Abrindo as asas

screenshot_20170929-174516438512549.jpg

Dizem por aí que tudo tem fim e pelo que estou entendendo é verdade. Daí fico imaginando como será o nosso. Se até lá estaremos morando juntos ou nessa loucura de você pelo mundo e eu aqui presa nas minhas neuras.

Sejamos otimistas e juntemos nossos trapos em um local qualquer desse Brasil.

Certamente haverá um jantar em silêncio. Ambos cheios de novidades, mas sem vontade de compartilhar coisa alguma. Um de nós dois fez algo que feriu o outro. Não me ocorre nada agora pois tudo o que eu fizer jamais será para te machucar. Mas ainda assim, pode acontecer.

Do seu lado também.

Daí, nesse momento, devo chorar porque não lido bem com o fim de nada. Nem da tristeza já que a felicidade me assusta. Vou ficar me lembrando de tudo o que fizemos juntos.

Aquela primeira peça que você me ajudou a escrever. Aquela vez que você deu vida a uma crônica que fiz e interpretou um dos personagens. Aquele texto que fizemos juntos onde eu era um menino que fazia um desenhos malucos e você uma menina que roubava rosas. Aquela vez em que consegui decorar um conto de Clarice com sua ajuda já que nunca jamais em tempo algum consegui memorizar uma frase até então. Aquela música em que te ajudei a compor colocando o lá lá lá na hora certa. Aquela ciranda que dançamos juntos. Aquela viagem para o deserto que era meu sonho. Aquela cachoeira que tropecei, me machuquei e foi você quem chorou. Aquela festa com todos os nossos filhos. O primeiro reveillon que passamos juntos eu só conseguia ver o azul que te envolvia. Aquela tarde que dormi no seu colo profundamente enquanto você alucinava. Todas aquelas noites que passamos acordados. Aquela música que você compôs na clarineta para mim.

Aquele livro que escrevi só sobre você.

Pode ser que esse momento em que estaremos com trombas nos espere lá na frente quando teremos uma espécie de seca dentro de nós e não mais quinze anos. Mas, assim como enxergamos a água no oceano nos nossos pés ao mesmo tempo em que ela se estende ao infinito, podemos ter sorte e uma vida eterna pela frente. Ou melhor, duas bem vividas.

É que a ideia de que estou sendo feliz me atordoa e sinto necessidade de lembrar que o verão insuportável está chegando.

Pensando bem, não iria olhar para trás nesse dia infeliz. Acho que a história da mulher de Lot sendo castigada por Deus me traumatizou. Não sou dessas.

O que eu sei é que te quero e que você é louco por mim. Tivemos sorte em chamar de amor, palavrinha tão comum, algo que juramos não ter paralelo.

Surpreendentemente não tive medo quando mirei o precipício. Advinhei-me igual a você e sabia que, se eu pulasse, você não ficaria me olhando. Iria me respeitar e me desejaria ainda mais.

Viria atrás.

Posso me esborrachar, mas é certo que estou dando muitas piruetas antes. Talvez consigamos voar, mas só saberemos se abrirmos bem essas asas.

Portanto, abrace-me forte e continue atuando para mim.

Dizem por aí que tudo tem um fim e, pelo que entendi depois de olhar para tanto futuro, isso pouco importa.

2 Comentários

Arquivado em Crônicas

2 Respostas para “Abrindo as asas

  1. Danusia Oliveira

    Parei de respirar enquanto lia… Vi até um pedaço de minha vida… Você é incrível… Mas acho q disso já sabe…. Entao só edeixo registrado aqui meu carinho e admiração….” Continue a nadar” Muitos beijos ❤️

    Curtido por 1 pessoa

Participe! Comente você também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s