Acorda, Rosely Sayão!

Hoje de manhã, indo para o CEFET animadíssima e engarrafadíssima na rua Goiás, às seis e quarenta da manhã, liguei o rádio para ouvir as notícias do dia (anterior) pela bandi nils éfe eme.
Exatamente nesse horário, há uma conversa com uma tal de Rosely Sayão, uma psicóloga super conceituada que transforma os problemas mais cavernosos em coisinhas assim, super simples e fáceis de lidar. Os pais ligam para ela se descabelando e saem da conversa todos penteadinhos sabendo direitinho o que fazer.
Mãe esperta que sou de três filhos em idades completamente diferentes, sei exatamente o que deve ser feito com os filhos dos outros e, na maioria das vezes que a ouço falando e aconselhando, eu me sinto apta a trocar de lugar com essa tal de Rosely. Acho o trabalho dela super simples e as respostas muito óbvias. Por exemplo, se o filho só quiser comer doce na hora do almoço… o que fazer? Moleza, não? E quando o meu filho adolescente não larga o celular?, como limitar o horário do computador?, e se meu filho quiser sair e eu não tiver dinheiro??? Rosely, a psicóloga-cabeça, fala um blá-blá-blá lá afirmando sempre que os pais devem ser mais incisivos em casos como esses, o que traduzido para o vulgo quer dizer que essas coisas se resolvem facilmente no grito e quase nunca na conversa. Nem precisava estudar para ser uma Rosely Sayão. Tudo o que ela diz, ou melhor, dizia que deveria ser feito com essa molecada alheia é patente e eu, claro, concordava. Até que hoje…
Rosely, uma mãe aqui está desesperada porque o filhinho dela de quatro anos vai para a cama dela tooooooda noite. A mãe diz que pega o menininho, coloca de volta na cama, mas diz que ele volta! E esse procedimento acontece umas quatro ou cinco vezes até que a mãe cede e acaba dormindo mal por conta disso. O que fazer, Rosely? Perguntou Inês de Castro, a radialista. Eu, no carro, imaginando essa cena, sendo mãe de um garotinho de três anos que dorme segurando um carrinho, esbanjei sabedoria e respondi à mãe sem titubear: coloca um colchonete no quarto, senhora! Mega óbvio a resposta. Problema resolvido. Simples assim. Sem traumas e aborrecimentos. Próximo! Mas qual o quê! Rosely veio com um conselho pra lá de bizarro. Eu não a conheço pessoalmente nem sei como ela é fisicamente e nunca quis saber, mas hoje comecei a imaginar uma velha de cabelos grisalhos, longos e alvoroçados, portadora de um nariz grande com uma verruga na ponta e usando um chapéu grandão, roxo, em forma de cone falando no microfone. Inês, essa mãe tem que ser mais persistente. A criança tem que aprender que deve dormir sozinha. SO-ZI-NHA? Gritei eu no carro já suando me imaginando no lugar do menininho. Isso mesmo, Inês!, respondeu Rosely me confundindo com outra. O menininho tem que ver que não adianta ele ir para a cama dos pais e que a noite é cada um no seu quadrado, quer dizer, no seu quarto! Que absurdo! Mil vezes que absurdo. Fala sério, Rosely!
Eu, até eu!, que só fui dormir sozinha pela primeira vez quando fui a São Paulo há dois anos atrás (na verdade eu não consegui dormir, mas isso não vem ao caso), sei que todos os bichos do Universo dormem juntos. As galinhas, os macacos, os peixinhos e os passarinhos. Quando um se separa é porque acha que se garante e até onde eu saiba não é o caso nem do leão e nem do gavião! Aqui em casa, todos tem um quarto separado, mas se alguém se sentir inseguro pode vir que eu protejo. E quando meu marido viaja, eu faço questão, mesmo que eles não queiram, de protegê-los. Bóra dormir com a mamãe, galera. Se, por um acaso, eles dispensarem meu quarto eu pego um colchonete e fico de prontidão dormindo ao lado deles. Comigo é assim. Passo a maior segurança pra garotada.
Taaí. Hoje dona Rosely Sayão me decepcionou. Mandei um email para lá manifestando a minha indignação e me colocando à disposição para os ouvintes caso precisem de maiores esclarecimentos sobre o tema. Pelo que tudo indica, o email foi desprezadaço. Por isso vim pra cá, onde sou levada super a sério.

70 Comentários

Arquivado em Crônicas, Opinião

70 Respostas para “Acorda, Rosely Sayão!

  1. Carla,Bom saber que tem gente que me entende nesse mundo. O texto foi uma brincadeira cheia de verdades. Sei que sou fraca, mas não cosigo ser diferente.=)Bom saber que não estou só deste lado.Obrigada pelo comentário

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  2. Olá,o que ela diz é porque ela estudou muito, dê uma olhada em sites científicos de estudos sobre este tema, talvez mude sua visão.A sua raiva e sua manifestação com insultos te tiram a razão. Você poderia falar sobre o que você pensa sem ser agressiva.Cibele

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  3. Cibele…Cibele…Nesse texto que eu mesma escrevi ninguém foi mis insultada por mim do que eu mesma. Leia de novo, querida, e verá o quão irônica eu fui. Debochei de minha fraqueza o texto inteiro.Você tb poderia falar o que pensa sem ser agressiva. Viu como é difícil?De qualquer forma, agradeço o comentário.

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  4. Olá, sou de Sorocaba e esse ano essa tal de Rosely revolucionou a escola que meus filhos estudavam ! Não concordei com esse jeito frio de educar e principalmente com a arrogancia que ela passava ! Infelizmente tive que tira-los de uma das melhores escolas da cidade, que foi onde eu estudei e fui muito feliz do jeito que era ! Ela pode entender tudo de teorias e pesquisas, mas definitivamente não entende de afeto, apego, carinho, amor.. o que, pra mim, é essencial na criação de todo ser HUMANO.Att,Claudia.

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  5. Olá, Claudia.Chato essa sua esperiência com a Rosely. Mas o importante é isso mesmo que vc falou, o apego, o carinho, o respeito…O meu último texto "politicamente corretox polidamente incorreto", discute um pouco isso.Fica o convite.Obrigada pelo comentário.

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  6. Você disse que ela deveria ser parecida com uma bruxa, não acho necessário este comentário. Você pode colocar sua opinião, só que a da Rosely é baseada em estudos. Você não imagina o mal que pode causar um filho dormir com os pais… eu tenho certeza que você ama seus filhos e quer o melhor para eles….Os filhos tendem a independência, precisamos nos perguntar sobre nossas inseguranças como mãe, ou outras questões…Quando o filho fala que está com medo e você diz que ele pode dormir com você, não está legitimando, como se houvesse realmente algo para se preocupar?A dependência é mais confortável para a mãe e não para o filho.Nossos filhos precisam se sentir completamente capazes de superar os desafios do dia a dia.Por exemplo, quando uma criança vai pra escola pela primeira vez e nem olha pra trás, quem chora é a mãe… porque gostaria de se sentir importante…Minha monografia é sobre codependência, não neste contexto, mas no uso de drogas e sempre há alguém na relação que cumpre o papel de ser o que cuida do incapaz… é claro que este exemplo é uma extrapolação do caso que você apresentou, mas as crianças precisam de alguém que cria auto-estima, não que valide suas inseguranças…Claudia,converse com a Rosely pessoalmente um dia e talvez você mude de idéia.Eu conheço pessoalmente o trabalho feito por ela no Objetivo e todas as mudanças foram pra que as crianças sejam indivíduos suficientes, independentes, com auto-estima, sem deixar de lado carinho e afeto.Espero continuar este debate, porque discutir um assunto é sempre positivo.Cibele

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  7. Cleide diz, oi gente tô entrando de sola na conversa..As crianças na sua maioria vão para o quarto dos pais, mais um belo dia pela própria maturidade elas se mudam para seu próprio quarto, aconteceu comigo, meu filho mais velho sempre ia para o nosso quarto no meio da noite, anos a fio, até que um belo dia deixou espontaneamente de ir dormir conosco, aí me dei conta " meu garotinho tinha crescido já com 12 anos 8( um lindo adolescente desabrochou e passou a dormir sozinho).Agora tenho um caçula de 11 anos, próximo a desabrochar, enfim genteo tempo resolve tudo…beijos a todos…

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  8. Cibele, o fato d´eu dizer que ela é parecida com uma bruxa é extremamente proposital para mostrar que tudo não passa de uma brincadeira e para expor a MINHA infantilidade diante de toda essa situação.Se eu não soubesse que faço algo errado o texto não seria escrito. O texto, mais uma vez, Cibele, é um deboche A MIM mesma. Eu sei que dormir no quarto dos pais não é saudável, mas por problemas meus (claros no texto) não tenho forças ainda para agir diferente.É isso.E o que muitos se identificaram com o texto é que os psicólogos, pedagogos e educadores falam como se houvesse somente aquela maneira de fazer e se não fizermos assim estaremos fadados ao fracasso. E não é bem assim. A gente sabe que a dinâmica da vida não tem fórmulas.Agradeço sua presença aqui.

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  9. É Cleide,Eu hoje estou chegando a essa conclusão. Todo mundo tem seu tempo. Meu filho mais velho (agora com 18) com 12 anos queria andar de ônibus sozinho, minha filha hoje de 13 anos nem sonha,morre de medo de andar sem um adulto por perto mas desde que nasceu dorme no quarto dela. O caçula de 4 anos que insiste em ficar junto no nosso quarto parou de usar fralda antes de 1 aninho…Não há fórmulas e esse negócio que os psicólogos fazem, de ficar dizendo que TEM que ser assim senão a desgraça instaurar-se-á (com mesóclise e tudo)no nosso lar é que é a questão aqui.A ditadura do conhecimento adquirido somente nos livros.O debate segue!Obrigada pelo comentário.

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  10. Oi , ontem numa mesa de cafe , 5 professores discutiam a postura desta psicologa na radio Bandinfelizmente é um desperdicio de talento . Gostaria de saber se esta pessoa ïncrivel" ja teve o prazer de ministrar aulas para 20 cr. de 6 anos de idade , vindas de diferentes familias , com varios problemas , e tentou alfabetiza-las…sem apoio familiar e sem recursos pedagogicos , já que ela disse em seu programa a alguns dias que nao faz diferença alguma serem 15 ou 40 alunos em sala… de que planeta saiu esta mulher ????? é pra chorar com estes comentarios …. fala de uma coisa que nem sabe por onde passa !!!!

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  11. Que pena que você perdeu seu precioso tempo escrevendo esse texto. Logo se percebe da sua ignorância e arrogância sobre a ciência da mente e do comportamento, que existe desde o século XIX. Talvez, se o usasse para se informar um pouco mais, usaria sua habilidade em prol da sociedade.

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  12. Oi Anônimo.Ah…não fique preocupado com meu tempo não. Eu me diverti a beça escrevendo isso, tá?Obrigada por ter me instruído sobre a época exata de como surgiu a "ciência da mente". Não sabia que ela existe "desde o século XIX"! Você me parece bem culto e entendido sobre o assunto. Que bom!Um blog que se intitula "Minha Vida é um Blog Aberto" não parece muito mesmo preocupado com a sociedade, né? Você acertou nessa também! Legal! Nesse espaço eu só trabalho o meu umbigo.Obrigada pelo comentário!

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  13. Até que enfim consegui encontrar alguém que não concorda com o monte de asneiras que a Rosely Sayão Fala. Ela deveria ser professora de Ensino Médio por 1 dia antes de falar essas bobagens sem fim. Ela deveria dar apenas 1 exemplo pessoal como professora em uma sala de alunos cheia. O que um teórico fala é bonito no papel, mas a realidade é outra. Essa teórica Rosely Sayão não sabe o que fala! Não entendo como a Band permite que seus ouvintes fiquem irados com tamanha baboseira. ACORDA BAND!

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  14. Aplausos! Esse entrou para as falsidades mostradas no GG (nosso blog Garantindo Gerações – Um guia para Garantir as futuras Gerações).Se quiser nos conhecer, ou não gostar da divulgação em nosso blog, por favor seja sempre bem-vinda!Um abraço

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  15. Até que enfim achei, por acaso, alguém que concordasse comigo.Que conselhos chatos,formatados, sempre me perguntei se esta senhora, a Rosely teve filhos…que chatisse, parece receita de bolo…pronta a ser aplicada por todos com os mesmos resultados, não importando o contexto..Alíás a Ines de Castro,também é muito formal e cheia de conselhos chatos, como tudo que é políticamente correto.Vou acompanhar o seu blog, muito interessante.

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  16. Até que enfim achei, por acaso, alguém que concordasse comigo.Que conselhos chatos,formatados, sempre me perguntei se esta senhora, a Rosely teve filhos…que chatisse, parece receita de bolo…pronta a ser aplicada por todos com os mesmos resultados, não importando o contexto..Alíás a Ines de Castro,também é muito formal e cheia de conselhos chatos, como tudo que é políticamente correto.Vou acompanhar o seu blog, muito interessante.

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  17. Oi, SilvinhaFalaste bem. Essa onda o "politicamente correto" já deu os seus frutos sem sal e sem açúcar. Tá bom disso, o saco já encheu, né?Obrigada pelo seu comentário.

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  18. Muitas vezes não são as escolas que criam os problemas , são os próprios pais que já chegam com o diagnóstico do TDAH e outros !Quisera que eles ficassem pertinho de seus filhotes e os curtissem ao maximo !!!Talvez assim acabaria alguns problemas,tais como :não sei como lidar como meus filhos …

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  19. Curti muito seu texto. Se eu puder acrescentar, eu diria para a Sayão que cada criança é diferente da outra. E que esse menininho de 4 anos talvez precise deste aconchego, justamente para construir de forma eficaz sua autoconfiança. Aliás, consultas por telefone, sem conhecer as pessoas, é algo muito perigoso. Deveria ser feito com mais cuidado. Obrigada por expressar sua opinião e experiência como mãe. Não só os bichinhos ficam unidos, mas muitas culturas humanas também. A própria Rosely se contradiz quando critica os pais por "abandonarem" seus filhso.

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  20. Thais,Obrigada pelo seu comentário e pela sua simpatia.=)Beijo procê!

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