Quando Morre um Escritor

livro quimado

Dizem que cada vez que um filho morre, as mães de todo o Universo padecem. Dizem também que não importa a nossa idade, ao perder um pai ou uma mãe, tornamo-nos órfãos. E quando morre um escritor? Como ficam os leitores? Para mim, que perdi Saramago, Millor, Drummond entre outros tantos e em uma mesma semana, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Suassuna digo: a sensação é como se um livro (ou quiçá uma biblioteca) fosse queimado.

Não.
É pior do que isso.
Muito Pior.

Sei que os livros escritos não se perdem na erosão, pois o que consta neles transcende a materialidade. E quem os leu antes de serem queimados fez com que a palavra escrita cumprisse, ao seu modo e no seu tempo, o seu destino. Portanto, quando morre um escritor é muito pior. Quando morre um escritor é como se várias clínicas de aborto fossem abertas.

Marias, Capitus, Macunaímas, Policarpos, Palomares, Iracemas, Joões Pedrosos, Anas Claras, Ângelos Marcos e tantos outros grandes personagens deixam de nascer. Quantas crônicas perdemos quando os olhos de um escritor se fecham para sempre?Quantas histórias são sufocadas? O quanto deixamos de crescer quando morre um escritor?

Ah, meus queridos e falecidos escritores, vocês são imortais que matam quando morrem…

Por que morrem?

 

 

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Arquivado em Crônicas, poesia

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