Arquivo do mês: agosto 2016

Coisa de Viado

bambi

Yuki, meu caçula de 9 anos, passou este fim de semana com uma pessoa da família dele que, ao vê-lo calçar um chinelo com lacinho, advertiu-o:

– Não faça isso! Isso é coisa de viado!

Hoje, pela manhã, ele me contou a história e pediu a minha ajuda de como deve se comportar em uma situação como essa. A pessoa em questão é amada por ele e isso pesa nessa história já que ele tem como objetivo melhorá-la como ser humano.

– Mas como, mãe?

Vale observar que Yuki já sabe o que é homofobia, uma relação homoafetiva e caga para isso já que para ele toda forma de amor é mais do que natural – dado as pessoas que frequentam aqui em casa. Isso só faz com que ele fique ainda mais assustado quando ouve de alguém uma frase com o tom pejorativo sobre os gays.

Tratar de um tema como esse com uma criança não é uma tarefa das mais simples (o que para mim faz a coisa muito mais estimulante pelo desafio).

Então, tentei.

– Meu filho, para começar, você pode mostrar para ela que não há nada melhor para se rotular como “coisa de viado” do que a própria homofobia. Em outras palavras, Yuki, homofobia é coisa de viado.

– Não entendi nada, mãe.

– Vou te explicar. Há tempos, mais precisamente, há vinte anos, provaram na Universidade da Georgia que os homens que mais reclamavam dos gays em público e por eles se sentiam incomodados, ou seja, os famosos homofóbicos, frequentemente são homossexuais reprimindo suas próprias tendências biológicas. Ou melhor, o cara quer namorar outro homem, não consegue por problemas pessoais dele lá, e daí dá de falar mal de quem venceu o preconceito e assumiu sua sexualidade. Essa pesquisa vira e mexe é reforçada. Em 2012, por exemplo, na Universidade da Inglaterra foi feito um teste bem mais preciso com imagens cerebrais de homofóbicos que corroborou essa ideia. Claro que nem todos os homofóbicos são gays, Yuki. Esse comportamento pode ser cultural ou simplesmente uma dificuldade de lidar com o diferente. Mas pessoas que nascem gays em ambientes repressivos muitas vezes aprendem a suprimir a homossexualidade e sentem raiva dela. Geralmente quando vemos uma reação muito agressiva, excessiva até ao ponto da gente ter dificuldade de entender e a pessoa de se explicar é porque há um conflito interno em quem ataca. Enfim, meu filho, comportamento homofóbico muitas vezes é a manifestação de homossexualidade reprimida. E, por isso, aqueles que fazem discurso de ódio mereçam mais compaixão do que raiva.

– Mas ela é mulher, mãe…

– Então. O que nos leva a uma outra reflexão em cima daquilo que acabei de falar. O que seria “coisa de viado”? Usar um chinelo rosa? E quantos homens héteros se vestem de forma, diria, “feminina” porque assim se sentem mais bonitos? Ser sensível é coisa de viado? Quantos homens héteros choram por qualquer coisa? Ser fresco? Já viu o seu pai lavando um copo? Quer mais frescura que aquilo? Chamar bolinho de cupcake? Já viu Hideo, seu irmão, quando fica quando falamos “cupcake”? Ele é gay? Não. Percebe como é difícil definir essa expressão “coisa de viado”?

– Mas e aí… o que faço?

– Ah, Yuki. Isso já não é mais problema meu. Eu só te coloco para pensar. O que você vai fazer vai do seu sentimento na hora. Eu não sei. Mas usando outra expressão de forma que ela entenda, eu acho que no seu lugar eu falaria que tem que ser “muito homem” para ser gay em um país como esse. Mas, pensando bem, também não gosto dessa expressão porque remete a outra pejorativa “coisa de mulherzinha”. Outro dia,veja você, postei no facebook que passei a tarde com meu amigo gay conversando. Não demorou surgiu um comentário: “Toda mulher deveria ter um amigo gay. Deve ter sido ótimo para você passar uma tarde falando sobre sapatos”.

-Você falando de sapatos?

– Pois é, Yuki. Para você ver. Eu, mulherzinha, e ele, um viado, passamos a tarde falando sobre matemática e literatura… O preconceito sempre levando na cara.

– Mas e então?

– Então. Para finalizar, você é viado?

– Não sei. Ainda não sou nem adolescente.

– E se for? Ela vai te amar menos?

– Alguém ama menos porque o outro é gay, mãe?

– Acontece, infelizmente, por causa dessa sociedade que insiste em diminuir o outro com esse tipo de expressão vazia em sua essência. Você sentiu vontade de calçar o chinelo rosa?

– Não. Eu ia com ele porque foi o primeiro que vi. Mas, na verdade, nem havia reparado na cor do chinelo.

– E se sentisse, você vê algum problema nisso?

– Nenhum. Na verdade, o problema foi ela querer que eu tirasse o chinelo. Eu acabei nem indo onde queria.

– Então. Quando alguém te falar isso de novo, o que pensa em responder, meu filho?

– Penso em falar tudo isso aê que você me falou e depois dizer: dizer “coisa de viado” é “coisa de gente que não pensa sobre o que diz”.

– É, mas sempre com carinho para que o outro não se feche ao que você tem a dizer, ok?

– Ok, mãe…

Enfim, é difícil, dá trabalho, mas vale a pena dialogar sempre. Mais um dia fazendo “coisas de mãe” por aqui.

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Coração Valente.

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Ontem, dia 29 de Agosto de 2016, eu não aguentei. Tentei acompanhar o processo de impeachment da presidenta Dilma, mas estava exausta. Fui até Janaína Pascoal, a advogada de acusação, e encerrei o meu dia. Foi como disse o Luis Antonio Simas, Janaína era esperada para fazer a pergunta sobre crime de responsabilidade. Daí ela desatou a comparar a economia de Chile e Paraguai. Oi? A pergunta que ela fez não tinha a menor relação com a tese pela qual Dilma está sendo julgada. No mais, de tudo que vi, ficou a certeza de que o Senado tem um nível de pobreza intelectual que superou o da Câmara.

Que o país está dividido todos sabem. Mas, depois de ontem e mais tudo o que já foi feito nesses poucos meses de governo interino, a divisão se dá porque de um lado há os que sabem que é golpe e estão desesperados com essa ideia e, do outro, os que sabem que é golpe e estão dando de ombros para a democracia.

Outra coisa que eu e mais uma grande parte do Brasil ficamos bem surpresos foi ver a Dilma que a mídia esconde. Até aqueles que sempre a criticaram tiraram o chapéu para a força apresentada. Se a mídia apoiasse Dilma, teríamos uma líder inconteste de nosso povo da qual todos poderíamos nos orgulhar a despeito de seus defeitos que em nada afetam a soberania do país. Dilma cometeu erros políticos, mas não é uma criminosa moral e faz jus ao cargo para o qual foi eleita.

Ela falou por quase 14h em uma defesa memorável que vai entrar para a história. Dilma deu um show de coragem, de dignidade e de respeito à biografia e à democracia. Foi lindo vê-la se dirigindo com a cabeça erguida ao senador Perrela, que teve um helicóptero apreendido com meia tonelada de cocaína e que a acusa de crime. Foi um deleite ver a cara do Aécio que de tão delatado foi considerado como aquele que seria o “primeiro a ser comido” pela Lava Jato, como disse Sérgio Machado. O circo é tão estapafúrdio que havia gente como o senador Romero Jucá que foi pego em gravação conspirando para acabar com o governo Dilma e a Lava Jato. Enfim, esses são apenas exemplos dentre quase todos que estavam ali acusando Dilma de crime de responsabilidade.

O Brasil é o único país onde uma presidente que não cometeu crime algum é condenada por políticos comprovadamente criminosos. E isso ficou ainda mais claro ontem já que a acareação estava sendo feita. Não foi à toa que Dilma aceitou a condição de ser interrogada por 14 horas. Ela sabia que precisava sobretudo defender o processo democrático e sua biografia. Que o golpe seja dado, mas que a relutância seja documentada e saia nos livros de história.

Aliás, ontem praticamente liberei todos de qualquer responsabilidade aqui em casa. Pedi, inclusive, para que meus três filhos matassem aula, que a empregada deixasse tudo para lá e orientei para que todos acompanhassem o quanto conseguissem o processo. Ouçam, meus filhos, observem o olhar de Dilma e sua postura. Inspirem-se nessa mulher. Não sejam covardes, enfrentem seus adversários, sejam dignos.

Assistimos todos uma aula magna de dignidade e de resistência.

Fui dormir deixando Dilma ainda acordada e se defendendo. Estava ainda sem acreditar. Eu após uma palestra e depois de responder a uma meia dúzia de perguntas fico esgotada emocionalmente. Dilma estava há quase 12h quando fui me deitar dando uma aula de democracia e um banho político nos senadores. Que mulher é essa? Será sempre, para mim, uma grande inspiração.

Enfim, que o golpe seja consumado e a diminuição da desigualdade social do Brasil volte a ser um sonho. Que Dilma Roussef não seja mais a nossa presidenta e que a direita governe do jeito que lhe convier. Dormi e acordei, ainda assim, leve por aqui. De forma paradoxal, sinto-me uma vitoriosa. De tudo o que vi ontem, depois de observar atentamente o discurso de quem acusava a minha presidenta e saber da índole de muitos que estão apoiando o golpe e as razões pelas quais isso ocorre terem ficadas mais do que esclarecidas, eu me envergonharia, isso sim, de estar ao lado de quem atacou esse Coração Valente.

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Somos todos iguais.

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Eu já havia feito algumas postagens nas redes sociais sobre a Paralimpíada. Por um lado, mostrei-me feliz em participar também dessa festa, por outro, questionei o porquê de ter duas festas no lugar de uma só. Na ocasião, várias pessoas me deram explicações dessa segregação, mas nada que tivesse me convencido a ponto de eu deixar de ficar incomodada e me conformar com a “tradição”. Eu não sabia, de fato, fundamentar o motivo pelo qual me sentia tão mal. Apenas sofria.

Até que veio a campanha da Vogue #somostodosparalímpicos.

Para quem não sabe, a campanha traz a foto de Cleo Pires e Paulo Vilhena, atores lindos e globais, uma sem o braço direito e o outro sem parte da perna direita. Um trabalho feito por alguém que não manja nada sobre representividade e empatia, mas muito bem de photoshop ou algo que o valha. O objetivo seria dar mais visibilidade aos atletas que competirão na Paralimpíada Rio-2016.

Aquilo me gerou um asco de cara. Rapidamente fiz o paralelo com mulheres e negros e imaginei uma campanha #somostodosmulheres, por exemplo, com homens vestidos com roupas femininas para mostrar o quanto somos iguais. Fiquei nauseada só em imaginar. Já tivemos uma campanha assim com negros mostrando brancos com rosto pintado de tinta preta e o resultado foi o que muitos viram. A revolta total dos que sempre foram considerados marginais à sociedade não se sentindo nada representados por quem tentou incluir já, de cara, literalmente, excluindo. Ouçam o que os deficientes estão falando sobre essa campanha e verão que o meu paralelo tem razão de ser.

Ter um evento separado não mostra somente que não somos todos iguais. Mostra mais: aponta que queremos que assim continue. O fato de falar que isso é tradição é uma prova de que não estou delirando. Oras, a escravidão era uma tradição. Mulheres não estudando era uma tradição. Homofobia é uma tradição. Continuaremos calados em nome de um passado  exclusor?

Sei que em algumas modalidades, seria injusto mulheres competirem com homens, dado as diferenças biológicas, por exemplo, no boxe. Mas em outras como no tênis, não veria problema algum fazer a inclusão. No caso dos paralímpicos, consigo imaginar um cadeirante competindo em tiro com arco sem problema algum com uma pessoa em pé. É óbvio que em alguns esportes como os de quadra seria complicado competir cadeirante com os que andam bem com as duas pernas sem próteses. No entanto, por que não criar uma modalidade específica (como já ouvi por aí) em que os atletas sem deficiência, por exemplo, tivessem que competir usando uma cadeira de rodas? É fato  que pessoas com e sem deficiência podem perfeitamente concorrer em pé de igualdade em vários esportes.

Basta querer.

Basta querer incluir e ter uma sociedade mais igual, de fato.

Mas parecem que não querem. Segregar é o que há em nossa sociedade. Criar uma competição para mostrar que pessoas com deficiência têm deficiência e são importantes por serem deficientes e não seres humanos, atletas em primeira instância, é muito bizarro e passa longe da tal da inclusão. A campanha da Vogue escancarou isso. O que importa, para muitos, é o que não se tem no corpo e não o que seja esse corpo. Para isso ficar bem claro, tiramos a cabeça do atleta e colocamos um ator global e mandamos ver na publicidade para mostrar a verdaderia importância de uma Paralimpíada, a dizer, o preconceito velado. Porque se fôssemos todos paralímpicos mesmo, se a mensagem fosse essa a ser passada,  teriam colocado, no mínimo, os próprios paralímpicos para estrelar na campanha.

Eu poderia sentar-me no sofá e ficar com os olhos marejados e super emocionada com as histórias de superação que iremos todos assistir no Jornal Nacional e no Fantástico. Eu poderia só ir prestigiar esses atletas nos jogos e nas competições. Mas não. A campanha da Vogue não me deixou ficar calada. Farei disso mais uma bandeira para carregar: Somos Todos Iguais.

E tenho dito.

 

 

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Ovo em Espada de São Jorge

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Moro em Madureira e ando por esse Rio de Janeiro todo. Não pertenço a grupo nenhum e frequento os mais diversos tipos de ambientes. Vai da vontade do dia. Posso sair de uma sessão de um cinema mega cult em Botafogo direto para uma sessão espírita em Cavalcante (para quem não sabe, Cavalcante é um bairro inexplicável no subúrbio do Rio). Subo o Pão de Açúcar a pé e volto de BRT para casa. Sou dessas.

O fato de não estar com meu bode amarrado permite-me algumas observações que só quem está de fora da situação consegue enxergar. Outro dia, por exemplo, estava na Praça São Salvador em Laranjeiras. Lá é um reduto, digamos, de comunistas, esquerda-holics, que gostam de samba, chorinho, Marx, Engels, Bakunin e de beber e fumar alucinadamente. A despeito de não poder beber e jamais ter fumado nada na vida, adoro estar por ali, pois todo o resto me agrada e nada me incomoda. Pelo contrário, me diverte por demais como vocês verão.

Houve um fato curioso. Fui apresentada como sempre para novas pessoas e não sei por quê alguém me perguntou onde morava.

– Madureira. – respondi.

Para quê. Me senti um ET.

– Ela mora em Madureira! – um gritou.

E, em segundos, eu estava no centro da roda me sentindo em uma sala escura sentada em uma cadeira com uma luz somente no meu rosto.

– Você mora no berço do samba? Terra de Cartola!?? – perguntou um com chapéu panamá.

– Cartola é da Mangueira. Moro em Madureira…

– Terra do Arlindo Cruz?! – gritou a outra empolgada segurando na mesma mão uma garrafinha long neck e seu cigarro aromatizado.

– Arlindo mora na Barra. Só fez aquela música. Nunca o vi por lá.

– Mora perto da Portela? Que sonho! – disse outro com boina-Tchê,

– Realizo fácil seu sonho. Você vai morar lá em casa e eu venho morar na sua.

Todos riram.

Eu havia virado atração turística nível Cristo Redentor para aquele bando de hipster que me cercava. Eu era uma pobre para eles, mas não pobre-empregada-doméstica, era a pobre que eles queriam para interagir. A pobre idílica. Não sou do tipo miserável, tenho todos os dentes, fico bem na foto. Mas sou aquela que mora onde tem “casas simples com cadeiras na calçada”, gente humilde que Chico Buarque já exaltou em sua canção. A pobre perfeita para encher qualquer morador da zona Sul de cultura.

– Sou da terra do jongo. Antes do samba nascer e se popularizar, o  Jongo chegou à comunidade da Serrinha, quando famílias vindas de áreas rurais onde se praticava a dança oriunda de regiões africanas  ocuparam o morro de Madureira. Hoje, o morro da Serrinha é o único do Rio que conseguiu preservar e transmitir a tradição jongueira.

– Você mora perto do Morro da Serrinha? Você frequenta o morro??? – perguntou um com barba de lenhador.

– Não. Se for lá levo tiro. Vejo uma parte dele lá de casa e ouço sempre o tiroteio quando tem invasão de facção rival. Sei disso porque frequento o Trapiche Gamboa, na Praça Mauá, onde toca o grupo Jongo da Serrinha e entre uma música e outra, eles explicam coisas sobre o jongo.

– Óóóóóóóó… – exclamaram todos ao meu redor.

Eu era definitivamente a pobre que todos procuravam. Não sou do funk e nem do rap, coisas da classe D ou E. Sou classe C para cima, meu bem. Não sou evangélica nem sequer cristã e ainda por cima moro perto de um Guanabara que vive lotado.

– Guanabara, galera, bem… Guanabara é uma loja-conceito onde tem um rapaz que grita de megafone as ofertas e daí, meu irmão, as velhinhas se transformam. Largam a bengala longe e saem correndo te empurrando quando a promoção é de filé de merluza. No subúrbio, fazemos iguarias com Fubá Granfino e lá colocam a casca de ovo quase inteira nas pontas daquela planta Espada de São Jorge para enfeitar. Fica um troço de doido. Parece até Natal em Maricá, gente.

 Os hipsters estavam tendo orgasmos me vendo falar.

– Mas minha casa não fica perto nem do Império, nem da Portela. Eu moro do ouuuutro lado de Madureira. O lado mais residencial, em uma vila, mais especificamente falando.

– Posso fazer umas fotos lá? – perguntou uma fotógrafa.

– Pode. Madureira é público.

– Não. Digo. De sua casa. De sua vila.

Pronto. Era só o que me faltava. Fazer parte do programa do Esquenta-Caviar. Que diabos essa galera queria ver? Se minha cozinha tem filtro de barro? Se tomo banho de balde? Como é a churrasqueira na minha laje? Vão querer buscar tendências de moda no meu guarda-roupa e inspiração de vida nas sábias palavras de Janete?

Por outro lado, pensava enquanto ouvia mais perguntas inusitadas, posso tirar uns dinheiros desses comunistas. Fazer um tour guiado pelo baixo-subúrbio vendendo Guaraná Jesus ou Dolly por cinquenta reais a latinha e, de petisco, ovos rosas cozidos ou sardinha frita  no mesmo óleo usado desde o século 20.

Sou rápida. Quando vi já estava colocando meu projeto-guia-turístico-do-caminho-de-Ogum-e-Iansã em prática:

– Por fim,  vamos todos parar na Feira das Yabás, uma feira que oferece gastronomia e roda de samba, na Praça Paulo Portela. O nome Yabá significa Mãe Rainha e define todos os orixás femininos. As mulheres são as principais figuras do evento, e nas 16 barracas espalhadas pela praça, elas preparam deliciosos pratos da cozinha brasileira, mas que levam uma pitada da culinária africana.

– Óóóóóóóó…

– Mas como é esse negócio do ovo na Espada de São Jorge? – perguntou um com a blusa fora, Temer.

– Só indo lá patuvê… bora?

Todos se animaram.

É isso, galera, agora mais um rótulo para mim. Sou pobreza-premium ao dispor do turista-esquerda-holics-caviar.

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