive aquela satisfação que o capitalismo costuma dar para quem gasta tanto. Voltei com a mochila-mala para casa mas não feliz com aqueles que resolvem um problema.

Hoje vou estreá-la.

Arranquei o laço e o par de brincos de minha boneca amiguinha da estrela que estava no sótão e colei com super bonder na taki mala.

Enquanto o Deus mercado não se adapta ao meu estilo Beauvoir-Cinderela, vou dando meu jeito por aqui.

3 Comentários

Arquivado em Crônicas

3 Respostas para “Como não a mala?

  1. Elisangela Ferreira

    Te entendo muita coisa!!!!
    Mas adorei a solução! Enquanto lia, pensei a mesma coisa: customizar! Dar uma cara feminina a essas mochilas nada a ver! Amei a sua!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Gilberto Barros Vieira

    Você é no máximo Elika!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Comprei pra minha filha uma mochila da Kiplin com rodinhas e puxador retrátil, na loja tinha Rosa, Azul, preto e etc. E com capacidade prum monte de livros e cadernos que ela carrega, sem falar na lancheira. Cabe tudo !!! E ainda vem com um
    Macaquinho de pelúcia bonitinho !

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