Arquivo do mês: novembro 2009

Meus Deleites

Ver velhinhas arrumadas andando na rua, passarinho colorido quando pousa perto da gente, beber água gelada depois de escovar os dentes, fazer molho de pimenta, tirar os sapatos, dar livros de presente, tomar banho quente, dobrar a língua junto com a Nara, acertar bola de papel no lixo, dormir cansada, aroma de madeira, a casa de meus pais, ver papai tirando fotos de flor, batucada bem batida, comidas típicas sejam lá da onde for, bolo de combole, ver gaveta de casa arrumada, celular novo, achar nota de cinquenta reais no bolso da calça, ar condicionado, milho cozido, álbum de fotos, fotos que a gente fica mais bonito que já é, livros antigos, ver as pessoas tentando falar papibaquígrafo, ligar para minha mãe dizendo que cheguei, ligar para minha mãe dizendo que saí, ligar para minha mãe, cheiro de neném, ver que meu colesterol está baixo, apanhar qualquer coisa que me lançaram de longe, apertar o play do DVD, demonstrar leis da física, perceber que Angeline Jolie fica feia em determinados ângulos, dar uma aula legal, ver um esquilo parado, rever Noviça Rebelde com as crianças, acompanhar o crescimento da árvore que eu plantei, receber comentários no meu Blog, ver o Cristo Redentor de dentro do avião, cheiro de cocô de vaca, fotos antigas, ouvir música da época em que era adolescente, abraçar os amigos, gente engraçada, conhecer gente que aparece na televisão, os livros do Ziraldo, ouvir tia Elika? quando atendo o telefone, assistir filme que ganhou Oscar, falar a verdade, contar uma mentira, sotaque nordestino, fantasiar a família toda no carnaval, férias com meus sobrinhos, festa junina, ficar de pijama o domingo inteiro, ler na cama, dizer nasceu!, ver filme deitada, receber um email de um amigo distante com saudades, planejar viagem para Buenos Aires, ouvir gargalhada de filho, pintar quadro bonito, décimo terceiro, comer mentos depois de morder um chocolate, morder chocolate, massagem no pé, comer frango assado com a mão, ensinar como se come peixe cru com pauzinhos, tocar pandeiro, desenformar pudim, cantar em italiano, Sapucaí, levantar da cama e deitar no sofá, gelo com coca-cola, ver filho tirando nota dez, comer pão que acabou de sair do forno, comer pão esquentado na chapa, comer pão, ouvir o dentista falando que não tenho cárie, cheiro de dama da noite, ver o relógio marcando oito horas quando acordo, voltar a dormir, sonhar que estou voando, o sorriso do Brad Pitt, sorriso de negão muito simpático com dentes brancos, ver salto acrobático que pode causar a morte do atleta, velhinho lúcido, tango bem dançado, roer osso depois de ter comido a carne, o olhar do gato de botas do Shrek, descobrir que não vai chover no site climatempo, jabuticaba colhida do pé, trazer para casa queijo de Minas comprado em Minas, ficar chupando a água salgada do sabugo de milho, passear de bote inflável e levantar o remo com as duas mãos e gritar urrú, receber mensagens dos amigos no celular, lembrar episódios da infância, baleia, varanda de fazenda, cavalgar em cavalo bonito, ler a sessão entreouvidos do jornal de Domingo, girar um compasso e ver o círculo perfeito, fazer um círculo quase perfeito sem um compasso, ser apresentado a um monumento famoso, ver filho arrumadinho pra sair, conseguir pegar siri na praia com a mão e mostrar para as crianças como se faz, bisbilhotar a biblioteca dos amigos, fazer as pazes, pé-de-moleque de Piranguinho, ver um rato cruzando o asfalto, falar que dinheiro não traz felicidade, pintar ovos quando chegam do supermercado, descobrir que a boazuda da época de escola engordou muito, Homem de Ferro, Homem-Aranha, barulho de cachoeira, casa dos amigos, estourar bolinhas do plástico-bolha, atualizar o Curriculum Lattes, a voz do Renato Russo, dançar igual chacrete, mostrar para as pessoas que consigo me levantar sem colocar as mãos no chão, descer num toboágua gritando alto, escrever uma crônica, entender um filósofo, fingir que entendi alguma coisa, cheirar debaixo do braço e ver que não tem cecê, coçar ouvido com o dedo mindinho, empurrar pessoas na piscina, cheiro de café, de pipoca-doce e do Nelson; ver mamãe eletrocutando moscas com uma raquete, aplaudir involuntariamente, ver a parte detrás da Candelária, doces árabes, vestir roupa nova, vestir roupa de dez anos atrás e ver que serve direitinho, não vestir roupa nenhuma, ser madrinha de casamento, ser madrinha de filho dos amigos, levar alunos ao museu de astronomia, ficar pensando para terminar essa lista e toda hora me lembrar de mais alguma coisa.

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Viver é Desenhar Sem Borracha*

* Millôr Fernandes

Eu acreditava que a vida era assim: existia o certo e existia o errado e ponto final. Tudo bem que o certo e/ou o errado é relativo. Mas, a partir do momento em que alguém se encontra num referencial fixo, essa relatividade naturalmente se esvaece. Ou é correto ou não, visto dali dos olhos de quem está vendo. E com o preto e o branco devidamente definidos, estamos prontos para escolhermos os nossos amigos, os nossos pares, para julgar terceiros e para educar os nossos filhos. Simples assim.

Ledo engano. Esta semana que passou acabou com essa ilusória simplicidade das duas cores.

Cena 1: Conversa entre mim e meu filho adolescente na sexta a tarde.

Abre parêntese

Hideo tem dezesseis anos, repetiu o oitavo e o nono anos. Era para o ano que vem prestar vestibular. Mas não. Hideo ano que vem começará o ensino médio. Futuro? Futuro para o Hideo é o que ele vai fazer nesta noite ou, no máximo, no próximo final de semana. Ah, já ia me esquecendo: Hideo é o menino mais popular da escola.

Fecha parêntese

– Mãe, vou sair hoje. Vou à casa do Biel com o Coutinho.
– Como sair? Você nem pegou num livro! Semana que vem é semana de provas!
– Mas eu não vou estudar hoje a noite. Qual o problema?
– O problema? O problema é que a sua vida é um circo! Só que eu, Hideo, não sou palhaça!
– Mas quem te chamou de palhaça, mãe?
– Se eu deixar você sair hoje eu vou me sentir uma.
– Mãe, você está falando estranho. Está estressada. Vem aqui me dá um abraço e dança comigo.
– Tá vendo? É assim que você encara a vida. Tudo na brincadeira. Você debocha de mim, Hideo. Pois hoje, Hideo, hoje (!!!) você vai ficar em casa refletindo sobre o seu futuro e sobre o seu comportamento.

Hideo me pegou para dançar. E eu fiquei tentando me desvencilhar.

– Mãe, para com isso. Por que você não aceita o fato que eu não gosto de estudar?
– Porque você precisa estudar para passar para uma boa faculdade e trabalhar e ganhar dinheiro e tudo o mais que estou careca de dizer.
– Mas, mãe, sinceramente. Você acha mesmo que eu saindo hoje a noite vou comprometer tanto assim o meu futuro? Você acha que eu não vou dar um jeito na minha vida quando chegar a hora? Por que você não consegue se orgulhar com o fato de seu filho ser conhecido pela simpatia que emana, pelo poder de agregar os amigos, de organizar encontros…pelas namoradas que tem e que muitos não conseguem ter? Você já percebeu como você fala comigo sempre? Só brigando! Não consigo fazer você ficar orgulhosa de mim. Será que se eu fosse um desses seus alunos nerds e vivesse em casa estudando, você dançaria comigo?
– …
– Posso sair?
– Não volte muito tarde, ok?

Cena 2: Conversa entre mim e minha filha de onze anos.

Abre parêntese

Pati, minha yorkshire, se enroscou com Apolo, o pinscher horroroso da Dona Nilce, mesmo depois de eu ter tomado tantos cuidados para que um não se aproximasse do outro. Conclusão: os filhotes-de-cruz-credo nascerão em breve. E eu que havia arrumado tantos yorkshires lindos para ela, todos com pedigree…

Fecha parênteses

– Mãe, vamos ficar com todos os filhotes?
– Claro que não! Não vamos ficar com nenhum!
– Como não?!? São os filhos da Pati! Pelo menos com um temos que ficar, mãe! – Nara já estava com os olhos brilhando demais da conta por mim suportável.
– Nara, não e ponto final!- (Ó, jesuis, por que os meus pontos finais nunca funcionam como na gramática???).
– Mas, mãe, por que não?
– Porque vão ser filhotes-de-cruz-credo. Todos vira-latas. Assim que a Pati morrer a gente escolhe um bem bonitinho de raça.
– Esse é o seu critério? Se tem ou não raça e pedigree?
– Sim. – Disse eu, sem titubear, baseada no que sempre ouvi de minha mãe: “Cachorro para viver dentro de casa tem que ter documento!”.
– Mas e eu? O que eu sou? Não sou uma vira-lata? Tenho a pele morena, olhos puxados…eu valeria mais para você se fosse uma japonesa pura?
– Claro que não, Nara! Que idéia!
– E por que o seu critério muda para os bichos? Por que você não aceita o fato de que a mistura entre eles possa até, quem sabe, gerar melhores resultados?
– …
– Posso ficar com um?
– Vamos conversar com o papai, tá bom?

Cena 3: conversa entre mim e meu filho de três anos.

Abre parêntese

Desde antes d’eu ter o meu primeiro filho, ouvi dizer pela boca de ilustres e famosos psicólogos que o certo é: quando se ouvir uma criança que está aprendendo a falar pronunciar uma palavra errada, jamais repeti-la na forma em que foi dita. Isso só reforçará o erro. Devemos, em seguida sempre, proferir o vocábulo corretamente.

Fecha parêntese

– Móin, eu quelo bolo de combole.
– …, …, …, o que, meu filho?… o que você quer? – perguntei eu, tão emocionada quanto aqueles que se encontram pela primeira vez em frente às Cataratas do Iguaçu.
– Eu quelo bolo de combole, móin.

Neste momento, tive a certeza de que nunca mais comerei rocambole na minha vida.

Depois dessa semana, difícil agora é dar alguma opinião seja lá sobre o que for. E ponto.

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Presente de Aniversário

Desejo a você muito mais do que 13 anos de felicidade!

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Dizem por aí que os cachorros se parecem com seus donos…

…será que acontece o mesmo fenômeno com os ovos???

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Esses Ovos…

Parecem crianças!

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Nem posso mais falar quando abro minha geladeira…


O que será que está acontecendo??? Desde o início da semana eles só querem saber de dormir…

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O Ovo de Meio Quilo

Uma galinha põe um ovo de meio quilo. Jornais, televisão, repórteres… todos atrás da galinha:

– Como conseguiu esta façanha, Sra. Galinha?
– Segredo de família…
– E os planos para o futuro?
– Botar um ovo de um quilo!
As atenções se voltam para o galo…
– Como conseguiram tal façanha, Sr. Galo?
– Segredo de família…
– E os planos para o futuro?
– Partir a cara do avestruz!!!

Esses ovos…

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