Doutrinação marxista (?)

 

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Agora a moda é dizer que as escolas estão doutrinando alunos porque ensinam Marx. Reinaldo Azevedo, famoso colunista da Veja, disse que “o Brasil precisa de menos sociólogos e filósofos e de mais engenheiros que se expressem com clareza” condenando, como fica claro, a inserção dessas disciplinas no Ensino Médio.

Não foi sem propósito que havia – e há ainda – em muitas escolas muito mais tempos de aula de física, química, matemática do que história, geografia e agora filosofia e sociologia. O papel da ciência na formação dos jovens brasileiros para quem fez esse currículo – que muito serviu à ditadura – deveria ser somente o de possibilitar o domínio de técnicas para a melhoria do processo de trabalho, e não o domínio de técnicas de pesquisa para a investigação da realidade social brasileira. A sociologia e a filosofia sempre foram vistas como um dos melhores instrumentos para a formação de indivíduos com capacidade de questionar, investigar e compreender a realidade social. Não foi sem propósito que foi banida na época da ditadura e que agora sua inserção está sendo criticada por filósofos de direita como Olavo de Carvalho e colunistas da Veja.

Ensinar sociologia sem mencionar Marx é como ensinar física sem mencionar Newton e Biologia sem falar em Darwin. Se apresentar as ideias de um grande pensador é errado, prendam-me, por favor. Estou dando ferramentas para meu aluno pensar!

Mas sim, concordo que exercitar o início de um pensamento crítico e/ou reflexivo que leve o jovem a perceber em alguns antes desimportantes detalhes, fatos ou frases, as contradições, as desigualdades, a realidade a sua volta e que assim esse aluno possa se perceber em seu grupo, como parte deste grupo, se individuar, se compreender e compreender as diferenças, enfim, concordo que fazer o adolescente pensar em conceitos como ‘desenvolvimento social’, ‘ progresso’, ‘liberdade’ e tudo o mais pode ser extremamente arriscado para essa direita que usufruía bastante do antigo currículo sem filosofia e sociologia quando muitas escolas apenas adestravam os alunos para fazer provinhas de vestibular.

No mais, tudo que escreve é em defesa da continuidade da sociedade capitalista e sua desigualdade. Mas, nesse sentido, para esses colunistas da Veja isso não é uma “doutrinação”. A verdade é que somos CON-formados a aceitar nossa sociedade desigual desde a hora que nascemos. Isso posto, penso que ensinar Karl Marx é ensinar a ir além da aparência dessa desigualdade, é olhar para a história da formação do capitalismo e ver a necessidade de desnaturalizá-la, no sentido de entender que é construção histórica e, portanto, pode ser modificada.

Olavo de Carvalho e seus pares têm mesmo muito para se incomodar…

Para finalizar, segue a publicidade veiculada no jornal “O Globo” do programa “Fábrica de Escolas do Amanhã” da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro feita há pouco anos.

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Cabeças baixas, padronização e esteira de produção criam o forte significado de serialidade. Certamente, a analogia com o vídeo “Another Brick in The Wall” é imediata, pela serialidade da padronização dos estudantes como tijolos que formam o muro do sistema. A esteira está descendo o plano da foto, outra observação. Não há elevação de espírito com esse sistema literalmente cinza.

Entre isso e o que chamam de “doutrinação marxista”, o que é preferível para a mente de nossas crianças?

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