The buquê is on the table

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Nunca tirei dez em redação nas provas de português e também jamais fui boa em inglês. Na época em que estava no ensino fundamental e médio, na minha escola havia duas línguas estrangeiras: a tal universal e o delicioso francês que dei toda a minha dedicação.

Por conta do mestrado e doutorado tive que ter fluência, ao menos, na leitura e consegui aprender, enfim, essa língua de origem anglo-saxã vendo desenhos animados com meus filhos com áudio em português e legenda em inglês (já que não tinha, na ocasião, nem dinheiro nem tempo para fazer curso). Algo aconteceu dentro do meu cérebro que as estruturas gramaticais foram devidamente assimiladas e o vocabulário enriquecido.

Lembro-me de que na segunda série do ensino médio como parte da avaliação em inglês eu tinha que fazer uma redação com não sei quantas palavras sobre uma pessoa que admirava. Era demais para mim, digo, a quantidade de linhas redigidas com tão parco conhecimento e interesse.

E foi assim que me saí dessa:

I love my mother. She is very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very very … beautiful.

A professora Rita – que já havia me encaminhado num passado remoto para a psicóloga da escola por tanto que eu escrevia meu nome nos livros, provas e cadernos – leu minha redação tal como ela foi feita para toda a turma que gargalhada e não acreditava no que eu havia feito.

A seguir, Rita fez um discurso elogiando até o meu último fio de cabelo dizendo que a criatividade iria me salvar de situações muito piores na vida e pediu para que outros colegas se inspirassem em mim.

Nunca tirei dez em redação alguma de escola nas provas de português. Sempre escrevia em primeira pessoa e fugia do tema.

Por incrível que pareça, foi uma professora de inglês iluminada e atenta a mim que se fez crucial para que hoje eu me tornasse uma escritora. Quando não sei o que fazer em vários momentos dessa jornada, levo o pouco de conhecimento que trago comigo para o parque de diversões e faço a festa. Algumas saíram em forma de livros.

Vejam vocês. O único dez que tirei em redação foi nessa prova de inglês e a uso como um terço ou um amuleto em minha vida.

Obrigada, Rita, por esse empoderamento, vocábulo que nem era usado na época mas que já era praticado por maestria por você.

2 Comentários

Arquivado em Crônicas

2 Respostas para “The buquê is on the table

  1. Helena Bittencourt

    Uau mil vezes para Rita e Yes for you,Elika!You are so Beautiful!

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  2. Rodolpho Oliva

    That is it! Criatividade não se ensina, se estimula ou incentiva, este é o verdadeiro papel do professor!

    Curtido por 1 pessoa

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