Medicina Chinesa. Sociedade Brasileira.

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De uns tempos para cá, ando me tratando com Medicina Chinesa. A filosofia é completamente diferente da medicina tradicional ocidental. Não quero aqui fazer juízo de valor, por enquanto, porque não tenho ainda os resultados, a despeito de ter percebido algumas mudanças significativas no meu corpo. O que me atraiu foi o fato desse tipo de medicina tratar a causa do problema e não o problema. Por exemplo, se tenho dores de cabeça devo saber o que causa esse desequilíbrio e tratar de harmonizar tudo para que não aconteça de novo. Isso me encantou por demais…

Daí que veio o caso do menino de dez anos, morto por policiais militares nessa semana e a seguir, como sempre, uma enxurrada de comentários sobre a redução da maioridade penal e mais a campanha para todos andarmos armados… claro, tudo isso incentivado pela mídia.

Eu, toda holística, pensei que não adianta tomar analgésico se a dor vai voltar e talvez mais forte…

Comecei a pensar na causa de tudo isso.

Primeiramente, fora Temer. Segundo, sabemos que há a PEC 171/93 que trata desse tema e se formos ver quem votou a favor da aprovação da PEC já teremos algum indicativo. Lembrando que a redução da maioridade penal vem acompanhada da ampliação da população carcerária no Brasil, muitos deputados, receberam financiamento privado por parte de empresas envolvidas com o sistema carcerário privado. Só a empresa Umanizzare Gestão Prisional e Serviços Ltda doou quase 1 milhão para alguns deputados, fora outras como a Fiel Vigilância Ltda. e a Total Vigilância Ltda. Ambas ainda trabalham com o serviço de escolta armada…

Então, está claro, há um grande interesse de empresas privadas e agentes capitalistas. O forte apoio popular em parte é consequência do trabalho de anos dessa mídia que sempre esteve ao lado de grandes empresários, que a partir de seus noticiários policiais diários instala na população a ideia de que os menores são os principais responsáveis pela criminalidade.

Assim como a indústria de fármacos ganha e muito tapeando nossas dores, o mesmo ocorre com a indústria carcereira.

Vejamos:

Só no Amazonas, a “Umanizzare” é responsável por seis unidades carcerárias. Em São Paulo, o governo tucano já busca ampliar as parcerias privadas com empresas do setor. Para o coordenador do Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria Pública de SP, Bruno Shimizu, o sucateamento do sistema penitenciário público tem servido de argumento político para justificar as parcerias do Estado com os serviços privados de carceragem e segurança, garantindo a expansão do lucro dessas empresas que atuam em parceria com o Estado, como pode ser conferido no documentário “Quanto Mais Presos, Maior o Lucro”, da Agência Pública de Jornalismo Investigativo. Ainda no mesmo documentário, o professor de sociologia da USP, Laurindo Minhoto, declarou que “as cadeias se tornaram recentemente um grande negócio por conta de políticas criminais de encarceramento em massa. Países como Estados Unidos e Brasil estão as voltas com taxas de encarceramento historicamente inéditas, o que obviamente cria uma janela de oportunidade pro setor privado”.

E mais. Bom frisar: o código penal válido para os maiores de 18 anos não impede a ocorrência de crimes, muito pelo contrário os maiores de 18 anos são a maioria no mundo do crime os jovens são apenas coadjuvantes.

Na lista dos 53 países mais seguros do mundo, a maioridade é de 18 anos em 42 deles. O único país rico que pune como adulto os jovens é os Estados Unidos. Justamente o país rico com os maiores índices de criminalidade.

No mais, algumas pessoas parecem que vivem em outro país ou em uma realidade paralela. Interessante é que essas que são a favor da diminuição da maioridade penal são as mesmas que são contra o bolsa-família. Mas continuemos a refletir. Pare e pense de como seria isso: com a redução da maioridade penal, vamos precisar de uma nova estrutura, que vai demandar:

– número maior de policiais

– de escreventes judiciais

– de juízes

– criação de novas Varas Criminais e Varas cumulativas

– ampliação do espaço físico de delegacias, tanto para acomodar inquéritos como maior carceragem

– ampliação do espaço físico em fóruns

– criação e ampliação de presídios

– contratação de carcereiros, faxineiros, serviços de manutenção, de fornecimento de alimentação, etc.

Complicado. Presos mais antigos serão liberados, certamente. E que tudo isso aconteça da melhor forma possível. O jovem entra com 16 anos na prisão. Que fique 10 anos preso nesse sistema falido. Sairá com 26 anos… bom? Reabilitado??? Fala sério vocês… Quem defende a redução se esquece que daqui a 5, 6 ou 10 anos (dependendo do crime) eles estarão na rua novamente. E muito piores pois a prisão no brasil não ressocializa ninguém.

Agora, vejamos pelo viés da medicina chinesa. Por que tantos jovens assaltando à luz do dia? Não seriam eles uma dor de cabeça? Que tal tratar a origem dessa dor?

Uma pesquisa feita pela organização internacional do trabalho diz que crianças entre 8 a 12 anos já estão atuando no mundo do trafico. O que a sociedade vai propor para essas crianças? Mais pena? Mais redução?

No mais, a redução da maioridade penal pode até piorar a violência no Brasil. O sistema prisional no brasileiro está degradante. Todos sabemos. O que resultaria unir jovens de 16 a 18 anos aos criminosos adultos? Respondo: eles, certamente, assim creio, seriam qualificados para mais crimes.

A ideia do Estatuto da Criança e do Adolescente e suas medidas socioeducativas buscam a recuperação desses jovens para o retorno a sociedade, pois eles também sofrem pena de internação. Por que não lutar para a melhoria desse setor? Por que a mídia não incentiva que olhemos para o Estatuto com mais carinho?

Sigo aqui meditando, observando o que me faz mal, melhorando o alimento que ingiro pela boca, pelos olhos e pelos ouvidos para que minhas dores não voltem. Não me contento mais com analgésicos ou remédios que cuidam de uma coisa e danificam outra.

Quero a raíz dos meus problemas arrancada.

E, assim, melhorando devagarzinho, não querendo ver mais crianças-vítimas sendo tratadas como bandidas e sendo consideradas como a causa e não como a consequência dessa sociedade em que vivemos, extrapolo tudo o que ocorre dendimim para o mundo.

 

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Arquivado em Crônicas

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