O Movimento Feminista é excludente? Ou foi você que não entendeu nada?

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Quem aqui já ouviu homens reclamando que o movimento feminista é excludente? É meio cansativo lidar com isso, mas é necessário repetir que o homem que queira fazer parte do movimento de alguma forma deve antes compreender a ideia do protagonismo feminino dentro de todo o contexto.

Não preciso explicar por quê o feminismo surge. Isso parece que está claro. Mas ainda assim não custa repetir que esse movimento só começou pela necessidade das mulheres de serem protagonistas de suas vidas (o que até pouco tempo atrás isso beirava um sonho de tão distante que nos parecia. Para quem não sabe, até 1900 e sessenta e blá as mulheres quando casavam se tornavam juridicamente incapazes).

Um dos objetivos do movimento é empoderar as mulheres dando a elas voz e confiança para reivindicar direitos, além de espaço para debaterem sobre assuntos que lidam diretamente com o sofrimento que passam por… serem mulheres.

Isso não implica que homem não possa participar. A questão é que muitos querem fazer parte da luta feminista da maneira que ELES acham melhor e agindo dessa forma o protagonismo, conquistado a duras penas, pode, fatalmente, nos ser roubado.

Se o homem se diz a favor das pautas feministas, que ele aja e atue, no seu referencial privilegiado, em prol delas nos espaços nos quais circula, no bar, nas ruas, no trabalho ajudando, de fato, na criação de uma nova cultura onde a desigualdade de direitos assim como o preconceito sejam considerados abomináveis.

Se houver um clube da Luluzinha onde homens são proibidos de entrar ou falar, saibam que nesses lugares discutimos sobre abusos que vocês não têm noção que sofremos. Há uma quantidade enorme de mulheres que jamais falaram sobre isso porque, vejam bem, são julgadas quando são até mesmo estupradas. E isso é muito diferente de uma exclusão, percebem?

Estar entre mulheres e ouvir somente vozes femininas nesses debates nos ajudam a proferir palavras sem medo e criar mais segurança. É o famoso e necessário empoderamento. Precisamos nos sentir confiantes e, friso, aprender que podemos nos expressar. Isso ainda é muito difícil para muitas de nós que tivemos uma educação castradora e vivemos em uma sociedade machista. Então, quando uma de nós mais segura fala, outras começam a se inspirar.

Se um homem nos tira esses importantíssimos minutos que sejam, pode resultar, naquele ambiente, em menos mulheres empoderadas. O que seria um desserviço e não uma ajuda à causa.

“Mas eu não posso me manifestar?”, diriam alguns homens com mega boa vontade. A resposta é: claro que sim! Mas entre vocês e jamais tirando esse momento que nos foi brutalmente roubado ao longo de uma história plena de mortes de tantas companheiras.

Saibam, homens de bem que queiram falar, que se pratica o feminismo em todos os lugares e não somente em mesas redondas e auditórios. Basta você não deixar passar nenhum discurso machista, misógino, preconceituoso quando o presenciar.

Você pode atuar, mas sem querer roubar algo que já nos foi tão subtraído: o exercício de se manifestar. O que para você não é nada demais, para nós, isso significa ter vencido uma guerra.

Chegue, pode se aproximar, mas respeite a dor das sobreviventes.

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Arquivado em Crônicas

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